Lançada Plataforma de Investimentos em Transformação Climática
O Governo Federal, por meio dos ministérios da Fazenda, de Meio Ambiente e Mudança Climática, de Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, juntamente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Bloomberg Philanthropies, a Aliança Financeira de Glasgow para o Net Zero (Gfanz), o e o Fundo Verde para o Clima (GCF) lançaram a Plataforma de Investimentos em Transformação Climática e Ecológica do Brasil (BIP) – uma iniciativa para avançar as metas de desenvolvimento e clima do Brasil. O anúncio teve a participação de representantes de bancos multilaterais de desenvolvimento, incluindo o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), o Grupo Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). O BNDES foi representado pela diretora de Infraestrutura e Mudança Climática, Luciana Costa.
A BIP tem como objetivo expandir e otimizar os investimentos de transição, de todas as fontes, em apoio ao Plano de Transformação Ecológica do governo em setores-chave, servindo de exemplo para outros países que buscam integrar suas transformações ecológicas e metas climáticas em pipelines de investimentos concretos. “O histórico de 72 anos do BNDES e seu profundo conhecimento local em fomentar o desenvolvimento social e econômico e a infraestrutura do País serão uma alavanca fundamental para o trabalho da Plataforma”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Acreditamos que podemos replicar o sucesso e a liderança do Brasil em investimentos em energia renovável para todos os setores selecionados, posicionando o país na vanguarda dos investimentos em transição climática”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a plataforma é a realização de um ano e meio de iniciativas da pasta que abriram um novo horizonte para a agenda climática do Brasil. “É, portanto, a conclusão de um processo de estruturação de nossos marcos regulatórios e financeiros para investimentos verdes”, disse. “Da mesma forma, é o início de outro processo, de uma nova onda de investimentos”.
Em 2023, o Brasil atualizou sua contribuição nacionalmente determinada (NDC) e as metas climáticas para reduzir suas emissões em 53% até 2030, e potencial para se tornar a primeira nação do G20 a atingir o zero líquido enquanto cria empregos e espalha prosperidade. O país está finalizando suas metas de redução de emissões para 2035 atualmente. Essas metas incluem o combate ao desmatamento, práticas agrícolas sustentáveis, descarbonização industrial, soluções baseadas na natureza, fontes diversificadas de energia renovável, transporte sustentável e bioeconomia. “O lançamento da Plataforma Brasil de Investimento Climático e para a Transformação Ecológica é uma demonstração clara do compromisso do governo do presidente Lula com o desenvolvimento sustentável", disse o vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. “A plataforma facilitará a divulgação das oportunidades de negócios no país, nos setores da chamada economia verde, atraindo ainda mais investimentos produtivos para o Brasil, que se traduzem na geração de emprego e renda”.
Michael R. Bloomberg, fundador da Bloomberg Philanthropies, afirmou que o Brasil tem metas ambiciosas e é preciso apoiar o País em alcançá-las, para acelerar a transição para energias limpas – e para interromper os efeitos mais letais e custosos das mudanças climáticas.
O enviado especial das Nações Unidas para Ação e Finanças Climáticas e co-presidente da Gfanz, Mark Carney, afirma que o Brasil dá um exemplo para o mundo ao mostrar como a ação sobre emissões pode impulsionar o crescimento, espalhar prosperidade e criar novos empregos bem remunerados. “O Plano de Transformação Ecológica e o plano Nova Indústria Brasil criam prioridades claras para ação”, ressaltou. “Agora, a BIP reunirá os setores público e privado com instituições domésticas e internacionais para superar as barreiras de investimento e apoiar uma transição em toda a economia”. A BIP baseia-se nos esforços anunciados anteriormente neste ano pelo BNDES e pela Gfanz para ajudar a ampliar os investimentos de transição dos setores público e privado, integrar caminhos e iniciativas existentes, mobilizar capital em grande escala e garantir o uso eficaz dos recursos para promover os planos de transformação ecológica e climática do governo brasileiro. “A Plataforma Brasil de Investimento Climático e para a Transformação Ecológica é um dos resultados da Força-tarefa para Mobilização Global contra a Mudança do Clima, inovação trazida pela presidência brasileira do G20”, disse a ministra de Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva. “Será essencial para a implementação do Plano Clima, atraindo investimentos de outros países para acelerar e dar escala à descarbonização da economia brasileira”.
