UNICEF e parceiras lançam Aliança Empregos Verdes

O UNICEF lança a Aliança Empregos Verdes para criar oportunidades de trabalho decente na transição para uma economia de baixo carbono.
O UNICEF lançou hoje, 16 de julho, em parceria com diversas organizações a Aliança Empregos Verdes, uma iniciativa multissetorial voltada à criação de oportunidades de trabalho decente, no contexto da transição para uma economia de baixo carbono. Dentre as parceiras estão a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a Fundação Arymax, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), além do Ministério da Educação, do Ministério do Trabalho e Emprego, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e de movimentos sociais, como o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o Fórum Paraense de Juventudes. A Aliança está aberta à adesão do setor privado, governos, sociedade civil e juventudes.
A Aliança tem como meta ampliar a oferta de formação em habilidades verdes e o acesso a oportunidades de trabalho e empreendedorismo decentes na economia verde no Brasil. “O futuro do trabalho e o futuro do planeta estão conectados. Por meio da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1MiO), o UNICEF vem apoiando adolescentes e jovens no desenvolvimento de habilidades verdes e articulando parcerias com empresas e governos para ampliar oportunidades de inclusão produtiva. A Aliança Empregos Verdes nasce para conectar atores estratégicos e acelerar esse movimento, garantindo que a transição para uma economia mais sustentável também gere oportunidades para as atuais e as novas gerações”, afirma Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil.
A criação da Aliança Empregos Verdes atende as transformações que tem ocorrido no mundo do trabalho diante da emergência climática e da transição para modelos produtivos mais sustentáveis. Novas ocupações apareceram, enquanto outras passam por mudanças significativas, exigindo qualificação, inclusão e coordenação entre diferentes setores da sociedade. “O setor privado é central na transição para uma economia de baixo carbono e para a construção de um mercado de trabalho mais justo e sustentável. A Aliança Empregos Verdes reforça o compromisso do setor empresarial brasileiro para que a transição climática seja também uma transição justa, que amplie o acesso a trabalho decente e não deixe ninguém para trás. Convidamos as empresas signatárias e todas as organizações comprometidas com práticas sustentáveis a se somarem a essa iniciativa”, comenta Gabriela Rozman, Gerente de Educação e Inclusão Produtiva do Pacto Global da ONU-Rede Brasil.
“Não basta apenas ampliar a participação do setor privado, mas também qualificar as oportunidades verdes”, afirma Vivianne Naigeborin, Superintende da Fundação Arymax. “A transição para uma economia de baixo carbono representa uma grande oportunidade de desenvolvimento e geração de empregos no Brasil. No entanto, essa mudança precisa se concentrar não somente na quantidade de empregos verdes gerados, mas, principalmente, na sua qualidade e no seu potencial de inclusão social. É fundamental implementarmos programas e políticas que garantam que pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade econômica, possam desenvolver as competências e habilidades necessárias para assegurar que essa transição seja portadora de oportunidades dignas de inclusão produtiva para todos”, afirma.
No Brasil, dois milhões de jovens e adolescentes entre 14 a 29 anos atuam em empregos verdes. Apesar de esforços crescentes para incluir habilidades verdes na educação profissional, essa oferta ainda é limitada e concentrada em regiões específicas, como os grandes centros urbanos. “A transição justa para uma economia de baixo carbono representa uma oportunidade histórica para ampliar a geração de empregos verdes e promover o desenvolvimento sustentável. Mas essa transformação somente será bem-sucedida se vier acompanhada de investimentos em aprendizagem ao longo da vida, desenvolvimento de competências e políticas públicas capazes de assegurar trabalho decente e inclusão para todas as pessoas. A Aliança Empregos Verdes representa um importante passo nessa direção ao reunir parceiros comprometidos em preparar trabalhadores e trabalhadoras para as ocupações do futuro e garantir que ninguém fique para trás”, afirma o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro.
“Apoiar a Aliança Empregos Verdes é estratégico para transformar qualificação em trabalho digno na economia de baixo carbono. Na Cooperação Brasil-Alemanha, integramos habilidades verdes à Educação Profissional e Tecnológica e aproximamos jovens – com foco em mulheres e grupos vulnerabilizados – das demandas dos setores sustentáveis. A Aliança conecta governo, empresas e sociedade civil, fortalece a inclusão produtiva e acelera uma transição justa que gera emprego, renda e inovação no país”, diz Jochen Quinten, Diretor Nacional da GIZ Brasil. A oferta de empregos verdes não pode se limitar a pessoas brasileiras, mas deve também abarcar pessoas refugiadas e deslocadas, defende o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. "As pessoas refugiadas e deslocadas a força estão entre as mais afetadas pelos impactos da crise climática, mas também têm muito a contribuir para as soluções. Envolve-las na transição para uma economia mais sustentável significa ampliar o acesso a empregos verdes, qualificação e oportunidades de geração de renda. O trabalho integrado entre organismos internacionais, sociedade civil organizada e o setor privado é decisivo nesse processo. Ao investir na inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas, as empresas fortalecem comunidades, impulsionam uma transição climática mais justa e demonstram que desenvolvimento sustentável e impacto social podem caminhar juntos", destaca.
O diretor do Departamento de Políticas de Trabalho para a Juventude, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), João Victor da Motta, destaca que a transição ecológica não é apenas uma necessidade presente, mas também uma oportunidade de reconfiguração econômica e social para todo o mundo. Para ele, o lançamento da Aliança pelos Empregos Verdes, consolida a premissa de que uma mudança dessa magnitude não se faz de forma isolada, mas exige o engajamento e a responsabilidade compartilhada entre o setor privado, o terceiro setor e as diversas esferas de governo. “Nosso compromisso nessa agenda busca garantir que as nossas juventudes desenvolvam as habilidades e competências necessárias para ingressar e protagonizar essa nova economia, ao mesmo tempo em que asseguramos uma transição justa, protegendo, amparando e requalificando os trabalhadores que já dedicam suas vidas ao mundo de trabalho”, ressalta, enquanto o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Leone Andrade, reforça que a preparação da força de trabalho é um dos pilares para uma transição ecológica inclusiva. “As transformações impulsionadas pela economia verde estão ampliando a demanda por novas competências e perfis profissionais. Investir na qualificação é essencial para que trabalhadores e empresas estejam preparados para esse novo cenário, com mais oportunidades de emprego e desenvolvimento”, afirma Leone. O SENAI integra o comitê gestor da Aliança, na frente de trabalho “Formação, qualificação e requalificação para economia verde”. Para ações ligadas a empregos e habilidades verdes, dentro da iniciativa Um Milhão de Oportunidades (1Mio), o UNICEF conta com a parceria estratégica de Iberdrola.



