InterCement prova que resíduo de catalisador pode ajudar na produção de cimento

A InterCement Brasil demonstrou a viabilidade técnica de usar resíduo de catalisador exaurido na produção de cimento, promovendo ganhos ambientais e substituindo parcialmente a matéria-prima.
Um estudo realizado por profissionais da InterCement Brasil demonstrou viabilidade técnica para incorporar o resíduo de catalisador exaurido à produção de cimento, mantendo os critérios de qualidade e desempenho do produto final. Originado no processo de refino de petróleo da Petrobras, o catalisador é empregado para acelerar a quebra de moléculas durante a produção de combustíveis. De acordo com Rafael Mauri, gerente de Coprocessamento da InterCement Brasil, este é um processo onde os ganhos ambientais se somam em diferentes pontas. “Além da substituição parcial de matéria-prima no produto final, também se evita um passivo ambiental, considerando que o resíduo é destinado - em sua grande maioria - para aterros industriais. Dessa forma, as refinarias acabam garantindo um processo circular na produção de combustíveis”, explica.
A pesquisa conecta dois desafios da indústria 4.0: dar uma nova destinação a um material que perderia sua função original e desenvolver alternativas para reduzir o uso de clínquer, componente do cimento associado à maior parcela das emissões de gás carbônico do processo produtivo. “Mais do que avaliar o comportamento do catalisador em laboratório, buscamos entender como sua aplicação pode ser incorporada ao processo industrial com estabilidade, qualidade e segurança”, disse Denis Silva, Gerente de Controle de Qualidade da InterCement Brasil e um dos autores do estudo.
A pesquisa comparou um cimento de referência (pozolânico) a uma formulação com 4% de catalisador exaurido. As características químicas e físicas dos materiais, as reações que ocorrem quando o cimento entra em contato com a água e o desempenho mecânico do concreto foram analisadas. Nas condições avaliadas, determinadas formulações apresentaram resultados iguais ou superiores aos do material de referência, indicando que o reaproveitamento pode ocorrer sem comprometer a qualidade do produto. Além dos ensaios laboratoriais, o trabalho avançou sobre um ponto essencial para transformar conhecimento científico em aplicação industrial: a estabilidade da dosagem. A utilização de silos independentes permitiu controlar melhor a incorporação do catalisador e superar oscilações observadas anteriormente no processo. “Isso demonstra a importância de avaliar não apenas as propriedades do material, mas também as condições necessárias para seu uso em escala produtiva”, observa Denis Silva. A apresentação do estudo foi realizada hoje, 3 de setembro, durante o 1º Seminário sobre Materiais Cimentícios Ecoeficientes para a Descarbonização da Construção (SEECM-Decarb 2026), na Escola Politécnica da USP (SP).












