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INFRAESTRUTURA

R$ 42 bi para reduzir perdas de água

R$ 42 bi para reduzir perdas de água

Atualmente, a média nacional de desperdício de água é de 40%, o que significa que 4 em cada 10 litros de água ficam pelo meio do caminho.

Segundo estudo lançado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), “Saneamento Básico: a relevância do setor para o crescimento econômico e a melhoria do bem-estar”, o país precisa investir R$ 42,7 bilhões para reduzir o índice de perdas de água para níveis satisfatórios. Atualmente, a média nacional de desperdício de água – que é o quanto se perde no caminho entre a companhia de distribuição e a torneira de casa ou da empresa – é de 40%, o que significa que 4 em cada 10 litros de água ficam pelo meio do caminho, em razão de canos furados, tubulações defeituosas e dos chamados "gatos", que são os roubos de água. Em países como Alemanha e Japão, o nível de perda de água é inferior a 10%.

Os investimentos devem ser feitos ao longo dos anos até 2033, quando o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) prevê a universalização dos serviços de coleta de esgoto e abastecimento de água – hoje, 34 milhões de brasileiros (16,3% da população) não recebem água tratada. Os aportes necessários são de R$ 20 bilhões para o Sudeste; R$ 10,1 bilhões para o Nordeste; R$ 6,7 bilhões para o Sul; R$ 3,5 bilhões para o Centro-Oeste; e R$ 2,2 bilhões para Norte.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destaca que o elevado nível de perdas de água é um dos principais retratos da ineficiência no sistema de saneamento básico – “com tanto desperdício na distribuição, torna-se necessário captar mais água de nossos mananciais, o que eleva a pressão sobre os reservatórios, já afetados pelos impactos das mudanças climáticas. Tornar o sistema como um todo mais eficiente é positivo, não apenas do ponto de vista econômico, mas principalmente do ambiental”.

Ainda de acordo com o trabalho da CNI, o Brasil precisa investir R$ 593,3 bilhões nos próximos 11 anos para universalizar os serviços de saneamento, principalmente com a ampliação das redes de coleta/tratamento de esgoto. “Segundo os dados oficiais mais recentes, 93 milhões de brasileiros (45,9% da população) não têm acesso ao esgotamento sanitário”, prosseguiu Andrade, reforçando que “o investimento em saneamento básico é também um vetor de redução das desigualdades sociais, imprescindível para o desenvolvimento econômico e mitigação da pobreza do país”.

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SANEAMENTO
24 estados precisam investir mais

O Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, divulgou novo estudo denominado “Desafios dos estados quanto aos investimentos em saneamento básico a partir do novo marco legal”, que detalha os obstáculos a serem enfrentados pelo Brasil e suas 26 Unidades Federativas e o Distrito Federal para alcançar as metas estipuladas para 2033, quando está prevista a universalização dos serviços de saneamento básico. O estudo usou dados de investimento e atendimento de água e esgoto do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, meta de investimento do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) e do diagnóstico realizado pela ABCON-KPMG em 2019. O estudo mostra que os investimentos necessários para universalização do saneamento de acordo com o Plansab nunca foram atingidos desde sua primeira edição. Em 2014, ano com maior investimento total em água e esgoto, foram investidos (em valores atualizados) R$ 14,2 bilhões, ou seja, 57% do necessário, enquanto que entre 2014 e 2018 houve redução de 12,3% nos investimentos totais em água e esgoto no Brasil. O nível de investimento em abastecimento de água em 2018 foi de R$ 5,7 bilhões, 7,1% inferior ao investimento em 2014. No mesmo período, o investimento em abastecimento de esgoto regrediu 30,9%. As metas do Plansab previam, a valores de 2018, investimentos de R$ 148 bilhões em abastecimento de água e R$ 224 bilhões em esgotamento sanitário, totalizando aproximadamente R$ 373 bilhões. Isto significa que seriam necessários aportes de R$ 24,9 bilhões por ano nos próximos 15 anos do plano (2018-2033). Para efeito de comparação, em 2018 o setor recebeu investimentos de R$ 13,1 bilhões, similar à média anual do período 2014/2018, o que significa que o Brasil investiu apenas 53% da meta do Plansab. Quando comparado com o levantamento ABCON-KPMG, os desafios crescem, já que para a universalização dos serviços de água e esgoto seriam necessários R$ 520 bilhões até 2033, o que significa aporte médio de R$ 34,7 bilhões para os próximos 15 anos, valor quase 40% superior ao previsto pelo Plansab e 2,6 vezes maior que o total investido em 2018. Entre as regiões, 57% do Norte não tem acesso à água e 90% vive sem coleta de esgotos. Em população, no entanto, o Nordeste é a região com maior desafio, uma vez que 14 milhões de pessoas não têm abastecimento de água e 39,1 milhões estão sem coleta de esgotos. Os dados das regiões podem ser consultados em https://www.painelsaneamento.org.br . A discrepância dos indicadores também é explicada pelos investimentos, ou seja, o Sudeste respondeu por 58,18% dos investimentos na soma de 2014 a 2018, enquanto o Nordeste por 18,6% e o Norte somente 3,49% Atualmente, cerca de 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem abastecimento de água potável, mesmo em meio à pandemia de COVID-19 e quase metade da população brasileira não dispõe de coleta de esgoto e do total do esgoto gerado no país apenas 46% é tratado, o que significa que o país despeja mais de 5.700 piscinas olímpicas de esgotos sem tratamento na natureza diariamente. O estudo mostrou que dentre as 27 unidades da federação com serviços próximos da universalização, apenas três (São Paulo, Paraná e Distrito Federal) estão em um patamar de investimentos semelhante ao previsto pela ABCON. Do total, sete têm média histórica de investimentos relevantes, mas abaixo do previsto para a universalização: Pernambuco, Roraima, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Sergipe, sendo que, destes, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul já estão com estudos ou projetos de parcerias e/ou concessões em andamento para maior mobilização de investimentos. 17 estados têm média histórica de investimentos muito abaixo do previsto para a universalização dos serviços, sendo que, destes, cinco estão com estudos ou projetos de parcerias e/ou concessões em andamento para maior mobilização de investimentos - Rio Grande do Sul, Acre, Ceará, Piauí e Amapá. Os que não têm projeto precisam de providências urgentes para aumentar os investimentos.

1 de dezembro, 2020
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SANEAMENTO
Perda de água potável chega a 38,45%

