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AGROECOLOGIA

Parceria para divulgar conteúdo e esclarecer população

Parceria para divulgar conteúdo e esclarecer população

A parceria do Greenpeace com a Fiocruz e ABA pretende mostrar dados, histórias e saberes populares que fazem do movimento agroecológico um forte aliado do meio ambiente e da saúde.

Partindo da premissa "Sistemas alimentares mais saudáveis, pessoas mais saudáveis", o Greenpeace se uniu à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e à Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) para produzir conteúdos para divulgar o potencial da agroecologia no fortalecimento da saúde individual e coletiva, e no enfrentamento de diversas crises que o Brasil atravessa atualmente. "Saúde, alimentação e meio ambiente são direitos de todas as pessoas, garantidos pela Constituição. Mas esses direitos têm sido desrespeitados por quem mais deveria promovê-los: o governo brasileiro tem escolhido investir bilhões em um modelo de produção de alimentos que adoece e mata - seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, pela devastação ambiental que provoca ou pelas injustiças sociais que promove", diz a coordenadora da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace do Brasil, Adriana Charoux.

As principais causas de morte atualmente no Brasil são ligadas à alimentação. Por exemplo, problemas cardíacos, câncer e diabetes geram trilhões de gastos à saúde pública globalmente. Além disso, diversos trabalhos científicos têm associado os agrotóxicos a problemas gastrointestinais, respiratórios, malformação congênita de fetos, câncer e inúmeras outras doenças. Em 2017, o Ministério da Saúde fez um levantamento em 2.600 municípios brasileiros para detectar a presença de agrotóxicos na água distribuída à população e o resultado foi a detecção de resíduos de veneno em 92% das cidades monitoradas.

A parceria do Greenpeace com a Fiocruz e ABA pretende mostrar pelos conteúdos que serão lançados principalmente em suas redes sociais, dados, histórias e saberes populares que fazem do movimento agroecológico um forte aliado do meio ambiente e da saúde da população brasileira. "A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) soma-se a essa parceria por compreender que a construção do conhecimento agroecológico parte das evidências científicas. E nos últimos anos elas constatam que a redução dos habitats naturais para a manutenção dos sistemas alimentares de produção industrial que operam em escala global é, de fato, um dos principais motivos das mudanças climáticas e que vem deixando a saúde planetária (das pessoas e do ambiente) no limite da existência", diz Islandia Bezerra da Costa, professora de nutrição em saúde pública da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e presidenta da ABA.

A agroecologia pode frear os impactos das mudanças no clima, a perda de biodiversidade, diminuir as desigualdades sociais, além de garantir o direito de todas as pessoas à segurança e à soberania alimentar e nutricional. "A construção do conhecimento em agroecologia que considera as práticas tradicionais de cultivo e manejo, bem como de processamento dos alimentos que nos identificam com as nossas ancestralidades é que nos fazem esperançar em uma recuperação da saúde das pessoas e dos ambientes. Nos aliarmos a estes saberes populares/tradicionais e científicos é o caminho para a construção de sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis", diz Islandia.

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ARTIGO
O que é Agroecologia?

