SANEAMENTO

Benefícios com investimentos em Alagoas devem alcançar R$ 13 bilhões

Benefícios com investimentos em Alagoas devem alcançar R$ 13 bilhões

Em 2022, 744 mil pessoas ainda moravam em residências sem acesso à água tratada no estado de Alagoas, o que demonstra um déficit relativo de abastecimento de água de 23,8% da população.

Segundo o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão Saneamento em Alagoas”, realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX Ante Consultoria, o estado de Alagoas entre 2004 e 2022 ofereceu acesso ao serviço de abastecimento de água tratada a 1 milhão de pessoas passaram e outras 354 mil pessoas passaram a ter acesso ao serviço de coleta de esgoto em suas residências. Em 2022, 744 mil pessoas ainda moravam em residências sem acesso à água tratada no estado de Alagoas, o que demonstra um déficit relativo de abastecimento de água de 23,8% da população, uma marca inferior à média da região Nordeste que foi de 24,4% da população, mas superior à média do Brasil.

Em relação ao serviço de coleta de esgoto, o número de habitantes sem acesso à coleta de esgoto foi elevado: 2,519 milhões de habitantes ainda moravam em residências sem coleta de esgoto no estado de Alagoas. Em termos relativos, isso indica que 80,5% da população alagoana não estava ligada à rede geral de esgoto, um índice superior à média da região Nordeste e à média do Brasil. Outro problema do sistema de saneamento do estado de Alagoas foi à falta de tratamento do esgoto. Em 2022, apenas 19,5% da população do estado morava em casas com coleta de esgoto e do total de esgoto gerado (251,4 milhões de m³), apenas 5,9% recebiam tratamento antes de retornar ao meio ambiente.

Entre 2023 e 2040, os benefícios vindos da universalização do saneamento devem alcançar R$ 22,231 bilhões, sendo R$ 11,991 bilhões de benefícios diretos (renda gerada pelo investimento e pelas atividades de saneamento e impostos sobre consumo e produção recolhidos) e de R$ 10,240 bilhões devido à redução de perdas associadas às externalidades. Além disso, haverá um crescente de geração de emprego e renda durante a fase de expansão das redes e a estabilização num patamar de 13,2 mil postos de trabalho na região. Os custos sociais no período devem somar R$ 9,190 bilhões aproximadamente. Assim, os benefícios devem exceder os custos em R$ 13,041 bilhões, indicando um balanço social bastante positivo para a região. Essa relação indica que para cada R$ 1,00 investido em saneamento, o estado de Alagoas deve ter ganhos sociais de R$ 3,70.

Dentre os principais ganhos para Alagoas com a universalização do saneamento entre 2023 e 2040 está a queda do custo com horas pagas e não trabalhadas em razão do afastamento por diarreia, vômito, doenças respiratórias e internações por infecções gastrointestinais na rede hospitalar do SUS no estado de Alagoas. O valor presente da economia total com a melhoria das condições de saúde da população dessa região no período deve ser de R$ 253,299 milhões, que resultará num ganho anual de cerca de R$ 14,072 milhões. Estima-se que haverá um forte aumento de produtividade devido à dinâmica futura do saneamento no estado de Alagoas. O valor presente do aumento de renda do trabalho com a expansão do saneamento entre 2023 e 2040 será de R$ 7,507 bilhões, que resultará num ganho anual de aproximadamente R$ 417,081 milhões.

Em termos de renda imobiliária, estima-se que o ganho para os proprietários de imóveis que alugam ou que vivem em moradia própria será de R$ 52,398 milhões por ano no estado de Alagoas, o que totalizará um ganho a valor presente de R$ 943,172 milhões entre 2023 e 2040, enquanto o turismo deve alcançar R$ 1,536 bilhão, indicando um fluxo médio anual de R$ 85,315 milhões no período. Esse ganho é fruto da valorização ambiental que pode ser obtida com a despoluição dos rios e córregos e a oferta universal de água tratada, pré-condições para o pleno exercício das atividades de turismo.

Entre 2023 e 2040, os investimentos em saneamento deve alcançar R$ 6,018 bilhões em Alagoas. A renda direta, indireta e induzida gerada por esses investimentos deve somar R$ 7,119 bilhões. Assim, os excedentes de renda gerada pelos investimentos devem ser de aproximadamente R$ 1,101 bilhão no período. O estudo calcula que os ganhos de renda total serão de R$ 8,028 bilhões no período pós 2040. Com isso, os benefícios totalizarão R$ 18,183 bilhões. Os custos totais para manter a universalização serão de aproximadamente R$ 5,957 bilhões após 2040. Assim, aos moldes do que foi analisado anteriormente, ao balanço da universalização do saneamento deve ser acrescido um saldo de perpetuidade no valor de R$ 12,226 bilhões, totalizando ganhos de bem-estar de cerca de R$ 25,268 bilhões. Essa relação indica que para cada R$ 1,00 investido em saneamento, o estado de Alagoas deve ter ganhos sociais de R$ 4,80. "O estudo demonstra claramente que investir em saneamento básico é investir no futuro de Alagoas. Os R$ 13 bilhões de ganhos em benefícios projetados até 2040 não são apenas números, são oportunidades reais de melhoria na saúde, no turismo, na produtividade do trabalho e na valorização imobiliária. Cada real investido em saneamento retorna R$ 3,70 em benefícios para a vida de cada cidadão. Um exemplo notável de ganhos é no setor de turismo, pilar para a economia alagoana, que pode experimentar ganhos superiores a R$ 1,5 bilhão. Alcançar a universalização redefinirá permanentemente o futuro do estado, assegurando prosperidade, bem-estar e ganhos incalculáveis para as gerações vindouras”, diz Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil

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