O Instituto Trata Brasil, em parceria com a organização Water.org, dos Estados Unidos, e elaborado pela GO Associados, divulgou resultado do estudo "Perdas de Água 2020 (ano base 2018) – Desafios à disponibilidade hídrica e necessidade de avanço na eficiência do saneamento”. Com base nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano base 2018, o levantamento aponta que a média de perda de água potável no Brasil foi de 38,45%, ou seja, para cada 100 litros de água captada, tratada e potável, 38 litros não chegam de forma oficial a ninguém, se perdem em vazamentos, roubos ("gatos"), fraudes, erros de leitura dos hidrômetros, entre outros problemas. Em 2018, isto representou uma perda de 6,5 bilhões de m³, o equivalente a 7,1 mil piscinas olímpicas por dia. A perda de faturamento total foi de R$12 bilhões, equivalente aos recursos investidos em água e esgotos no Brasil naquele ano. Parceira do Trata Brasil, a ONG norte-americana dos cofundadores Matt Damon e Gary White alerta que o acesso à água será um dos principais desafios do século 21. “Existem várias maneiras de lidar com isso, mas, para mim, garantir que todo ser humano tenha acesso à água potável e à dignidade de um banheiro - dois requisitos incrivelmente básicos e vinculados à sobrevivência - é uma das causas mais urgentes e imediatas no mundo de hoje. A boa notícia é que existem soluções que funcionam. Estou convencido de que podemos superar a crise mundial da água nesta geração”, disse Matt Damon. O estudo mostra diversos cenários em relação à redução de perdas de água e possíveis ganhos reais para o País. No cenário otimista, o Brasil chegaria a 2033 com perdas de água potável em 15% (nível de grande parte dos países desenvolvidos) e teria ganhos líquidos, já descontado o investimento no próprio combate às perdas, de R$ 39 bilhões. Tomando como parâmetro o Cenário Base (perdas em 20%), o ganho bruto seria de R$ 61 bilhões e líquidos em R$ 30,9 bilhões. No cenário conservador, as perdas chegariam a 25% e ganhos líquidos de R$ 22,8 bilhões. No pior cenário, considerando a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), as perdas chegariam a 31%, e os ganhos de R$ 13 bilhões até 2033. A diferença no Ganho Líquido Total entre o cenário otimista e o do Plansab seria de R$ 26 bilhões, ou seja, metas mais brandas fazem com que o setor renuncie a recursos essenciais para o fomento de investimentos e para que se chegue mais rapidamente à universalização da água e esgotos a todos os brasileiros. As perdas de água nos sistemas de distribuição do Brasil pioraram em relação a 2014, quando o País registrou 36,7%. Em 2018, as perdas cresceram 1,75% para 38,45%. O estudo fez uma análise dos principais indicadores ligados às perdas de água entre 2015 e 2018. Entre os principais estão aumento de 5% na produção de água no período para atender à população, já que as cidades brasileiras estão retirando mais água da natureza; O volume de água não faturada teve aumento de 10% no mesmo período; O impacto financeiro ao longo dos anos subiu de R$ 9,8 bilhões em 2015 para R$ 12,3 bilhões em 2018, um aumento de 25,%. "É desanimador ver que, mesmo importantes regiões do País tendo sofrido crises hídricas recentes, as autoridades e empresas operadoras continuam não priorizando o combate às perdas de água potável. Estamos tirando mais água da natureza, não para atender às pessoas, mas para compensar a ineficiência do setor", comenta Édison Carlos, do Trata Brasil. Para o cofundador da Water.org, Gary White, a desigualdade provocada pela ausência do acesso à água continua sendo um ciclo. "Sem acesso à água, uma enorme parte da humanidade não tem a oportunidade de quebrar o ciclo de doenças, pobreza e perda de produtividade". A região Norte tem os piores índices de abastecimento de água, coleta e tratamento dos esgotos, as perdas são de 55,53%. Entre 2016 e 2018, as perdas de água pioraram 14%, sendo os casos mais drásticos nos estados do Amazonas e de Roraima, com aumentos de 48% e 32%, respectivamente, em suas perdas. Já olhando todos os Estados, as perdas ficam na faixa dos 33% a 35%, enquanto Amapá, Amazonas e Roraima estão com índices acima dos 50% - Roraima, no caso, de 73% de perdas de água potável. As perdas de distribuição no Estado do Rio de Janeiro, estado com menor nível nesse indicador, alterou a sua metodologia de avaliação de volumes em 2010, o que teve impacto direto no nível de perdas mensurado até hoje. Desde 2010, a Cedae/RJ passou a computar os volumes de atendimento social em favelas como consumo autorizado, o que fez com que o índice de perdas na distribuição fosse reduzido de 51,1% para 31,2% em apenas um ano (2010) e essa metodologia tem sido mantida até hoje. O Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto de 2010 ressalta que a redução decorreu desta alteração metodológica, e não, efetivamente, de ações concretas de redução de perdas.