Por Rafael Morais Chiaravalloti * Agroecologia não é uma palavra complexa. Em uma definição livre. Poderíamos dizer que se trata de uma prática agrícola que apresenta aspectos ecológicos. No entanto, como grande parte das palavras com definições simples dentro da biologia (como a própria palavra ecologia), a aplicação do seu conceito é bem mais complicada. A combinação de um conceito simples com uma aplicação complexa faz com que, muitas vezes, o sentido e o impacto positivo da agroecologia sejam desconhecidos de parte da população. Para respondermos com mais segurança o que é agroecologia, é preciso entender como a natureza se constitui e como a agricultura tradicional interage com ela. Hoje, existem na natureza aproximadamente 8,7 milhões de espécies. Cada representante de uma dessas espécies que existem no nosso planeta interage com a natureza e com membros da sua comunidade, criando uma complexa rede de interdependência. O ser humano, como membro desse conjunto de organismos que existem na Terra, também, por milhares de anos (cerca de 340 mil anos), teve que lutar por sua sobrevivência, principalmente indo buscar o seu alimento nas florestas ou savanas. No entanto, há cerca de 10.000 anos essa relação mudou. Comunidades espalhadas pelo mundo criaram a agricultura, controlando a disponibilidade e abundância de recursos naturais. A agricultura foi fundamental para desenvolver a sociedade atual com pessoas fixadas a um lugar, com tempo para se dedicar a outras atividades, como investigações de curas de doenças ou mesmo respostas para padrões do universo. No entanto, a agricultura tradicional é basicamente uma simplificação da natureza. Uma floresta que continha inúmeras espécies da flora ou uma savana que permitia a presença de centenas de animais, devido aos nichos ecológicos, são simplificadas quando transformadas em áreas agrícolas tradicionais, com o modelo predominante de monocultura extensiva. Estima-se que o ser humano, principalmente por meio da expansão agrícola, acelerou o processo de extinção natural em mais de 1.000 vezes. Dados têm mostrado que, se continuarmos as mesmas taxas de expansão sobre áreas naturais, outras 1 milhão de espécies correm o risco de serem extintas nos próximos anos. O problema dessa grande extinção em massa é que sempre dependeremos da natureza para sobreviver. A simplificação causada pela agricultura reduz drasticamente a quantidade de serviços ecológicos, como polinização, água potável ou mesmo equilíbrio climático. Sem tais serviços ambientais, nossa sociedade fica fadada ao mesmo destino daquelas que nós mesmos eliminamos. Por exemplo, secas extremas, grandes furacões ou mesmo o aumento do nível do mar estão indiretamente ligados à expansão agrícola no mundo. Portanto, é fundamental encontrarmos um equilíbrio. E é aí que entra a agroecologia ou as práticas agrícolas que preservam parte da complexidade ecológica que seriam perdidas caso fosse utilizado um sistema tradicional. A relação entre produção e preservação (ou agroecologia) pode ter diversos níveis, dependendo da escala. Podemos ter desde uma fazenda de 100 hectares até uma horta caseira como uma produção agroecológica. No entanto, o resultado ambiental de cada um será diferente, assim como a complexidade de implementar o sistema. Um exemplo interessante vem do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, onde o IPE (Instituto de Pesquisas Ecológicas), junto com assentados rurais, implementou o programa Café com Floresta. A idéia é que os produtores e produtoras rurais plantem café e outras culturas como feijão, milho e mandioca, em consórcio com árvores nativas da Mata Atlântica. A sombra criada pela floresta permite a produção de um café de altíssima qualidade em uma região que não seria apta a essa cultura caso fosse utilizado um sistema tradicional de monocultura. A utilização do feijão também ajuda na melhoria do sistema, pois ele fixa nitrogênio no solo e promove o melhor desenvolvimento tanto das outras culturas anuais como da floresta. Por fim, os galhos e folhas das árvores