MEIO AMBIENTE

Overshoot Day acontece cada vez mais cedo

Desde 2000, quando chegou em 1º de outubro, o Overshoot Day (Dia de Sobrecarga da Terra) vem acontecendo cada vez mais cedo. Neste ano a data aconteceu em 13 de agosto, e marca como a demanda anual sobre a natureza vai além do que o planeta pode regenerar durante um ano. O cálculo é feito pela Global Footprint Network (GFN), organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF, que monitora a Pegada Ecológica das cidades do mundo inteiro. 
 
Os números da GFN indicam que a quantidade de emissão de CO2 representa mais da metade da demanda sobre a natureza. Este excesso tem aparecido cada vez mais cedo no mundo, com eventos como o desmatamento, a seca, a escassez de água doce, a erosão do solo, a perda de biodiversidade e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera. Este último é uma preocupação constante por conta das mudanças climáticas. "Sozinha, a pegada de carbono da humanidade mais do que duplicou entre 1961 e 1973, quando o mundo entrou em Overshoot ecológico. Continua a ser o componente de maior crescimento do fosso crescente entre a Pegada Ecológica e a biocapacidade do planeta”, afirma Mathis Wackernagel, Presidente da Global Footprint Network. Segundo ele, o “acordo global para excluir gradualmente os combustíveis fósseis, que está sendo discutido em todo o mundo antes da COP 21, em Paris, ajudaria significativamente a frear o crescimento da Pegada Ecológica e, eventualmente, contribuir para sua mitigação”.
 
Para 2015, a absorção de gases de efeito estufa por si só exigiria 85% da biocapacidade do planeta. Nos níveis atuais de emissão de carbono, seria necessário o dobro da biocapacidade florestal global para absorver todas as emissões de carbono que são geradas em todo o mundo. A GFN afirma que, caso as emissões globais de carbono sejam reduzidas em pelo menos 30% até 2030, abaixo dos níveis atuais, de acordo com o cenário sugerido pelo IPCC, o dia de Sobrecarga da Terra poderá ser transferido para 16 de setembro de 2030 (assumindo que o resto da Pegada continuaria a expandir no ritmo atual). 
 
A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a demanda humana por recursos naturais, com a capacidade regenerativa do planeta. A Pegada Ecológica de uma pessoa, cidade, país ou região corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e mar necessárias para gerar produtos, bens e serviços que utilizamos. Ela mede a quantidade de recursos naturais biológicos renováveis (grãos, vegetais, carne, peixes, madeira e fibra, energia renovável, entre outros) que estamos utilizando para manter o nosso estilo de vida.
O cálculo é feito somando as áreas necessárias para fornecer os recursos renováveis utilizados e para a absorção de resíduos. É utilizada uma unidade de medida, o hectare global (gha), que é a média mundial para terras e águas produtivas em um ano.
 
A Pegada Ecológica do Brasil é de 2,9 hectares globais por habitante, indicando que o consumo médio de recursos ecológicos do cidadão brasileiro é bem próximo da média mundial (2,7 hectares globais por habitante).
Isso significa que se todas as pessoas do planeta consumissem como o brasileiro, seria necessário 1,6 planeta para sustentar esse estilo de vida. A média mundial é de 1,5 planeta. Ou seja, o Brasil consome 50% além da capacidade anual do planeta. O WWF-Brasil atua com a Pegada Ecológica, buscando mobilizar e incentivar as pessoas a repensar hábitos de consumo e a adotar práticas mais sustentáveis. Além de utilizá-la como uma ferramenta de mobilização e de conscientização, em 2009 iniciou um trabalho pioneiro no Brasil, com a realização dos cálculos da Pegada Ecológica de Campo Grande (MS) e de São Paulo (Estado e capital). 
 
