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MEIO AMBIENTE

Leonardo Boff afirma que oceano virou uma verdadeira cloaca humana

Leonardo Boff afirma que oceano virou uma verdadeira cloaca humana

O filósofo defende que haja um movimento global em favor da purificação dos oceanos. “Porque grande parte do próprio oxigênio vem dos oceanos, dos corais. E isso tudo virou uma grande cloaca"

Durante entrevista na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o teólogo e filósofo Leonardo Boff disse que “O Oceano virou uma verdadeira cloaca humana”. O chamado pai da Teologia da Libertação e que desde jovem atua em várias frentes, em defesa dos pobres e oprimidos, afirmou que “é inaceitável que tenhamos atualmente quilométricas ilhas de lixo acumuladas nos oceanos”. O filósofo defende que haja um movimento global em favor da purificação dos oceanos. “Porque grande parte do próprio oxigênio vem dos oceanos, dos corais. E isso tudo virou uma grande cloaca", argumentou.

A entrevista ocorreu após palestra no evento Planeta DOC, que apresentou inúmeros debates e exibição de documentários em favor do meio ambiente. Segundo Boff, falta uma conscientização de forma urgente em favor dos oceanos. “Alguns cientistas afirmam que com o aquecimento global e com o derretimento das calotas polares, os oceanos podem subir um metro, um metro e meio, e quase todas as cidades marítimas se acabariam”, alerta. Para o teólogo, se não forem adotadas medidas emergenciais, comunidades inteiras podem submergir. “Eu estava pensando no Rio de Janeiro, se o mar invade, pega toda a Baixada, entra e não volta mais. Não volta porque é tudo plano", destaca Boff.

A solução apresentada pelo filósofo está na raiz dos problemas, ou seja, em quem produz lixo, poluição, e consequentemente as mudanças climáticas. “Nós temos que ser radicais e ir na raiz da questão. Porque o sistema nos engana. Ele mostra os problemas, mas não mostra as raízes, as causas de onde vêm as coisas”. O professor de ecologia marinha, oceanografia e ficologia (estudo das algas) na UFSC, pós-doutor Paulo Horta, concorda e vai além “Se não segurarmos o aquecimento Global nos próximos 15 anos, poderemos ter a sexta extinção em massa, ameaçando nossa própria existência, e isso passa pela política, pelos governantes, pelos empresários, e por cada cidadão", afirma.

Paulo Horta ainda ressalta que “todos temos que tomar atitudes para frear as mudanças climáticas". Do ponto de vista da elevação do nível do mar, o cientista nos alerta que poderemos viver eventos cada vez mais frequentes e intensos de inundação e erosão costeira. “Poderemos viver, em décadas, elevação do nível do mar de múltiplos metros”. O pesquisador lembra que no passado o nível do mar já subiu mais de 10 metros em 350 anos. “O que nos leva ao fato que a aceleração do derretimento das geleiras dos polos pode estar nos dizendo que estamos diante de um novo evento de rápida e trágica elevação do nível do mar de múltiplos metros”.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Terra e oceanos mais quentes, segundo IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou relatório no qual afirma que a temperatura média do planeta aumentou 0,87° C desde o período pré-industrial, porém de forma diferente sobre os oceanos e a superfície terrestre. Em terra, a temperatura já é de 1,53°C - acima, portanto, da meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris aprovado por 155 nações - inclusive o Brasil - em 2015. O aumento da temperatura na terra é explicado principalmente pela desertificação e a degradação do solo, o que pode impactar severamente a segurança alimentar. "Proteger nosso clima e alimentar o mundo exige ação urgente. O relatório do IPCC chega no momento em que os alertas de desmatamento da Amazônia mostram crescimentos absurdos, bem acima da destruição verificada ano passado", afirma Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. Segundo cientistas de diversas partes do mundo, atualmente não basta apenas zerar as emissões globais de combustíveis fósseis mas também acabar com o desmatamento, proteger e restaurar florestas e ecossistemas naturais, que são sorvedouros naturais de CO2. Além disso, alertam para a necessidade de substituir commodities agrícolas por alimentos sustentáveis, em especial com a redução na produção de leite e diminuição no consumo de carne bovina. Segundo o IPCC, o consumo de carne mais do que dobrou nos últimos 60 anos, à medida que os solos foram convertidos para uso agrícola. Hoje, as emissões do sistema alimentar como um todo, incluindo produção e consumo, representam até 37% do total global de emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. "Empresas agrícolas precisam abandonar promessas vagas e mudar radicalmente suas práticas predatórias; e governos precisam assumir suas responsabilidades para com a proteção de florestas, respeitando o direito das populações tradicionais e povos indígenas. Mudar a forma como produzimos alimentos e o que comemos ajudará a proteger o clima e a promover a segurança alimentar em escala global", diz Adário. O relatório especial do IPCC é o mais amplo estudo científico feito até hoje sobre mudança climática e os solos. Os cientistas alertam que mais de um quarto da superfície coberta por terra no planeta está sujeita à degradação induzida pelo homem. O relatório aponta também que 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa provêm do desmatamento, das queimadas e da agricultura, mas afirma que as florestas e o solo, se bem manejados, podem atuar como um poderoso sorvedouro de carbono para ajudar a mitigar o pior das mudanças climáticas.

