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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Emissões de metano têm os maiores registros em 40 anos

Emissões de metano têm os maiores registros em 40 anos

As concentrações atmosféricas estão crescendo mais rápido agora do que em qualquer outro momento desde que os registros globais começaram

Segundo estudo realizado pelo Global Carbon Project com a contribuição de 66 instituições de pesquisa ao redor do mundo, os níveis de emissão de metano só crescem com o passar dos anos. A meta do Global Methane Pledge, lançada em 2021 na COP26, prevê a redução das emissões de metano em 30% até o final da década. Entretanto, as concentrações atmosféricas estão crescendo mais rápido agora do que em qualquer outro momento desde que os registros globais começaram há cerca de 40 anos.

Mais de 150 países já assinaram o compromisso do Global Methane Pledge, representando mais da metade das emissões mundiais de um gás de efeito estufa extremamente potente, mas de curta duração.

O metano é um gás proveniente de diversas fontes, sendo que as principais são erupções vulcânicas, decomposição de matéria orgânica e a digestão de alguns animais herbívoros, mas os humanos têm super-carregado as emissões de metano e, atualmente, são responsáveis por dois terços ou mais de todas as emissões globais. Depois do dióxido de carbono, o metano é o segundo gás de efeito estufa que mais contribui para o aquecimento global causado pelo homem. Embora as atividades humanas emitam muito menos metano do que o dióxido de carbono em termos reais, o metano tem um efeito oculto: ele é 80 vezes mais eficaz que o CO₂ em reter calor nas duas primeiras décadas após atingir a atmosfera.

Desde a era pré-industrial, o mundo aqueceu em 1,2°C (considerando a média dos últimos 10 anos), sendo que o metano responde por cerca de 0,5°C de aquecimento, de acordo com os últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Na atmosfera, o metano se mistura rapidamente com oxigênio e se converte em dióxido de carbono e água. Em contraste, o dióxido de carbono é uma molécula muito mais estável e permanecerá na atmosfera, prendendo calor, por milhares de anos até ser absorvido pelo oceano e pelas plantas. A combinação de vida útil curta e potência extrema faz do metano um excelente candidato para esforços de enfrentamento rápido das mudanças climáticas. No início e meados dos anos 2000, as taxas de crescimento das emissões de metano realmente caíram, motivado por uma combinação de emissões reduzidas de combustíveis fósseis e mudanças químicas na capacidade da atmosfera de destruir metano.

Desde então, no entanto, o metano aumentou. As emissões de metano de atividades humanas aumentaram em 50-60 milhões de toneladas por ano ao longo das duas décadas até 2018-2020 – um aumento de 15-20%. Isso não significa que o metano atmosférico aumenta na mesma quantidade, pois o metano está constantemente sendo decomposto.

Durante a década de 2000, 6,1 milhões de toneladas extras de metano entraram na atmosfera a cada ano. Na década de 2010, a taxa de crescimento foi de 20,9 milhões de toneladas. Em 2020, o crescimento atingiu 42 milhões de toneladas. Desde então, o metano foi adicionado ainda mais rapidamente. As taxas de crescimento são agora maiores do que em qualquer ano observado anteriormente e as atividades humanas como criação de gado, mineração de carvão, extração e manuseio de gás natural, cultivo de arroz em arrozais e colocação de resíduos orgânicos em aterros sanitários contribuem com cerca de 65% de todas as emissões de metano. Destes, a agricultura (pecuária e arrozais) contribui com 40%, combustíveis fósseis com 36% e aterros sanitários e águas residuais com 17%. As emissões de metano de combustíveis fósseis agora são comparáveis às emissões da pecuária. O impacto é ainda maior quando se contabiliza as emissões indiretas, como a lixiviação de matéria orgânica em cursos d'água e pântanos, a construção de reservatórios e os impactos das mudanças climáticas causadas pelo homem nos pântanos. Em 2020, as atividades humanas levaram a emissões entre 370 e 384 milhões de toneladas de metano, enquanto as emissões restantes vêm de fontes naturais, principalmente da decomposição de matéria vegetal em pântanos, rios, lagos e solos saturados de água. Os pântanos tropicais são emissores particularmente grandes. As grandes áreas de permafrost (solo permanentemente congelado) do mundo também produzem metano, mas em taxas relativamente baixas.