8 de junho, 2020
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SANEAMENTO
É preciso R$ 753 bi para universalização

Segundo o estudo “Quanto custa universalizar o saneamento no Brasil?”, conduzido pela KPMG, em parceria com a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), o Brasil precisa investir R$ 753 bilhões até 2033, caso queira universalizar o serviços de saneamento à população de todas as regiões. Com os atuais investimentos e avanço nos índices de atendimento observados nos últimos anos, a universalização dos serviços de água e esgoto no Brasil ocorreria somente em 2055. “O Brasil precisa ter consciência de que atingir a universalização do sistema de saneamento deve ser assunto de todos. As discussões atuais sobre o novo marco regulatório do setor são uma ótima notícia para toda a sociedade. Investir mais de R$ 700 bilhões até 2033 irá requerer um esforço conjunto do setor público e privado, o que trará benefícios sociais, ambientais e econômicos para o País”, afirma Mauricio Endo, sócio-líder do Setor de Governo da KPMG no Brasil e na América do Sul. A pesquisa também destaca que, até 2033, deverão ser investidos R$ 255 bilhões para recomposição da depreciação, sendo R$ 145 bilhões para a recomposição dos ativos já existentes e R$ 110 bilhões das novas infraestruturas de saneamento. Além disso, são necessários R$ 498 bilhões de investimentos overnight para a expansão da infraestrutura atual de água e esgoto, o que equivale a R$ 31 bilhões por ano até 2033. Na área de esgoto serão necessários R$ 22 bilhões por ano até 2033 para universalizar os serviços, sendo que as regiões Norte e Nordeste totalizam 35% da necessidade desse montante. Em termos de tratamento e distribuição de água, são necessários no País R$ 9 bilhões por ano até 2033. A região Sudeste é a que tem maior volume de investimento para alcançar a universalização. Apesar de possuir os melhores índices de atendimento, as metas estabelecidas no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) são superiores se comparadas às de outras regiões. O Sudeste também precisará investir muito na recomposição de ativos que já estão depreciados.

16 de março, 2020
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SANEAMENTO
Perdas poderiam suprir 30% da população

O Instituto Trata Brasil, em parceria com o GO Associados, lançou o estudo “Perdas de Água 2019 (SNIS 2017 – Desafios para Disponibilidade Hídrica e Avanço da Eficiência do saneamento Básico”. O levantamento mostra que a perda de água potável, em média, no Brasil foi de 38,7% (ano base 2017). Isto significa que a cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 38 litros ficam pelo caminho devido aos vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros, furtos (famosos “gatos”), entre outros problemas. Caso sejam consideradas apenas as perdas físicas, o volume é de 3,5 bilhões de m³. As perdas físicas são os vazamentos, a água que não chegou para abastecimento de casas. O volume desperdiçado seria suficiente para abastecer 30% da população brasileira por um ano (60 milhões de pessoas). Em termos financeiros, a perda de faturamento custou para o País R$ 11,3 bilhões, valor superior ao total de recursos investidos em água e esgotos no Brasil em 2017 (R$ 11 bilhões). Quando comparado a outros países, o Brasil possui índices de perdas mais elevados que outros países menos desenvolvidos, como Bangladesh (21,6%), Uganda (33,5%) e África do Sul (33,7%). O presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, Edison Carlos, considera o atual cenário preocupante. “As perdas de água são um sinônimo da eficiência do sistema de produção e distribuição das empresas operadoras. O aumento das perdas mostra que há um problema de gestão e que os investimentos na redução não vêm sendo suficientes para combater o problema. Mais preocupante é pensar que num momento de crise hídrica não será suficiente pedir para que a população economize água se as empresas continuarem perdendo bilhões de litros por deficiências diversas”. Para Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, “a redução de perdas é o maior manancial que o Brasil possui. Tal desafio requer uma ação conjunta de todos os agentes envolvidos no setor. Somente com foco em planejamento de longo prazo e aprimoramento das sinergias entre operadores e poderes públicos será possível viabilizar os recursos para os investimentos tão necessários para aumentar a disponibilidade hídrica. O estudo realizou uma análise dos principais indicadores ligados à perda de água entre 2015 e 2017. No período, constatou-se que houve um avanço na produção de água, ou seja, para atender à população, mas as perdas também aumentaram. “O aumento da produção de água pode nos levar a crer que está havendo um consumo maior pela população e demais usos da água potável, mas na verdade podemos estar tirando mais água apenas para compensar o aumento das perdas. Isso seria péssimo para a sustentabilidade do próprio sistema e para os usuários. Incrível ver que, em 2017, perdemos uma quantidade de água que poderia abastecer metade da nossa população por um ano” afirma Carlos. O índice de perdas de água no sistema de distribuição (IPD) no Brasil é consideravelmente alto, mas as médias escondem as disparidades regionais. A região Norte apresenta os piores índices de abastecimento de água, coleta e tratamento dos esgotos, com IPD 55,14%. Goiás é o único estado que está abaixo dos 30% de perdas na distribuição. Roraima é o estado que mais perde, com 75% de perdas de água potável. Os municípios que perderam mais e menos água foram Porto Velho - RO (77,11%) e Santos - SP (14,32%). Em Porto Velho o índice de perdas na distribuição aumentou de um ano para o outro e apenas Santos possui níveis de perdas na distribuição menores que 15% (valores considerados como ótimos). Os dados mostram que 81% das grandes cidades têm perdas na distribuição superiores a 30%, existindo assim grande potencial de redução de perdas. Campina Grande (-2,72%) foi o município com menor índice de perdas de faturamento e o maior foi Porto Velho – RO (73,55%). Dos cem municípios considerados, apenas nove possuem níveis de perdas totais de faturamento iguais ou menores que 15% (valor usado como parâmetro ideal para esse indicador). Os dados mostram que quase 70% dessas cidades tiveram perdas de faturamento superiores a 30%. Portanto, as empresas podem ganhar muito reduzindo os problemas.

