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SANEAMENTO

Sabesp amplia produção de fertilizante a partir do lodo de esgoto

Sabesp amplia produção de fertilizante a partir do lodo de esgoto

A unidade gera sozinha cerca de 15 m³ diários de resíduo, material que é convertido em fertilizante orgânico. A produção é de cerca de 600 toneladas a cada lote de 45 a 60 dias.

O projeto premiado denominado Sabesfértil é realizado pela companhia em parceria com a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A infraestrutura onde o lodo de esgoto tratado é reaproveitado funciona no complexo da ETE Lageado, instalada no campus da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, em Botucatu. A unidade gera sozinha cerca de 15 m³ diários de resíduo, material que é convertido em fertilizante orgânico. A produção é de cerca de 600 toneladas a cada lote de 45 a 60 dias.

Agora, a ETE Lageado passa a receber resíduos de outras três estações de tratamento de esgoto da Sabesp. O aumento do lodo residual gerado pelos municípios de Águas de São Pedro, Conchas e Dourado aumentou em 100 toneladas a capacidade de produção de adubo orgânico no local. A partir de agora, cada lote de fertilizante agrícola produzido pela unidade da Sabesp em Botucatu alcança o volume de 700 toneladas.

Atualmente, o fertilizante produzido em Botucatu é usado para adubar as plantações do curso de Ciências Agronômicas da Unesp, as áreas verdes do campus da universidade pública e pode ser aplicado em todos os tipos de culturas, exceto em hortaliças, cultivares inundados, pastagens e em culturas cuja parte comestível da planta entra em contato com o solo, como olerícolas, tubérculos e raízes. “O que move a Sabesp é o seu compromisso pela busca constante por práticas cada vez mais sustentáveis em nossos processos. A produção de fertilizante orgânico a partir do resíduo gerado em Botucatu rendeu à ETE Lageado selo verde de sustentabilidade ambiental. Atualmente, realizamos diversos estudos e planejamentos para conseguir replicar essa iniciativa em outras estações de tratamento”, explica a diretora de Tratamento de Esgoto da Sabesp, Ivana Vidal.

Para levar o projeto para outras unidades de São Paulo, a Sabesp realiza estudos de viabilidade com o objetivo de identificar, por exemplo, as estações de tratamento que têm condições de produzir o fertilizante e que estejam próximas de mercados consumidores - ou seja, de áreas com forte atividade agropecuária e a disponibilidade de organizações dispostas a firmar parcerias. Sabesfértil é o nome do projeto desenvolvido pela Companhia e dado ao fertilizante orgânico. Trata-se de um composto rico em matéria orgânica, contendo ainda alguns macronutrientes, especialmente nitrogênio, fósforo e potássio. Além disso, o adubo possui propriedades condicionadoras do solo, como capacidade de retenção de água e troca catiônica.

Com custos divididos entre a Sabesp e a Fapesp, os estudos científicos sobre os potenciais do fertilizante foram realizados pela equipe do professor Roberto Lyra Villas-Bôas, titular da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu. A pesquisa comprovou a eficácia do material resultante do processo de compostagem, que elimina organismos patogênicos e potencializa nutrientes e microrganismos benéficos ao solo. “A energia gerada pela atividade microbiana e pela ação de microorganismos naturais é convertida em calor. A temperatura desse material bruto alcança 80ºC durante o processo biológico responsável pela transformação do lodo numa substância cuja composição se assemelha à da terra e que chamamos de matéria orgânica compostada”, explica o professor Lyra.

Um destino correto ao lodo de esgoto tratado representa benefícios ambientais, sociais e econômicos, uma vez que a conversão do resíduo — geralmente descartado em aterros sanitários – em fertilizante agrícola ajuda a regenerar o solo, por meio da incorporação de matéria orgânica e nutrientes. Além disso, essa prática ambientalmente sustentável atende aos princípios da economia circular, evita a contaminação do meio ambiente, reduz desperdício de recursos financeiros com logística e ajuda a diminuir a pegada de carbono.“Estamos diante de uma nova era do saneamento, em que resíduos podem se transformar em solução. O Sabesfértil representa mais do que um fertilizante: é um símbolo do potencial transformador da nossa atuação. Ao conectar inovação, ciência e cuidado com a terra, mostramos como podemos gerar valor ambiental, social e econômico a partir do que antes era descartado. Esse é o futuro que a Sabesp pretende construir”, diz a diretora de Sustentabilidade da Sabesp, Rachel Sampaio.

O produto final é encaminhado para a unidade de armazenamento, onde é separado em lotes e caracterizado qualitativamente de acordo com seu potencial agronômico, grau de higienização e estabilização. Após aprovação, o produto é liberado para uso. O fertilizante também encontra-se devidamente registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O professor Lyra acrescenta que exames realizados nos laboratórios da universidade atestam tanto a eficácia quanto a viabilidade técnica do adubo. “Análises são feitas ao longo dos 45 dias de duração da compostagem para mensurar a redução dos microrganismos patogênicos, que desaparecem devido ao aumento de temperatura durante o processo. Isso garante a qualidade do fertilizante e, ao mesmo tempo, descarta qualquer risco à saúde pública”, conta o docente titular do Departamento de Ciência Florestal, Solos e Ambiente da Unesp.

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