Em volume, as cinco principais nações emissoras de metano em 2020 foram China (16%), Índia (9%), Estados Unidos (7%), Brasil (6%) e Rússia (5%). As áreas de crescimento mais rápido são China, Sul da Ásia, Sudeste Asiático e Oriente Médio. As nações europeias começaram a reduzir suas emissões nas últimas duas décadas, devido aos esforços para cortar emissões de aterros e resíduos, seguidos por cortes menores em combustíveis fósseis e agricultura. A Austrália também tenta reduzir as emissões principalmente de agricultura e resíduos.

As concentrações atmosféricas de metano observadas recentemente são consistentes com cenários climáticos com até 3°C de aquecimento até 2100 e manter as temperaturas globais bem abaixo de 2°C – a meta do Acordo de Paris de 2015 – significa cortar as emissões de metano o mais rápido possível. O metano tem que ser cortado quase pela metade (45%) até 2050 para atingir a meta. O setor de petróleo e gás poderia reduzir suas emissões em 40% sem custo líquido , de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Na agricultura, é possível diminuir as emissões por meio de aditivos alimentares para reduzir o metano expelido por vacas, ovelhas, cabras e búfalos, e pela drenagem no meio da estação em arrozais. A captura de metano de aterros sanitários e sua utilização para produção de energia ou calor já está bem estabelecida. Há três anos, o mundo se comprometeu a cortar as emissões de metano, mas essa mudança tem que ser mais rápida para que todos os países possam contribuir e reduzir as emissões de metano.


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EMISSÕES
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Segundo dados da nova edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima), a agropecuária emitiu 598,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019, um aumento de 1,1% em relação às 592,3 milhões de toneladas emitidas em 2018. As emissões diretas do setor, fortemente ligadas ao rebanho bovino, representaram 28% do total de gases de efeito estufa do Brasil. As emissões de uso da terra representaram 44% do total nacional. Somados, os dois setores concentram 72% das emissões brasileiras. Os dados do SEEG foram discutidos num seminário virtual, dia 11 de novembro, por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), com a participação do físico Paulo Artaxo, da USP, e do administrador e geógrafo Laurent Micol, da Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia). O setor de mudanças do uso da terra foi o maior responsável pelo crescimento de quase 10% nas emissões do Brasil no ano passado. Ele respondeu por cerca de 968 milhões de t CO2 e, contra 788 milhões em 2018, um aumento de 23% de um ano para o outro. Apesar do aumento na eficiência da produção de carne, da ordem de 18% entre 2010 e 2019, com o crescimento do rebanho bovino de apenas 2,6%, a pecuária de corte ainda responde por 62% das emissões de GEE da agropecuária. "Os resultados do SEEG agro mostram a crescente contribuição da agropecuária para as emissões nacionais, porém este cenário deve ser revertido. Os sistemas de produção precisam adotar as boas práticas de manejo e cuidado do solo — onde está concentrada a maior parte dos estoques de carbono. Um solo conservado produz mais e ainda estoca carbono, e é portanto um dos recursos naturais mais importantes do Brasil", afirma Renata Potenza, Coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora. O setor pode reduzir suas emissões significativamente por meio da implementação de tecnologias de manejo correto de solos. A principal delas é a recuperação de pastagens degradadas, financiada há uma década por meio do Programa ABC, do Ministério da Agricultura. É uma tecnologia de custo negativo, pois ela aumenta a capacidade de suporte da pastagem e, consequentemente, a renda do produtor. "O desmatamento já foi reduzido no passado com políticas públicas consistentes. Não existe nenhuma razão tecnológica, social ou econômica para não voltarmos a uma trajetória de redução", disse Ane Alencar, do Ipam. O SEEG calcula desde 2015 o balanço de carbono dos solos agrícolas, que hoje não é contabilizado nos inventários de emissões do governo brasileiro. As análises vêm concluindo que já existe sequestro líquido de carbono — de 39,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019. O desmatamento, principalmente na Amazônia, está retornando a patamares verificados nos anos 1990 e, e o seu crescimento descontrolado, principalmente em 2019 e 2020, fez com que o Brasil perdesse as duas metas de sua lei de clima (a Política Nacional sobre Mudança do Clima) para 2020: a redução de 80% na taxa de desmatamento amazônico em comparação com a média 1996-2005 e a redução das emissões brasileiras brutas a um máximo de 2,068 bilhões de toneladas de CO2 equivalente neste ano. O SEEG calcula há dois anos, ainda de forma experimental, o carbono emitido por incêndios florestais não relacionados ao desmatamento. São matas, especialmente na Amazônia, que não queimariam em condições naturais, mas que vêm pegando fogo com frequência devido à degradação florestal e aos efeitos da mudança do clima. Essas emissões também não são contabilizadas nos inventários nacionais. Em 2019, as emissões por incêndios em florestas emitiram 517 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente no Brasil. O Ipam estimou que 36% das queimadas no último ano tenham tido origem em incêndios florestais. Como se trata de fogo causado por seres humanos, o Observatório do Clima defende que essas emissões passem a ser computadas nos inventários como parte da conta de carbono que o Brasil precisa pagar.

