RIO TIETÊ

Cetesb usa tecnologia para conter fenômeno “nata verde”

Cetesb usa tecnologia para conter fenômeno “nata verde”

A Cetesb implementará tecnologia internacional para combater a "nata verde" causada pela eutrofização no Rio Tietê, em Sabino (SP).

Vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) vai implantar tecnologia já utilizada em cerca de 60 países para reduzir a formação da chamada “nata verde” em um trecho do Rio Tietê. A iniciativa será aplicada no Córrego do Esgotão, em Sabino (SP), área com histórico de florações intensas de cianobactérias que formam manchas esverdeadas na superfície da água. A formação das manchas esverdeadas está associada ao excesso de nutrientes na água, fenômeno conhecido como eutrofização. Em condições favoráveis, como altas temperaturas e maior incidência de luz solar, ocorre uma proliferação acelerada de algas e cianobactérias. Além do impacto visual, esses episódios podem comprometer a qualidade da água e afetar atividades como pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer.

A iniciativa prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água. O objetivo é reduzir a proliferação das algas sem a utilização de produtos químicos e sem causar danos ao ecossistema aquático. "Sabino foi escolhida para receber o projeto-piloto porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para testar e avaliar essa tecnologia em condições reais. A região apresenta histórico de florações de algas, conta com uma base consistente de dados de monitoramento e possui relevância para atividades de lazer, turismo e pesca. Isso permite que os resultados sejam acompanhados tanto do ponto de vista ambiental quanto dos benefícios percebidos pela população", afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, disse que a tecnologia tem sido uma aliada na busca de soluções para aprimorar cada vez mais os resultados obtidos pelo programa IntegraTietê. "Temos avanços consistentes na recuperação do Tietê e seus afluentes e essa nova frente de combate à proliferação de algas por meio do uso de tecnologia ultrassônica se soma a uma série de outras frentes em andamento, de saneamento, desassoreamento, limpeza, conservação, fiscalização e monitoramento", enfatiza. A instalação do sistema está prevista para agosto e a expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados a partir de 90 dias após o início da operação das boias, prazo considerado necessário para avaliar os efeitos da tecnologia sobre a proliferação de algas na área monitorada. A área que será monitorada pelo projeto tem cerca de 960 mil m², o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e volume estimado de sete milhões de metros cúbicos de água, suficiente para encher aproximadamente 2.800 piscinas olímpicas.

Por meio da tecnologia, as boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes frequências para interferir na capacidade de flutuação das algas. Com isso, elas encontram mais dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese. Ao migrar para camadas mais profundas da água, a tendência é a interrupção do ciclo de vida da espécie e que a formação das manchas esverdeadas seja reduzida. Cada boia possui alcance de aproximadamente 500 metros de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a cerca de 28 campos de futebol. O investimento é de cerca de R$ 9 milhões e o sistema utilizará inteligência embarcada com uso de algoritmos para ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições observadas na água. Além disso, os equipamentos funcionarão como estações automáticas de monitoramento. Sensores instalados nas boias vão acompanhar continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina.

O projeto também contará com uma estação meteorológica para cruzamento de informações sobre chuva, vento e temperatura, permitindo antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações. Toda a operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio. Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
RIO TIETÊ
Poluição diminui por causa da pandemia

