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CONSTRUÇÃO CIVIL

Estudos revela 8% de materiais desperdiçados

Segundo estudos desenvolvidos pela Escola Politécnica da USP, 8% dos materiais usados na construção civil são desperdiçados, por falta de planejamento ou da elaboração de planos ineficazes. A reutilização do material descartado poderia ser benéfica tanto para a economia de gastos quanto para a preservação do meio ambiente. A diretora de marketing da Ecogranito – empresa especializada na fabricação de revestimentos sustentáveis –, Simone Las Casas, afirma que a organização logística do uso dos materiais de construção deve ser feita de maneira precisa e cautelosa. "É necessário ter um planejamento ordenado, visando o uso eficiente dos recursos. Além disso, é importante que o trabalhador envolvido compreenda as delineações atribuídas à obra, por meio dos projetos de construção, e esteja ciente da melhor aplicação a ser feita, a fim de evitar o uso excessivo de insumos", ressalta. Simone afirma que os materiais não empregados em um projeto acabam virando resíduos de obras, mas que os mesmos podem ser uma opção viável economicamente, além de sustentável. "O descarte destes materiais causa um impacto significativo no meio ambiente, visto que, normalmente, o despejo é realizado em locais impróprios, como terrenos baldios. Sendo assim, a reutilização dos insumos é muito benéfica à natureza, pois contribui para a limpeza destes locais de descarte e não altera negativamente a qualidade de seus solos", adverte. "Além disso, a reciclagem de produtos tem efeito positivo nos gastos para a realização de futuras obras, já que estes materiais podem ser reaproveitados em outros setores da construção, servindo de sub-base para a criação de pavimentos e conservação de estradas, por exemplo. Essa prática auxilia na diminuição de despesas e possui um caráter sustentável", explica Simone. Os resíduos de obra são geralmente reaproveitados para fins diferentes do seu uso inicial. "Por exemplo, um balde de tinta vazio pode ser utilizado como um vaso de planta. Em sua grande maioria, os insumos resgatados ganham novos destinos, ajudando também na estética de um ambiente e na preservação da natureza", indica.

Segundo estudos desenvolvidos pela Escola Politécnica da USP, 8% dos materiais usados na construção civil são desperdiçados, por falta de planejamento ou da elaboração de planos ineficazes. A reutilização do material descartado poderia ser benéfica tanto para a economia de gastos quanto para a preservação do meio ambiente.

A diretora de marketing da Ecogranito – empresa especializada na fabricação de revestimentos sustentáveis –, Simone Las Casas, afirma que a organização logística do uso dos materiais de construção deve ser feita de maneira precisa e cautelosa. "É necessário ter um planejamento ordenado, visando o uso eficiente dos recursos. Além disso, é importante que o trabalhador envolvido compreenda as delineações atribuídas à obra, por meio dos projetos de construção, e esteja ciente da melhor aplicação a ser feita, a fim de evitar o uso excessivo de insumos", ressalta. 

Simone afirma que os materiais não empregados em um projeto acabam virando resíduos de obras, mas que os mesmos podem ser uma opção viável economicamente, além de sustentável. "O descarte destes materiais causa um impacto significativo no meio ambiente, visto que, normalmente, o despejo é realizado em locais impróprios, como terrenos baldios. Sendo assim, a reutilização dos insumos é muito benéfica à natureza, pois contribui para a limpeza destes locais de descarte e não altera negativamente a qualidade de seus solos", adverte. "Além disso, a reciclagem de produtos tem efeito positivo nos gastos para a realização de futuras obras, já que estes materiais podem ser reaproveitados em outros setores da construção, servindo de sub-base para a criação de pavimentos e conservação de estradas, por exemplo. Essa prática auxilia na diminuição de despesas e possui um caráter sustentável", explica Simone.

Os resíduos de obra são geralmente reaproveitados para fins diferentes do seu uso inicial. "Por exemplo, um balde de tinta vazio pode ser utilizado como um vaso de planta. Em sua grande maioria, os insumos resgatados ganham novos destinos, ajudando também na estética de um ambiente e na preservação da natureza", indica.

