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PLÁSTICO

Indústria química participa de acordo global

Indústria química participa de acordo global

A Abiquim está levando a posição do setor e contribuições técnicas sobre o tema.

Representantes e empresas da indústria química brasileira iniciaram em 29 de maio debate em torno de um acordo global para eliminação da poluição plástica, através do Second Session of the Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution (INC-2) e da qual a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) está presente enquanto membro acreditado na UNEP (United Nations Environment Program). O evento segue até 2 de junho na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris. A Abiquim está levando a posição do setor e contribuições técnicas sobre o tema, que possam subsidiar as discussões e a posição do governo brasileiro sobre o acordo. André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, afirmou que a entidade tem como objetivo dialogar e contribuir ativamente para o tema, lembrando que já faz isso junto aos representantes do governo brasileiro no sentido de adotar um instrumento que seja adequado à realidade de cada País. No primeiro dia, a Abiquim manteve conversas bilaterais com a delegação brasileira, acompanhados pelo ICCA (International Council of Chemical Associations) que apresentou a posição global da indústria química.

A Abiquim apresentou a posição da indústria química brasileira e destacou os seguintes pontos : Impulsionar a produção sustentável por meio do aumento do uso de matérias-primas circulares e, em particular, matérias-primas derivadas de resíduos plásticos para a produção de plásticos. Segundo a Abiquim, isto pode acontecer com a criação de sinais de demanda de mercado por meio de metas de reciclagem nacionais/regionais; por exemplo, taxas de reciclagem junto com metas de conteúdo reciclado em aplicações, o que alavancaria o investimento e as inovações no mercado - inclusive na infraestrutura de gerenciamento de resíduos - e direcionaria fluxo de capital para modelos de negócios mais sustentáveis;

Outro ponto é o design usando princípios de circularidade (por exemplo, para coleta, reutilização e reciclagem); Incentivar o consumo sustentável de plásticos por meio da aplicação de uma metodologia baseada na ciência - por exemplo, uma árvore de decisão - para identificar e abordar usos finais desnecessários de plásticos (aplicações/produtos) em nível local e estimular os governos a estabelecer planos de ação nacionais de gestão de resíduos e permitir políticas para impulsionar o estabelecimento e a aceleração da infraestrutura de gestão de resíduos, incluindo coleta, classificação, reciclagem e descarte seguro de resíduos. O Governo brasileiro é quem vota na elaboração do acordo.

Segundo Passos, no Brasil, a Abiquim conta com apoio de todas as empresas associadas trabalhando ativamente nessa temática, com a implantação e constante renovação do Programa Atuação Responsável, principal iniciativa da Abiquim para promover ganhos em relação ao meio ambiente, saúde e segurança, tendo a sustentabilidade como um dos fundamentos de sua atuação. As primeiras discussões para a construção do acordo aconteceram no INC1 (Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution 1), realizada entre novembro e dezembro do ano passado, no Uruguai, onde a Abiquim, juntamente com o ICCA (International Council of Chemical Associations), reconheceu e apoiou a construção do acordo internacional, visto a importância da ação não apenas para a própria cadeia de economia circular proposta pela indústria química brasileira, mas também como importante contribuição para a sociedade como um todo.

A Abiquim enxerga a assertividade da resolução para estabelecer um acordo global para eliminação da poluição plástica, inclusive no ambiente marinho. A medida tem como prazo 2024 e foi aprovada durante a 5ª Sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA 5.2), em março de 2022, e conta com a participação de todas as partes interessadas no tema, incluindo governos, setor privado (considerando toda a cadeia do plástico), ONGs e comunidade científica e a própria Abiquim.

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Reforçando a premissa de que a indústria química éum dos setores que mais investe em inovação de seus processos e no desenvolvimento de novos produtos, avanços tecnológicos que refletem imediatamente em diversas cadeias produtivas que contribuem para a sustentabilidade e que a química éfundamental para outras indústrias como provedora de soluções sustentáveis, a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) e o programa Atuação Responsável realizaram, em São Paulo, dia 1ºde Abril, um encontro para tratar do tema “COP 21 – o Acordo de Paris”. A proposta era discutir o papel da indústria química e seus produtos na redução das emissões de gases de efeito estufa. Abrindo os trabalhos, Fernando Figueiredo, presidente da entidade, enfatizou que “a indústria química tem consciência do seu papel como promotora do desenvolvimento sustentável e por ser transversal, estápresente em todos os segmentos industriais. Os investimentos do setor em Pesquisa & Desenvolvimento têm contribuído para a criação de produtos com melhor desempenho ambiental”. Na sequência, Weber Porto, Coordenador do Comitêpara Desenvolvimento Sustentável da Abiquim, explicou alguns dos objetivos do novo departamento, como: “a identificação de oportunidades onde a química possa fazer parte de soluções; a busca por novas formas de interesse do setor; definição de prioridades e posicionamento da indústria química brasileira; e a realização de alinhamentos com outras instituições químicas mundiais”. Ao falar do tema sob o ponto de vista econômico –como motivador de crescimento e inovação, Porto citou um trabalho realizado pela consultoria Standard & Poor's com CEOs de importantes empresas mundiais que tem a sustentabilidade como foco, onde 67% afirmaram ter maior retorno sobre capital, 50% menos volatilidade dos lucros e 21% um crescimento mais forte dos dividendos. José Miguez, Secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, detalhou os resultados da COP 21 e a posição do governo brasileiro para as metas estabelecidas no Acordo de Paris. Para o especialista, um dos fatores de sucesso da Conferência das Partes foram as propostas apresentadas por 187 países antes do encontro, de um total de 196 partes –indicando quais seriam seus passos. No momento, aguarda-se o processo de ratificação das assinaturas ou a aprovação de cada congresso para manter a variação da temperatura média abaixo de 2 o C. A partir do que foi estabelecido em Paris a proposta érever a cada cinco anos as metas individuais, tornando mais ambiciosas as próximas etapas. O acordo também entendeu a necessidade de apoio aos países em desenvolvimento e reconheceu a proposta brasileira sobre diferenciação concêntrica, entre outros aspectos. “As soluções da química para a sustentabilidade”foi o tema da apresentação do presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Carlos Fadigas – também presidente da Braskem, que iniciou sua participação definindo o conceito de desenvolvimento sustentável: “atende as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”. Conceito importante nos dias atuais, onde se consome mais do que o planeta écapaz de reciclar ou regenerar, podendo em algum momento exaurir os recursos naturais disponíveis. Atualmente, 16% da população mundial consome quase 80% dos recursos naturais, 2/3 da população não tem renda para acessar o mercado de consumo e 1 bilhão de pessoas sequer tem acesso àágua. Para Fadigas, do ponto de vista ambiental o Brasil tem “o dever de casa feito”, jácom notório esforço de redução das suas emissões e diminuição da taxa de desmatamento. Mas existem enormes desafios na parte social a serem vencidos –“éum dos países mais desiguais do mundo, com retrocesso nos últimos anos. Mais da metade da população não conta com serviços de tratamento de esgoto e os lixões ainda são realidade”, salientou Fadigas, acrescentando como oportunidade a geração de energia a partir dos gases existentes nos aterros de resíduos sólidos.

5 de abril, 2016