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O baixo nível dos reservatórios e o impacto na geração de energia

Por Valdo Marques * Milhares de mortes diariamente, há meses, e uma crise econômica nacional, responsável por ampliar a taxa de desemprego e tornar quase inviável o futuro de várias empresas de diferentes setores. Não obstante todos esses problemas, a pandemia de Covid-19 também relegou para segundo plano situações que podem gerar enormes prejuízos ao Brasil como um todo, num futuro próximo. Entre elas está o baixo nível dos reservatórios de água das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste. O mês de janeiro de 2021 registrou o pior nível para o período desde 2015, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Os reservatórios citados, responsáveis por mais da metade da energia produzida no Brasil, registraram apenas 23,2% de armazenamento médio no início do ano. Os índices de chuva nestas regiões estão historicamente mais baixos. Em janeiro deste ano, o volume de água que chegou aos reservatórios das hidrelétricas foi o menor para o mês em 85 anos. Nos últimos 10 anos, é bem verdade, houve incremento expressivo da geração eólica nacional, cuja participação passou de 0,8% para 9%. Ainda assim, aproximadamente 65% da nossa matriz energética depende diretamente da capacidade de geração hidrelétrica. Ou seja, ainda que não estivéssemos enfrentando uma pandemia sem precedentes, as perspectivas econômicas já seriam críticas, em função do risco de falta de energia. Inclusive, há opiniões que creditam à própria desaceleração econômica, advinda do Covid-19, não estarmos sob ameaça de um novo apagão. Por isso, torna-se cada vez mais premente o investimento em fontes energéticas que não deixem o país em uma situação perigosa, dependendo unicamente de fatores cujo controle está fora de seu alcance. Tecnologia e inovação podem – e devem – ser aliadas dos players do setor energético nacional, com o objetivo de oferecer soluções inteligentes e sustentáveis. Por outro lado, instalações e equipamentos que não requerem obras nem demandem reabastecimento constante, e que forneçam energia de forma segura e prática, devem fazer parte do planejamento das empresas, condomínios residenciais e prestadoras de serviços indispensáveis. Não importa o tamanho nem o setor da companhia. Atividades críticas, por exemplo, podem contar com alimentação energética contínua e ininterrupta, com o uso de grupos geradores. O modelo garante maior flexibilidade e segurança, podendo, inclusive, ser formatado com duas máquinas no mesmo container, atuando um em contingência do outro ou mesmo em paralelo. Os geradores a gás, por sua vez, também são uma alternativa viável para empresas que exigem confiabilidade, combinada com baixas emissões atmosféricas. Inclusive, em algumas (poucas, é verdade) regiões do país, a rede de gás pode abastecer continuamente, garantindo autonomia com segurança. São diversas as opções para que o país não se torne refém de um único modelo energético, sujeito a fatores quase imprevisíveis e fatalmente prejudiciais para o correto andamento das atividades econômicas, assim como daquelas correlacionadas à segurança, saúde e conforto da população. A Stemac, especialista na fabricação e comercialização de grupos de geradores, segue neste propósito, desenvolvendo sistemas de controle e proteção que tornam a usabilidade mais eficaz e segura, auxiliando o cliente na redução do consumo energético e garantindo fornecimento de energia sem interrupção. O fato é que a pandemia ainda seguirá por alguns longos meses, infelizmente, exigindo paciência e resiliência dos brasileiros, em diversos âmbitos. Mas cabe, também, ao Poder Público propiciar um ambiente favorável ao desenvolvimento da economia, impedindo que o Brasil afunde em outras crises, principalmente por razões que podem ser evitadas. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em geradores comercial, industrial e residencial

Por Valdo Marques *

Milhares de mortes diariamente, há meses, e uma crise econômica nacional, responsável por ampliar a taxa de desemprego e tornar quase inviável o futuro de várias empresas de diferentes setores. Não obstante todos esses problemas, a pandemia de Covid-19 também relegou para segundo plano situações que podem gerar enormes prejuízos ao Brasil como um todo, num futuro próximo. 

Entre elas está o baixo nível dos reservatórios de água das hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste. O mês de janeiro de 2021 registrou o pior nível para o período desde 2015, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). 

Os reservatórios citados, responsáveis por mais da metade da energia produzida no Brasil, registraram apenas 23,2% de armazenamento médio no início do ano. Os índices de chuva nestas regiões estão historicamente mais baixos. Em janeiro deste ano, o volume de água que chegou aos reservatórios das hidrelétricas foi o menor para o mês em 85 anos. 

Nos últimos 10 anos, é bem verdade, houve incremento expressivo da geração eólica nacional, cuja participação passou de 0,8% para 9%. Ainda assim, aproximadamente 65% da nossa matriz energética depende diretamente da capacidade de geração hidrelétrica. Ou seja, ainda que não estivéssemos enfrentando uma pandemia sem precedentes, as perspectivas econômicas já seriam críticas, em função do risco de falta de energia. Inclusive, há opiniões que creditam à própria desaceleração econômica, advinda do Covid-19, não estarmos sob ameaça de um novo apagão. 

