COP26

Ministro quer comprometimento de países ricos

Ministro quer comprometimento de países ricos

Leite lembrou que a meta anterior de financiamento, de US$ 100 bilhões anuais, não foi cumprida.

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim leite, defendeu, na plenária da COP26, que os países desenvolvidos se comprometam realmente em financiar a transição global para uma economia de baixo carbono, gerando empregos e riqueza. “São necessários volumes mais ambiciosos, de fácil acesso e execução ágil, para que a transformação ocorra de forma inclusiva ao redor do mundo, prioritariamente em regiões mais vulneráveis em relação a clima e desenvolvimento econômico”, afirmou.

Leite lembrou que a meta anterior de financiamento, de US$ 100 bilhões anuais, não foi cumprida, e que este valor já não é mais suficiente para que o mundo construa uma nova economia verde com uma transição responsável. “Todas as partes devem assumir suas responsabilidades comuns, porém diferenciadas, na direção de uma economia verde neutra em emissões. O desafio global a ser superado é reverter a lógica negativa da punição, da sanção e da proibição, para a lógica positiva do incentivo, da inovação, da priorização”.

O ministro disse também ser necessário transformar a agenda ambiental em oportunidade de crescimento econômico, geração de empregos verdes e superação da pobreza. A partir de uma visão construtiva, que o Brasil vem buscando em reuniões bilaterais e técnicas desde antes da COP26, e considerando como outra questão central a criação do mercado global de carbono, com a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris. Leite citou que o Brasil se credencia como solução para o desafio ambiental, já que a agricultura de baixo carbono restaurou quase 28 milhões de hectares de pastagens degradadas; 16 milhões de hectares de florestas nativas em recuperação; o maior programa operacional do mundo de biocombustíveis; a base renovável de 84% da matriz elétrica nacional, gerando um recorde de empregos em energias solar e eólica; e o programa de gestão de resíduos sólidos, que já reduziu em 20% o número de lixões a céu aberto.

Outras iniciativas destacadas foram o Águas Brasileiras, cujo objetivo é chegar a 100 milhões de árvores plantadas, o Programa Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais Floresta+, que busca fomentar o mercado de serviços ambientais; a aprovação pelo Congresso Nacional do Novo Marco do Saneamento Básico, que abre a oportunidade para o setor privado levar acesso a tratamento de esgoto para mais de 100 milhões de pessoas e a transformação no modal logístico, para o ferroviário, com mais de 5.000 km de novos trilhos, representando uma redução de 75% das emissões no transporte de cargas. “O Governo do Brasil quer mais. Há menos de um mês, lançamos as bases do Programa Nacional de Crescimento Verde, para dar prioridade a iniciativas verdes, sejam públicas ou privadas, voltadas à redução de emissões, conservação florestal e uso racional de recursos naturais, dessa maneira contribuindo para a geração de empregos verdes. O programa já nasce com recursos de bancos federais da ordem de US$ 50 bilhões”, afirmou.

Chefe da delegação brasileira em Glasgow, o ministro diz que o Governo tenta superar o desmatamento ilegal na Amazônia com medidas como dobrar os recursos destinados às agências ambientais e a abertura de concursos para 739 novos agentes de fiscalização ambiental. Além disso, o Ministério da Justiça intensificou as ações de comando e controle, com 700 homens da Força Nacional atuando de forma ostensiva e permanente em 23 municípios. Já o Ministério da Defesa, lançou recentemente um inovador e mais preciso sistema de monitoramento de floresta nativa.

Artigos Relacionados

Pacto Global da ONU tem metas de Net Zero até 2030
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Pacto Global da ONU tem metas de Net Zero até 2030

As atualizações estão alinhadas com o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima) e com o Acordo de Paris, visando acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

17 de março, 2026
Brasil perdeu 1,4 bilhão de toneladas de carbono em biomas
AGRICULTURA
Brasil perdeu 1,4 bilhão de toneladas de carbono em biomas

A boa notícia é a estimativa dos pesquisadores de que “recarbonizar” cerca de um terço da área agrícola do país já seria suficiente para alcançar a Contribuição Nacionalmente Determinada.

12 de fevereiro, 2026
MMA lança sumário com metas de redução de emissões até 2035
PLANO CLIMA
MMA lança sumário com metas de redução de emissões até 2035

Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 em relação a 2005.

7 de fevereiro, 2026
Mais de 100 ONGs pedem compromisso político para transição
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
Mais de 100 ONGs pedem compromisso político para transição

Carta firma que a credibilidade da ação climática global depende cada vez mais da capacidade dos governos de promover uma “redução justa e ordenada da produção e do consumo de combustíveis fósseis”.

3 de fevereiro, 2026
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos
SUSTENTABILIDADE
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos

O PMEs Go Green é uma iniciativa da AHK São Paulo e Fundação ECO+ desenvolvida no âmbito do programa AL-INVEST Verde, financiado pela União Europeia.

26 de janeiro, 2026
2025 pode igualar 2023 como segundo ano mais quente da história
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
2025 pode igualar 2023 como segundo ano mais quente da história

O ano mais quente da história segue sendo 2024, que registrou uma média 1,55°C acima deste patamar, superando pela primeira vez o limite de segurança de 1,5°C do Acordo de Paris.

9 de dezembro, 2025
Cúpula do Clima obtém avanços, embora aquém do desejado
COP 30
Cúpula do Clima obtém avanços, embora aquém do desejado

Conferência aprovou um pacote de decisões que conseguiu cumprir três principais objetivos: fortalecer o multilateralismo; conectar o multilateralismo climático às pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris, ratificado em 2015.

25 de novembro, 2025
Texto do Governo  sobre mutirão é vazio diz 350.org
COP 30
Texto do Governo sobre mutirão é vazio diz 350.org

O 350.org avalia que o texto ainda está muito aquém do necessário para responder às enormes lacunas na ambição climática e no financiamento.

19 de novembro, 2025