MUDANÇAS CLIMÁTICAS

EUA confirmam saída do Acordo de Paris

Os Estados Unidos notificaram a Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 4 de novembro, de que vão efetivamente sair do Acordo de Paris. Este é o primeiro passo formal do Governo de Donald Trump em um processo de um ano para a saída do Pacto Global no combate às mudanças climáticas. Em nota, a ONU confirmou a decisão norte-americana anunciada pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, e que a saída do país do acordo deverá entrar em vigor a partir de 4 de novembro de 2020. 
 
A Comissão Europeia lamentou a decisão norte-americana e disse que vai em busca de novos parceiros junto às principais economias do mundo. De acordo com cientistas, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris pode acelerar efeitos da mudança climática mundial, como ondas de calor, enchentes, secas e fortes tempestades com maior frequência. Os Estados Unidos se juntam à Síria e Nicarágua como os únicos países a não participar do acordo histórico de 195 nações assinado na capital francesa em 2015. 
 
O Acordo de Paris criou metas para que os países consigam manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. Os países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões anuais, e os compromissos deverão ser revistos a cada cinco anos. Isto significa que em 2020 haverá nova reunião para definir as metas e garantir melhor preservação do planeta. 
 
Norte-americanos são contra decisão 
 
Uma coalizão de estados, cidades e empresas norte-americanas que representam quase 70% do PIB do país e cerca de 65% da população são contra a saída dos Estados Unidos do Acordo do Paris. Mais de três quartos (77%) dos eleitores registrados apoiam a continuação da participação norte-americana no Acordo climático de Paris, incluindo quase todos os Democratas (92%), três em cada quatro Independentes (75%) e a maioria dos Republicanos (60%). 
Uma delegação com líderes não-federais dos Estados Unidos irá a Madri para as próximas negociações da COP-25, onde eles também sediarão o Centro de Ação Climática dos EUA. Este será o 3º ano consecutivo em que o movimento "We Are Still In" (seguimos dentro, em tradução livre), com a liderança e o apoio financeiro do Enviado Especial da ONU para a Ação Climática, Michael Bloomberg, que estará nas negociações junto à organização, sem a presença do governo de Donald Trump. Mais de 3.800 líderes de governos locais, tribais e estatais dos Estados Unidos, do setor privado e outros estão "Still In" no Acordo de Paris. 
 
Desde a decisão de Trump de sair do Acordo, atores e empresas locais aceleraram ainda mais a implementação e se comprometeram com mais ações em prol do meio ambiente. Neste ano, sete novos estados promulgaram legislação onde se comprometem a ter 100% de energia limpa. Compromissos semelhantes foram feitos em mais cinco estados, que, se promulgados, fariam quase 25% da demanda total de eletricidade dos EUA se comprometer com 100% de energia limpa. 
 
Sessenta e duas empresas com operações nos Estados Unidos se comprometeram com 100% de energia limpa. Apple Inc., Bank of America, Starbucks e outras empresas que assumiram o compromisso da RE100 têm um valor de mercado de mais de US$ 7,8 trilhões. No próximo ano, Donald Trump tentará a reeleição e uma das principais questões de votação são as mudanças climáticas. 

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