Por isso, torna-se cada vez mais premente o investimento em fontes energéticas que não deixem o país em uma situação perigosa, dependendo unicamente de fatores cujo controle está fora de seu alcance. Tecnologia e inovação podem – e devem – ser aliadas dos players do setor energético nacional, com o objetivo de oferecer soluções inteligentes e sustentáveis. 

Por outro lado, instalações e equipamentos que não requerem obras nem demandem reabastecimento constante, e que forneçam energia de forma segura e prática, devem fazer parte do planejamento das empresas, condomínios residenciais e prestadoras de serviços indispensáveis. Não importa o tamanho nem o setor da companhia. 

Atividades críticas, por exemplo, podem contar com alimentação energética contínua e ininterrupta, com o uso de grupos geradores. O modelo garante maior flexibilidade e segurança, podendo, inclusive, ser formatado com duas máquinas no mesmo container, atuando um em contingência do outro ou mesmo em paralelo. 

Os geradores a gás, por sua vez, também são uma alternativa viável para empresas que exigem confiabilidade, combinada com baixas emissões atmosféricas. Inclusive, em algumas (poucas, é verdade) regiões do país, a rede de gás pode abastecer continuamente, garantindo autonomia com segurança. 

São diversas as opções para que o país não se torne refém de um único modelo energético, sujeito a fatores quase imprevisíveis e fatalmente prejudiciais para o correto andamento das atividades econômicas, assim como daquelas correlacionadas à segurança, saúde e conforto da população. A Stemac, especialista na fabricação e comercialização de grupos de geradores, segue neste propósito, desenvolvendo sistemas de controle e proteção que tornam a usabilidade mais eficaz e segura, auxiliando o cliente na redução do consumo energético e garantindo fornecimento de energia sem interrupção. 

O fato é que a pandemia ainda seguirá por alguns longos meses, infelizmente, exigindo paciência e resiliência dos brasileiros, em diversos âmbitos. Mas cabe, também, ao Poder Público propiciar um ambiente favorável ao desenvolvimento da economia, impedindo que o Brasil afunde em outras crises, principalmente por razões que podem ser evitadas. 


* Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em geradores comercial, industrial e residencial

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Artigo por Valdo Marques Por Valdo Marques * Após grandes apertos em 2021, estamos começando a superar o desafio que o Brasil passou para evitar colapsos no fornecimento de energia elétrica. No ano passado, a falta de chuvas fez com que o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste chegasse a 22,53%, o menor patamar dos últimos 20 anos, trazendo de volta, após 91 anos, a pior crise hídrica ao Brasil, impactando diretamente no preço da conta de luz ao consumidor. As duas regiões representam 70% da capacidade de armazenagem do sistema elétrico. Esse contexto foi somado à escassez de peças e insumos, decorrente do desarranjo logístico mundial, em função da pandemia Covid-19. Também houve um disparo na busca por grupos geradores, principalmente em setores como o da construção civil, indústria alimentícia, saúde, tecnologia, condomínios residenciais e agronegócio. A Stemac, por exemplo, maior especialista na fabricação e comercialização de grupos geradores, registrou um aumento de 40% no período mais crítico. O acréscimo no valor da energia elétrica aos consumidores, de R$ 9,49 para R$ 14,20 para cada 100 kW/h consumidos, foi necessário para bancar os custos com a maior utilização das usinas termoelétricas. No entanto, mesmo com este aumento e o governo instituindo o Programa de Incentivo à Redução Voluntária de Energia Elétrica, com direito a pagamento de um bônus a cada quilowatt-hora (kWh) economizado, os brasileiros aumentaram em 5,2% o consumo de energia elétrica em 2021, em relação ao ano anterior, conforme dados da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), em seu Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade. Em dezembro, a demanda subiu 2%, alcançando 42.937 GWh, sendo a melhor marca para o mês desde a série histórica da entidade, que acontece desde 2004. Comércio e indústria puxaram a expansão, com acréscimos de 6,7% e 2,9%. O mercado livre apresentou alta de 6,7% no período, enquanto o consumo cativo das distribuidoras retraiu 0,6%. Fato é que a crise hídrica já reúne muitos prejuízos, principalmente para as geradoras dependentes das hidrelétricas, que, sem água nos reservatórios, recorreram a preços elevados do mercado de curto prazo para honrar seus contratos de fornecimento. As distribuidoras, por sua vez, acumularam um déficit de R$ 12,4 bilhões até novembro do ano passado, já que a conta bandeira não se mostrou suficiente para equilibrar a equação receita/custo. É essencial entender que a harmonização do nosso sistema de abastecimento de água está baseada em três pilares: o ciclo anual de chuvas, que recarrega os reservatórios; o trabalho das companhias de saneamento básico para captar, reservar, tratar e distribuir água; e o uso consciente por parte da população, evitando o desperdício e revendo hábitos individuais e coletivos do dia a dia. Para isso, no entanto, falta eficiência para reter ao máximo a água da chuva; investimento em novas soluções, principalmente em regiões mais remotas, sem acesso à energia elétrica fornecida pelas concessionárias; e uma discussão fundamentada em dados, estudos e fatos, com objetivo de se trazer um modelo que possa, de fato, representar uma redução no preço final da energia para o consumidor e um tratamento mais equilibrado de riscos para todos os elos da cadeia do setor elétrico. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac.