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Ecoparques: a saída para o uso inteligente de RSU no Brasil

Por Mario William Esper * A gestão de resíduos sólidos tem se tornado um assunto cada vez mais comentado ao redor do mundo na última década. O grande volume de consumo nas cidades resulta em uma geração de resíduos sólidos urbanos bastante alta, crescimento este que, infelizmente, não possui gestão adequada. Essa gestão inadequada traz consequências danosas para o meio ambiente e para a saúde das pessoas com contaminação do solo, do ar e dos recursos hídricos. Grande parte dos resíduos poderiam ser reaproveitados ou transformados em produtos de valor agregado (Economia Circular), poupando recursos naturais, financeiros e emissões de gases do efeito estufa (GEE). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, foi um marco importante para o setor e a iminência da aprovação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PLANARES) traz à tona metas importantes para o gerenciamento adequado de resíduos sólidos, como metas de redução de aterramento, reciclagem e estabilização da fração orgânica. Entretanto, há poucas adequações no País, os lixões ainda existem e o Brasil precisa evoluir bastante em todos os setores, públicos e privados. Após 10 anos da Lei Federal nº 12.305/10, os índices relacionados à coleta regular, coleta seletiva, reciclagem, estabilização dos biodegradáveis e destinação final adequada dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) ainda são insatisfatórios. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) em 2020, através do "Panorama dos Resíduos Sólidos", a geração de RSU no Brasil na última década registrou crescimento considerável, passando de 67 milhões para 79 milhões de toneladas por ano. Deste total, foram coletados 58,7 milhões de toneladas em 2010 e 72,7 milhões de toneladas em 2019. Isso equivale a 140 maracanãs cheios de lixo. A coleta regular é a etapa inicial necessária para viabilizar um sistema adequado de gestão de resíduos, e, apesar do avanço registrado, o País ainda apresenta déficit na abrangência desses serviços e 6,3 milhões de t/ano seguem abandonadas no meio ambiente - impactando diretamente na saúde de 77,65 milhões de brasileiros, com um custo ambiental e para tratamento de saúde de cerca de US$ 1 bilhão por ano. Já sobre a coleta seletiva, os dados mostram que, em 2010, 3.152 municípios registravam alguma iniciativa de coleta seletiva, enquanto na década seguinte esse número aumentou para 4.070 municípios. Apesar do crescimento, em muitos municípios as atividades de coleta seletiva ainda não abrangem a totalidade de sua área urbana. As iniciativas ainda são bastante iniciais e a falta de separação, de infraestrutura e de logística refletem na sobrecarga do sistema de destinação final e na extração de recursos naturais. No Brasil, a maior parte dos RSU coletados seguem para disposição em aterros sanitários, tendo sido registrado um aumento de 10 milhões de toneladas em uma década, passando de 33 milhões de t/ano para 43 milhões de t/ano. Por outro lado, a quantidade de resíduos que segue para unidades inadequadas (lixões e aterros controlados) também cresceu, passando de 25 milhões de t/ano para pouco mais 29 milhões de t/ano. Ou seja, atualmente, 40,5% dos resíduos no Brasil têm sua destinação final feita de maneira inadequada. A gestão da fração orgânica é outro grande desafio. Apesar de representar a maior fração dos RSU (51,4%), a gestão adequada ainda é insignificante. Segundo o PLANARES, em 2018 foram coletadas 37 milhões de toneladas de orgânicos e apenas 127.498 toneladas, ou seja, apenas 0,34% desta fração foi submetida a um tratamento adequado, que poderia ser utilizada para gerar eletricidade, combustível veicular e industrial, composto orgânico (reciclando carbono e nutrientes), material de cobertura de aterro, dentre outros. Lembrando que o tratamento desta fração se caracteriza como índices de reciclagem de materiais. Para evoluirmos na quantidade de resíduos reciclados, do ponto de vista da hierarquia das alternativas de tratamento de resíduos, está o Ecoparque, uma instalação que segrega, processa e transforma as frações dos resíduos em produtos de valor agregado (recicláveis secos, resíduos para aproveitamento energético (RSUE), composto, biogás/biometano, energia elétrica, energia térmica, material de cobertura de aterro, dentre outros). Neste sentido, precisamos aumentar o número de Ecoparques no País, gerando possibilidades de uso dos resíduos, reduzindo significativamente a destinação final diretamente no aterro. Pensando nisso, nós, da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, em parceria com a Abema (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente), estamos trabalhando em um plano para elaborar normas que definam o que é um Ecoparque e quais devem ser os processos, etapas e a caracterização desde o ponto de coleta até o processamento e entrega dos produtos finais. Além disso, estamos fazendo uma força-tarefa para atualizar e elaborar novas normas referentes aos setores de meio ambiente, resíduos e saneamento que trabalharão todas integradas. Somente a regulamentação e a transparência das etapas dos processos relacionados poderá facilitar a estruturação deste modelo de negócios, trazendo segurança jurídica para que o mercado possa investir na criação de Ecoparques, como aconteceu em diversos países na Europa, possibilitando ao Brasil ter uma escala maior de resíduos destinados adequadamente e de acordo com uma normalização nacional e procedimento único. As normas também auxiliam no ciclo de desenvolvimento positivo gerado através da Economia Circular, que propõe que os resíduos de um setor sejam aproveitados por outros como matéria-prima, permitindo que os produtos e serviços retornem à natureza com menor impacto ambiental. * Mario William Esper é Presidente da ABNT, Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e Diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Cimento Portland - ABCP.

