EL NIÑO

Temperaturas elevadas dos oceanos refletem impacto

Temperaturas elevadas dos oceanos refletem impacto
Foto: OMM/Matthew Wilson

OMM prevê anomalia de +3,7 °C no Pacífico equatorial entre outubro e dezembro, acima do recorde de 2015-2016, e probabilidade próxima de 100% de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) elaborou documento que confirma o aumento das temperaturas e precipitação para o período de outubro a dezembro. O estudo estima que o El Niño continuará a se intensificar antes de atingir seu pico previsto para dezembro. O tema foi debatido no Fórum Global sobre Calor, realizado até 9 de outubro em Bangcoc, na Tailândia, e é o destaque da Atualização Climática Sazonal Global. 

A Atualização traz informações oficiais sobre os principais fatores climáticos de grande escala. Entre eles estão o El Niño-Oscilação Sul, Enos, o Dipolo do Oceano Índico, DOI, e as temperaturas da superfície do mar no Atlântico tropical, todos os quais influenciam a temperatura e a precipitação sazonais. A publicação complementa a Atualização sobre El Niño/La Niña da OMM, divulgada trimestralmente. A líder da agência, Celeste Saulo, lembra que "o El Niño está firmemente estabelecido e se intensificando rapidamente. As previsões da OMM indicam uma probabilidade próxima de 100% de que ele persista até fevereiro de 2027, podendo ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950".

É provável que o fenômeno traga temperaturas acima da média para grande parte do globo e altere os padrões de chuvas, aumentando o risco de secas e inundações em diferentes regiões. Esse é um consenso entre 13 centros nacionais e internacionais, de Washington a Tóquio, passando por Londres e Pune, na Índia, baseado no intercâmbio em tempo real de dados de boias oceânicas, satélites e radiossondas, coordenado pela OMM. Celeste Saulo afirma que o "El Niño não acrescenta novo calor ao planeta. Ele libera o calor que o oceano já vinha armazenando abaixo da superfície, razão pela qual um evento forte frequentemente resulta em um dos anos mais quentes já registrados, como ocorreu em 2024".

A OMM ressalta que o oceano do qual esse calor é extraído está mais quente do que jamais medimos. As anomalias na temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, a região central do fenômeno El Niño, são medidas pelo índice Niño 3.4, amplamente utilizado. Esse índice registrou um aumento acentuado, passando de uma média de +1,6 °C acima do normal em junho de 2026 para +2,5 °C acima do normal em agosto. Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, prevê-se que a anomalia sazonal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atinja aproximadamente +3,7°C, com pico por volta de dezembro. Esse valor é o mais alto desde o início das observações e supera o recorde anterior de +2,6°C, registrado no período de novembro de 2015 a janeiro de 2016.

Outras bacias oceânicas também contribuem para a previsão sazonal. A estimativa é que o Dipolo do Oceano Índico em fase positiva, um padrão climático capaz de influenciar fortemente o regime de chuvas na região do Oceano Índico, atinja seu pico em outubro e, posteriormente, entre em declínio. A anomalia sazonal para o período de outubro a dezembro está prevista em cerca de +0,5°C. Paralelamente, as temperaturas da superfície do mar na bacia do Atlântico equatorial devem permanecer acima da média, segundo a Atualização Climática Sazonal Global. Agosto foi registrado como o mês de agosto mais quente da história, segundo relatórios mensais do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e da Nasa. A temperatura global da superfície do mar atingiu, em agosto, o nível mais alto já registrado. Atualizações periódicas estão sendo fornecidas a todo o sistema das Nações Unidas e aos parceiros humanitários para apoiar os esforços de preparação e gestão de riscos por meio do Mecanismo de Coordenação da OMM.