31 de março, 2022
Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia
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Ciclo virtuoso do uso eficiente da água e da energia

Artigo por Julio Molinari Por Julio Molinari * No último mês de junho, a Organização das Nações Unidas divulgou um relatório com alerta de que o aquecimento global está aumentando e pode fazer com que diversos lugares do planeta sofram com escassez de água e a seca. Para dar uma ideia mais concreta da criticidade da situação, Mami Mizutori, representante especial da ONU para redução de risco de desastres, alertou em entrevista que “a seca está prestes a se tornar a próxima pandemia e não existe vacina para curá-la”. O relatório da ONU traz números impactantes. Um deles é o de que secas causaram perdas econômicas de pelo menos US$ 124 bilhões e atingiram mais de 1,5 bilhão de pessoas entre 1998 e 2017. Além disso, cerca de 130 países podem enfrentar um risco maior de seca neste século, outras 23 nações correm riscos de ter escassez de água por causa do crescimento populacional e 38 países poderão ser afetados pelos dois problemas. Outras entidades trazem dados sobre este quadro. De acordo com o World Economic Outlook, pesquisa realizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a "crise da água" é classificada como o quinto maior risco que o mundo enfrentará nos próximos 10 anos. Além disso, estima-se que, em 2025, um terço da população mundial viverá em áreas de escassez e com problemas hídricos e que em cerca de metade de todos os estados-membros da União Europeia, mais de 20% da água potável é perdida devido a vazamentos. A preocupação com escassez de água no mundo não é uma questão nova, mas, como não poderia deixar de ser, segue recebendo muita atenção, ainda mais quando são divulgados dados como estes. Até mesmo em regiões onde a disponibilidade de água é maior, o assunto é muito sensível e relevante. Isso porque a falta de recursos hídricos poderia não apenas representar um gargalo para a rotina da população em termos de consumo, mas também comprometer o funcionamento das atividades econômicas se a matriz energética estiver baseada em usinas hidrelétricas. Este seria um cenário possível no Brasil, já que, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), 64,9% da energia elétrica gerada no País é hidráulica. Outro levantamento que a EPE mantém sobre consumo nacional de energia elétrica aponta que dentre os segmentos residencial, industrial, comercial e outros (rural, serviço público e iluminação pública), entre 1995 e 2018, a indústria sempre foi a que mais consumiu energia no Brasil. Neste contexto, a utilização de tecnologias já existentes, como equipamentos que controlam motores elétricos, se torna ainda mais estratégica e mesmo necessária. Um exemplo disso é a estimativa de redução em 8% do consumo de energia até 2040, com a adoção em larga escala de motores controlados por drives no setor industrial. Sendo a matriz energética brasileira baseada em geração hidrelétrica, fica claro que utilizar água e energia com mais eficiência não só indica um ciclo que se retroalimenta, mas também que é essencial para que a nossa economia possa produzir com a máxima competitividade possível. Isso porque, como se sabe, é mais dispendioso quando há necessidade de se aumentar o consumo de energia proveniente de termelétricas, repassando um custo operacional mais alto para o que é produzido e, portanto, para a população que consome. Outra situação que mostra um forte vínculo entre água e energia se dá justamente no setor de saneamento. A dependência mútua entre estes dois recursos e a crescente demanda global por eles têm um impacto enorme no crescimento econômico, na sustentabilidade global e no nosso futuro. Felizmente, já estão disponibilizadas a digitalização e tecnologias desenvolvidas para criar um setor de água neutro em energia, atuando em todos os estágios do ciclo da água, da produção e distribuição até o tratamento e bombeamento de efluentes. Um sistema de distribuição hídrica mais eficiente permite reduzir vazamentos de água automaticamente, o consumo energético e o desperdício. Dispor destas soluções é um trunfo muito importante ao se analisar números do setor. Ele é responsável por 4% do consumo energético global e acredita-se que esse número dobrará até 2040. Além disso, instalações de água e saneamento são as maiores consumidoras de energia de um município, representando de 30 a 50% da conta de eletricidade total das autoridades locais. Por fim, ao contornar o problema de escassez de água reduzindo o seu desperdício, um setor de saneamento neutro em energia também pode contribuir para reduzir as emissões de CO2 e, consequentemente, para evitar o agravamento das mudanças climáticas que, por sua vez, interferem nos ciclos de chuva e hídricos no mundo inteiro. Assim, vemos como, novamente, o uso eficiente de água e energia pode formar um ciclo virtuoso que se retroalimenta continuamente. * Julio Molinari é Presidente da Danfoss na América Latina

4 de agosto, 2021
Crise hídrica exige soluções energéticas eficientes
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Crise hídrica exige soluções energéticas eficientes

