BIOCOMBUSTÍVEIS

Complexo em Alagoas vai produzir multicombustível de baixo carbono

Complexo em Alagoas vai produzir multicombustível de baixo carbono

A empresa vai produzir multicombustível de baixo carbono, entre eles etanol de segunda geração, a partir de resíduos de açúcar.

A Exygen I inaugurou dia 27 de janeiro o seu complexo de biorrefinarias integradas de biocombustíveis sustentáveis em São Miguel dos Campos, em Alagoas. A empresa vai produzir multicombustível de baixo carbono, entre eles etanol de segunda geração, a partir de resíduos de açúcar. “É fundamental e é para ontem, a gente descarbonizar, promover a energia renovável, salvar o planeta. Não apenas para nós de maneira egoísta, mas para nossos filhos, netos e netos dos nossos netos. Nós temos que ter compromisso com as gerações futuras”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que participou da inauguração. “E a gente fica feliz de ver aqui uma energia limpa, de carbono neutro, ser produzida em São Miguel dos Campos. E promovendo emprego, renda, melhorando a vida da população”, acrescentou.

Serão investidos no projeto R$ 1,5 bilhão ao longo de quatro anos para transformar a unidade, que já funciona em Alagoas, em biorrefinaria de baixo carbono. A expectativa é que a operação completa da Exygen I gere 510 empregos diretos e mais de 1.200 postos de trabalho durante as obras das fases subsequentes. No evento, com autoridades locais e funcionários da empresa, também foi lançada a pedra fundamental do projeto de biogás em Alagoas, para produção de biometano, e-Metano e CO2 biogênico, matérias-primas usadas na produção industrial de diversos produtos. O projeto é resultado da união da Granbio, Usina Caeté, Impacto Bioenergia e Usina Santo Antônio. “Esse investimento, ele se conecta ao que há de mais moderno na geração de energia no mundo, que é gerar energia emitindo baixo carbono ou zero carbono, ou até carbono negativo”, comentou o ministro dos Transportes, Renan Filho. “Nós também temos iniciativas na mesma direção, na direção da descarbonização, nós constituímos agora os corredores azuis para levar abastecimento a gás natural líquido para caminhões de carga, o que permite a redução de até 30% da emissão de carbono, e temos diversas outras iniciativas nessa direção que se conectam bastante com esse projeto”, disse.

O governador de Alagoas, Paulo Dantas, afirmou que o estado está trabalhando para construir uma transição energética limpa com incentivos fiscais. “A matriz energética de Alagoas é composta por 82% de fontes renováveis, quase o dobro da média nacional, de acordo com o balanço energético de Alagoas. Esse desempenho reforça a nossa posição de destaque como um dos líderes nacionais na promoção da descarbonização responsável aliado ao desenvolvimento sustentável”, afirmou. Na cerimônia de inauguração, o CEO da Granbio, Bernardo Gradin, ressaltou o bom ambiente de negócios promovido no país. “É um projeto de coragem empresarial e de compromisso de cidadania com a mudança climática, e não seria possível que o investimento acontecesse se o arcabouço legal e a segurança jurídica e a confiança nos governantes e no Estado não estivessem presentes”, afirmou, acrescentando que os investimentos são fruto da segurança jurídica, do ambiente de competitividade, e da capacidade de ver a inovação como algo que gera emprego e desenvolvimento. “Podemos produzir o metano neutro em carbono aqui e vender para qualquer cliente no Brasil graças ao arcabouço legal criado com a lei dos combustíveis do futuro e do arcabouço do biometano. Quando a lei certa e séria aparece e a segurança jurídica é estabelecida, o investimento aparece”, acrescentou, lembrando de leis sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a promoção da descarbonização”. Entre as leis está a do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que prevê entre outros o aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel e de etanol na gasolina, e a lei do Hidrogênio verde (Lei 14.948/2024), que estabelece o marco legal para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil.

O complexo prevê a produção anual de 160 milhões de litros etanol neutro em carbono a partir de 2026, que utilizará resíduos do açúcar como matéria-prima, e de 50 milhões de m³ de biometano por meio da vinhaça (resíduo líquido resultante da destilação do caldo da cana-de-açúcar). A planta tem capacidade instalada para produção de 600 m³ de etanol de baixo carbono por dia e pretende garantir a produção contínua de etanol nos 12 meses do ano a partir de 2026, quando viabilizará também a produção e distribuição contínuas de biogás. A próxima etapa do projeto inclui, segundo a Exygen I, a produção de biogás e CO₂ biogênico — dióxido de carbono originado da decomposição de matéria orgânica —, a produção de biofertilizantes e com uma expansão futura para a produção de e-Metanol, um combustível sintético de última geração que atenderá a setores de difícil eletrificação, como o transporte marítimo. O evento de lançamento da Exygen I, sediada em São Miguel dos Campos, contou com a presença do prefeito de São Miguel dos Campos, George Clemente, além do ministro dos Transportes, Renan Filho; do governador de Alagoas, Paulo Dantas; e de empresários e autoridades locais.

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