ajudam na produção de adubo. E nesse mesmo local, onde os assentados produzem grande parte da sua renda, a floresta permite a presença de diversos animais. Muitas dessas áreas de agroflorestas no Pontal do Paranapanema são habitadas por antas, tamanduás ou mesmo onças pintadas. Ou seja, é a produção agrícola alinhada à proteção da complexidade da natureza. Hoje, já é provado cientificamente que a agroecologia atrai uma maior quantidade de aves e outros animais. No entanto, não é uma tarefa fácil. Grandes sistemas agroflorestais exigem atenção, cuidado contínuo e manejo. A regra é sempre a mesma: quanto maior a complexidade da natureza presente, maior deve ser o tempo gasto com o manejo na produção. Outro exemplo interessante é a produção de mel orgânico no Pantanal. Alguns estudos têm mostrado que grande parte do mel que consumimos no mundo está contaminada com agrotóxicos. Não que os produtores e produtoras utilizem defensivos nas colmeias, mas grande parte das flores utilizadas pelas abelhas está contaminada. E quanto mais agrotóxicos utilizados, menos biodiversidade. Para tentar driblar este problema, a ONG ECOA e as Comunidades tradicionais do Pantanal começaram a produzir mel em uma região altamente isolada de qualquer contato com defensivos agrícolas. Eles implementaram diversas caixas em uma região que fica a 24 horas de barco da cidade mais próxima, garantindo assim que as abelhas apenas acessem floras sem contaminantes. O mel já foi testado e aprovado por diversos institutos de pesquisa. Ao mesmo tempo, não precisamos ter uma floresta dentro de casa ou nos mudarmos para o interior do Pantanal para aderirmos à agroecologia. Hortas urbanas dentro das casas ou em espaços públicos podem ser excelentes exemplos de agroecologia. Elas produzem alimento e ao mesmo tempo preservam a complexidade da natureza; ou por atrair pequenos pássaros, insetos, abelhas ou por evitar que o resíduo orgânico seja desperdiçado de maneira incorreta e acabe afetando a biodiversidade de maneira indireta. Claro, o resultado ambiental é menor do que o alcançado por uma agrofloresta no Pontal do Paranapanema ou uma produção de mel orgânico no Pantanal, mas o manejo, cuidado e o tempo gasto também são menores. Cabe a cada um adequar à sua realidade. Vale lembrar também que a agroecologia transborda suas consequências para outras esferas do relacionamento humano para além da interação com a natureza. Ela propõe mudanças nas relações do ser humano com os seus pares e consigo mesmo. A invenção da agricultura, que permitiu um grande desenvolvimento da espécie humana, ao mesmo tempo levou a inúmeros desafios, tanto ecológicos como sociais. A agroecologia, portanto, é uma maneira de repensarmos como promover a complexidade da natureza e uma melhor convivência. Os exemplos do Pontal do Paranapanema e do Pantanal alinham a agroecologia com a promoção da qualidade de vida de comunidades muitas vezes à margem da nossa sociedade. Nesse sentido, os programas também apoiam uma maior igualdade e bem-estar social dessas pessoas. Podemos dizer assim que a agroecologia não é um caminho fácil. Como grande parte das ações que promovem um mundo um pouco melhor e mais justo, demanda tempo, cuidado, articulação de pessoas e instituições e, claro, investimento em recursos e novas técnicas. No entanto, o caminho já existe. E quanto mais pessoas passam por ele, mais ele fica claro e aparente para os próximos que virão. Cabe a cada um de nós repensar nossas atitudes e buscar maneiras de apoiar, cada vez mais, iniciativas de agroecologia. * Rafael Morais Chiaravalloti é PhD em Antropologia, Desenvolvimento e Ambiente pela Universidade Colégio de Londres, e pesquisador do IPE-Instituto de Pesquisas Ecológicas, São Paulo e do Smithsonian Conservation Biology Institute, Washington. Texto originalmente publicado na Revista EOnline do Sesc São Paulo junto a uma série de vídeos que mostram iniciativas que se relacionam ao tema da agroecologia. Para saber mais, clique em https://www.sescsp.org.br/online/artigo/14862_O+QUE+E+AGROECOLOGIA