10 de junho, 2019
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SANEAMENTO
Investimentos somaram R$ 12,2 bilhões em 2014

O Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, divulgou no último dia 16 de fevereiro os dados da 20ª edição do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos referentes ao ano de 2014. Segundo o levantamento, 156,4 milhões de brasileiros que residem em áreas urbanas são atendidos por redes públicas de abastecimento de água, um incremento de 2,4 milhões de habitantes no ano. A construção de coletores de esgotos beneficiou mais de 3,5 milhões de pessoas naquele ano. O diagnóstico SNIS 2014 coletou informações em 5.114 municípios sobre abastecimento de agua e em 4.030 cidades a respeito do serviço de esgotamento sanitário, o que corresponde a 98% e 92,5%, respectivamente, da população urbana total do Brasil. O índice de abastecimento de água em áreas urbanas atingiu 93,2% dos moradores, com destaque para as regiões Sul (97,3%), Sudeste (96,8%) e Centro-Oeste (96,7%). Na área de saneamento, 96,8 milhões de habitantes de áreas urbanas (57,6%) são atendidas por redes coletoras de esgotos, onde pode-se destacar a região Sudeste, com 83,3%. De todo esgoto coletado, 70,9% ou 3,8 bilhões de m³ ao ano são tratados, índice 5,6% superior ao registrado no ano anterior. As cidades brasileiras possuem 586,2 mil km de redes de água conectadas. Em termos de esgotamento sanitário, são 270,7 mil km de redes conectadas. Em 2014 houve crescimento de 14,7 mil km de rede de água se comparado a 2013 e de 3,3 mil km na rede de esgotos. Alto índice de perdas Segundo o SNIS 2014, o consumo médio per capita de água no Brasil somou 162 litros por habitante ao dia, o que configura queda de 2,6% na comparação com 2013. A população do Nordeste consumiu em média 118,9 litros, enquanto que no Sudeste foi de 187,9 litros. Por sua vez, ao distribuir água para garantir tal consumo, as redes sofreram perdas na distribuição, que na média nacional alcançaram 36,7%, mantendo-se praticamente no mesmo patamar de 2012 e 2013. Os investimentos realizados efetivamente em serviços de água e esgoto, em 2014, alcançaram R$ 12,2 bilhões, um crescimento de 16,7% quando comparado com o a ano anterior. O estudo destaca os serviços de esgotos que receberam diretamente 46% do total investido. O porte dos serviços de água e esgotos na economia pode ser medido pela movimentação financeira de R$ 99,8 bilhões em 2014. O setor de saneamento gerou 864,7 mil novas vagas diretas e indiretas em todo o país, sendo 218,2 mil nas atividades diretas de prestação dos serviços e 646,5 mil gerados pelos investimentos, o que representa um aumento de 12,7% sobre 2013. O Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos é composto por dados operacionais, administrativos, econômico-financeiros, contábeis e qualidade dos serviços de saneamento. No componente “água e esgotos”, as informações são fornecidas por companhias estaduais, empresas e autarquias municipais, empresas privadas, secretarias e departamentos das Prefeituras municipais, responsáveis pela prestação dos serviços de água e esgotos no país. O Diagnóstico e o conjunto completo dos dados podem ser acessados no site www.snis.gov.br .

