Japoneses identificam bactérias capaz de realizar degradação com aditivo

Pesquisadores japoneses identificaram bactérias capazes de degradar polipropileno e poliestireno com o uso do aditivo P-Life, abrindo novas perspectivas para o tratamento de resíduos plásticos.
Pesquisadores ligados à Universidade de Keio, no Japão, identificaram bactérias capazes de degradar polipropileno e poliestireno com o aditivo P-Life, em um pacote de descobertas que também isolou bactérias marinhas para plásticos com o mesmo material e mapeou genes ligados à decomposição de polipropileno. O P-Life é um aditivo desenvolvido para tornar plásticos persistentes mais acessíveis à ação de microrganismos. Em relatório-síntese divulgado após a apresentação dos resultados, o professor Kenji Miyamoto descreveu as três frentes como descobertas inéditas em sua categoria e afirma que elas podem ampliar as aplicações da tecnologia. O grupo apresentou os achados em março, em Kyoto, no encontro anual da Japan Society for Bioscience, Biotechnology and Agrochemistry.
A descoberta que mais chamou atenção envolve o poliestireno, usado em embalagens, descartáveis e peças de proteção. Segundo o material técnico, a equipe obteve bactérias adequadas para PS com P-Life e destacou três cepas, T6-1, S10 e S15, com capacidade significativa de degradar folhas desse material. Nos documentos do grupo, o poliestireno aparece como um plástico persistente e de difícil decomposição. Na frente marinha, os pesquisadores usaram amostras de água do mar coletadas em áreas ao redor de Tóquio, isolaram 75 cepas candidatas e selecionaram quatro com maior capacidade de degradação. Nos testes com canudos de polipropileno com P-Life, a equipe registrou marcas na superfície e redução de massa do material. O relatório também afirma que a combinação entre essas bactérias e o aditivo pode elevar a eficiência da degradação em ambiente marinho.
A terceira linha estudou o que acontece dentro da célula bacteriana. Os pesquisadores fizeram análise genômica e de expressão gênica em bactérias associadas à decomposição de polipropileno com P-Life e identificaram genes candidatos ligados ao processo. Os resultados identificaram participação de vias de beta-oxidação e geração de acetil-CoA, base que pode ampliar a compreensão sobre a degradação desses materiais e abrir caminho para ganho de eficiência no futuro. No Brasil, o P-Life chega ao mercado por meio da Eco Ventures Brasil, subsidiária da Eco Ventures Inc., empresa sediada no Colorado, nos Estados Unidos, por Mark Tye, fundador e CEO. A operação brasileira afirma manter estudos e interlocução com institutos de pesquisa no país. Para Bruna Folster, sócia e vice-presidente da Eco Ventures Brasil, o novo pacote de resultados ajuda a tirar o tema de um terreno mais difuso. “Durante muito tempo, esse debate ficou preso entre certificações, desconfiança de mercado e pouca compreensão sobre o que de fato acontece com esses materiais. Esses estudos trazem uma base científica mais robusta para tratar o tema com seriedade”. A executiva afirma que a próxima etapa, no Brasil, passa por aprofundar a validação local da tecnologia.“Nosso papel é acompanhar esse avanço com responsabilidade e ampliar a validação local. Existe interesse de institutos de pesquisa no tema, e isso aproxima essa discussão da realidade industrial brasileira”.








