PETRÓLEO

Exploração no Amapá pode afetar comunidades costeiras

Exploração no Amapá pode afetar comunidades costeiras

Pesquisa coletou dados em seis municípios costeiros do estado, e um distrito municipal, na região da Bacia da Foz do Amazonas

O Greenpeace Brasil lançou o estudo inédito ‘Costa do Amapá: potenciais impactos do petróleo e alternativas econômicas’, realizado pela Amapari Consultoria Ambiental. A pesquisa coletou dados em seis municípios costeiros do estado, e um distrito municipal, na região da Bacia da Foz do Amazonas, área que está na mira da indústria do petróleo. Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados têm expectativas negativas sobre a exploração de petróleo na região; 69,2% citam o vazamento de óleo como possível causa de impactos sobre a pesca e a vida marinha. A amostra também indica que 96% das comunidades costeiras do Amapá não participaram de nenhuma audiência pública sobre o tema.

Entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, a equipe da Amapari coletou dados primários por meio de 103 entrevistas individualizadas. O campo da pesquisa está situado em duas mesorregiões, norte e sul, sendo: Oiapoque, Calçoene, Amapá e Pracuúba, ao norte, e Cutias, Macapá e distrito do Bailique, ao sul. Com exceção da capital Macapá, os municípios e o distrito citados estão localizados na zona costeira do estado do Amapá. O estudo entrevistou moradores de comunidades tradicionais em seus territórios, colônias de pesca, associações; atores de empreendimentos da sociobiodiversidade, além de organizações da sociedade civil, universidades e entes governamentais e não governamentais. A pesquisa ocorreu com o auxílio de um formulário socioeconômico semiestruturado, que abrangeu questões sociais, ambientais e econômicas sobre a potencial exploração de petróleo na região.

Para Enrico Marone, porta-voz do Greenpeace Brasil, o principal objetivo do relatório ‘Costa do Amapá’ é combater a desinformação: “É preciso entender os impactos que a exploração de petróleo pode causar na região e, mais do que isso, saber o que pensam as comunidades costeiras locais sobre o possível avanço do petróleo. As comunidades pesqueiras, indígenas e quilombolas precisam ser consultadas e estarem cientes de que o seu território e a sua atividade de geração de renda podem estar em risco”.

O documento revela que 71,6% das pessoas ouvidas consomem pescado diariamente ou de 5 a 6 vezes na semana. A pesca artesanal, portanto, é essencial para a economia e sobrevivência dessas famílias e qualquer vazamento de óleo impactaria diretamente a subsistência destas comunidades. “A exploração de petróleo é vendida como única possibilidade de desenvolvimento para a região, mas o estudo mostra que, além dos graves impactos socioeconômicos e ambientais que a atividade pode gerar, há outras alternativas econômicas sustentáveis que precisam de investimento", afirma Marone. "Dados da Embrapa citados no relatório mostram que as batedeiras de açaí movimentam mais de R$ 150 milhões no estado", exemplifica o porta-voz.

Entre os destaques do oceanógrafo estão o fomento e estruturação do turismo sustentável e de base comunitária, a consolidação de ações de apoio voltadas à pesca artesanal e o fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade da região. "Esses são passos fundamentais para uma nova economia sustentável”, diz Marone.

O estudo “Costa do Amapá: potenciais impactos do petróleo e alternativas econômicas” é um material complementar da Expedição Costa Amazônica Viva, do Greenpeace Brasil, que ocorre na região a bordo do veleiro Witness, promovendo uma escuta da população local e apoiando a produção de conhecimento científico sobre as correntes marinhas e costeiras do Amapá. O estudo completo pode ser acessado pelo endereço https://www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2024/03/e3f2d9e3-green_costa_relatorio-v4.pdf.


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