14 de agosto, 2019
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OCEANOS
Alertam sobre aquecimento e poluição

Al Gore, vice-presidente dos Estados Unidos (1993-2001), presidente e co-fundador da Generation Investment Management, afirmou que o planeta vive uma "emergência global verdadeira e completa" para os oceanos. "Isso reflete o que a comunidade científica tem nos dito", disse ele. Al Gore já havia comentado que o aquecimento global captura a energia térmica equivalente a 500 mil bombas atômicas da classe de Hiroshima todos os dias. Outros especialistas repetiram a urgência da mensagem de Gore. "Se todos soubessem o quanto isso é sério, todos seriam ativistas", disse Nina Jensen, diretora executiva da REV Ocean. "Em nossa vida - nos últimos 40 anos - perdemos 40% da vida nos oceanos". Com mais de 50% das superfícies oceânicas sendo alvejadas por frotas pesqueiras industriais, 90% dos peixes grandes nos oceanos, incluindo atum e tubarões, agora desapareceram, de acordo com Enric Sala, Explorador-residente da National Geographic Society. "Comemos eles nos últimos 100 anos", disse ele. Entretanto, a boa notícia é que a vida marinha pode se recuperar rapidamente. "Quando você protege as áreas da pesca, a recuperação é espetacular", disse Michelle Bachelet, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Presidente do Chile (2006-2010). Um dos principais vilões dos oceanos atualmente são os resíduos plásticos. Gore comentou que "o peso do plástico será maior que o peso dos peixes" nos oceanos do mundo até o ano 2050. Mas também é um problema que pode ser resolvido. "Dez rios trazem 80% de plástico para os oceanos", disse Sala, sugerindo que "se descobrirmos como o plástico penetra nesses rios, podemos fazer algo a respeito". Marc Benioff, presidente e co-diretor executivo da Salesforce e fundador da Friends of OceanAction, apontou para uma potencial catástrofe que os esforços concentrados ainda poderiam impedir: a mineração de fundos marinhos. "Há empresas que criam veículos de mineração marítima usando essas tecnologias da Quarta Revolução Industrial", disse ele. "Esses veículos autônomos estão prestes a afundar, escavar e triturar as coisas, e plumas tóxicas surgirão e entrarão em nosso ecossistema. A mineração de leito marítimo ainda não começou. Precisamos chegar a nossos políticos locais. Precisamos de declarações ao redor da mineração do fundo do mar, o que ainda não aconteceu", disse Benioff, acrescentando:" Isso é motivo de otimismo”. Para todos os envolvidos em buscar soluções para a preservação dos oceanos, é necessário um urgente financiamento para a ciência marinha e a pesquisa oceanográfica. "O que queremos fazer é melhorar nosso conhecimento e compreensão, levar esse conhecimento para os tomadores de decisão e transformar esse conhecimento em ação”. Embora concordando que nunca é tarde demais para a ação, Sala lamentou: "Estamos no cassino do Titanic, tentando ganhar tanto dinheiro quanto pudermos depois de atingir o iceberg".

