ÁGUA

Brasil não trata contaminantes emergentes

Os contaminantes emergentes clássicos não estão sendo removidos pelos métodos utilizados no sistema de saneamento brasileiros. Esta é a conclusão da tese de doutorado do químico Igor Cardoso Pescara sob orientação do professor Wilson Jardim), defendida no Instituto de Química da Unicamp. Tais contaminantes recebem essa denominação por ainda não serem objeto de legislação específica, embora sejam potencialmente nocivos à saúde humana.

Em sua pesquisa, Pescara analisou a eficiência dos processos usados em cinco estações de tratamento de esgotos (ETEs) localizadas nos municípios de São José de Rio Preto e Campinas, no interior de São Paulo, verificando se as mesmas removiam hormônios endógenos, hormônios sintéticos e produtos de uso industrial como bisfenol, uma substância classificada como estrógeno.
A tese faz parte de um trabalho que está sendo desenvolvido no Laboratório de Química Ambiental da Unicamp, com vistas a fornecer subsídios para promover a alteração da portaria 2914, publicada em dezembro de 2011, pelo Ministério da Saúde, que dispõe sobre os procedimentos para controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano.

A proposta dos pesquisadores brasileiros é que a água distribuída à população não apresente mais do que 0,1 micrograma de cafeína por litro. A cafeína é a substância utilizada como traçador de inúmeros contaminantes emergentes. Onde a substância está presente, há grande probabilidade da presença de outros contaminantes, principalmetne os interferentes endócrinos. Nos testes realizados em laboratório, todas as amostras que continham mais de 10 microgramas de cafeína por litro de água, apresentaram atividade estrogênica.

Pescara informa que a etapa do tratamento biológico, especialmente o anaeróbio, foi o que promoveu a maior remoção dos compostos emergentes nas ETEs. “Numa análise bastante objetiva, é possível dizer que o nosso sistema de saneamento ainda não está devidamente preparado para combater esses novos inimigos. A boa notícia é que temos armas suficientes para enfrentá-los, ou seja, nós dispomos de tecnologias capazes de promover essa remoção com bastante eficiência. O que está faltando, como também já foi dito, é alterarmos a legislação para que possamos oferecer água de melhor qualidade aos brasileiros”, acrescenta. (Fonte: Jornal da Unicamp)

Artigos Relacionados

Uberlândia amplia investimentos para garantir abastecimento
SEGURANÇA HÍDRICA
Uberlândia amplia investimentos para garantir abastecimento

O consumo médio diário por habitante passou de 273,38 litros em 2024 para 275,05 litros em 2025, o que indica comportamento de consumo equilibrado mesmo durante os meses mais secos.

24 de outubro, 2025
Consórcio de pesquisadores vai monitorar ecossistemas fluviais
PESQUISA
Consórcio de pesquisadores vai monitorar ecossistemas fluviais

A iniciativa une dados multidimensionais e multiescalares, inteligência artificial (IA) e análise geoespacial para transformar a forma de monitorar ecossistemas fluviais.

23 de agosto, 2025
Situação da Guarapiranga preocupa por excesso de manganês
MANANCIAIS
Situação da Guarapiranga preocupa por excesso de manganês

A fiscalização constatou a necessidade urgente de adequar o dispositivo de captação da represa Guarapiranga e que houve fornecimento de água fora dos padrões de manganês que ao todo pode ter afetado mais de 2,470 milhões de pessoas.

23 de agosto, 2025
Manutenção preventiva de ETA’s e ETE’s evitam falhas e garantem qualidade da água
SANEAMENTO
Manutenção preventiva de ETA’s e ETE’s evitam falhas e garantem qualidade da água

Não se trata apenas de manter equipamentos em funcionamento, mas é uma medida estratégica e que irá proteger um recurso vital, evitar contaminações, garantir o abastecimento regular de água e o descarte correto dos efluentes.

2 de julho, 2025
Brasil perdeu dois milhões de hectares de cobertura hídrica em 40 anos
BIOMAS
Brasil perdeu dois milhões de hectares de cobertura hídrica em 40 anos

Desde o início do monitoramento, há 40 anos, o Brasil perdeu 1,9 milhão de hectares de superfície coberta por água.

16 de abril, 2025
Fepam analisa qualidade da água em Porto Alegre
QUEIMADAS
Fepam analisa qualidade da água em Porto Alegre

Uma das principais causas da fumaça observada no Rio Grande do Sul nos últimos dias é a influência dos ventos, que transportam a fumaça das queimadas e incêndios na região Central do Brasil

21 de setembro, 2024
Para ONU, metade dos países têm corpos hídricos degradados
ÁGUA
Para ONU, metade dos países têm corpos hídricos degradados

Os documentos constataram que na metade dos países do mundo, um ou mais tipos de ecossistemas de água doce estão degradados, o que inclui rios, lagos e aquíferos

31 de agosto, 2024
Rio Sena tem melhora na qualidade da água para provas olímpicas
INTERNACIONAL
Rio Sena tem melhora na qualidade da água para provas olímpicas

15 de julho, 2024