A Fundação SOS Mata Atlântica lançou estudo no Dia do Tietê (22 de setembro) que constata as mudanças de comportamento da sociedade por causa da pandemia da COVID-19. Entre os aspectos positivos estão a redução de poluição no rio Tietê, principalmente com a diminuição do lixo nas ruas e a fuligem de veículos. Entretanto, o lado negativo é o registro do aumento da pressão por uso da água pela população. Dos 83 pontos de coleta, distribuídos em 47 rios de 38 municípios de São Paulo, seis (7,2%) mantiveram qualidade de água boa de forma perene, 55 (66,3%) regular, 21 (25,3%) ruim e um (1,2%) péssimo. Nenhum ponto registrou qualidade de água ótima. Os dados são do relatório ‘Observando o Tietê 2020 - O retrato da qualidade da água e a evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê’. A qualidade de água ruim, imprópria para usos e inadequada para a vida aquática, foi registrada em dois trechos do rio, totalizando 150 km, o que equivale a 13% da extensão do Tietê, quase o dobro da marca histórica de 71 km, alcançada em 2014. Não houve registro de trechos com qualidade de água péssima ao longo do rio Tietê, com exceção apenas de um de seus afluentes, o Córrego José Gladiador, na cidade de São Paulo. Por outro lado, a condição de água boa e regular - que permite vida aquática, abastecimento público, produção de alimentos, atividades de lazer e esportivas - estenderam-se a 382 km, o que representa 66,32% da extensão de 576 km do trecho monitorado do rio, que tem ao todo 1.100 km, da sua nascente até a foz. A mancha de poluição mensurada neste ciclo é diferente das anteriores, por não ser contínua e ter sido ampliada no trecho do Médio Tietê, em decorrência da transferência de lodo e de poluentes após operações de barragens do Sistema Alto Tietê para controle de cheias. As revisões nas regras operativas das barragens e a manutenção, desassoreamento e limpeza dos reservatórios teriam contribuído para que a mancha de poluição deste ciclo se aproximasse da menor medição obtida na série histórica. Especialistas destacam que um trecho de 44km não foi analisado entre os municípios de São Paulo e Barueri, a partir da ponte da Rodovia Anhanguera, por causa da pandemia. O trecho é bastante poluído e apresenta pouca variação na condição de qualidade da água nas séries históricas de monitoramento. "O rio Tietê é muito impactado por variações climáticas que, neste período de monitoramento, foram bastante intensas. Porém, de certa forma temos algo a celebrar com estes dados, embora sejam muito atípicos e inéditos. Desde 2010, nunca tivemos qualidade de água boa nos reservatórios do Tietê no período de estiagem. Os indicadores das séries históricas ficavam na condição regular ou ruim, por conta da grande concentração de nutrientes e da proliferação de algas e plantas aquáticas. Se não fosse a abertura de barragens, em fevereiro e agosto deste ano não teríamos qualidade ruim entre Porto Feliz e Laranjal. Ou seja, a mancha seria bem menor", afirma Malu Ribeiro, gerente da Fundação SOS Mata Atlântica. Os dados foram medidos por grupos de voluntários do Observando os Rios, projeto da Fundação SOS Mata Atlântica que conta com o patrocínio da Ypê e apoio da Sompo. Os pontos analisados estão distribuídos nas bacias hidrográficas do Alto Tietê, Médio Tietê, Sorocaba e Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que abrangem 102 municípios das Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas e Sorocaba. O estudo foi realizado por voluntários entre setembro de 2019 e fevereiro de 2020, e depois realizados em agosto deste ano. As coletas e análises consideradas essenciais para mensurar a evolução da qualidade da água foram feitas pela equipe técnica da Fundação SOS Mata Atlântica, em agosto, após a flexibilização das fases do programa de retomada das atividades no estado de São Paulo, seguindo protocolos de segurança especialmente elaborados para o monitoramento da água. O Atlas da Mata Atlântica aponta que 79% (7.226.066 hectares) da Bacia do Tietê (9.172.066 hectares, abrangendo 265 cidades), faz parte do bioma Mata Atlântica. Atualmente restam pouco mais de um milhão de hectares de florestas nativas e áreas naturais acima de 1 hectare (18%), incluindo a vegetação de várzea (66.183 hectares). As florestas mais preservadas (acima de 3 hectares) totalizam 856.043 ha (11,84%). Desde 2000, foi identificado o desmatamento de 6.206 hectares - área 4 vezes maior que o município de São Paulo. O levantamento foi realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

30 de setembro, 2020
Saneamento Ambiental Logo
RIO TIETÊ
Projeto de despoluição soma mais de R$ 1,7 bi

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) divulgou dados que integram a ferramenta Painel Rio Tietê e estão dispostos em uma interface gráfica com o propósito de traçar um panorama dos investimentos públicos feitos por meio do Programa Projeto Tietê para reduzir a carga poluidora na região da Bacia do Alto Tietê. O estudo aponta que o Governo paulista nos últimos oito anos já destinou R$ 1,7 bilhão para aplicação em serviços de despoluição do Rio Tietê. O rio cruza 62 municípios em um trajeto de 1.100km ao longo de seu curso. O TCESP analisou 31 contratos firmados desde 2011 por meio da Sabesp e cujos valores iniciais totalizam R$ 2.2 bilhões, que em valores atualizados somam R$ 2,31 bilhões. De todas as contratações, 16 estão em execução e envolvem quase R$ 1,5 bilhão. Do total, três contratos, no valor de R$ 150,1 milhões ainda não foram iniciados; quatro ajustes, valorados a R$ 331.milhões, foram suspensos, ao passo que duas contratações, de R$ 57,6 milhões foram rescindidas por inadimplência da contratada. No período, apenas seis contratações foram concluídas, envolvendo o aporte de R$ 331,8 milhões. As obras do programa de despoluição do Rio Tietê estão concentradas em 21 municípios da Região metropolitana de São Paulo e visa à recuperação da qualidade das águas do rio por meio do aprimoramento e da expansão da infraestrutura de saneamento básico, em especial a relacionada ao esgotamento sanitário (coleta, transporte e tratamento de esgoto). As obras incluem a construção de interceptores, coletores troncos, redes coletoras e Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), evitando que os efluentes cheguem ao Rio Tietê sem o devido tratamento e, consequentemente, diminuindo o nível de poluição do rio. Maiores informações sobre o estudo podem ser acessadas no www.tce.sp.gov.br/paineldotiete .

10 de fevereiro, 2020