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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Altas temperaturas afetam produção de leite

Um estudo realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais ( PFPMCG ), analisou o papel da cidade na modificação do clima. “Observamos que determinados elementos urbanos, o desenho urbano e até edifícios mudam completamente o balanço energético das cidades. Por isso, planos urbanos estratégicos devem absorver soluções a médio e longo prazo”, disse Denise Helena Silva Duarte , professora da FAU-USP que coordena o projeto de pesquisa apresentado em reunião do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), em dezembro. Os recordes de temperatura e a expansão da área urbana de São Paulo preocupam cada vez mais os especialistas. “Nosso objetivo é planejar como podemos lidar com esses dois fatores para a definição de políticas públicas de uso e ocupação do solo, planejamento urbano, projetos de edifícios, adensamento urbano”, disse Denise. Outro estudo apresentado na reunião será realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como objetivo analisar a relação do aumento de temperatura com a queda na produção de leite. Fabiola Freitas de Paula Lopes , professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, diz que o estresse térmico tem afetado as vacas da raça holandesa que não conseguem mais manter a gestação nos meses quentes do ano. “Existe uma queda drástica no número de gestação de vacas leiteiras na época quente do ano. Se esses animais não reproduzem, também não produzem leite. É um problema sazonal que ocorre em várias regiões do mundo, inclusive nas de clima mais ameno. É um problema que tem aumentado e a expectativa é de piora com o aquecimento global”.

Um estudo realizado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), analisou o papel da cidade na modificação do clima. “Observamos que determinados elementos urbanos, o desenho urbano e até edifícios mudam completamente o balanço energético das cidades. Por isso, planos urbanos estratégicos devem absorver soluções a médio e longo prazo”, disse Denise Helena Silva Duarte, professora da FAU-USP que coordena o projeto de pesquisa apresentado em reunião do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), em dezembro. Os recordes de temperatura e a expansão da área urbana de São Paulo preocupam cada vez mais os especialistas. “Nosso objetivo é planejar como podemos lidar com esses dois fatores para a definição de políticas públicas de uso e ocupação do solo, planejamento urbano, projetos de edifícios, adensamento urbano”, disse Denise.
 
Outro estudo apresentado na reunião será realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como objetivo analisar a relação do aumento de temperatura com a queda na produção de leite. Fabiola Freitas de Paula Lopes, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, diz que o estresse térmico tem afetado as vacas da raça holandesa que não conseguem mais manter a gestação nos meses quentes do ano. “Existe uma queda drástica no número de gestação de vacas leiteiras na época quente do ano. Se esses animais não reproduzem, também não produzem leite. É um problema sazonal que ocorre em várias regiões do mundo, inclusive nas de clima mais ameno. É um problema que tem aumentado e a expectativa é de piora com o aquecimento global”.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Especialistas produzem estudo sobre aumento da temperatura da Terra

Entre os dias 6 e 10 de março, 68 cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) vão produzir um relatório especial sobre os impactos do aumento da temperatura do planeta em 1,5ºC. Esta é a primeira reunião do novo ciclo de avaliação Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), iniciado em 2015 e com conclusão em 2021. O encontro acontece no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP) e é também um desdobramento do Acordo de Paris, ratificado pelo Brasil em setembro de 2016. "A reunião no Inpe é a primeira dos autores selecionados dentro do IPCC para participar da elaboração do relatório, que já leva em conta o novo ciclo de avaliação iniciado em outubro de 2015 e que vai até 2021. Eles vão trabalhar em cinco capítulos, que vão tratar de diferentes abordagens relacionadas às mudanças climáticas", afirmou a vice-presidente do IPCC e pesquisadora do Inpe, Thelma Krug. Os especialistas vão abordar o contexto das mudanças climáticas; as trajetórias de mitigação compatíveis com 1,5ºC no contexto do desenvolvimento sustentável; os impactos do aquecimento global de 1,5ºC nos sistemas naturais e humanos; o fortalecimento e a implementação da resposta global à ameaça das mudanças do clima; e o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades. As atividades de pesquisa envolvem os três colegiados temáticos do IPCC, que trabalham a base científica da mudança do clima; impactos, adaptação e vulnerabilidade; e mitigação. "O engajamento dos três grupos de trabalho neste relatório assegura uma visão mais integrada dos temas. Assim como uma mescla de cientistas da área social, humana, especialistas em modelagem climática e das ciências exatas. Isso tudo vai permitir que desenhemos um panorama mais completo sobre o clima no mundo diante dessa temática do aumento de 1,5ºC na comparação com o período pré-industrial", disse a pesquisadora. No encontro haverá a elaboração de outros dois documentos preparatórios. Um deles vai tratar sobre oceanos e criosfera, enquanto o outro vai tratar sobre desertificação, degradação, fluxos terrestres e segurança alimentar.

