ABASTECIMENTO

Segurança hídrica de Manaus entra em alerta e exige novas estratégias

Segurança hídrica de Manaus entra em alerta e exige novas estratégias

Estudo do Instituto Trata Brasil aponta cenário crítico para 2040, com aumento da demanda por água e forte crescimento do consumo industrial

A segurança hídrica de Manaus poderá enfrentar novos desafios nas próximas décadas. É o que aponta o estudo “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Apesar de estar localizada em uma região de grande disponibilidade hídrica, a capital amazonense enfrenta riscos associados ao crescimento da demanda, às mudanças climáticas e à pressão sobre as fontes subterrâneas.

Com cerca de 2 milhões de habitantes e 97% de cobertura de abastecimento de água, Manaus utiliza uma matriz composta por fontes superficiais e subterrâneas. Aproximadamente 84% do volume captado tem origem superficial, principalmente no Rio Negro, enquanto 16% vêm de águas subterrâneas. Segundo projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o impacto potencial das mudanças climáticas sobre a disponibilidade hídrica da região até 2040 está classificado predominantemente como “classe crítica”.

As projeções também indicam que as retiradas totais de água deverão crescer 7% até 2040. A demanda industrial deverá apresentar um dos maiores avanços, com aumento estimado de 43%, enquanto o abastecimento humano poderá crescer 23%. O cenário reforça a necessidade de diversificar as fontes de abastecimento, reduzir perdas e desperdícios e ampliar a eficiência no uso da água.

Outro ponto de atenção está nas águas subterrâneas. Até 2022, a CPRM registrava quase 5 mil poços em operação em Manaus, enquanto estimativas apresentadas no estudo apontam para aproximadamente 27 mil poços. A diferença evidencia desafios de fiscalização, monitoramento e controle das captações. O uso excessivo e sem acompanhamento adequado pode comprometer a disponibilidade do recurso e aumentar a vulnerabilidade da cidade em períodos de seca.

Entre as medidas apontadas para fortalecer a segurança hídrica estão o reuso de águas residuais, a captação de águas pluviais, o monitoramento do consumo e a redução de perdas. Para o setor industrial, a adoção de tecnologias mais eficientes e sistemas de controle pode reduzir a pressão sobre os mananciais e, ao mesmo tempo, contribuir para o avanço das práticas ESG.

A proteção dos recursos naturais também é considerada essencial. A conservação de nascentes, margens de rios e áreas de recarga dos aquíferos contribui para preservar o equilíbrio dos sistemas hídricos. O estudo destaca ainda a importância de fortalecer a fiscalização das captações e aprimorar o planejamento público e empresarial diante dos riscos climáticos.

Para Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, o cenário demonstra que a segurança hídrica precisa ser tratada como uma agenda de longo prazo. “Segurança hídrica se constrói com planejamento e mitigação de risco”, afirma. Para Manaus, antecipar os impactos do crescimento da demanda e das mudanças climáticas será fundamental para garantir água à população, sustentar o desenvolvimento econômico e preservar os ecossistemas da região.

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