29 de janeiro, 2019
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OCEANOS
Acordo para proteção até 2021

O CEO do Grupo Suez, Jean-Louis Chaussade, e Vladimir Ryabinin, secretário executivo da Comissão Oceanográfica Intergovernamental e diretor da Unesco, assinaram acordo que visa a proteção dos oceanos até 2021. A participação da Suez em áreas de inovação e pesquisa com acadêmicos sobre temas como a acidificação e a oxigenação dos oceanos alimentará inovações e soluções, políticas e ações nacionais, além de educar sobre a poluição oceânica. Principal regulador climático, o oceano atualmente é ameaçado por uma poluição originária 80% na terra. Calcula-se que entre 8 e 12 milhões de toneladas de plásticos sejam despejadas nos oceanos anualmente. A produção global de plástico chega a 300 milhões de toneladas por ano, dos quais apenas 25% são reciclados. Desde o lançamento da campanha #suez4ocean, em junho de 2017, mais de 48 coletas de resíduos sólidos foram organizadas em 15 países, engajando cerca de 1.650 guardiões do oceano, que têm evitado que 15,5 toneladas de resíduos cheguem aos oceanos. “Em alguns anos, o alarme desencadeado pelo estado dos oceanos tornou-se uma saudável urgência de agir,” diz Jean-Louis Chaussade, CEO do Grupo Suez. “O aquecimento global, a poluição, a urbanização galopante das orlas geram uma degradação sem precedentes da qualidade dos oceanos que ocupam 70% da superfície terrestre. As ações necessárias ainda são muito numerosas”. Segundo as duas partes, o novo acordo permitirá um conhecimento maior dos oceanos e das ações que precisam ser implementadas para sua proteção.

14 de setembro, 2018
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Sarney Filho defende meta de 1,5°C

No último dia 28 de julho, em evento sobre Olimpíada e Mudanças Climáticas, realizado no Rio de Janeiro, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, defendeu a meta de 1,5 ° C como limite para o aquecimento global. “Na luta contra a mudança do clima não temos opção senão vencer. Por isso reitero e renovo o compromisso do nosso ministério de dar pleno cumprimento ao Acordo de Paris e fazer todos os esforços para que globalmente sejamos vitoriosos em limitar o aumento da temperatura em 1,5 ° C. Meio grau pode parecer pouco. Mas para muitos pode significar a sobrevivência”, declarou Sarney Filho. “As palavras do ministro Sarney Filho em nome do governo brasileiro, pela primeira vez tratando o limite de 1,5 ° C como a meta a ser buscada e vê-lo reconhecer que isso requer esforço maior do que as metas dos países para o Acordo de Paris, representam um avanço importantíssimo”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Rittl disse que agora é esperar que o discurso do ministro passe à prática, e que torne a ação climática um pilar fundamental da agenda de desenvolvimento. O ministro também defendeu fortalecimento das políticas ambientais. “Para conseguirmos criar uma economia de baixo carbono até meado do século que de fato limite o aumento da temperatura em no máximo 1,5 ° C em relação à era pré-industrial, precisamos fortalecer as políticas ambientais. Elas não podem ser vistas como entraves ao crescimento econômico, mas precisam ser encaradas como uma verdadeira solução para termos um padrão de desenvolvimento sustentável com inclusão social e respeito ao meio ambiente”. Os prejuízos que as mudanças climáticas já estão causando ao Brasil também foram lembrados pelo Ministro: “Somos um país-continente. Já sofremos fortes impactos da mudança do clima como aumento das cheias e as secas cada vez mais extensas e extremadas no Nordeste. Nossos rios sofrem com falta de água. Nossas matas sofrem com queimadas que são ampliadas pelo câmbio climático. Temos muito que fazer se quisermos de fato criar uma economia sustentável e de baixo carbono”.

5 de agosto, 2016
Dimensão ecológica da globalização
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Dimensão ecológica da globalização