Por Hélio Sugimura* Essa não é a primeira ocasião em que o fornecimento de energia elétrica se torna um ponto de preocupação para líderes de negócio no Brasil. Em 2001, o país sofreu diversos apagões e os consumidores residenciais e industriais foram obrigados a racionar energia no Distrito Federal e em mais 16 estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, reduzindo em 20% o consumo de energia elétrica. E, mesmo 20 anos depois, autoridades e especialistas ainda não cogitaram a possibilidade de racionamento, mas não descartam a ocorrência de apagões e a situação não é confortável, tanto que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vem fazendo uma série de alertas a cada nova reunião sobre o possível anúncio de medidas por parte do Governo Federal como a criação de comitê de crise e programas para reduzir o consumo industrial nos horários de pico. O que tem freado a adoção de medidas mais drásticas para enfrentar a crise hídrica certamente é a pandemia COVID-19 que, mundialmente, diminuiu o consumo de energia tanto nos setores da indústria quanto no comércio, que tiveram as suas atividades reduzidas. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a escassez de chuvas para a geração de energia é a pior em 91 anos, e como mais da metade da matriz energética do Brasil é baseada em hidrelétricas, o acionamento de usinas termelétricas - opção mais cara - significa uma conta de luz com valor mais alto tanto para consumidores residenciais como comerciais ou industriais. Por outro lado, de acordo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica publicada em junho de 2021, elaborada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética - instituição pública vinculada ao Ministério das Minas e Energia), em maio de 2021 houve um aumento de 22,5% no consumo energético industrial, ante o mesmo mês em 2020. O consumo industrial foi o que apresentou o maior crescimento, puxado pelos setores de metalurgia, químico e automotivo, à frente do setor comercial (16,7%) e residencial (1,6%). Ainda segundo a EPE, no seu Balanço Energético Nacional 2020, o setor industrial foi responsável pelo consumo de 30,4% da energia produzida no Brasil em 2019. Diante desse cenário, e com as perspectivas de retomada da economia pós pandemia, além do crescente aumento nas tarifas, é crucial investir em soluções que gerem mais eficiência energética em plantas industriais. O passo a passo para reduzir o consumo energético O primeiro passo para acompanhar a eficiência energética, principalmente na Indústria, é a capacidade de medir o consumo de energia, cruzar com a quantidade de peças produzidas ou volume de produção e criar um indicador de eficiência através dessa relação. Dessa forma é possível avaliar a eficiência energética e identificar pontos de melhoria, com dados entregues em tempo real, de forma ágil e de fácil compreensão, sobre o suprimento de energia ou do status operacional de uma máquina. Em segundo lugar, é preciso monitorar e avaliar os gastos por departamento, linha de produção ou instalação, independentemente do porte da empresa. Com soluções inteligentes de monitoramento é possível quantificar o consumo de forma transparente, o que irá se refletir não apenas na eficiência energética de um equipamento, mas também na melhor gestão financeira da empresa, a partir da visualização do gasto em todos os departamentos. O monitoramento dessas informações é o passo inicial para uma gestão energética eficiente. Esses dados são fundamentais para análise, controle de custos, rateio de consumo, controle de demanda, entregues de forma gráfica e com relatórios detalhados, simples e automatizados. Em especial na Indústria, além da medição e monitoramento, é importante um olhar dedicado aos motores, que segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), representam, ao lado de refrigeração, ar comprimido e iluminação mais de 50% dos custos com energia elétrica nas empresas. Nesses casos, a recomendação é utilizar dispositivos como inversores de frequência e conversores regenerativos, que podem reduzir em até 30% o consumo de energia nos motores elétricos. O futuro começa agora Atualmente não é possível, tanto do ponto vista econômico quanto ambiental, não investir em soluções que ofereçam uma melhor eficiência energética, reduzindo o custo no processo de fabricação ou no fornecimento de um serviço. Para cada tipo de demanda, existe uma solução que entregará dados sobre o consumo energético em tempo real, otimizando a tomada de decisão e garantindo uma gestão mais eficiente. Os impactos do uso de energia afetam a todos nós e, consequentemente, todos devemos estar preocupados em como usar esse recurso de forma mais eficiente. A maior eficiência energética resulta em custos operacionais mais baixos para todos os negócios, permitindo que uma empresa "eficiente" ganhe uma vantagem competitiva sobre seus competidores que ainda não entenderam que o futuro começa agora. E o futuro não costuma perdoar erros. * Hélio Sugimura é Gerente de Marketing da Mitsubishi Electric

22 de julho, 2021
A importância do seguro para situações de escassez de chuvas
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A importância do seguro para situações de escassez de chuvas

