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PLÁSTICOS

Impacto do rio Amazonas no oceano Atlântico

Impacto do rio Amazonas no oceano Atlântico

O rio despeja cerca de 200 milhões de litros de água doce por segundo no oceano.

Um grupo de pesquisadores do Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LBPM) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) percorreu com o veleiro Tara o rio Amazonas para estudar o impacto de suas águas no oceano Atlântico. O rio despeja cerca de 200 milhões de litros de água doce por segundo no oceano.

O grupo coletou amostras de água na região, em diferentes profundidades. A expedição, que também buscou levantar a quantidade de microplásticos que é transportada para o mar, integra o projeto AtlantECO [https://pt.atlanteco.eu/], parceria entre Europa, Brasil e África do Sul com o objetivo de investigar a diversidade e as funções dos microrganismos no Oceano Atlântico. A bordo do Tara e outras embarcações, são feitas expedições em diversas localidades. Na Amazônia, dentre as pessoas embarcadas no Tara estava Paula Huber, pós-doutoranda na UFSCar, como cientista-chefe do veleiro nas atividades realizadas entre Macapá (AP) e Salvador (BA). Paula integra a equipe do LBPM, coordenado por Hugo Sarmento, docente no Departamento de Hidrobiologia (DHb) da UFSCar, que esteve em outras etapas da missão. "As amostras coletadas nos permitem estudar os microbiomas superficial e profundo nesta região combinando técnicas moleculares e de microscopia de ponta. Além disso, vamos quantificar os plásticos nesta região e os microrganismos associados, que são conhecidos como 'plastisfera'", relata a pesquisadora da UFSCar.

A pesquisadora comenta que as amostras de água foram processadas e armazenadas até o final da expedição, quando foram enviadas para análise em diferentes laboratórios. Na UFSCar, serão feitas análises de sequenciamento genético. "Uma vez que a identificação morfológica de microrganismos é quase sempre impossível, é necessário sequenciar os seus genes para identificá-los e, sobretudo, para identificar as diversas funções ecológicas que eles desempenham, essenciais para o funcionamento desses ecossistemas", explica Sarmento. Todos os resultados e dados gerados pelo AtlantECO serão de acesso público e estarão abertos para utilização de qualquer pessoa em todo o mundo.

Paula Huber diz que os rios de todo o mundo são importantes vias para o plástico chegar ao oceano. Além da sua dimensão e da quantidade de água doce que o Amazonas despeja no mar diariamente, ele percorre 40% da América do Sul e é uma das principais fontes de resíduos plásticos no Oceano. "A maior parte do plástico presente no rio fragmenta-se rapidamente e transforma-se em micro e nanoplásticos enquanto segue em direção ao mar. Esse microplástico é transportado por correntes oceânicas e, parte dele, passa por regiões de alta biodiversidade e pode causar consideráveis impactos, particularmente na vida microbiana marinha", explica a pesquisadora.

Para Hugo Sarmento, muitos animais confundem os microplásticos com alimentos e acabam consumindo o material e, muitas das vezes, morrendo, por não conseguir digerir. "Mesmo quem mora no interior deve saber que nosso plástico também chega aos oceanos através dos rios, já na forma de microplástico, causando danos infinitos a esse bioma", reforça.

O oceano recebe toneladas de plástico anualmente, que chegam a formar ilhas com tamanhos maiores que o estado de São Paulo. Desde 2011, um projeto iniciado pela instituição australiana Earth Carers Waste Education visa incentivar as pessoas a reduzir o consumo de plástico e, assim, seus impactos no ambiente. O movimento tem ganhado mais adeptos ao redor do mundo e hoje acontece em diversos países. No Brasil, a campanha "Julho sem Plástico" é realizada por diferentes entidades e grupos com foco na conscientização e estímulo a comportamentos que favoreçam o consumo e o uso cada vez menores do plástico.

O “Julho sem Plástico” orienta para iniciativas que não usem plástico ou tenham pouca quantidade do material; reutilização das embalagens plásticas; descarte correto do plástico, quando não há opção de reuso; utilização de produtos mais sustentáveis (canudos em inox, sacolas ecológicas, escovas de dente de bambu, dentre outros); e, por fim, incorporação desses hábitos para além do mês de julho. Para os órgãos governamentais, a pressão é de implementar regulamentação para banir os plásticos de uso único (descartáveis).

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OCEANOS
Projeto da EU vai explorar Atlântico

O Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LMPB) do Departamento de Hidrobiologia (DHb) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) é uma das 36 organizações de 13 países diferentes que participam do projeto internacional AtlantECO ( www.atlanteco.eu ). O projeto irá estudar os efeitos das mudanças climáticas no microbioma do Oceano Atlântico. O projeto de pesquisa tem financiamento da União Europeia (programa H2020) para explorar o Oceano Atlântico de polo a polo. O projeto vai realizar o mapeamento de conhecimentos novos e dos já existentes sobre os organismos microscópicos que habitam os rios, as águas costeiras, o oceano aberto, os sedimentos marinhos e a atmosfera, além daqueles encontrados no lixo plástico. "O LMPB da UFSCar fará a coordenação das campanhas oceanográficas realizadas no Brasil, o sequenciamento de DNA e manutenção de banco de amostras do Atlântico Sul, e levantamento de dados já existentes para compilar a maior base de dados do Atlântico, assim como participar no tratamento bioinformático de todas essas informações", explica o professor do DHb e coordenador do Laboratório, Hugo Miguel Preto de Morais Sarmento. Inspirado por pesquisas médicas que combinam abordagens genéticas, de imagem e ambientais de próxima geração, o AtlantECO desenvolverá ferramentas de diagnóstico e métricas para avaliar e prever mudanças na saúde do Oceano Atlântico. O projeto irá vigorar entre 2020 e 2025 e determinará como as regiões marinhas e seus ecossistemas estão conectados ao longo e através do Oceano Atlântico, desenvolvendo modelos que levam em consideração processos dinâmicos, como grandes plumas de rios e circulação oceânica. Juntamente com cenários climáticos futuros, esses modelos ajudarão a prever a migração de espécies, a capacidade do oceano de capturar e armazenar dióxido de carbono atmosférico, o transporte de poluentes e riscos como plásticos e nutrientes e o equilíbrio entre a saúde do ecossistema e as atividades humanas. Esta pesquisa foi implementada através da Declaração de Belém, assinada em julho de 2017 pela União Europeia, Brasil e África do Sul, com o objetivo de preencher lacunas de conhecimento entre as regiões amplamente estudadas do Atlântico Norte e as ainda pouco estudadas do Atlântico Sul. Cinco estudos desenvolvidos entre as partes interessadas locais em torno da bacia do Atlântico demonstrarão o valor dos resultados do AtlantECO para a economia azul e a sociedade, abordando, por exemplo, a detecção precoce de ameaças prejudiciais em locais de aquicultura, o impacto da mineração na costa de Microbiomas da África Austral e a saúde dos ecossistemas costeiros, os impactos das mudanças climáticas nas cadeias de valor da pesca e a resposta dos microbiomas à perfuração offshore e extração de combustível fóssil na costa do Brasil. O trabalho de campo do AtlantECO será realizado a bordo de vários navios oceanográficos nacionais e veleiros projetados para expedições científicas. Maiores informações sobre o AtlantECO podem ser obtidas no site www.atlanteco.eu . Já , informações sobre o Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos (LMPB) estão disponíveis em www.lmpb.ufscar.br .

1 de dezembro, 2020
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RESÍDUOS
UFSCar lança “Compartilhando Menos Lixo!”

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por meio da Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS), lançou o projeto de extensão "Compartilhando Menos Lixo!" com a apresentação do site https://sgasproex.wixsite.com/menoslixo.&nbsp ; O objetivo do projeto é ampliar as ações de consumo consciente para além da Universidade. "O foco das ações será a conscientização sobre a importância da redução de materiais de uso único na comunidade de São Carlos. Queremos estimular mudança de hábitos e adaptação das práticas de consumo", contou Raquel Boschi, Engenheira Agrônoma, da Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS) da UFSCar. Um dos materiais que as ações querem reduzir o consumo é o plástico descartável, já que um grande volume vai parar nos oceanos. Segundo o Greenpeace, todos os anos, mais de oito milhões de toneladas de lixo vão parar nas águas do planeta, e entre 60% e 90% dos resíduos são diferentes tipos de plástico. A ONG diz que estudos indicam que, se o ritmo de consumo não diminuir e o descarte dos resíduos não for feito de forma adequada, em 30 anos teremos mais plástico do que peixes nos oceanos. A proposta do "Compartilhando Menos Lixo!" é atingir consumidores e comerciantes para apresentar e debater alternativas para a geração de menos resíduos. O projeto também quer sensibilizar o poder público local para a criação de propostas e de novas regulamentações para tratar de questões da poluição e impactos ambientais, decorrentes da geração de resíduos sólidos. Na Universidade, a Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS) realiza diferentes iniciativas para a redução de materiais de uso único, como os descartáveis. Há 16 anos, o projeto CANECAS estimula a adoção de canecas reutilizáveis para reduzir o uso de copos descartáveis nos Campi. Em 2019, no campus de São Carlos, a SGAS desenvolveu o projeto "Desplastifica UFSCar" para motivar a comunidade universitária a reduzir o consumo de plástico. A ação conseguiu coletar 1.143 itens em uma semana, 581 só de copos descartáveis. Depois de identificar os locais com maior uso de copos descartáveis, a Secretaria entregou canecas reutilizáveis para os servidores. A segunda etapa do projeto, com a ampliação da distribuição de canecas, aconteceria no primeiro semestre de 2020, mas não foi possível devido à suspensão das atividades presenciais na Universidade. Na primeira fase do "Compartilhando Menos Lixo!", a comunidade deve acessar o site do projeto ( https://sgasproex.wixsite.com/menoslixo ) e contar sua experiência com resíduos de uso único, participar das discussões sobre formas alternativas de embalagens, ser um agente disseminador de conhecimento, propor alternativas para a redução de resíduos, aplicar as alternativas na sua própria rotina e/ou apresentar as dificuldades de mudanças de hábitos. A partir da participação da comunidade, a SGAS vai produzir e divulgar materiais educativos sobre consumo consciente e diminuição da geração de resíduos. Ao longo do segundo semestre serão realizados encontros virtuais e cursos relacionados ao tema. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] , telefone (16) 3351-8278 e redes sociais da SGAS.

8 de setembro, 2020