ARTIGO

COP 28: soluções começam nos municípios

COP 28: soluções começam nos municípios

o Programa Municipal de Pagamento de Serviços Ambientais já conta com 84 propriedades rurais, com 402 hectares de florestas nativas

Os impactos das mudanças climáticas têm afetado com frequência o cotidiano de nossas vidas. Períodos de estiagem estão mais frequentes e intercalados com fases de altos índices pluviométricos. Seca e chuva são, portanto, alguns dos novos desafios que precisamos enfrentar e devemos nos preparar para garantir a qualidade de vida da nossa população.

Por isso, a 28ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidades sobre Mudança do Clima (COP 28), que ocorreu entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro nos Emirados Árabes Unidos, tem papel essencial para o futuro da humanidade. Um dos compromissos do encontro é aprovar o Global Stocktake (GST), uma espécie de “primeiro balanço global” dos compromissos assumidos pelos países a partir do Acordo de Paris de 2015.

O evento trouxe ainda soluções para preservação ambiental, principalmente os mais diversos ecossistemas, por meio de fundos. O mercado de créditos de carbono é outra saída para o país garantir a sobrevivência de suas áreas verdes. O relatório “Oportunidades para o Brasil em mercados de carbono” mostra que o país apresenta potencial de transação dessa moeda em 120 bilhões de dólares até 2030.

Essas discussões podem parecer muito distantes da nossa realidade. Mas uma parcela significativa de soluções pode e precisa começar nos municípios, multiplicando as respostas para a preservação ambiental em todas as esferas governamentais. Em Jundiaí, por exemplo, o Programa Municipal de Pagamento de Serviços Ambientais (PSA), já conta com 84 propriedades rurais, que reúnem aproximadamente 402 hectares de florestas nativas e 29 hectares em áreas de reflorestamento. Essa importante política pública ajuda a preservar florestas nativas e áreas que estão em processo de restauração, e teve um incremento de 41% do valor do subsídio, de 2022 para 2023.

Mas o melhor investimento, e com retorno garantido, é aquele que fazemos na educação das nossas meninas e meninos. Jundiaí é a Cidade das Crianças e nossos programas propõem atividades para a prática diária dos conceitos de sustentabilidade, começando com a Escola Inovadora. Adotamos a metodologia do Desemparedamento da Escola, ressignificando os espaços em potentes ambientes. Assim, a aprendizagem ocorre ao ar livre, aproximando os estudantes da natureza. Ainda dentro dessa proposta, criamos o projeto “Inova na Horta”, presente em 104 Escolas Municipais de Ensino Básico (EMEBs). Além do plantio de hortaliças, nossos alunos são incentivados a uma alimentação saudável e aprofundam seus conhecimentos sobre sustentabilidade e meio ambiente.

A criação de parques e áreas verdes é outra sugestão de inciativa para todos os prefeitos. Diante do aumento das temperaturas, esses ambientes têm papel fundamental para reduzir a onda de calor nas cidades, bem como aproximar a população das áreas verdes, reforçando a importância da preservação desses locais. Atendendo às demandas do Comitê das Crianças, que implantamos no município, criamos o Mundo das Crianças, um parque público inovador que se transformou em salas de aula a céu aberto. O local é ainda a extensão da área de preservação da represa que abastece a cidade.

O avanço dos sistemas de saneamento é outro fator fundamental para a preservação do meio ambiente. Em Jundiaí, 99,65% da população urbana e rural é atendida com redes de água, e 98,81% com redes de esgoto, sendo que 100% do que é coletado passa por tratamento. Isso faz uma grande diferença na preservação dos nossos recursos hídricos. Primeiro do país a ser reenquadrado – de classe 4 para classe 3 – pelo Conselho de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo (CRH), o Rio Jundiaí tem 123 km e corta oito municípios. Com essa medida, suas águas podem ser utilizadas para consumo humano, após tratamento.

Hoje, também reciclamos 100% dos resíduos gerados pela construção civil no município e todo material é reaproveitado na pavimentação de estradas rurais, insumos para obras na cidade e até mesmo na fabricação de artefatos de concreto ecológico.

Tudo isso fez com Jundiaí alcançasse a primeira colocação, entre as cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR) desenvolvido pelo Instituto Cidades Sustentáveis, e tem como objetivo estimular o cumprimento da Agenda 2030, formulada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Temos muito orgulho dessas conquistas, mas nosso desafio é compartilhar esses avanços para que outros municípios também avancem na preservação do meio ambiente e criem soluções locais que, com certeza, poderão ter impacto global, se todos fizerem a sua parte. (José Antonio Parimoschi - gestor de Governo e Finanças da Prefeitura de Jundiaí).

Artigos Relacionados

Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos
ARTIGO
Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos

O Sistema Cantareira encerrar o verão no nível mais baixo em uma década não é um evento isolado, mas é mais um sinal consistente de um padrão que já se desenha há anos.

23 de março, 2026
Crise hídrica exige respostas estruturais e integradas
DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Crise hídrica exige respostas estruturais e integradas

Encontro com especialistas destaca impactos socioeconômicos e aponta a governança como eixo central para a segurança da água

20 de março, 2026
SP Águas realiza primeiro concurso público
SÃO PAULO
SP Águas realiza primeiro concurso público

O estado de São Paulo instituirá a primeira carreira especializada em recursos hídricos, com profissionais dedicados a atividades estratégicas para a gestão da água.

13 de março, 2026
Entidades propõem controle social e adaptação às mudanças climáticas
SANEAMENTO
Entidades propõem controle social e adaptação às mudanças climáticas

O Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, formado por várias entidades da sociedade civil, propôs uma série de mudanças nas leis que tratam do saneamento básico, durante seminário na Câmara dos Deputados.

12 de março, 2026
PL prevê infraestrutura básica para populações em UCs
AMAZÔNIA LEGAL
PL prevê infraestrutura básica para populações em UCs

O plano deverá mapear a situação habitacional e de infraestrutura básica (abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e energia) das populações residentes.

10 de março, 2026
Acesso ao serviço pode reduzir em até 25% o atraso escolar de meninas
SANEAMENTO
Acesso ao serviço pode reduzir em até 25% o atraso escolar de meninas

As consequências também impactam o futuro profissional, já que jovens que crescem em locais sem acesso ao saneamento tendem a ingressar no mercado de trabalho com menor escolaridade média.

9 de março, 2026
Crise hídrica e agricultura em pauta no Alto Tietê
ÁGUA
Crise hídrica e agricultura em pauta no Alto Tietê

Encontro em Mogi das Cruzes reúne especialistas e produtores para discutir segurança hídrica, mudanças climáticas e caminhos para o uso inteligente da água no desenvolvimento rural.

25 de fevereiro, 2026
Carnaval é alegria. Saneamento é estrutura.
ARTIGO
Carnaval é alegria. Saneamento é estrutura.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, cerca de 84% dos brasileiros têm acesso à água, mas apenas 56% contam com coleta de esgoto, e pouco mais de 50% do esgoto é tratado.

23 de fevereiro, 2026