SANEAMENTO

Avanço lento e desigualdades regionais no País

Avanço lento e desigualdades regionais no País

Levantamento revela que a maioria dos municípios permanece em estágio intermediário, enquanto só uma capital figura entre as cidades mais bem avaliadas do país.

A universalização do saneamento básico no Brasil segue como um dos maiores desafios de infraestrutura e saúde pública do país, conforme aponta o Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025. Entre 2.483 municípios com dados completos avaliados, apenas 63 (2,54%) alcançaram a categoria mais elevada — “Rumo à universalização” — que indica proximidade com metas de cobertura de água potável, coleta e tratamento de esgoto e manejo adequado de resíduos sólidos. Isso significa que menos de três em cada cem cidades brasileiras estão perto de cumprir integralmente os serviços essenciais, considerando as metas nacionais para 2033.

Os dados revelam uma distribuição profundamente desigual dos serviços de saneamento pelo território nacional. Enquanto a ampla maioria — 1.843 municípios (74,22%) — figura na faixa intermediária de “Empenho para a universalização” e outros 307 (12,36%) estão em “Compromisso com a universalização”, cerca de 270 ainda dão apenas os “primeiros passos” rumo às metas. Além disso, mais da metade das cidades brasileiras sequer forneceram os cinco indicadores necessários para figurarem no ranking, ficando de fora da análise nacional.

No recorte das capitais estaduais, o destaque é singular: Curitiba (PR) é a única capital classificada na categoria “Rumo à universalização”, com pontuação superior a 489 em uma escala de até 500 pontos, resultado que reflete níveis muito altos de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e destinação adequada de resíduos. Salvador (BA), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e João Pessoa (PB) aparecem na faixa de “Compromisso com a universalização”, com pontuações entre aproximadamente 450 e 489, o que indica desempenho relativamente avançado, mas ainda insuficiente para considerar universalizados os serviços essenciais.

O panorama brasileiro revela também fortes desigualdades regionais: dos 63 municípios mais bem colocados no ranking, a maioria está no Sudeste, e nenhum município da Região Norte figura entre os que estão “Rumo à universalização”. Especialistas destacam que o tratamento de esgoto continua sendo o principal entrave técnico e estrutural para o avanço no país e que a presença de um Plano Municipal de Saneamento Básico está associada a melhores resultados. A universalização, defendem técnicos e gestores, requer não apenas investimentos em infraestrutura, mas políticas públicas integradas, cooperação entre esferas de governo e amplo planejamento de longo prazo.

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