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AMAZÔNIA

Cientistas da UFSC apontam que bioma pode colapsar

Cientistas da UFSC apontam que bioma pode colapsar

O estudo foi publicado na revista científica Nature.

Um estudo inédito sobre a resiliência da Floresta Amazônica realizado por cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e de outras instituições foi publicado na revista científica Nature. O levantamento faz uma revisão de dados completa e define cenários a partir do mapeamento de cinco elementos de stress que afetam a região: o aquecimento global, a chuva anual, a intensidade da sazonalidade das chuvas, a duração da estação seca e o desmatamento acumulado. Além disso, o estudo mostra caminhos para evitar o colapso do bioma. A estimativa é de que, nos próximos 25 anos, de 10% a 47% da Amazônia possam chegar a um ponto de não retorno, com transições inesperadas na paisagem. A pesquisa é liderada pelo cientista Bernardo Monteiro Flores, que faz pós-doutorado em Ecologia na UFSC, com supervisão da professora Marina Hirota, co-autora do estudo. Além deles, Catarina Jakovac, do Departamento de Fitotecnia, e Carolina Levis, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, também assinam o artigo, que conta com a autoria de cientistas renomados, incluindo um dos especialistas brasileiro em climatologia mais citados no mundo, Carlos Nobre. “Todos os efeitos de stress estão relacionados à água. Para cada uma dessas cinco variáveis há limiares críticos. E a interação entre esses estressores pode ter um efeito sinérgico”, pontua o pesquisador. “Nós usamos todos os conhecimentos disponíveis para entender os limiares em que a floresta deixaria de existir”.


Os cientistas delimitaram no estudo que a temperatura não pode oscilar acima dos 1,5 graus, com precipitação anual de até 1.800 milímetros. O déficit hídrico cumulativo também não pode ser superior aos -350 milímetros, assim como a estação seca não deve durar mais do que cinco meses. Por fim, o desmatamento teria um limite seguro de 10% da cobertura original do bioma florestal, o que exige também a restauração em pelo menos 5% do bioma. “Todos os dias, as árvores da floresta bombeiam enormes quantidades de água – até 500 litros por uma única árvore – do solo para a atmosfera, o que aumenta a concentração de umidade atmosférica. Além de eliminarem água, as árvores também liberam compostos orgânicos voláteis que contribuem para a formação das nuvens. As árvores são fábricas naturais de chuvas”, explica.


A ideia de um colapso da floresta Amazônica preocupa por vários fatores e despertou a atenção mundial, principalmente para o risco de desestabilização do sistema climático global. “Como a Amazônia armazena enormes quantidades de carbono, a perda florestal e as emissões de carbono poderão acelerar o aquecimento global em cerca de 15 ou 20 anos”, pontuam os cientistas. Observações recentes do fluxo de carbono da floresta revelaram que o sudeste da Amazônia deixou de ser um sumidouro de carbono para se tornar uma fonte de carbono, provavelmente devido a perturbações no uso da terra. “Além disso, a perda de florestas na Amazônia reduz a circulação da umidade atmosférica não só na região, mas pode afetar as condições de precipitação em outras partes do mundo, como a Ásia ou a Antárctica”.

O levantamento sobre o bioma aponta alerta para a biodiversidade e os povos indígenas na formação da resiliência da floresta amazônica. “Esses elementos do sistema contribuíram para aumentar a adaptabilidade dos ecossistemas, proporcionando diferentes estratégias para lidar com as flutuações climáticas”, assinalam os pesquisadores. “Hoje, as mudanças no uso da terra na região estão destruindo a biodiversidade e o antigo conhecimento ecológico dos povos amazônicos que sustentaram florestas saudáveis e ricas em recursos durante milênios”, disse Carolina Levis, doutora pela UFSC e uma das autoras do estudo.

A professora Marina Hirota diz que a Amazônia é complexa, o que torna extremamente desafiador prever como os diferentes tipos de floresta responderão às mudanças globais. “Se quisermos evitar uma transição sistêmica, precisamos adotar o princípio da precaução, com uma abordagem que mantenha as florestas resilientes nas próximas décadas”, disse. Para manter a resiliência da floresta amazônica, os autores concordam que é preciso combinar esforços locais e globais e que os países que compõem o bioma atuem em parceria para acabar com o desmatamento e a degradação e para expandir a restauração, o que fortalecerá o feedback floresta-chuva. “Todos os países precisam cooperar para impedir as emissões de gases com efeito de estufa, mitigando assim os impactos das alterações climáticas. Ambas as frentes são cruciais para manter vivo o sistema florestal amazônico para as gerações futuras”. Bernardo comenta que a abordagem holística da pesquisa é relevante e inédita, já que se trata de um sistema complexo, atento também a fatores humanos. “Para pensarmos em manter a floresta mais resiliente, temos que monitorar todos estes estressores e suas interações. Usamos o princípio da precaução: como a gente não sabe o que pode acontecer e as consequências são desastrosas, a ideia do limiar é de nos manter longe do perigo”.

O estudo revela que se não houver medidas de preservação da Amazônia, ela pode colapsar, pois já existem áreas degradadas com paisagens alteradas em função de interações entre os estressores. “Essas trajetórias alternativas podem ser irreversíveis ou transitórias dependendo da força das novas interações”, pontuam os cientistas, no texto do artigo. Na ‘floresta degradada’, por exemplo, os feedbacks geralmente envolvem competição entre árvores e outras plantas oportunistas, além de interações entre desmatamento, fogo e limitação de sementes. As florestas secundárias teriam maior probabilidade de serem desmatadas do que as florestas maduras.


Em um outro cenário de degradação, os feedbacks envolvem interações entre cobertura arbórea baixa e o fogo, o solo sofrendo erosão e a limitação de sementes. “O que pode acontecer é que não necessariamente a Amazônia vá deixar de ser Floresta, mas terá áreas bem diferentes, com a diversidade menor, dominadas por uma ou poucas espécies que se auto perpetuam, como as florestas dominadas por lianas ou bambus”, sintetiza Bernardo. “Discutimos como a complexidade da Amazônia acrescenta incerteza sobre a dinâmica futura, mas também revela oportunidades de ação. Manter a floresta amazônica resiliente no Antropoceno dependerá de uma combinação de esforços locais para acabar com o desmatamento e a degradação e para expandir a restauração, com ações globais esforços para parar as emissões de gases com efeito de estufa”, ponderam os especialistas.

Para prevenir o colapso da Amazônia, os cientistas indicam um limite seguro para o Floresta Amazônica a 1,5 graus para aquecimento global acima dos níveis pré-industriais, em conjunto com o acordo de Paris; um ambiente seguro limite com condições de precipitação anual de 1.800 mm ; Observações de satélite das distribuições da cobertura arbórea na América do Sul tropical sugerem uma situação crítica limiar na intensidade da sazonalidade das chuvas em – 400 mm de déficit hídrico cumulativo. Para evitar colapsos em escala local devido à composição de distúrbios, sugere-se um limite seguro de -350 mm ; Observações de satélite das distribuições da cobertura arbórea na América do Sul tropical sugerem uma situação crítica limiar aos sete meses de duração da estação seca. Para evitar transições de ecossistemas em escala local, os cientistas sugerem um limite seguro de cinco meses e um limite seguro de desmatamento de 10% da cobertura original do bioma florestal, o que exige o fim do desmatamento em grande escala e a restauração em pelo menos 5% do bioma.

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14 de agosto, 2019
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2 de maio, 2019
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13 de abril, 2016