19 de fevereiro, 2021
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O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020
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Precisamos (e podemos) reduzir nossa produção de lixo

Por Leo Cesar Melo * Diariamente produzimos no Brasil, aproximadamente, 215 mil toneladas de lixo, um pouco mais de 1,0 quilo por pessoa. Em um mês são quase 6,5 milhões de toneladas e, ao final do ano, 78,4 milhões de resíduos são colocados nas portas das casas. Esses são dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, feito em 2017, que também ressalta que 91% da produção é coletada, mas somente 56% desse total tem a destinação correta. Levando em consideração ainda os 9% que sequer são coletados, podemos concluir que, para cada tonelada gerada, 460 quilos são descartados de maneira irregular, o que demonstra um potencial de prejuízo ao meio ambiente. A primeira coisa a fazer parece um pouco óbvia, que é reduzir a produção de lixo. Será que tudo o que é colocado para destinação final realmente precisa estar ali? No entanto, tenho visto com preocupação o cenário deste mercado de resíduos sólidos no Brasil. Uma pesquisa que realizamos recentemente sobre gestão de resíduos, com empresas de diferentes setores (mineração, farmacêutico, automotivo, agronegócio, entre outros), revela que para 60% delas o "Aterro Zero", que tem por objetivo dar uma destinação mais nobre do que aterros e incineradores a pelo menos 90% dos resíduos gerados durante o seu processo produtivo, ainda não é uma meta. No entanto, os prejuízos vão para além do aspecto ambiental. A pesquisa também mostra que 56% das empresas reconhecem que o desperdício de matéria-prima, água e energia é a principal perda econômica nesse processo. Ou seja, cada vez que sai um caminhão de uma indústria carregado de resíduos, ele leva consigo muito dinheiro. Serve como um bom exemplo os efluentes industriais de uma indústria alimentícia. Este material, normalmente rico em matéria orgânica, pode passar por tratamento para se tornar água de reuso (impactando os custos com água) e também uma biomassa, que pode ser aproveitada como fertilizante ou ser queimada para gerar energia a partir de um biogás (contribuindo na redução de custos com energia, ou gerando um novo produto para venda). Mas há outras inúmeras alternativas. Portanto, que tal olhar de maneira diferente para o que se descarta diariamente? Os orgânicos podem ir para uma composteira e se tornar adubo. Plásticos, vidros, papéis e outros materiais recicláveis podem ser destinados a locais que dão o devido tratamento a eles. Com uma simples mudança de perspectiva, podemos levar cada vez mais aquela tonelada diária que geramos para perto do zero. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

17 de agosto, 2020
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RECICLAGEM
Brasil poderia economizar R$ 120 bi

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o Brasil perde aproximadamente R$ 120 bilhões anuais em produtos que poderiam ser reciclados, mas que são descartados. Maurício Cohab, Diretor da Trisoft, fabricante de itens com lã de PET da América Latina, afirma que a palavra lixo não deveria nem existir. “Tudo que é jogado nos lixões pode ser reaproveitado, seja matéria orgânica, seja descarte seco que pode ser reutilizado em novos produtos, como fazemos com as garrafas PET”, explica ele. Segundo o diretor da Trisoft, no Brasil há muito descaso do Poder Público, que não dá subsídios e não educa a população para a reutilização. O empresário recorda que a Alemanha recicla mais de 50% do lixo produzido desde 2010, enquanto o Japão criou inclusive usinas que são verdadeiras fábricas de energia e novos produtos a partir do reaproveitamento, além de existir subsídios para as empresas que utilizam material reciclado. Já no Brasil, segundo Maurício Cohab, a tributação encarece todo o processo de reciclagem e o produto feito a partir do reaproveitamento acaba sendo mais caro. “Em Londres, as principais vias têm lixeiras próprias para todos os tipos de resíduos, um incentivo enorme para que a população mude seus hábitos”, reforça Maurício. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), o Brasil tem atualmente quase 3 mil lixões ou aterros irregulares que impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros. “É uma realidade triste, mas que poderia facilmente ser modificada se o Poder Público, aliado à iniciativa privada, optasse por transformar o que chamamos de lixo em novos produtos”, reforça Maurício. O Brasil gera quase 80 milhões de toneladas de rejeitos por ano e apenas 3% são reciclados: “quando começamos a usar a lã de PET para fabricar nossos produtos, tivemos que literalmente brigar contra um mercado inteiro”.

8 de setembro, 2017