A BIP trabalhará com fundos e programas públicos existentes, como o Restaura Amazônia, além de iniciativas parceiras, como o Laboratório de Investimentos da Natureza do Brasil – uma iniciativa liderada pelo setor privado que desenvolve recomendações regulatórias e políticas, modelos de negócios e uma abordagem consistente para projetos de soluções baseadas na natureza no Brasil – e o programa Acelerador de Transição Industrial (ITA) Brasil – uma iniciativa projetada para ajudar a avançar um portfólio de projetos da economia real para superar os desafios da descarbonização em setores-chave com altas emissões. A BIP também buscará parcerias com bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) e fundos ambientais e climáticos para financiar tecnologias emergentes e desenvolver estruturas de financiamento inovadoras. “O NDB está pronto para ser um parceiro de primeira linha para o Brasil no desenvolvimento do BIP como uma referência internacional em mobilização de capital”, garantiu, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff
A BIP estabelecerá um fórum global e intersetorial que promoverá a colaboração público-privada para mobilizar investimentos em projetos alinhados com as prioridades do governo. Para isso, interagirá ativamente com iniciativas existentes, incluindo: Mapear e priorizar os pipelines de projetos alinhados com os planos do governo e identificar mecanismos para escalá-los, em parceria com iniciativas setoriais relevantes, como o Programa Acelerador de Transição Industrial (ITA) Brasil, o Hub de Descarbonização Industrial, o Hub de Hidrogênio e o Laboratório de Investimentos da Natureza do Brasil ; Reunir uma comunidade global de investidores e financiadores do setor público e privado, instituições financeiras de desenvolvimento e fundos multilaterais de clima para expandir o pool de capital doméstico e internacional disponível para projetos prioritários ; Desenvolver potenciais mecanismos de financiamento e explorar maneiras de viabilizar o uso estratégico e catalisador do capital público para mobilizar investimentos privados, incluindo parcerias com bancos multilaterais de desenvolvimento e instituições de desenvolvimento nacionais ; Trazer perspectivas do setor privado sobre barreiras políticas para ajudar a destravar investimentos em setores prioritários onde é necessário mais apoio e Ajudar a avançar as prioridades de desenvolvimento e financiamento climático do Brasil em suas presidências do G20 e COP30.
A BIP inicialmente será focará em três setores: Soluções baseadas na natureza e bioeconomia, incluindo a restauração e o manejo sustentável da vegetação nativa, a redução do desmatamento, a agricultura regenerativa e o manejo de resíduos; Indústria e Mobilidade, catalisando os esforços de descarbonização em setores como aço, alumínio e cimento, mobilidade urbana elétrica e fertilizantes verdes e Energia, apoiando esforços para viabilizar energia solar off-grid, redes inteligentes, indústrias de energia eólica offshore, combustíveis sustentáveis, bioinsumos agrícolas, hidrogênio de baixo carbono, eficiência energética e minerais críticos. Os projetos serão oriundos tanto do setor público quanto do privado, o que engloba a possibilidade de apoiar os esforços de transição de cidades e estados brasileiros. A Plataforma já identificou e incluiu projetos-piloto como meio de testar os critérios de seleção do pipeline da BIP, o modelo operacional e os fóruns de tomada de decisão. Esses projetos totalizam US$ 10,8 bilhões em capital a ser mobilizado, uma vez tomada a decisão final de investimento e incluem: Acelen Renewables, que está desenvolvendo uma proposta de combustíveis renováveis de US$ 3 bilhões, visando produzir 1 bilhão de litros por ano de diesel verde e combustível sustentável para aviação a partir de macaúba, uma planta brasileira; o projeto Corredores para a Vida, liderado pela Ambipar Environment e pelo IPÊ, que busca US$ 95 milhões para restaurar um dos maiores corredores ecológicos do Brasil na Mata Atlântica, com o objetivo de reconectar áreas fragmentadas em até 000 hectares de terras degradadas até 2040; e o projeto de US$1,15 bilhão da Atlas Agro será a primeira planta de fertilizantes verdes em escala industrial no Brasil; a Biomas investirá US$ 150 milhões na restauração de 14.000 hectares de vegetação na Amazônia e na Mata Atlântica; Fortescue, que está criando uma planta de hidrogênio verde de US$ 3,5 bilhões; Projeto Caldeira da Meteoric Resources visa arrecadar US$ 425 milhões para financiar o desenvolvimento de métodos de extração de baixa emissão para elementos de terras raras; e Vale, que possui um projeto para induzir o investimento de parceiros de aproximadamente US$2,5 bilhões na construção de polos industriais no Brasil para a produção de hidrogênio verde e ferro briquetado a quente (HBI) visando a descarbonização da indústria siderúrgica.
“O AIIB está animado por fazer parte desta iniciativa transformadora de financiamento climático, um passo significativo em direção à promoção da colaboração e à condução do desenvolvimento sustentável”, disse Jin Liqun, Presidente do AIIB e Presidente do Conselho de Administração. “Esta plataforma histórica reúne parceiros e financiadores chave que desenvolverão um robusto pipeline de projetos que se alinha com as Contribuições Nacionalmente Determinadas do Brasil, as metas climáticas e o Plano de Transformação Ecológica. Estou confiante de que esta será uma solução abrangente para enfrentar os desafios climáticos e ecológicos do Brasil. Seu foco em infraestrutura sustentável, resiliência climática e financiamento verde ressoa profundamente com a missão do AIIB de Financiar Infraestrutura para o Amanhã”. Já Ilan Goldfajn, Presidente do BID, enfatizou a complementaridade entre os esforços domésticos e internacionais: “A Plataforma de Investimentos do Brasil (BIP) é uma importante plataforma de financiamento liderada pelo país para mobilizar recursos voltados para atender às prioridades ecológicas e econômicas do Brasil. Os BDs estão cada vez mais trabalhando como um sistema para apoiar seu co-financiamento e mobilização de outros recursos e esforços conjuntos. Esta Iniciativa demonstra a aliança entre os esforços liderados pelo país e a agenda de reforma conjunta dos bancos de desenvolvimento multilateral”.