Por Paulo Mantovani * O Brasil enfrenta hoje uma seca histórica na região das hidrelétricas - o registro de chuvas entre os meses de setembro de 2020 e maio de 2021 foi o pior em 91 anos de registro. Cinco estados (MG, GO, MS, SP e PR) emitiram alerta de emergência hídrica agora em junho, com duração até setembro. Apesar de a hipótese ter sido descartada no momento, há risco de racionamento em um futuro próximo. A falta de chuva e a consequente queda no nível dos reservatórios desencadeiam uma série de problemas, tanto para o setor de infraestrutura como para o consumidor final. As hidrelétricas se tornam incapazes de colocar no sistema a mesma quantidade de energia que fornecem quando estão cheias, e é necessário despachar as termoelétricas para colaborar com o fornecimento e evitar o risco de apagão. Paralelamente, o fenômeno da escassez deixa a energia cada vez mais cara. As cotações no mercado livre já acumulam um salto de 40% somente este ano, e devem tocar o teto regulatório nos próximos meses. O preço médio da energia atinge hoje os R$ 350 por MWh (megawatt-hora); a fins de comparação, no início do ano estava em R$ 250 e, em 2020, entre R$ 180 e R$ 200. No contexto de exposição a esses riscos, é imprescindível que as apólices de seguros estejam dimensionadas de forma correta. A cobertura tradicional para usinas é formada pelas apólices de operação, conhecida como Lucros Cessantes, e a de construção, chamada Advanced Loss of Profit (ALoP). Tanto no risco de engenharia (durante a construção) como na operação, no caso de um acidente ou imprevisto a usina é obrigada a seguir com o contrato de fornecimento de energia. Ou seja, a ocorrência de um sinistro não altera a necessidade de entrega de uma quantidade pré-estipulada de megawatts. Para entregar essa energia, a usina recorre à compra no mercado livre - onde, em situação de escassez, o produto está extremamente caro. É essencial, portanto, que a empresa esteja preparada, nos modelos que utiliza, para determinar a cobertura de ALoP e Lucros Cessantes de forma adequada aos momentos mais críticos. Assim, no caso de um acidente ou imprevisto, a usina pode recorrer à sua apólice e ter a indenização correta. Com uma cobertura formada por apólices dimensionadas adequadamente em relação ao preço da energia, a usina consegue ir ao mercado comprar a energia que precisa entregar, sem se endividar. Quando essas apólices não são dimensionadas corretamente, a usina é obrigada a tirar do próprio bolso o dinheiro necessário para completar a compra. Antes de tudo, é necessário revisitar as apólices atuais de construção e operação das usinas, a fim de atestar se as prerrogativas que foram adotadas para a colocação do risco no mercado estão de acordo com o momento atual. Se o preço estiver muito abaixo da cotação do mercado, é preciso aumentar o valor das apólices. Adicionalmente, é imprescindível pensar no futuro, principalmente em relação às apólices de novos projetos. Com o fenômeno de aquecimento global, temos uma sucessão progressiva de eventos climáticos, que podem levar a uma seca ainda pior ainda em 2022 e 2023. * Paulo Mantovani é Diretor de Energia e Mineração da Marsh Brasil

6 de julho, 2021
A crise hídrica deveria ser um problema do passado
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A crise hídrica deveria ser um problema do passado

Por Giovanino Di Niro * O Brasil enfrenta há vários anos problemas graves em relação aos níveis de água nos reservatórios e, consequentemente, no abastecimento à população desse bem que é vital não só para a saúde das pessoas como também para a economia. Muitos se lembram do período de racionamento de água com que a região Sudeste teve que lidar em 2015. Desde então, pouco se fez em relação a investimentos no setor para melhorar a gestão desse recurso natural, e o país enfrenta agora, apenas seis anos depois, o que é considerada a pior crise hídrica de sua história. Essa situação é ainda mais inaceitável se pensarmos que o Brasil detém a maior reserva de água superficial do mundo, além de grandes reservatórios de água subterrânea, com destaque para o Aquífero Guarani. É verdade que as mudanças climáticas têm impacto na queda dos volumes destinados à população nos últimos anos, mas o problema principal é a grande quantidade de água desperdiçada durante a sua distribuição. Segundo dados do Instituto Trata Brasil publicados recentemente, tendo 2019 como ano base para o estudo, o país atingiu 39,2% de perdas de água na distribuição, volume que corresponde a 7,5 mil piscinas olímpicas de água tratada que é desperdiçada diariamente. Esse total equivale ainda a sete vezes o volume do Sistema Cantareira, o maior conjunto de reservatórios para abastecimento do Estado de São Paulo, e quantidade suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros durante um ano. Ainda de acordo com o Instituto, o índice de perdas de água na distribuição no país era de 36,9% em 2012, ou seja, de lá pra cá o sistema, que já era precário, piorou ainda mais. Para reverter esse quadro, o Brasil tem um enorme desafio para os próximos anos, já que tem como meta garantir água potável para 99% da população, segundo foi estabelecido no Novo Marco do Saneamento Básico aprovado no ano passado. Atualmente, esse índice está em 83,6%, o que resulta em quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço básico, segundo o Trata Brasil. É por isso que será inevitável o investimento na digitalização do sistema hídrico para que haja uma gestão inteligente visando à redução de perdas de água. Motivos não faltam para a implementação de novas tecnologias e soluções que já estão disponíveis no mercado brasileiro. Ao digitalizar o sistema de distribuição com a instalação de medidores ao longo das tubulações, o gerenciamento passa a ser realizado por meio de dados em nuvem. Dessa forma, além de otimizar a gestão por meio de plataformas de inteligência operacional, todo o monitoramento de uma região ou cidade passa a ser feito em uma única sala de controle, onde estarão disponíveis todas as informações em relação ao fluxo de distribuição da água. A partir dessa análise de dados, fica fácil detectar locais de rompimento da tubulação para que medidas sejam tomadas em relação à redistribuição da água até que o reparo do problema seja realizado. Entre as tecnologias disponibilizadas pela Siemens por meio do portfólio SIWA, por exemplo, há uma voltada para detecção do local de rompimento da tubulação, com precisão que varia de 20 a 50 metros. A partir dos dados em nuvem, há soluções também que auxiliam as empresas a atuarem de maneira preditiva a partir da detecção de locais propícios para a ocorrência do rompimento de uma tubulação, evitando assim perdas de água, e reduzindo custos com manutenções desnecessárias do sistema. Para o grande desafio que o Brasil tem pela frente na área de saneamento, o uso de novas tecnologias será fundamental para se reduzir os grandes volumes de água que são desperdiçados. No país que tem a maior reserva de água doce do mundo e com as soluções disponíveis hoje no mercado, problemas no fornecimento desse bem à população deveriam ser coisa do passado. Mas sem a digitalização do sistema de distribuição de água, as crises hídricas como a que estamos passando mais uma vez neste ano continuarão sendo corriqueiras. * Giovanino Di Niro é Gerente Executivo de Saneamento e Digitalização da Siemens