Em Campo Grande foi constatada Pegada Ecológica de 3,14 hectares globais, o equivalente a 1,7 planeta, enquanto o estado de são Paulo registrou média de 3,52 hectares globais por pessoa (equivalente a dois planetas). Já na capital paulista, a Pegada Ecológica foi de 4,38 (2,5 planetas). Em São Paulo, o cálculo foi feito com base nas classes de rendimento familiar e mostrou uma grande diferença. Para os de renda mais alta, ela chegou a quatro planetas.
Os resultados mostraram que a pegada média do acreano é de 2,34 hectares globais per capita, 0,5 hectares globais acima da biocapacidade mundial (1,8gha/cap). Isso significa que se todas as pessoas do planeta consumissem de forma semelhante aos acreanos, seriam necessários 1,3 planetas para sustentar esse estilo de vida. Embora a Pegada Ecológica do cidadão do Acre seja maior que a biocapacidade planetária, ela é 20% menor que a do brasileiro. A cidade onde foi lançado o estudo da Pegada Ecológica no Brasil foi Natal (RN), após o período eleitoral. Se todas as pessoas do planeta consumissem de forma semelhante à população potiguar, seria necessário 1,9 planeta para sustentar esse estilo de vida.

Artigos Relacionados

Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos
ARTIGO
Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos

O Sistema Cantareira encerrar o verão no nível mais baixo em uma década não é um evento isolado, mas é mais um sinal consistente de um padrão que já se desenha há anos.

23 de março, 2026
Entidades propõem controle social e adaptação às mudanças climáticas
SANEAMENTO
Entidades propõem controle social e adaptação às mudanças climáticas

O Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, formado por várias entidades da sociedade civil, propôs uma série de mudanças nas leis que tratam do saneamento básico, durante seminário na Câmara dos Deputados.

12 de março, 2026
Crise hídrica e agricultura em pauta no Alto Tietê
ÁGUA
Crise hídrica e agricultura em pauta no Alto Tietê

Encontro em Mogi das Cruzes reúne especialistas e produtores para discutir segurança hídrica, mudanças climáticas e caminhos para o uso inteligente da água no desenvolvimento rural.

25 de fevereiro, 2026
Parceria de universidades quer reduzir impactos sobre vulneráveis
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Parceria de universidades quer reduzir impactos sobre vulneráveis

Por meio de um modelo de Laboratórios Urbanos Participativos, o projeto será desenvolvido em parceria com agências governamentais e associações de moradores de favelas e comunidades urbanas.

20 de fevereiro, 2026
Encontro debate crise hídrica e os custos de produção na agricultura
EVENTOS
Encontro debate crise hídrica e os custos de produção na agricultura

O evento é voltado a produtores rurais, gestores públicos, técnicos e lideranças do setor agrícola e vai apresentar o projeto de capacitação de produtores rurais em “Boas Práticas Agrícolas e Técnicas de Irrigação”, com foco em soluções práticas, uso inteligente da água e fortalecimento dos municípios.

19 de fevereiro, 2026
Falência hídrica é irreversível em muitos casos, aponta relatório
ÁGUA
Falência hídrica é irreversível em muitos casos, aponta relatório

Os pesquisadores, indicam que a combinação entre mudanças climáticas, poluição e décadas de uso excessivo levou ao esgotamento não apenas dos fluxos renováveis de água, como chuvas e neve, mas também das reservas de longo prazo armazenadas em aquíferos, geleiras e ecossistemas.

31 de janeiro, 2026
São Paulo investe quase R$ 25 bilhões desde 2023 em iniciativas
SEGURANÇA HÍDRICA
São Paulo investe quase R$ 25 bilhões desde 2023 em iniciativas

As iniciativas alcançam todas as regiões do Estado e articulam recuperação ambiental, infraestrutura urbana e fortalecimento da gestão dos recursos hídricos.

25 de janeiro, 2026
BNDES aprovou R$ 6,4 bilhões em crédito no último ano
BIOCOMBUSTÍVEIS
BNDES aprovou R$ 6,4 bilhões em crédito no último ano

Nos últimos três anos, já foram aprovados R$ 13,3 bilhões, aumento de 204% que o obtido entre 2019 e 2022.

15 de janeiro, 2026