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Emissões brasileiras devem crescer até 20% com recessão

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25 de maio, 2020
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
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O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou relatório no qual afirma que a temperatura média do planeta aumentou 0,87° C desde o período pré-industrial, porém de forma diferente sobre os oceanos e a superfície terrestre. Em terra, a temperatura já é de 1,53°C - acima, portanto, da meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris aprovado por 155 nações - inclusive o Brasil - em 2015. O aumento da temperatura na terra é explicado principalmente pela desertificação e a degradação do solo, o que pode impactar severamente a segurança alimentar. "Proteger nosso clima e alimentar o mundo exige ação urgente. O relatório do IPCC chega no momento em que os alertas de desmatamento da Amazônia mostram crescimentos absurdos, bem acima da destruição verificada ano passado", afirma Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. Segundo cientistas de diversas partes do mundo, atualmente não basta apenas zerar as emissões globais de combustíveis fósseis mas também acabar com o desmatamento, proteger e restaurar florestas e ecossistemas naturais, que são sorvedouros naturais de CO2. Além disso, alertam para a necessidade de substituir commodities agrícolas por alimentos sustentáveis, em especial com a redução na produção de leite e diminuição no consumo de carne bovina. Segundo o IPCC, o consumo de carne mais do que dobrou nos últimos 60 anos, à medida que os solos foram convertidos para uso agrícola. Hoje, as emissões do sistema alimentar como um todo, incluindo produção e consumo, representam até 37% do total global de emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. "Empresas agrícolas precisam abandonar promessas vagas e mudar radicalmente suas práticas predatórias; e governos precisam assumir suas responsabilidades para com a proteção de florestas, respeitando o direito das populações tradicionais e povos indígenas. Mudar a forma como produzimos alimentos e o que comemos ajudará a proteger o clima e a promover a segurança alimentar em escala global", diz Adário. O relatório especial do IPCC é o mais amplo estudo científico feito até hoje sobre mudança climática e os solos. Os cientistas alertam que mais de um quarto da superfície coberta por terra no planeta está sujeita à degradação induzida pelo homem. O relatório aponta também que 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa provêm do desmatamento, das queimadas e da agricultura, mas afirma que as florestas e o solo, se bem manejados, podem atuar como um poderoso sorvedouro de carbono para ajudar a mitigar o pior das mudanças climáticas.

14 de agosto, 2019