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SANTA CATARINA

Aumento do nível do mar pode impactar cidades catarinenses

Aumento do nível do mar pode impactar cidades catarinenses

Considerando um aumento de 3°C na temperatura global e com base no mapa interativo desenvolvido pela Climate Central é possível identificar o avanço do mar em áreas ribeirinhas e costeiras do Norte ao Sul de Santa Catarina

A organização Climate Central divulgou, recentemente, um mapa interativo que permite simular como várias cidades, ao redor do mundo, podem ser afetadas pelo aumento do nível do mar, caso as metas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) ultrapassem os 1,5°C previstos no acordo climático de Paris. Ao utilizar a ferramenta, é possível visualizar como o avanço do mar pode impactar os municípios costeiros de Santa Catarina nas próximas décadas. Segundo o oceanógrafo e especialista na área de Gestão da Zona Costeira, o professor da Univali Marcus Polette, uma forma de reduzir a exposição ao aumento do nível do mar causado pelos efeitos do aquecimento global, estaria no cumprimento das metas previstas no Acordo Climático de Paris. No entanto, o professor avalia que, mesmo se todos os países do mundo implementarem todos os seus compromissos climáticos, provavelmente isso já não será o suficiente para manter o aquecimento global em 1.5ºC acima dos níveis pré-industriais, o que os cientistas consideram necessário para prevenir os piores impactos climáticos.

Em um cenário de altas emissões, o IPCC constata que o mundo pode aquecer até 5,7°C até o ano de 2100 – com resultados catastróficos, segundo Polette. “As projeções do IPCC avaliam que iremos passar por fenômenos climáticos cada vez mais frequentes e intensos. Um artigo veiculado no jornal francês L´Humanité, há poucos dias, alerta que 20% da costa francesa já está ameaçada. A publicação aponta que, a cada semana, uma área equivalente a um campo de futebol já vem sendo perdida por conta de processos erosivos causados pela elevação do nível do mar. É evidente que estamos cada vez mais sujeitos às mudanças do clima e, ao longo deste século, certamente as futuras gerações sofrerão gravemente com as inconsequentes tomadas de decisões dos seus pais e avós. Ninguém ficará imune, no entanto, as populações mais vulneráveis serão as primeiras a sentirem os efeitos das mudanças climáticas.", alerta o professor.

Considerando um aumento de 3°C na temperatura global e com base no mapa interativo desenvolvido pela Climate Central é possível identificar o avanço do mar em áreas ribeirinhas e costeiras localizadas do Norte ao Sul de Santa Catarina. No Litoral Norte estão os municípios banhados pela Baía da Babitonga e cidades como Araquari, Barra Velha, Balneário Piçarras, Penha, Navegantes, Itajaí e Balneário Camboriú. Na Grande Florianópolis, aparecem municípios como Tijucas, Biguaçu, Paulo Lopes e a área Norte da Capital. Já no Litoral Sul cidades como Imbituba, Laguna, Tubarão, Jaguaruna e Araranguá estariam entre as afetadas. “Itajaí e Navegantes, por exemplo, são dois municípios que foram ocupados sobre uma imensa planície costeira com cota altimétrica muito baixa, ou seja, terras de origem fluvial as quais naturalmente inundam, pois fazem parte do ciclo dos rios, sendo áreas também bem propícias para os alagamentos. São inúmeros os bairros que, infelizmente, foram assentados em cima desta imensa várzea do Rio Itajaí-açu.", conta.

O professor diz que, em 2006, um estudo realizado para o macrozoneamento do Município de Itajaí, constatou que 40% do território da cidade está situado em terrenos desta natureza. O docente também chama a atenção, especialmente, para a situação dos bairros Santa Regina e Colônia Japonesa. “O Bairro Santa Regina é um bairro recente e, por incrível que pareça, até uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), como são chamadas as áreas para projetos destinados à população de baixa renda, foi projetada e implementada naquele local, muito próximo às margens do Rio Itajaí-Açu. Isso sem falar que, nesta última alteração do Plano Diretor, uma imensa área de depósito paludial - que são tipos de solo pantanosos, frágeis e alagadiços formados por sedimento lamoso de turfa - situada na Colônia Japonesa, foi considerada área de expansão urbana.", observa o estudioso. Outra característica que torna Itajaí e Navegantes ainda mais vulneráveis, segundo o especialista, é o fato de receberem a drenagem da maior bacia hidrográfica de Santa Catarina, formada pelo Rio Itajaí-Açu, associada à do Rio Itajaí-Mirim. “Além disso, temos outro sério agravante quando a água da bacia hidrográfica chega ao estuário e acaba represada pelos ventos que chegam do mar.", acrescenta.