25 de junho, 2021
Sem fontes sustentáveis de energia, não há como superar as crises hídricas de abastecimento elétrico
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Sem fontes sustentáveis de energia, não há como superar as crises hídricas de abastecimento elétrico

Por Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares * Por ironia do destino, em meio às comemorações do Mês do Meio Ambiente nos deparamos com uma das maiores crises hídricas dos últimos anos. Ela terá impacto direto no bolso dos brasileiros, que passam a se acostumar com os aumentos nas faturas mensais sempre que os dias mais frios chegam. Embora seja de se esperar que em um país com o clima do Brasil o outono e o inverno sejam as estações mais secas, ainda assim se deve refletir sobre a frequente dificuldade no abastecimento de água durante esse período do ano e quais os reflexos desse acontecimento para a garantia do direito à energia elétrica. A energia elétrica é necessária no dia a dia de todas as famílias, sendo essencial para a manutenção de todos os lares. Está nos meios de contato, na refrigeração de alimentos e até mesmo na vida social. Pensando nisso, é correto permitir que em meio à uma urgente crise econômica a população ainda tenha que sustentar aumentos abusivos em suas contas de luz ao fim do mês? Como advogada ambiental e bióloga, garanto que não. Além de confirmar o completo caos ambiental em que o país se encontra, a crise hídrica também expõe a ineficácia de governos que ainda não se aprofundaram na possibilidade de investir em fontes sustentáveis de energia, capazes de prover abastecimento durante todo o ano, sem prejudicar a economia das casas e comércios do nosso país. O Brasil é, por natureza, um país com enorme potencial de produção de energia solar e eólica, mas ainda está muito aquém do que é realmente almejado quando buscamos políticas de incentivo e legislações favoráveis a esse tipo de abastecimento elétrico. Tal cenário beira o primitivo em dias atuais e contraria orientações globais dadas no Acordo de Paris. É possível concluir, portanto, que enquanto continuarmos à mercê de um quase único meio de abastecimento energético, permaneceremos impotentes diante do problema, encarando o acesso à energia elétrica como um benefício para quem pode ter o privilégio de pagar por ele e que se distancia, cada vez mais, do tão sonhado status da dignidade humana. * Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares é Graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

11 de junho, 2021
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A retomada da economia brasileira e o cenário energético

Por Valdo Marques * São inegáveis os diversos impactos suportados por empresas, dos mais diversos setores no Brasil, em razão da pandemia de Covid-19 nos últimos 12 meses. Não obstante as centenas de milhares de mortes causadas pelo vírus, o País também se viu mergulhado em uma crise sem precedentes, resultando em desafios que transcendem, neste momento, a esfera da Saúde. Nesse sentido, cerca de um ano após os registros dos primeiros casos de Coronavírus no Brasil, é preciso assegurar condições para o crescimento dos setores que contribuirão para a retomada econômica aguardada por todos. A partir do desenvolvimento e da aplicação em massa das vacinas, o que se espera é que o país inicie novamente sua caminhada, em um cenário que ainda exigirá muita organização e resiliência. O setor elétrico é fundamental para que esta retomada ocorra de maneira pujante, sustentável e segura. É preciso fomentar os segmentos que serão essenciais, não somente no esforço de “fazer a roda da economia girar” novamente, mas também para mantê-la em funcionamento adequadamente. Atualmente, o gasto com energia elétrica no Brasil representa entre 7% e 8% dos custos de uma empresa. Por isso, a demanda é cada vez maior de companhias dos mais diversos portes, por soluções inteligentes para promover um melhor aproveitamento energético em suas atividades, reduzindo ou otimizando essa despesa que representa uma parcela tão importante de seus orçamentos. É necessário também entender, e levar em consideração, o impacto direto da pandemia no próprio setor de energia. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE) apontou para uma previsão de queda de 6% na demanda global de energia em 2020. O resultado representa um decréscimo sete vezes maior do que o registrado logo após a crise financeira global de 2008. Ainda que o isolamento das pessoas em suas casas possa ter ampliado de forma tímida o consumo de energia, a balança ainda se revela negativa quando levado em consideração o tempo inativo de empresas por todo o País. Há um esforço neste momento, através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para que o mercado de energia possa se recuperar de forma vivaz em 2021. No último mês de dezembro, por exemplo, houve a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a Câmara pudesse atuar no âmbito da judicialização do risco hidrológico. Trata-se de uma medida que poderá liberar aproximadamente R$ 9 bilhões nos primeiros três meses deste ano, devolvendo liquidez ao setor e proporcionando um ambiente propicio a novos investimentos e geração de empregos. Empresas e consumidores anseiam cada vez mais por soluções que lhes tragam eficiência, segurança e, principalmente, despesas menores. O setor está atento a estas demandas, alinhado também às proposições relativas ao fortalecimento da chamada “energia verde”, por todo o país. É premente às empresas no Brasil, diante de um cenário de profundos gargalos em infraestrutura estatal, que busquem soluções seguras, que permitam sua recuperação e a retomada do crescimento. Nesse sentido, a utilização de grupos geradores de energia garante uma solução eficaz e imediata às turbulências geradas pela falta de investimento público na infraestrutura nacional como um todo. A recuperação da economia brasileira em 2021 caminha lado a lado com o fortalecimento e fomento de diversos setores. Players e entidades que representam o setor elétrico estão cientes de suas responsabilidades diante deste cenário, confiantes de que suas capacidades e lideranças mantiveram-se resistentes frente às adversidades enfrentadas no último ano. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em Grupos Geradores comercial, empresarial e industrial