1 de dezembro, 2020
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AMAZÔNIA
Queimadas aumentam doenças respiratórias

O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) e a Human Rights Watch publicaram o relatório “ O Ar é Insuportável: Os impactos das queimadas associadas ao desmatamento da Amazônia brasileira na saúde ”. O estudo constatou que as queimadas associadas ao desmatamento na Amazônia estão aumentando o número de pessoas com problemas respiratórios. Em 2019, houve 2.195 internações hospitalares por doenças respiratórias atribuídas às queimadas. O estudo utiliza dados oficiais de saúde e meio ambiente. As internações de crianças com menos de um ano de idade chegaram a quase 500, e mais de mil idosos (+60 anos) foram hospitalizados. As internações representam apenas uma fração do impacto total das queimadas na saúde, considerando que milhões de pessoas foram expostas em 2019 a níveis nocivos de poluição do ar decorrentes das queimadas associadas ao desmatamento da Amazônia. "Até que o Brasil efetivamente controle o desmatamento, podemos esperar que as queimadas continuem a cada ano, impulsionando a destruição da Amazônia e intoxicando o ar que milhões de brasileiros respiram", diz Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil. Segundo a diretora, o fracasso do governo Bolsonaro em lidar com a crise ambiental tem consequências imediatas para a saúde da população na Amazônia, e consequências de longo prazo para a mudança climática global. As queimadas na floresta amazônica são provocadas pela derrubada das árvores – na maioria das vezes, de maneira ilegal - com o objetivo de preparar o solo para a agricultura, pastagem ou especulação de terras. As queimadas geralmente atingem seu pico em agosto e setembro. A fumaça tem material particulado fino, um poluente ligado a doenças respiratórias e cardiovasculares, bem como morte prematura. Crianças, pessoas idosas, gestantes e pessoas com doenças pulmonares ou cardíacas preexistentes são especialmente vulneráveis. A avaliação das organizações sobre os impactos na saúde inclui uma análise estatística de dados oficiais sobre internações hospitalares, desmatamento, focos de calor e qualidade do ar, particularmente pela presença de poluentes fortemente associados às queimadas na região amazônica. O estudo também se baseia em entrevistas com 67 profissionais da saúde, autoridades e especialistas. Segundo eles, vai além das internações, já que muitas pessoas que adoeceram pela fumaça nem chegaram a acessar os serviços de saúde e muitas outras tiveram problemas respiratórios que, embora graves, não exigiram internação. Profissionais da saúde temem uma sobrecarga no sistema de saúde com os pacientes com problemas respiratórios originados com as queimadas somados aos internados pela pandemia da COVID-19. "As autoridades deveriam fazer mais para enfrentar esta crise crônica e evitável de saúde pública", afirma Miguel Lago, diretor-executivo do IEPS. "Elas deveriam implementar um mecanismo eficaz de monitoramento da qualidade do ar e implementar padrões que protejam a saúde por meio de políticas preventivas e responsivas, com atenção especial aos grupos vulneráveis”. No primeiro ano do Governo Bolsonaro, o desmatamento cresceu 85% segundo números do DETER, sistema brasileiro de alerta por satélite. De acordo com a Política Nacional de Mudanças do Clima, o governo se comprometeu a reduzir a taxa geral de desmatamento anual para 3.925 km² até 2020, mas, ao invés disso, foram registrados 4.700 km² de áreas desmatadas até o final de julho de 2020. Em abril, as áreas recém-desmatadas combinadas com as áreas desmatadas que não foram queimadas em 2019 já totalizavam 4.509 km² na Amazônia que poderiam ser alvo de queimadas durante esta estação seca. Em julho, foram detectados 28% mais focos de calor do que em julho do ano passado. "O governo federal tem a obrigação de proteger o ecossistema único que é a Amazônia, bem como seus habitantes, mas a destruição acelerada da floresta está nos empurrando para um ponto de inflexão, em que pode não ser mais capaz de se recuperar, com consequências irreversíveis para a economia brasileira e para a mudança climática global", diz o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. "O governo federal deveria garantir urgentemente uma coordenação eficaz entre todas as agências de fiscalização ambiental para evitar essa catástrofe”.