7 de março, 2017
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Aumento da temperatura prejudica pairar do beija-flor

De acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Taubaté (Unitau), em colaboração com colegas do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP) e da University of Toronto Scarborough, do Canadá, as mudanças climáticas podem causar a redução da atividade de voo de beija-flores e, consequentemente, da polinização de vegetais por esse grupo de aves. O anúncio foi feito durante o Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, realizado com apoio da FAPESP no âmbito de um acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Observamos que o aumento da temperatura causa a diminuição da taxa metabólica de beija-flores [a quantidade de oxigênio consumido necessário para produzir energia]. Com isso, cai a frequência de batimentos de asa das aves e, consequentemente, elas passam a voar menos e diminuem a procura por néctar em flores”, disse Maria Cecília Barbosa de Toledo, professora do Departamento de Biologia da Unitau e coordenadora do projeto. Os pesquisadores estudaram oito espécies de beija-flor encontradas em diferentes altitudes na região do Vale do Paraíba, interior do Estado de São Paulo. Duas das espécies são de baixa altitude – o beija-flor rajado (Ramphodon naevius) e o topetinho-verde (Lophornis chalybeus) –, outras duas são de alta altitude – o beija-flor de topete (Stephanoxis lalandi) e o beija-flor de papo branco (Leucochloris albicollis) –, três ocorrem ao longo de todo o gradiente elevacional do Vale do Paraíba – o beija-flor de fronte violeta (Thalurania glaucopis), beija-flor rubi (Clytolaema rubricauda) e beija-flor de garganta verde (Amazilia fimbriata) – e a última – o beija-flor preto (Florisuga fusca) – é migratória. O grupo de aves foi escolhido porque apresenta uma alta taxa metabólica, relacionada com fatores ambientais, como temperatura e altitude. “Estimávamos que as mudanças climáticas poderiam causar grandes impactos em espécies de beija-flor e que, por isso, podiam ser usadas como bioindicadoras”, disse Maria Cecília. Para estudar os efeitos de variações climáticas os pesquisadores usaram como referência o gradiente climático altitudinal da região montanhosa do Vale do Paraíba, que varia de três metros – como os das cidades de Ubatuba e Caraguatatuba – a 1,8 mil metros de altitude, como o da cidade de Campos do Jordão. Nessas regiões de diferentes altitudes e temperaturas, avaliaram a taxa metabólica do beija-flor rubi (Clytolaema rubricauda) – uma das três espécies de beija-flor que ocorrem ao longo de todo o gradiente altitudinal do Vale do Paraíba. A equipe utilizou um sistema em que a ave é capturada e colocada dentro de uma câmara com um alimentador, no alto do recinto – composto por um tubo plástico contendo uma solução de sacarose a 20% –, e um poleiro que serve de balança para indicar o peso do animal. Para se alimentar da sacarose, o beija-flor precisa pairar no ar e inserir a cabeça dentro do tubo de plástico do alimentador, que funciona como uma máscara respiratória, com passagem de 2,5 mil mililitros (ml) de ar por minuto. Com estes movimentos, a equipe de pesquisa consegue analisar a temperatura, além do volume de oxigênio consumido e o total de dióxido de carbono produzido pela ave durante o voo pairado. “Esse sistema possibilita avaliarmos a taxa metabólica de beija-flores em atividade, que é o dado mais importante para mensurarmos os efeitos das mudanças climáticas no metabolismo dessas aves”, explicou a pesquisadora. Uma das constatações dos experimentos foi que o aumento da temperatura diminui a taxa metabólica do beija-flor rubi. A taxa metabólica da ave foi maior em uma faixa de temperatura mais amena, entre 20.1 e 25 ºC, e menor sob temperaturas mais altas, entre 25.1 e 30 ºC, indicaram os experimentos. Com temperaturas mais altas, o beija-flor diminuiu a frequência de batimento de asas, procurou mais sombra para permanecer em repouso e voou menos para manter seu metabolismo e diminuir o gasto energético, explicou Toledo. “Essa mudança de comportamento pode causar a diminuição da polinização de vegetais por essas aves”, estimou a pesquisadora. “Os beija-flores passam a visitar menos as flores silvestres em busca de néctar e, consequentemente, deixam de transportar pólen de uma flor para outra”, estimou a pesquisadora. “Se a temperatura aumentar, elevando a média das terras altas, provavelmente os beija-flores tentarão acompanhar essa mudança”, estimou Maria Cecília. O aumento da temperatura, contudo, não representa um fator limitante para a sobrevivência dos beija-flores, uma vez que esse grupo de aves possui alta resistência térmica. A temperatura corpórea dos beija-flores é em torno de 40ºC. Dessa maneira, a ave é capaz de suportar, de forma confortável, uma temperatura ambiente em torno de 38ºC – considerada bastante alta –, explicou a pesquisadora. Um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de Lorena, da USP, no âmbito do projeto, identificou que a quantidade de energia disponibilizada pelas plantas para os beija-flores na região do Vale do Paraíba varia de acordo com a elevação. Algumas espécies de plantas visitadas por beija-flores em regiões de terras altas, como Campos do Jordão, possuem néctar com maior teor de sacarose – o açúcar preferido pela ave – do que em regiões de terras baixas, como Ubatuba, apontou o estudo. “Nossa preocupação é se as plantas visitadas pelos beija-flores serão capazes de ajustar suas concentrações de néctar em tempo de acompanhar as mudanças climáticas e continuarem fornecendo energia para essas aves”, ressaltou Maria Cecília.

3 de setembro, 2015