15 de março, 2021
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ARTIGO
O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020
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FONTES RENOVÁVEIS
As vantagens da integração de energias

O Brasil conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com 83% de sua fonte advinda de energias renováveis. A hidrelétrica tem maior participação, com 63,8%, seguida pela eólica (9,3%), biomassa e biogás (8,9%) e solar centralizada (1,4%). Os dados são do Ministério de Minas e Energia. Segundo o relatório do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), os três últimos tipos de geração de energia, somados, ultrapassam a geração de energia térmica a combustíveis fósseis. Como resultado, o Brasil tem alcançado uma diminuição da emissão de gases de efeito estufa (GEE) oriundos da geração de energia elétrica. Em 2019, o segmento reduziu em 5% essa emissão, com o avanço, principalmente, das energias eólicas e solar na matriz. Isso significa que existe uma oportunidade de crescimento para essas duas fontes. “As tecnologias solar e eólica se desenvolveram muito na última década, apresentando reduções de custos continuadas e tornando-se, naturalmente, competitivas em relação às fontes convencionais, como o gás natural e o carvão mineral”, avalia o engenheiro, físico e doutor em energia, Demóstenes Barbosa da Silva, presidente da BASE Energia Sustentável. A projeção é que a eólica pode responder por 11% da matriz elétrica em 2024, enquanto que a solar pode chegar a 2,4%. “Esses crescimentos podem se tornar vertiginosos assim que a economia brasileira voltar a crescer, pois os planos de expansão da oferta de energia no Brasil consideram essas duas fontes de energia como as mais vantajosas, tanto sob o ponto de vista econômico como no ambiental”, acrescentou. Contudo existem desafios, como a intermitência e a sazonalidade dessas duas fontes energéticas. Por outro lado, o mercado tem trazido tecnologias de armazenamento de energia por longo período. Um desses casos, por exemplo, é converter a energia em hidrogênio por meio da eletrólise de água, para ser armazenado e produzir eletricidade posteriormente. Pelo fato de o hidrogênio ser uma fonte limpa, não haveria emissões de GEE. O presidente da BASE Energia Sustentável recorda que a Agência Nacional de Energia Elétrica lançou, em 2016, a Chamada Pública 21 para projetos de Pesquisa & Desenvolvimento sobre a possibilidade de armazenamento no Brasil. “Os projetos aprovados para implantação estão próximos de suas conclusões e a expectativa é que, em 2021, sejam apresentadas várias respostas sobre como fazer armazenamento de energia em escala comercial no Brasil”, destaca. Uma estratégia para ampliar essa participação é a integração entre as energias renováveis, com o objetivo de ganhar eficiência e trazer benefícios ao meio ambiente, à economia e à vida das pessoas. “A diversidade de fontes energéticas renováveis abundantes e a evidente complementaridade entre suas características de sazonalidade e intermitência indicam um enorme potencial de aproveitamento sinérgico entre algumas delas, como a hidreletricidade e a solar”, explica Silva. Nesse sentido, seria possível operar duas plantas, uma hidrelétrica e outra solar, de forma conjugada, aumentando a energia garantida do conjunto, comparativamente ao modelo atual de operação, cuja otimização é feita no conjunto de todas as fontes conectadas no Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo o engenheiro, essa integração é perfeitamente viável, técnica e economicamente, e esses arranjos têm sido demonstrados em alguns projetos de empresas do setor. A integração pode ser feita aproveitando-se, por exemplo, áreas remanescentes da construção de barragens e reservatórios das usinas hidrelétricas, bem como áreas sobre as próprias superfícies dos reservatórios, para instalar-se plantas solares, sobre o solo e flutuantes. “A energia solar, que está invariavelmente disponível durante as horas de incidência solar durante o dia, pode ser priorizada para o atendimento da geração do conjunto formado com a hidrelétrica, enquanto se preserva água em seu reservatório, invertendo-se a prioridade nos períodos noturnos”, detalha o presidente da BASE Energia Sustentável. Desse modo, o armazenamento de energia resguarda o sistema ante a intermitência e, até mesmo, pode disponibilizar volumes maiores de energia a custos menores, uma vez que sob a forma de hidrogênio, essa energia pode ser armazenada a longos prazos. Por fim, Silva espera que, em futuro próximo, arranjos entre duas ou mais fontes de energia se tornem comuns no Brasil. Porém, será preciso, antes, vencer o desafio de se ter fabricantes aptos a fornecer equipamentos para implantar essa sinergia em larga escala.

