Rio de Janeiro pode evitar até 672 mil toneladas de CO2 anuais até 2028

A abertura do mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenos comércios no Rio de Janeiro, prevista para 2028, tem o potencial de evitar a emissão de até 672 mil toneladas de CO₂ anuais, impulsionando a descarbonização do estado.
Segundo estimativa de análise técnica do Energy Summit, o Rio de Janeiro pode evitar a emissão de até 672 mil toneladas anuais de CO₂ com a abertura do mercado livre de energia para consumidores residenciais e pequenos comércios, prevista para 2028. O volume coloca o Rio entre os três com maior potencial de descarbonização do Brasil e equivale ao plantio de cerca de 4,7 milhões de árvores ao longo de uma década.
A análise avaliou os impactos da ampliação do acesso ao mercado livre e a migração para contratos de energia renovável. “O Rio de Janeiro apresenta um efeito muito claro dessa transformação. Ao migrarmos a carga de climatização residencial para contratos renováveis, estamos usando a liberdade de escolha para ‘limpar’ o sistema justamente nos horários de maior estresse térmico. Estamos saindo da era da eficiência passiva para a gestão ativa do carbono”, afirma Hudson Mendonça, VP de Energia da MIT Technology Review Brasil e CEO do Energy Summit. Com temperaturas elevadas durante boa parte do ano, o uso intensivo de ar-condicionado no Rio de Janeiro aumenta a demanda energética, especialmente em horários de pico. Nesse cenário, a substituição por fontes renováveis tem impacto direto na redução de emissões.
De acordo com dados da Abraceel e da CCEE, o número de consumidores no ambiente livre saltou de 38 mil, no fim de 2023, para mais de 90 mil em 2025. Só no último ano, cerca de 30 mil pequenas e médias empresas migraram para esse modelo, priorizando a contratação de energia de fontes renováveis. Esse crescimento já representa uma redução estimada de 240 mil toneladas de CO₂ por ano no País, considerando o fator médio de emissão do Sistema Interligado Nacional. Na prática, empresas que aderiram ao mercado livre já registram ganhos financeiros e ambientais. A Voltera, empresa de soluções em energia que ajuda negócios a migrarem para o mercado livre, já apoiou clientes nesse processo, gerando uma economia acumulada superior a R$ 1,5 milhão e uma redução média de 23% nos custos com energia. “A abertura do mercado marcou um ponto de virada. O que antes era restrito a grandes indústrias hoje já é realidade para empresas menores, que passam a acessar energia mais competitiva e limpa, com impacto direto no caixa e nas emissões”, afirma Alan Henn, fundador e CEO da Voltera.
Além do impacto ambiental, a ampliação do mercado livre também pode ajudar a reduzir desperdícios no sistema elétrico. Nos últimos anos, o Brasil registrou recordes de curtailment, quando a geração de energia eólica e solar precisa ser interrompida por falta de demanda no momento da produção. Em nível nacional, a abertura completa do mercado pode evitar a emissão de até 9,3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, reforçando o papel da medida como uma das principais alavancas de descarbonização no Brasil.











