Fenômeno tem 95% de chances de ser intenso no final de 2026

O Painel El Niño 2026-2027 prevê 95% de chances de um fenômeno intenso no final de 2026, com implicações para o saneamento básico e o meio ambiente.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), divulga a publicação do Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027. O documento apresenta o monitoramento das condições associadas ao fenômeno, as previsões climáticas e os possíveis impactos no Brasil.
O novo Boletim mostra que o El Niño tem 95% de chances de atingir intensidade muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro, entre a primavera e o verão. O fenômeno também deve continuar até o primeiro trimestre de 2027. Caso esse cenário se confirme, o evento poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950. O cenário previsto para o próximo trimestre aponta para chuvas acima da média no Sul do Brasil, com possibilidade de cheias, enquanto o centro-norte deve apresentar condições mais secas e maior risco de fogo. As temperaturas também devem permanecer acima da média em grande parte do Brasil. O documento ressalta que essas projeções são tendências sazonais e que os impactos podem variar conforme a evolução das condições meteorológicas em cada região.
As condições do El Niño foram confirmadas em junho de 2026, e o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial tem aumentado continuamente. No final de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram 2 °C nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial, segundo dados da agência norte-americana CPC/NOAA.
No Norte e no Nordeste, a menor ocorrência de chuvas e temperaturas elevadas pode contribuir para o agravamento das condições de seca e para o aumento do risco de fogo. Dados parciais de setembro do CEMADEN indicam aumento no número de municípios em situação de seca extrema e severa, com destaque para estados como Amazonas, Roraima e Acre. Em Roraima, os níveis dos rios Branco e Negro permanecem baixos, com previsão de chuvas abaixo da média.
No Sul, por outro lado, a previsão de chuvas acima da média mantém o risco de cheias. Em setembro, chuvas volumosas elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de municípios de Santa Catarina. Para o trimestre outubro-novembro-dezembro, a previsão indica chuvas acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. O risco de cheias continua no Sul, mas deve diminuir até dezembro.
As informações apresentadas no Boletim nº 4 também consideram as previsões climáticas trimestrais elaboradas pelo INPE. Para consultar a previsão mais recente para os próximos três meses, acesse a notas técnica da Previsão Climática Trimestral do CPTEC/INPE.