31 de agosto, 2020
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Terra e oceanos mais quentes, segundo IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou relatório no qual afirma que a temperatura média do planeta aumentou 0,87° C desde o período pré-industrial, porém de forma diferente sobre os oceanos e a superfície terrestre. Em terra, a temperatura já é de 1,53°C - acima, portanto, da meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris aprovado por 155 nações - inclusive o Brasil - em 2015. O aumento da temperatura na terra é explicado principalmente pela desertificação e a degradação do solo, o que pode impactar severamente a segurança alimentar. "Proteger nosso clima e alimentar o mundo exige ação urgente. O relatório do IPCC chega no momento em que os alertas de desmatamento da Amazônia mostram crescimentos absurdos, bem acima da destruição verificada ano passado", afirma Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. Segundo cientistas de diversas partes do mundo, atualmente não basta apenas zerar as emissões globais de combustíveis fósseis mas também acabar com o desmatamento, proteger e restaurar florestas e ecossistemas naturais, que são sorvedouros naturais de CO2. Além disso, alertam para a necessidade de substituir commodities agrícolas por alimentos sustentáveis, em especial com a redução na produção de leite e diminuição no consumo de carne bovina. Segundo o IPCC, o consumo de carne mais do que dobrou nos últimos 60 anos, à medida que os solos foram convertidos para uso agrícola. Hoje, as emissões do sistema alimentar como um todo, incluindo produção e consumo, representam até 37% do total global de emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. "Empresas agrícolas precisam abandonar promessas vagas e mudar radicalmente suas práticas predatórias; e governos precisam assumir suas responsabilidades para com a proteção de florestas, respeitando o direito das populações tradicionais e povos indígenas. Mudar a forma como produzimos alimentos e o que comemos ajudará a proteger o clima e a promover a segurança alimentar em escala global", diz Adário. O relatório especial do IPCC é o mais amplo estudo científico feito até hoje sobre mudança climática e os solos. Os cientistas alertam que mais de um quarto da superfície coberta por terra no planeta está sujeita à degradação induzida pelo homem. O relatório aponta também que 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa provêm do desmatamento, das queimadas e da agricultura, mas afirma que as florestas e o solo, se bem manejados, podem atuar como um poderoso sorvedouro de carbono para ajudar a mitigar o pior das mudanças climáticas.

14 de agosto, 2019
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EMISSÕES
Agricultura sustentável pode contribuir na redução

Maiores investimentos em agricultura sustentável ajudarão a reduzir as emissões e proteger as pessoas contra as mudanças climáticas, informaram líderes na Conferência das Nações Unidas (COP-23) sobre Mudanças Climáticas em Bonn, Alemanha. "A agricultura é um fator chave para a sustentabilidade das áreas rurais, a responsabilidade pela segurança alimentar e seu potencial para oferecer soluções para mudanças climáticas é enorme", afirmou Christian Schmidt, Ministro Federal da Alimentação e Agricultura da Alemanha, durante a abertura da sessão. A ideia é destinar recursos ao setor agrícola para atingir os objetivos do Acordo de Mudança Climática de Paris e a Agenda de Desenvolvimento Sustentável de 2030, estritamente vinculada, feita durante o Dia de Ação da Agricultura sob a Parceria de Marrakesh para a Ação Global para o Clima na COP-23. "Os países agora têm a oportunidade de transformar seus setores agrícolas para alcançar segurança alimentar para todos através de agricultura sustentável e estratégias que promovam a eficiência do uso de recursos, conservem e restaurem a biodiversidade e recursos naturais e combatam os impactos das mudanças climáticas", disse René Castro, Assistente-Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O objetivo central do Acordo de Paris é manter o aumento médio da temperatura global bem abaixo de 2 graus C e o mais próximo possível de 1,5 graus. Cerca de um grau desse aumento já aconteceu, ressaltando a urgência de progredir o mais rápido possível para cortar os gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. Para o setor pecuário, por exemplo, a FAO estima que as emissões poderiam ser facilmente reduzidas em cerca de 30% com a adoção das melhores práticas. Os impactos climáticos extremos também afetam desproporcionalmente pequenos agricultores, pastores e comunidades de pesca e florestas que ainda fornecem a maior parte dos alimentos do planeta. Apoiar essas comunidades com soluções inovadoras, tanto para reduzir suas emissões quanto para proteger suas comunidades, também atende a muitos dos objetivos de cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

16 de novembro, 2017
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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estudos vêem saúde humana em risco