24 de fevereiro, 2016
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SANEAMENTO
Universalização levará 40 anos, segundo a CNI

Segundo estudo inédito “ Burocracia e Entraves no Setor de Saneamento ”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com os atuais níveis de investimentos no setor de saneamento básico o Brasil levará mais de 40 anos para atingir a universalização dos serviços - coleta e tratamento de esgoto e abastecimento de água – de acordo com as metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). O estudo da CNI aponta que a totalidade dos brasileiros só terá água encanada em 2043 e acesso à rede de esgoto, em 2054. A projeção do Plansab é que os serviços sejam universalizados em 2033. A perspectiva de atraso no cumprimento da meta se deve à baixa média histórica de investimentos no setor, de R$ 7,6 bilhões por ano, no período 2002-2012. Para universalizar os serviços em 2033, seria preciso elevar essa média para R$ 15,2 bilhões anuais. Nos últimos anos, mesmo diante da liberação de verbas por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não houve aumento expressivo nos recursos destinados a obras de saneamento. “Em 2033, prazo estabelecido no plano para a coleta de esgoto, o atendimento estimado seria de 79%. A universalização absoluta, ou seja, com 100% dos domicílios atendidos, também só seria concretizada em 2054, caso não houvesse alterações abruptas das políticas atualmente desenvolvidas e executadas no setor de saneamento”, destaca o estudo. Os principais entraves para o saneamento são o excesso de burocracia, a falta de eficiência na aplicação de recursos públicos e os problemas de gestão. Tais fatores elevam custos, além de onerarem preços e serviços. Segundo números mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), O Brasil tem hoje 48,6% de coleta de esgoto. E esta diferença é gritante entre as regiões. Enquanto no Sudeste o índice é de 77,3%, no Norte chega a apenas 6,5%. O estudo demonstra que há uma clara correlação entre o atendimento dos serviços de saneamento e o desenvolvimento econômico regional - a coleta de esgoto está diretamente relacionada ao PIB industrial. No que se refere ao abastecimento, o Brasil apresenta média de 37% em perdas de água. Isto ocorre por diversos motivos, como a falta de precisão de equipamentos, uso de aparelhos obsoletos, falta de manutenção e os chamados “gatos”. O estudo da CNI concluiu também que quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região, menor o atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Os números mostram, por exemplo, que o Norte e o Nordeste, onde o IDH historicamente é mais baixo, apresentam os piores resultados de perdas de água, com 50,8% e 45%, respectivamente. Com o atual ritmo de redução das perdas, a meta para a Região Norte - que seria atingir a marca de 33% de perdas em 2033 - só seria alcançada em 2089. Para atingir a universalização do Plansab em 2033, o Brasil teria que investir R$ 274,8 bilhões. Para a CNI, solucionar o histórico déficit na infraestrutura de saneamento deve ser prioridade na agenda de desenvolvimento do Brasil. A universalização dos serviços, além de melhorar a saúde pública e proteger o meio ambiente, é fator de competitividade, porque melhora a produtividade do trabalhador e movimenta a economia.

12 de janeiro, 2016