Polette afirma que os governos precisam ampliar esforços para reduzir as emissões de CO2 e estar preparados para lidar com os impactos decorrentes das mudanças climáticas estabelecendo estratégias, com base em informações técnicas, para ordenar o uso e ocupação do solo das cidades. Na avaliação do pesquisador, a construção dos Planos Diretores precisa, urgentemente, determinar quais locais serão conservados para áreas de escape das inundações - algo que já vem sendo feito em países da Europa – e adotar medidas para prevenir a erosão praiana, agravada pelo avanço do mar. “Os planos diretores municipais precisam incluir políticas fundamentais para o ordenamento do território, fazer adaptações às mudanças do clima, seguir as orientações do Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima, o Projeto Orla, e implementar Leis Municipais para garantir o gerenciamento costeiro. Estamos muito distantes da urgência necessária para mitigar os problemas que, rapidamente, virão em função das mudanças do clima. O aumento da temperatura global será maior a cada ano e isso poderá causar outros problemas graves como a infestação de vetores, a alteração no padrão de várias culturas agrícolas e, inclusive, impactar a economia dos municípios que dependem do turismo de sol e praia.", enfatiza.

Para o professor, diversos municípios catarinenses já estão suscetíveis a processos erosivos e às inundações que, em grande parte, decorrem do processo de urbanização acelerado e sem planejamento adequado. “As cidades cresceram de forma muito espontânea e com uma forte orientação política no uso e ocupação do solo deixando de considerar critérios ambientais técnicos neste processo. O mapa disponibilizado pela Climate Central pode ser visualizado pelo link https://coastal.climatecentral.org/. A organização reitera que o recurso deve ser considerado como uma ferramenta de triagem, que pode auxiliar na identificação dos locais que podem exigir uma investigação mais profunda de risco. “O uso de satélites para determinar o nível do mar e ainda a avaliação altimétrica do terreno alcançou uma precisão sem precedentes. A tecnologia avança, cada vez mais, para que possamos estar mais certos das medidas mais corretas nos processos decisórios e, neste sentido, a ciência está disponível para encontrar soluções para a sociedade como um todo.", complementa Polette.

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10 de junho, 2024
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Mara Fornari Segundo o sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) recentemente divulgado, é inegável a influência da ação humana para o aumento do aquecimento global e os impactos das variações de temperatura nos próximos anos em diversas áreas do planeta, com sérias consequências para segmentos fundamentais da economia mundial. Buscando trazer essa discussão para o âmbito nacional, a Academia Brasileira de Ciências promoveu o evento “O Brasil e as Mudanças Climáticas – o novo Relatório do IPCC”, coordenado pelo físico e membro titular do órgão, Luiz Davidovich. Abrindo as discussões, Paulo Artaxo, Professor de Física da USP e membro do IPCC, salientou que o novo relatório AR6 WG1 traz linguagem mais incisiva em relação aos anteriores, onde as mudanças recentes no clima são generalizadas, rápidas e intensificadas e sem precedentes em pelo menos 6.500 anos na história do planeta e que as mensagens científicas são diretas, como a que diz que “a menos que haja reduções imediatas, rápidas e em grande escala nas emissões de gases de efeito estufa, limitar o aquecimento a 1,5ºC pode ser impossível”. Sem dúvida, as atividades humanas estão tornando os eventos climáticos mais extremos, incluindo ondas de calor, chuvas fortes e secas, cada vez mais frequentes e severas. Ou seja, se não reduzirmos as emissões, os impactos se tornarão cumulativos e cada vez maiores. O relatório também fala de maneira explícita que algumas mudanças climáticas são irreversíveis – “no entanto, algumas podem ser retardadas e outras interrompidas se as emissões forem limitadas. Recado claro da ciência para que os governos efetivamente tomem medidas concretas para reduzir as emissões”, ressalta Artaxo. Para limitar o aquecimento global são necessárias reduções fortes, rápidas e sustentadas de CO2 , metano e outros gases de efeito estufa. Isso não apenas reduziria as consequências das mudanças climáticas, mas melhoraria a poluição do ar nas cidades. Leia a matéria completa na edição 199 de Saneamento Ambiental