Segundo os estudos do Secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho deste ano, e da Rockefeller Foundation, dos Estados Unidos, em colaboração com a revista Lancet , do Reino Unido, realizado em julho de 2015, a degradação ambiental observada em todo o planeta Terra coloca a saúde humana cada vez mais em risco. As duas publicações foram lançadas no Brasil em 24 de setembro, durante o painel “Planetary health: a challenge for individual health”, realizado no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista. “Os dois relatórios se complementam e resumem o atual conhecimento científico sobre as relações entre saúde e meio ambiente”, disse Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário-executivo da CDB, em sua palestra durante o evento. O primeiro estudo intitulado “Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health” da CDB e OMS, aponta que a degradação ambiental tem causado o declínio da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos no mundo, como o fornecimento de água, alimentos e ar limpo. Esta queda, segundo o estudo, representa risco à saúde humana e para a sustentabilidade econômica do planeta, avaliam os autores do documento. “Diferentemente das mudanças climáticas, que podem se manifestar por meio de eventos extremos muito perceptíveis, como maior frequência de secas e inundações, a perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos pela degradação ambiental é um processo lento, contínuo e pouco visível. Por isso, a maior parte das pessoas não se dá conta disso”, afirmou Dias. O relatório indica que a contínua degradação ambiental já ocasionou a perda de mais de 80% da vegetação herbácea, além de 90% de todas as áreas úmidas e dos estoques de peixes de maior porte no mundo. Resultou também na perda de mais de 90% da variedade genética de espécies de trigo, arroz e frutas, como maçã, nas últimas décadas. “A perda dessa diversidade de cultivares está tornando a população mundial mais vulnerável a surtos de pragas agrícolas e a um colapso na oferta de alimentos”, disse Dias. Ele cita entre os principais fatores que estão causando essa degradação as mudanças no uso da terra, sobre-explotação de recursos biológicos, poluição, dispersão de espécies exóticas e invasoras, além das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos. Os desequilíbrios nos ecossistemas causados por essas formas de degradação ambiental provocam surtos de doenças, como as causadas por ebola e hantavírus, aponta o relatório. Ação coletiva urgente Já o relatório “Safeguarding human health in the Anthropocene epoch”, da Rockefeller Foundation, em parceria com a Lancet , afirma que a degradação ambiental demandará uma ação coletiva urgente, tanto em nível global como local, e a cooperação será indispensável. A Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada na sede da ONU, em Nova York – em que os países passaram a adotar oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –, e a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), em Paris, no início de dezembro, representam uma janela de oportunidades para colocar em pauta a discussão sobre os impactos da degradação ambiental na saúde na agenda global, avaliam os autores do relatório. “É necessário que os países se empenhem em atacar as causas das mudanças ambientais, promovendo padrões sustentáveis e equitativos de consumo, controlando o crescimento de suas populações e que usem o poder das novas tecnologias para promover mudanças”, disse Sir Andy Haines, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, em sua palestra por videconferência durante o evento. Entre as medidas apontadas no estudo para reduzir o impacto da degradação ambiental na saúde humana estão a proteção de recursos hídricos, combate e redução do desperdício de alimentos, investir em planos escaláveis e modelos de financiamento para a implementação de energias renováveis e incentivar o investimento regional em infraestrutura de transporte urbano. “As soluções devem se basear na redefinição de prosperidade, com foco na melhoria da qualidade de vida e na promoção da saúde, juntamente com o respeito pela integridade dos ecossistemas”, disse Haines. O encontro teve a participação de José Goldemberg, presidente da Fapesp, e de representantes da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, da USP e dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein. Na avaliação de Goldemberg, a pesquisa científica pode auxiliar muito na busca de soluções. A descoberta de que a palha da cana-de-açúcar poderia ser usada para gerar eletricidade fez com que a prática da queima da planta para a colheita manual fosse substituída pela colheita mecanizada da cana crua nos canaviais no Estado de São Paulo, exemplificou. “O aproveitamento desse subproduto da cana-de-açúcar contribuiu para diminuir a poluição, está ajudando a gerar lucros para as usinas e produzir eletricidade para o país”, avaliou Goldemberg. “É preciso olhar para as causas e consequências da degradação ambiental, que podem resultar em soluções como essa”, afirmou. O relatório Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health pode ser acessado em www.cbd.int/health/stateofknowledge/default.shtml . Já o relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch pode ser consultado no site www.thelancet.com/commissions/planetary-health .

30 de setembro, 2015