Os males do plástico mesmo após a degradação

Plásticos, mesmo após a degradação física, continuam a prejudicar a fauna marinha e a envenenar a cadeia alimentar devido à sua persistência química.
Segundo a Avaliação Mundial dos Oceanos, os plásticos de maiores dimensões sufocam a fauna selvagem e alteram habitats frágeis, antes de se degradarem em microplásticos tóxicos que envenenam a cadeia alimentar. Mesmo após passarem pela desintegração total a nível físico, as suas ligações químicas permanecem, bem como os seus impactos.
Atualmente, mais de 4.000 espécies marinhas são afetadas pelos plásticos. A análise global abrange os três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, económico e social.
“A alimentação, o metabolismo, o sistema imunitário, o crescimento e a reprodução. Enfraquece-os, mata-os e altera as populações”, diz Ian Butler, editor do relatório de 1.600 páginas que inclui o trabalho de mais de 650 especialistas. A Avaliação Mundial dos Oceanos citou cinco pontos essenciais sobre os plásticos nos oceanos : A quantidade de plástico nos oceanos continua a crescer, impulsionada por má gestão de resíduos, deposição de lixo, abrasão de microplásticos e atividades marítimas. Estima-se que as emissões de resíduos plásticos atinjam 52,1 milhões de toneladas métricas por ano ; Estima-se que existam cerca de 24,4 bilhões de partículas de microplásticos nos oceanos superficiais. No entanto, o conhecimento sobre os seus efeitos biológicos a longo prazo ainda é muito limitado. Quanto mais pequenos e invisíveis se tornam, mais difícil é detetá-los, monitorizá-los, removê-los e avaliar os seus riscos ; Os plásticos descartáveis representam cerca de 40% do lixo global, enquanto a pesca contribui com cerca de 15%, com variações entre países mais e menos desenvolvidos. Reduzir o problema implica diminuir a produção, promover a reutilização, repensar o design dos produtos, melhorar a inovação na reciclagem e encontrar alternativas ao plástico de uso único.
Outros dois pontos são que a poluição por plástico também reduz a resiliência dos ecossistemas, os meios de subsistência humanos e a segurança alimentar, já que os custos recaem fortemente sobre setores dependentes do oceano. Turismo, pesca e transporte marítimo perdem milhares de milhões de dólares por ano devido à redução de receitas e aos custos de limpeza e, por fim, a solução não passa apenas por mais limpezas de praias ou mais reciclagem. Segundo a avaliação, é necessário agir também na redução da produção, melhoria dos materiais e desenvolvimento de alternativas aos plásticos descartáveis. “Alguns países consideram que seriam prejudicados de forma injusta por certas restrições, e que as suas economias sofreriam mais do que as de outros países que não dependem da produção de plástico”, explicou Ian Butler. O método mais eficaz para reduzir a poluição por plásticos passa por um acordo internacional. Contudo, após seis anos de negociações, ainda não foi alcançado um acordo sobre estes plásticos entre os 193 Estados-membros da ONU.












