EÓLICA OFFSHORE

EPE identifica três áreas de destaque para eólica offshore

EPE identifica três áreas de destaque para eólica offshore

Método para escolher as áreas marítimas a ofertar combina critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos; nota técnica mapeou 20 regiões de vento na costa

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) desenvolveu uma metodologia para orientar a seleção de áreas marítimas que poderão ser ofertadas para projetos de geração eólica offshore, considerando aspectos técnicos, ambientais, sociais e econômicos. A metodologia foi elaborada para subsidiar tecnicamente o poder concedente na definição das áreas que poderão ser ofertadas para projetos de geração eólica offshore. O trabalho da EPE está relacionado à Lei nº 15.097/2025, que estabelece regras para o aproveitamento do potencial energético offshore no Brasil.

Em nota técnica publicada em agosto de 2026, a EPE identificou 20 regiões com características semelhantes de vento e três áreas de destaque (hotspots) ao longo da costa brasileira, com base nas maiores velocidades médias observadas. O levantamento busca consolidar informações sobre o recurso eólico offshore e fornecer subsídios para o planejamento energético nacional. A identificação de regiões com potencial para geração offshore precisa ir além da disponibilidade de vento, pois há a necessidade de integração de informações sobre as condições naturais, a infraestrutura, os aspectos ambientais e os diferentes usos do espaço marítimo. A análise da EPE contribui para decisões mais fundamentadas e para um desenvolvimento planejado da atividade.

O procedimento organiza a análise em etapas, que incluem a identificação de regiões potenciais e a avaliação de critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos. A proposta é reunir diferentes informações para comparar áreas marítimas e apoiar a definição de locais adequados ao desenvolvimento de empreendimentos. A elaboração da metodologia teve contribuições recebidas durante a Consulta Pública nº 191/2025, promovida pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo a EPE, o processo reuniu cerca de 400 contribuições de 41 instituições, que subsidiaram o aperfeiçoamento do documento antes da publicação da versão final, em julho de 2026. A metodologia cria uma referência técnica para organizar a análise das áreas e considerar diferentes fatores desde as etapas iniciais. Esse planejamento é importante para antecipar desafios, aumentar a transparência dos critérios de seleção e oferecer mais previsibilidade aos agentes envolvidos.

A nota técnica de avaliação do recurso eólico offshore publicada pela EPE em agosto de 2026 complementa esse trabalho. O estudo comparou bases de dados públicas, incluindo ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas, para selecionar a fonte de informações considerada mais adequada à avaliação detalhada dos ventos na costa brasileira. A partir do tratamento de séries temporais e da aplicação de técnicas de agrupamento, foram identificadas 20 regiões com padrões diários e sazonais semelhantes. Os resultados permitem compreender melhor a distribuição geográfica do recurso e apoiar novas análises sobre o potencial de geração.

O espaço marítimo brasileiro abriga atividades como pesca, navegação, turismo e conservação ambiental, além de diferentes formas de exploração econômica. Por isso, o desenvolvimento da geração offshore exige uma abordagem que considere as particularidades de cada região e os possíveis impactos sobre os ecossistemas e as comunidades.

A incorporação de critérios ambientais e sociais à seleção de áreas pode ajudar a identificar restrições e reduzir incertezas nas fases iniciais dos projetos. Essa análise não substitui o licenciamento ambiental nem elimina a necessidade de estudos locais, mas contribui para orientar o planejamento e a avaliação das alternativas disponíveis.

Expandir esse tipo de matriz energética depende de avanços em infraestrutura de transmissão, cadeia de fornecedores, formação de profissionais e regulamentação. A articulação desses fatores será importante para avaliar as condições de desenvolvimento da atividade e seu papel futuro na matriz elétrica brasileira. O principal desafio é transformar o conhecimento sobre os recursos oceânicos em oportunidades concretas, com responsabilidade ambiental, segurança jurídica e integração ao planejamento energético.