23 de setembro, 2021
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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou relatório no qual afirma que a temperatura média do planeta aumentou 0,87° C desde o período pré-industrial, porém de forma diferente sobre os oceanos e a superfície terrestre. Em terra, a temperatura já é de 1,53°C - acima, portanto, da meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris aprovado por 155 nações - inclusive o Brasil - em 2015. O aumento da temperatura na terra é explicado principalmente pela desertificação e a degradação do solo, o que pode impactar severamente a segurança alimentar. "Proteger nosso clima e alimentar o mundo exige ação urgente. O relatório do IPCC chega no momento em que os alertas de desmatamento da Amazônia mostram crescimentos absurdos, bem acima da destruição verificada ano passado", afirma Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. Segundo cientistas de diversas partes do mundo, atualmente não basta apenas zerar as emissões globais de combustíveis fósseis mas também acabar com o desmatamento, proteger e restaurar florestas e ecossistemas naturais, que são sorvedouros naturais de CO2. Além disso, alertam para a necessidade de substituir commodities agrícolas por alimentos sustentáveis, em especial com a redução na produção de leite e diminuição no consumo de carne bovina. Segundo o IPCC, o consumo de carne mais do que dobrou nos últimos 60 anos, à medida que os solos foram convertidos para uso agrícola. Hoje, as emissões do sistema alimentar como um todo, incluindo produção e consumo, representam até 37% do total global de emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. "Empresas agrícolas precisam abandonar promessas vagas e mudar radicalmente suas práticas predatórias; e governos precisam assumir suas responsabilidades para com a proteção de florestas, respeitando o direito das populações tradicionais e povos indígenas. Mudar a forma como produzimos alimentos e o que comemos ajudará a proteger o clima e a promover a segurança alimentar em escala global", diz Adário. O relatório especial do IPCC é o mais amplo estudo científico feito até hoje sobre mudança climática e os solos. Os cientistas alertam que mais de um quarto da superfície coberta por terra no planeta está sujeita à degradação induzida pelo homem. O relatório aponta também que 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa provêm do desmatamento, das queimadas e da agricultura, mas afirma que as florestas e o solo, se bem manejados, podem atuar como um poderoso sorvedouro de carbono para ajudar a mitigar o pior das mudanças climáticas.

14 de agosto, 2019
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Especialistas produzem estudo sobre aumento da temperatura da Terra

Entre os dias 6 e 10 de março, 68 cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) vão produzir um relatório especial sobre os impactos do aumento da temperatura do planeta em 1,5ºC. Esta é a primeira reunião do novo ciclo de avaliação Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), iniciado em 2015 e com conclusão em 2021. O encontro acontece no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP) e é também um desdobramento do Acordo de Paris, ratificado pelo Brasil em setembro de 2016. "A reunião no Inpe é a primeira dos autores selecionados dentro do IPCC para participar da elaboração do relatório, que já leva em conta o novo ciclo de avaliação iniciado em outubro de 2015 e que vai até 2021. Eles vão trabalhar em cinco capítulos, que vão tratar de diferentes abordagens relacionadas às mudanças climáticas", afirmou a vice-presidente do IPCC e pesquisadora do Inpe, Thelma Krug. Os especialistas vão abordar o contexto das mudanças climáticas; as trajetórias de mitigação compatíveis com 1,5ºC no contexto do desenvolvimento sustentável; os impactos do aquecimento global de 1,5ºC nos sistemas naturais e humanos; o fortalecimento e a implementação da resposta global à ameaça das mudanças do clima; e o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades. As atividades de pesquisa envolvem os três colegiados temáticos do IPCC, que trabalham a base científica da mudança do clima; impactos, adaptação e vulnerabilidade; e mitigação. "O engajamento dos três grupos de trabalho neste relatório assegura uma visão mais integrada dos temas. Assim como uma mescla de cientistas da área social, humana, especialistas em modelagem climática e das ciências exatas. Isso tudo vai permitir que desenhemos um panorama mais completo sobre o clima no mundo diante dessa temática do aumento de 1,5ºC na comparação com o período pré-industrial", disse a pesquisadora. No encontro haverá a elaboração de outros dois documentos preparatórios. Um deles vai tratar sobre oceanos e criosfera, enquanto o outro vai tratar sobre desertificação, degradação, fluxos terrestres e segurança alimentar.

7 de março, 2017