RECICLAGEM

Associação Nacional de Catadores completa 25 anos

Associação Nacional de Catadores completa 25 anos

Organização fortalece cooperativas e amplia logística reversa inclusiva, destacando a importância de políticas públicas e responsabilidade compartilhada.

Fundada em 2000, a Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) comemora 25 anos de atuação com o objetivo de defender os direitos e valorizar o trabalho de quem transforma resíduos em recursos. O desafio, porém, é grande. “Ainda lutamos pela valorização dos catadores e pela implementação efetiva de políticas públicas que reconheçam nossa importância na gestão de resíduos sólidos do país”, destaca Anderson Nassif, diretor da ANCAT e catador há mais de 20 anos.

Entre suas ações mais significativas, a ANCAT tem investido na profissionalização e capacitação de catadores e cooperativas em todo o Brasil. A associação atua como um elo entre governo, iniciativa privada e sociedade, promovendo diálogos para garantir mais recursos e reconhecimento à categoria. “Embora sejam responsáveis pela maior parte da reciclagem no país, os catadores ainda recebem pouco pelo trabalho essencial que realizam. Precisamos mudar essa lógica”, pontua Nassif.

Uma das iniciativas de maior impacto da ANCAT é a plataforma “Reciclar pelo Brasil”, lançada em 2017 em parceria com empresas privadas. Desde então, o programa já recuperou mais de 772 mil toneladas de materiais recicláveis, beneficiando diretamente 512 cooperativas e mais de 28 mil catadores. Segundo Nassif, o objetivo é ampliar a logística reversa inclusiva, priorizando as cooperativas e reintegrando os resíduos ao ciclo produtivo.

Segundo os números apresentados pela ANCAT, foram recuperadas mais de 800.000 toneladas de materiais recicláveis em 269 cidades de todos os 27 estados brasileiros. Para além da recuperação de mais de 772 mil toneladas, a ANCAT através de equipe técnica qualificada, proporcionou para estas organizações capacitações voltadas principalmente para áreas ligadas a saúde e segurança no trabalho, além de apoios na formulação de projetos, visando a participação em editais públicos e privados o que possibilitou resultados expressivos para várias organizações habilitadas e aptas a receberem recursos para melhorias na infraestrutura e logística.

No total, foram recuperadas mais de 772 mil toneladas de resíduos sólidos, gerando uma receita de mais de 492 milhões em materiais comercializados que contribuíram para o desenvolvimento das organizações e distribuídos em forma de renda para os catadores, além de uma redução de 3.306 mil toneladas de emissões de carbono por ano.

Entre os materiais que retornaram ao ciclo produtivo, destacam-se: 190.360 toneladas de plástico, 70.029 toneladas de metal, 418.690 toneladas de papel e 95.512 toneladas de vidro.

Ao longo de sua trajetória, a associação também participou de avanços históricos, como a inclusão dos catadores na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Contudo, os desafios continuam, especialmente com a falta de investimentos governamentais. Durante a pandemia, a associação distribuiu cestas básicas, EPIs e itens de higiene para garantir a sobrevivência dos catadores. "Foi um momento crítico, mas mostramos que a união e a organização são nossas maiores forças", lembra Nassif.

Com os olhos no futuro, a ANCAT planeja ampliar suas ações, incluindo o apoio aos catadores autônomos e aqueles que ainda trabalham em lixões. Em sintonia com as estratégias de ESG (ambiental, social e governança), a associação busca engajar a sociedade civil no descarte correto de resíduos e na valorização dos profissionais da reciclagem. "A responsabilidade é de todos nós. Separar o lixo e apoiar os catadores é mais do que um gesto ambiental, é uma ação social transformadora", conclui Nassif. (Por Luana Oliveira)

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