Publicidade
BIOECONOMIA

Setor movimenta cerca de R$ 5 trilhões por ano

Setor movimenta cerca de R$ 5 trilhões por ano

O Brasil é destaque e essa lógica também começa a ser incorporada pelo mercado imobiliário, no segmento de multipropriedade, que acumulou cerca de R$ 100 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) entre 2020 e 2024.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), estima-se que o setor de bioeconomia já movimente entre US$ 4 e US$ 5 trilhões anuais, com potencial para atingir US$ 30 trilhões até 2050. O Brasil é destaque e essa lógica também começa a ser incorporada pelo mercado imobiliário, no segmento de multipropriedade, que acumulou cerca de R$ 100 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) entre 2020 e 2024, segundo a Caio Calfat Real Estate Consulting. Em Penha (SC), o Amazon Parques & Resorts, complexo turístico e hoteleiro que atua no modelo de cotas compartilhadas, substituiu o modelo tradicional de "importação de marcas estrangeiras" pela valorização da marca Amazônia, associando o uso responsável dos recursos naturais à experiência do consumidor.

O projeto, com mais de 20 mil m² de área construída, prevê a utilização de madeira de reflorestamento e biocompostos, além de sistemas de reuso de água da chuva, estação própria de tratamento de esgoto, reflorestamento com mais de 2 mil mudas nativas e miniusinas solares distribuídas nas três torres. O empreendimento contará ainda com 230 placas fotovoltaicas, com capacidade estimada de geração de 15 mil kWh por mês, volume equivalente ao consumo médio de cerca de 75 residências. O conceito de bioeconomia se estende à experiência proposta pelo empreendimento, fora do canteiro de obras, incluindo a experiência do usuário. Entre as iniciativas, está o desenvolvimento de uma cerveja exclusiva, criada em parceria com a Penhasco Cervejaria, de Penha. Com sabores inspirados na Amazônia, como açaí e guaraná, o produto integra a estratégia de valorização de fornecedores locais e de incorporação de elementos da biodiversidade brasileira como ativos culturais e comerciais.

“Ao integrar território, cultura e estratégia econômica, estruturamos um empreendimento mais consistente e conectado às expectativas do consumidor atual. A proposta fortalece cadeias locais, estimula fornecedores regionais e constrói uma experiência autêntica, ancorada na identidade brasileira”, afirma Roberto Kwon, CEO do resort. Localizado a cerca de sete minutos do Beto Carrero World, o resort terá gestão da Wyndham Hotels & Resorts e afiliação à RCI, maior rede global de intercâmbio de férias, que possibilita aos proprietários de cotas a troca de seus períodos de uso por hospedagens em mais de 4.200 resorts distribuídos em 110 países. O empreendimento contará com cerca de 9 mil m² destinados ao lazer e mais de 200 unidades no modelo de multipropriedade.

Artigos Relacionados

Brasil 2030: cinco fatores que podem tornar o país uma potência em economia verde
ARTIGO
Brasil 2030: cinco fatores que podem tornar o país uma potência em economia verde