13 de julho, 2020
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ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA
Baixo nível de hidrelétricas impulsiona setor

Segundo relatório recente da Agência Nacional de Águas (ANA), o baixo nível dos reservatórios das usinas nesta época do ano, somado à projeção de um maior consumo de eletricidade em 2020, eleva a relevância da energia solar fotovoltaica ao Brasil. O nível médio dos reservatórios está em 31,67%, enquanto em 2016, no mesmo período, o nível era de 37,35%. Em 2017, o índice estava em 35,76% e, nos anos de 2018 e 2019, o nível médio estava em 37,77% e 38,11%, respectivamente. O CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, comenta que a energia solar fotovoltaica é cada vez mais estratégica ao País, pois ajuda a aliviar a operação do sistema elétrico nacional, economizando água dos reservatórios das hidrelétricas e reduzindo a necessidade de acionamento de termelétricas, mais caras e poluentes. “No caso da geração distribuída solar fotovoltaica, quando os próprios consumidores investem em sistemas em suas casas ou empresas, há também uma redução de gastos e economia que é compartilhada com todos os consumidores brasileiros, incluindo aqueles que nunca instalaram energia solar”. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) afirma que o consumo de eletricidade no Brasil deve crescer aproximadamente 4,2% em 2020, na comparação com 2019 por causa do reaquecimento da economia nacional e a projeção positiva para o crescimento PIB deste ano. “Fato é que o Brasil precisará de energia para dar conta do crescimento econômico. Como o nível dos reservatórios hidrelétricos está muito baixo, há um risco iminente de acionamento de termelétricas a combustíveis fósseis, com um custo bastante alto que é repassado aos brasileiros em forma de aumento de bandeira tarifária (amarela e vermelha). Portanto, é necessário o estímulo à geração de eletricidade limpa, renovável e barata, como a energia solar”, diz o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk.

10 de fevereiro, 2020
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CRISE HÍDRICA
Como a geração de energia por meio do lixo pode ajudar?

por Francisco Oliveira* Vivemos uma crise hídrica, isso é fato. Dono do maior potencial hídrico do planeta, o Brasil corre o risco de, nos próximos anos, sofrer com abastecimento de água em mais da metade dos municípios. Porém o problema maior não é esse, e sim a falta de água para a geração de energia. A valoração do lixo e seu aproveitamento para produção de energia pode contribuir para amenizar, de forma tênue, a crise energética. Para termos uma ideia do quanto esse combustível, o lixo, é abundante, vamos aos números. O brasileiro produz cada vez mais lixo com o passar dos anos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2013, o aumento foi de 4,1% em relação ao ano anterior, o que representa quase três milhões de toneladas a mais no ano. O Brasil está na quinta posição entre os que mais produzem lixo no mundo, atrás de Estados Unidos, China, União Européia e Japão. Com esses dados, podemos concluir que o país está longe de atingir as metas estipuladas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305, de agosto de 2010. O Brasil produz 75 milhões de toneladas de lixo por dia com um elevado potencial para geração de seis mil megawatts. Os elevados custos para produção desta energia e das instalações não têm atraído investidores para este setor de geração. Por isso, essa produção tem se limitado a pequenas usinas de aproveitamento do biogás, que é o gás produzido a partir decomposição dos resíduos dispostos nos aterros sanitários. É importante lembrar que a geração de energia por meio do lixo só iria amenizar o problema e não resolvê-lo por completo. Sem sombra de dúvida, o grande obstáculo para a concretização da geração de energia está na magnitude dos investimentos. As linhas de financiamento, a ausência de instalações em operação no país e a forte injunção governamental sobre as tarifas de energia, afastam potenciais investidores do setor. A energia gerada através do biogás é apenas uma alternativa complementar à energia gerada por hidrelétricas ou termoelétricas, que já vem sendo explorada em algumas regiões do país (sobretudo no sudeste), tanto para geração de energia elétrica, quanto para o aproveitamento térmico e como matéria-prima para o refino do biogás. No entanto, não representa mais do que 0,2% do volume potencial do biogás gerado. Acima de tudo, a geração de energia renovável é um grande auxiliador para evitar danos ao meio ambiente, sobretudo, a energia proveniente de fonte eólica e da biomassa (bagaço de cana, grãos, etc). Muito se tem falado da falta de água nas residências, isso é sim muito importante, como também é primordial que as pessoas continuem conscientes quanto ao uso e desperdício de água. Mas há de se ter olhos bem atentos também para a energia que move o país. O Brasil não pode parar. Francisco Oliveira - Engenheiro Civil e Mestre em Mecânica dos Solos, Fundações e Geotecnia e fundador da Fral Consultoria

13 de maio, 2015