Saúde dos mares está cada vez pior e impacta capitais costeiras

A saúde dos oceanos está em declínio alarmante, representando uma ameaça crescente para as capitais costeiras e o Brasil, conforme aponta a 3ª Avaliação Global…
A 3ª edição da Avaliação Global dos Oceanos, WOA-3, divulgada pela ONU, mostra que a saúde dos mares está piorando de forma alarmante. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou que os mares estão em apuros e fez um apelo à humanidade para não os tratar como um recurso ilimitado. O estudo tem 25 autores, sendo dois deles o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti e a pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno. Christofoletti disse que as cidades costeiras sofrem ameaça cada vez mais grave, com impactos significativos para o Brasil, que tem mais de oito mil km de litoral. “O aumento do nível do mar, a taxa com que ele cresce por ano aumentou mais de 50% desde o último relatório, há quatro anos. Ela era em torno de 3,2 milímetros por ano. Agora está confirmado em 4,3 milímetros por ano.
Sobre o quanto o oceano pode atingir, o professor disse que o impacto pode ser principalmente nas zonas costeiras, em especial nas capitais costeiras brasileiras. O especialista diz que novos recordes de degelo irão acontecer na região do Ártico, no Polo Norte, e da Antártica, no Polo Sul, o que irá provocar mais água nos mares e causar uma desregulação da relação do oceano com a atmosfera, alterando as frentes frias e o regime de chuvas no Brasil.
Outra coautora do texto, a cientista Maria João Bebianno ressaltou o risco associado aos chamados “poluentes emergentes”, que vão muito além do lixo plástico visível. “Estamos a assistir a um aumento da concentração de antibióticos no oceano. Isto faz com que surjam espécies de bactérias e genes resistentes no mar, gerando uma situação muito semelhante à que enfrentamos hoje com as superinfecções nos hospitais. É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana”. Para a pesquisadora portuguesa, o relatório inova ao integrar o conceito de “Uma Só Saúde”, que marca a associação entre o bem-estar marinho e o da humanidade.
O WOA-3 aponta forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, o novo texto aponta 4.076 espécies impactadas. A especialista diz ainda que o estudo documenta fenômenos físicos invisíveis aos olhos do cidadão comum, mas arrasadores: a acidificação e o aquecimento do mar, elevando o nível das águas através da expansão térmica.
Outro ponto é a perda de oxigênio no ambiente oceânico, elemento químico essencial para a vida da Terra. A desoxigenação das águas tem implicações diretas na sobrevivência de espécies marinhas e terrestres. O secretário-geral da ONU, disse que o documento envia um alerta sobre a crise tripla afetando o ecossistema mundial: alteração do clima, perda de biodiversidade e poluição. “Em tempos turbulentos, o oceano lembra à humanidade que está conectada. Ele enfatizou que os mares moldam o clima, sustentam os ecossistemas e as economias, alimentando ainda bilhões de pessoas”. O WOA-3 é considerado a análise mais completa já realizada e engloba dados sobre saúde humana, áreas protegidas, produção de alimentos, turismo exploração tecnológica, governança, entre outros. Mais de 550 cientistas, de 86 países, contribuíram com as pesquisas que embasam o documento. Os dados do WOA-3 referem-se principalmente ao período entre 2018 e 2023.