Artigo por Pedro Guimarães Por Pedro Guimarães * Falar de preservação ambiental em um país como o Brasil, que conta com a segunda maior região de florestas do mundo – 497 milhões de hectares segundo o Relatório de Avaliação Global dos Recursos Florestais (FRA 2020), produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) – parece ser óbvio. Mas nessa conversa é preciso atentar aos detalhes. Residimos em um espaço natural rico e abundante em biodiversidade, com solo de qualidade, porém o tamanho do território não basta. Para se tornar uma potência verde, é preciso agir. Uma nova realidade pede pela inserção da sustentabilidade nas cadeias produtivas, no agronegócio, nas comunidades. Para isso, faz-se urgente a quebra de paradigma de que é preciso desmatar ou poluir para produzir. Regeneração, conservação, energias limpas e economia circular são as iniciativas que podem guiar o Brasil ao alcance de avanços que posicionem o país como uma das lideranças globais quando o assunto é economia verde. Vou elencar aqui cinco fatores que podem direcionar o país para se tornar uma potência verde na próxima década: 1 - Nossa matriz energética é um ativo para a produção de soluções de baixo carbono – como o hidrogênio verde – com custo acessível O Brasil pode se tornar um polo global de desenvolvimento de soluções de baixo carbono e transformar processos produtivos de setores industriais como siderurgia e cimentos. Na busca pela redução de emissões, grandes empresas destes setores estão criando áreas de inovação e corporate ventures para investir em novas tecnologias. Nessa linha está a produção de hidrogênio verde. Visto como uma excelente alternativa aos combustíveis fósseis, o hidrogênio requer, no entanto, uma alta quantidade de energia em seu processo de produção. É aí que o Brasil pode sair na frente. O país é um dos poucos que consegue combinar matriz energética limpa e fornecimento de energia a preços relativamente baixos. 2 - O Brasil é uma potência em alimentos O Brasil possui 112 milhões de hectares de pastagens plantadas e mais de 66 milhões de hectares de lavoura, segundo a Embrapa. Não à toa, o PIB do agronegócio nacional registrou alta de 5,7% no primeiro trimestre de 2021. Responsável pela geração de mais de 60 mil vagas de emprego em 2020, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é, sem dúvida, o motor da economia nacional. Portanto, não é difícil imaginar o ganho gigantesco para o país – e para o mundo – quando o setor começa a olhar e a entender o valor das práticas sustentáveis para toda a cadeia. A boa notícia é que essa nova mentalidade já é uma realidade para boa parte dos condutores do agro brasileiro. Além disso, o surgimento de modelos de negócio disruptivos com foco prioritário em práticas sustentáveis, promovendo, por exemplo, pagamento por serviços ambientais ou agricultura regenerativa, acelera o processo. O potencial positivo é gigantesco e de enorme escalabilidade. 3 - O país possui empresas que são grandes geradoras de resíduos e podem caminhar em direção a práticas de Economia Circular Segundo o Banco Mundial, o Brasil é o 9º maior mercado consumidor do mundo, com população total que ultrapassa os 200 milhões, o que resulta em um alto consumo de plástico, impactando negativamente, como se sabe, o meio ambiente. Dados da organização Oceana revelam que o país produz 2,95 milhões de toneladas de “plásticos de uso único” e, desse volume, 13% são de materiais descartáveis. Ainda de acordo com a organização, anualmente, 325 mil toneladas de plásticos vão para os oceanos. O relatório global “ Breaking The Plastic Wave ”, elaborado pela SYSTEMIQ, reforça que se esse ritmo permanecer no mundo, o volume total de plástico nos oceanos pode triplicar. Fica claro, dessa maneira, o potencial de impacto que a implementação de práticas de Economia Circular pode ter na redução da poluição do meio amebinte, uma vez que promove melhoria do manejo de resíduos. Para caminhar nessa direção, porém, além da gestão de resíduo sólido determinada pelos estados e municípios, e da conscientização da população, grandes empresas geradoras de plástico precisam se movimentar. No Brasil, contamos com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico que contribuem para uma coleta mais eficiente. Porém, é preciso atentar também para a gestão de aterros sanitários e contar com o esforço do setor privado para que os resíduos sejam reaproveitados antes mesmo de iniciar o percurso de descarte, contribuindo com a implementação de uma Economia Circular mais robusta. 4 - O uso do solo compõe a renda dos brasileiros. No Atlas do Espaço Rural Brasileiro de 2020 desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 76,8% dos estabelecimentos agropecuários do país são classificados como de agricultura familiar. Entre os liderados por indígenas, foram constatados mais de 50 mil estabelecimentos em 2010. O país conta, portanto, com uma formação social densa em termos de volume de pessoas que vivem do uso do solo, seja na pecuária, agricultura, ou no extrativismo. Dessa forma, fortalecer arranjos produtivos sustentáveis que gerem maior renda a esses grupos sociais tem um elevado potencial no âmbito social. Ainda, o investimento em iniciativas e projetos que fortaleçam a sustentabilidade socioambiental do agronegócio aumenta a capacidade competitiva no mercado global, e pode atrair financiamentos significativos, como o da Coalizão Leaf, lançada recentemente por empresas e governos (como Estados Unidos, Reino Unido e Noruega), que pretende investir US$ 1 bilhão em projetos REDD+. O desafio é criar os mecanismos de gestão necessários para que as esferas pública e privada colaborem mais em projetos de conservação ambiental que coloquem o pequeno produtor como protagonista desta agenda. 5 - Vantagem competitiva brasileira na produção de biocombustíveis O Brasil é o maior produtor global de cana – 40% do volume mundial -, o que contribui para a produção de 30 bilhões de litros de etanol por ano no país e nos fortalece como um dos líderes na exportação de biomassa e biocombustíveis. A demanda interna também favorece a produção. O Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional – BEN 2021 mostra que em 2020 o setor de transportes brasileiro contou com 25% de alguma matriz formada por fontes renováveis. No mesmo ano, o consumo de biodiesel aumentou 9%, e, de 2019 para 2020, houve crescimento na oferta de biomassa e de biodiesel de 46,1% para 48,4%. O avanço é promissor. Destaque, ainda, para a marca de mais de 70% de redução em emissões de gases de efeito estufa (GEE) nesse mercado. Alia-se a este cenário iniciativas do Governo Federal como o RenovaBio, que, desde 2016, estabelece metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis. A mensagem que fica é que, para o país de fato ser confirmado como uma potência em economia verde até 2030, o trabalho é árduo, muito precisa ser feito, mas é possível – ainda – mudar a rota e trazer o protagonismo que o Brasil tanto merece e pode ter nas discussões sobre economia sustentável e um futuro mais igual para todos. * Pedro Guimarães é Sócio e diretor-geral da SYSTEMIQ na América Latina.