Por Reinaldo Dias* Costumamos entender globalização como um fenômeno essencialmente econômico que envolve um aspecto comercial com a abertura dos mercados, uma globalização financeira caracterizada pela liberalização dos movimentos de capitais e uma dimensão tecnológica baseada no desenvolvimento e na expansão das novas tecnologias. Nas análises sobre o processo de globalização a dimensão ecológica tem sido pouco destacada, embora tenha contribuído significativamente para que o mundo reduza seu tamanho. Diversos problemas ambientais tem uma dimensão global como: a redução da biodiversidade, as alterações climáticas induzidas pelo homem, o efeito estufa, a diminuição da camada de ozônio entre outros que contribuem para uma maior aproximação entre os habitantes do planeta que vão se conscientizando de que o mundo é um só, e para mantê-lo é necessária a participação de todos. Como uma das questões mais urgentes a serem enfrentadas destaca-se o aquecimento global que tem afetado diversas regiões do mundo. As altas temperaturas assolaram boa parte do Brasil em 2014, a Califórnia enfrenta a pior seca de sua história, temperaturas de mais de 47°C à sombra mataram mais de 800 pessoas na Índia em maio de 2015. As maiores temperaturas do planeta desde o século XIX, quando se iniciou seu acompanhamento foram registradas no ano passado, e neste ano o prognóstico dos cientistas é que a temperatura média será ainda maior. Nesse caso é a sobrevivência humana que está em pauta. Por isso, a solução deverá vir de uma abordagem ampla que não reduza a área de ação a nenhum lugar geopolítico determinado, pois o meio ambiente, as mudanças climáticas, não reconhecem fronteiras políticas. Aqui surge uma dificuldade. Uma solução global passa pelo estabelecimento de um amplo consenso de como enfrentar a crise ambiental, o que nem sempre é fácil de ser obtido. No entanto os problemas são globais e exigem respostas no plano internacional, nenhum Estado isolado conseguirá resolvê-los. A solução só virá da união consensual de todos. Daí a importância dos fóruns internacionais, debates, discussões, infindáveis reuniões para obtenção de medidas coletivas para enfrentar o problema. Obter propostas comuns envolvendo uma grande diversidade de culturas, que apresentam pontos de vista e ideias muitas vezes completamente opostas, exige um enorme esforço e boa vontade para que se obtenha um consenso. No final deste ano a humanidade terá mais uma oportunidade de dar um salto para frente, pois ocorrerá em Paris a COP-21 (Conferência das partes) que tem como objetivo obter um acordo vinculante global sobre reduções de gases de efeito estufa, que substituirá o protocolo de Quioto que venceu em 2012 e que foi prorrogado até 2020. As discussões anteriores foram difíceis, com destaque para a de Copenhague (COP-15) em 2009 quando se tentou alcançar um novo acordo mundial, mas as negociações fracassaram. A de dezembro de 2014 (COP-21) realizada em Lima já avançou um pouco mais no sentido de que se estabeleceu um novo consenso de que os países em desenvolvimento deveriam arcar de algum modo com os custos de combate ao aquecimento global. Nesse encontro repercutiu positivamente o acordo entre EUA e China, os dois principais emissores de gases efeito estufa (GEE), e que estabeleceram metas de redução de emissões. O cenário positivo para o encontro de Paris é motivado pelo maior conhecimento científico sobre as metas para que se consiga limitar o aquecimento global em, no máximo, 2 graus Celsius, sobre a temperatura do período pré-industrial. O Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), síntese de estudos de milhares de cientistas de todo mundo, divulgado em 2013, confirmou com ainda maior clareza que o homem é responsável pelo atual aquecimento do planeta. O documento concluiu afirmando que: a principal causa do aquecimento global é a emissão de GEE pelas atividades humanas, com destaque para as emissões de gás carbônico; os mares estão se tornando mais ácidos pela absorção de gás carbônico; o gelo está em recuo acelerado na maior parte das regiões frias do mundo; o regime de chuvas, as correntes marinhas e o padrão dos ventos estão sendo perturbados, aumentando a tendência de secas e enchentes. Se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimento vai aumentar, podendo chegar a 4,8°C até 2100, com efeitos catastróficos para a humanidade. A contribuição da comunidade científica internacional está sendo decisiva para que se adotem medidas no âmbito político internacional. O passo dado pela China e EUA foi importante para que o encontro de Paris seja um sucesso. Nessa reunião será necessário que se adotem medidas concretas a serem seguidas por todas as nações, deixando de lado as propostas excessivamente endógenas e privilegiando aquelas que visam ao fortalecimento do convívio global e da perspectiva humanitária priorizando a sobrevivência de todos e das gerações futuras. *Reinaldo Dias é professor da Universidade Mackenzie Campinas. É mestre em Ciência Política, doutor em Ciências Sociais pela Unicamp e especialista em Ciências Ambientais.

29 de maio, 2015