16 de agosto, 2021
Saneamento Ambiental Logo
AMAZÔNIA
Bioeconomia previne colapso futuro

O Seminário online “Amazônia: tecnologia, desenvolvimento e sustentabilidade” ocorreu no último dia 5 de abril e foi transmitido ao vivo, por meio do canal no YouTube da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O evento contou com a presença de quatro experientes pesquisadores: Adalberto Luis Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; Carlos Nobre, do Instituto de Estados Avançados da Universidade de São Paulo; Gilberto Câmara Neto, do Grupo de Observação da Terra e que foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e Paulo Artaxo, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. O evento fez parte do Ciclo FAPESP + ILP. Os palestrantes comentaram que um modelo de desenvolvimento que use recursos biológicos em detrimento de recursos não-renováveis, como é o caso dos combustíveis fosseis, é uma importante estratégia de preservação da floresta amazônica. Além de preservar a floresta, a bioeconomia previne futuros colapsos provocados pelo desmatamento ilegal, que corresponde a 95% dos casos. Segundo os pesquisadores, a bioeconomia visa colaborar com meios de produção tecnológicos mais frutíferos, que teriam um impacto positivo na empregabilidade e, consequentemente, na economia brasileira. O crescimento do desmatamento durante o período da pandemia é considerado pelo grupo de pesquisadores e cientistas algo alarmante. "Os alertas de mudança em março de 2021 são da mesma ordem dos de 2019 e 2020, o que é bastante preocupante, porque, evidentemente, nós vivemos em uma situação de pandemia, uma situação em que a atividade econômica está praticamente paralisada. E, se os alertas continuam em uma escala parecida com os anos anteriores, isso indica que é necessária uma ação muito forte para evitar que haja um recrudescimento do desmatamento da Amazônia", disse Gilberto Câmara Neto. O evento pode ser assistido por meio do link https://www.youtube.com/watch?v=jaP9Am8AjLw .

11 de abril, 2021