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RECICLAGEM

Wise recicla mais de 30 mil toneladas de plástico

Wise recicla mais de 30 mil toneladas de plástico

Com sede em Itatiba (SP), a recicladora Wise atualmente recicla mais de 30 mil toneladas de plástico por ano.

Com sede em Itatiba (SP), a recicladora Wise atualmente recicla mais de 30 mil toneladas de plástico por ano. Uma das estratégias adotadas pela empresa foi a criação de dormentes poliméricos para ferrovias, que são peças colocadas nas vias férreas para compor e reforçar o trilho, geralmente fabricadas em madeira ou concreto. Segundo Bruno Igel, diretor da Wise, o produto fabricado em plástico reciclado tem um custo-benefício competitivo em relação às alternativas disponíveis. "Estamos crescendo em termos de volume de reciclagem no país e precisamos pensar cada vez mais em soluções alternativas para destinar esses resíduos", afirma.

O diretor lembra que o perfil do reciclador tem mudado nos últimos anos – o que era visto majoritariamente em periferias, hoje em dia tem a participação de grandes players no setor, o que mostra a evolução do mercado, principalmente em relação ao desenvolvimento de tecnologia. "Nós temos três grandes desafios, que passam pela necessidade de avanço da tecnologia, pela logística com boas iniciativas para aumentar a circularidade do plástico, e pelo arcabouço legal que, resumidamente, diz respeito à ausência de regulamentação e ao incentivo para o investimento", explica Igel.

Mariana Cardoso, integrante do grupo de trabalho do PICPlast, diz que o foco dessa indústria nos próximos anos deve ser o estímulo em relação à inovação e a qualificação profissional. "Por meio de uma série de programas direcionados aos interesses do setor, nossa iniciativa contribui para a competitividade e a produtividade da transformação de plástico no país, promove investimentos para estimular as exportações de produtos transformados, além de direcionar esforços para a promoção das vantagens do plástico, corroborando também com a cadeia da reciclagem" finaliza.

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RESÍDUOS PLÁSTICOS
Green Mining atrai empresas

Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil é o 4° maior produtor de resíduos plásticos no mundo, com 11,3 milhões de tonelada, das quais apenas 145 mil toneladas foram efetivamente recicladas. Para mudar este cenário e trabalhar com foco em uma destinação correta para os resíduos plásticos, a startup Green Mining, em parceria com a Ambev, Unilever, Natura, Braskem, Akzo Nobel, Wise, Deink Brasil e Eco Panplas, iniciou uma jornada para aumentar a recuperação do material. Com soluções customizadas para cada parceira, priorizando a recuperação de embalagens pós-consumo de forma eficiente e trazendo-as de volta para o ciclo de produção, a ação da Green Mining, juntamente com as empresas, realiza a coleta dos resíduos, por meio de um sistema de rastreabilidade com tecnologia blockchain, e garante que todo o material coletado seja enviado para reciclagem. "O plástico não precisa ser nocivo ao meio ambiente. A ausência de uma resposta sistemática eficaz quanto ao descarte é o que tem deturpado a utilização do material. Queremos ajudar na mudança dessa cultura de descarte inadequado do plástico. Para se ter uma ideia da gravidade do assunto, aproximadamente 10 milhões de toneladas de plásticos chegam nos oceanos a cada ano. Reconhecemos essa urgência e com essas grandes parcerias inovamos e promovemos um modelo de economia circular, mantendo o nosso propósito ambiental, social e econômico", diz Rodrigo Oliveira, presidente da Green Mining, startup especializada em logística reversa inteligente que, desde 2018, já coletou e enviou para a reciclagem mais de 1,3 milhão de quilos de vidro. A Green Mining customiza seu processo de coleta de embalagens a depender da demanda e projeto de cada companhia. Inicialmente, a startup começou suas ações em condomínios, bares, lojas e restaurantes, além de criar um sistema que possibilita obter informações de cada etapa do processo, como data e local da coleta, quilos e destinação dos recicláveis. Com o sistema criado é possível fazer o rastreamento total, em tempo real, de origem, trajeto e destino com a segurança que a tecnologia blockchain fornece. Com uma grande quantidade de recicláveis, a Green Mining ajuda também à mão-de-obra empregada, capacitando e contratando mais de 28 funcionários, sendo grande parte pessoas que já trabalhavam com reciclagem de maneira informal. Atualmente, há operação de coleta de plástico nos seguintes bairros da capital paulista: Bela Vista, Brooklin, Centro, Itaim Bibi, Jardins, Moema, Mooca, Perdizes, Pinheiros, Vila Madalena, Vila Mariana e Vila Olímpia. Para saber sobre a viabilidade de coletas gratuitas em condomínios, bares, lojas, restaurantes ou outros estabelecimentos, é necessário entrar em contato pelo email [email protected] .

1 de dezembro, 2020
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ARTIGO
Contraprova do plástico

Por Yuri Kabe * Em tempos de banimento de itens de plástico, como acontece no Reino Unido, em países da União Europeia, como França, e em cidades brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo, é fundamental analisar de forma mais crítica e sensata se encarar o produto como vilão do meio ambiente é a melhor solução para problemas ambientais que precisamos solucionar. É preciso considerar que os plásticos podem ser úteis para auxiliar a sociedade e as empresas em soluções para as mudanças climáticas, por exemplo, que são consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) a principal ameaça para a vida marinha e terrestre. Nesse sentido, a luta contra a poluição plástica não pode se tornar uma guerra conta os plásticos em si. Na construção civil, a invenção do cimento e do concreto revolucionou a forma como construímos nossas edificações. Sua resistência é indispensável para o mundo moderno, tendo se tornado a segunda substância mais consumida, atrás apenas da água. Entretanto, as tecnologias atuais de produção de cimento são grandes emissoras de gases do efeito estufa e a substituição do concreto por outros materiais, principalmente o plástico, nas áreas não estruturais, além de reduzir custos, podem reduzir o impacto ambiental das edificações. No setor automobilístico, o uso do plástico deixa o automóvel mais leve, reduzindo o uso de combustível e diminuindo a queima de gases. No segmento de embalagens, vimos uma revolução com a chegada dos plásticos, que diminuíram o desperdício de alimentos e a relação entre volume de produto e de embalagem de 70% x 30% para 97% x 3%, respectivamente. Outra vantagem são os benefícios para a área da saúde. A matéria-prima tem sido fundamental para evitar contaminação, sendo utilizada na fabricação de bolsas de sangue e das máscaras recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a transmissão de doenças. Mas, como garantir um futuro com plástico e o equilíbrio ambiental? A desinformação é um grande problema. As famosas "ilhas de plástico no meio do Oceano Pacífico ou no mar do Caribe", por exemplo, sempre apresentadas como ilustração do que é despejado diariamente nos mares, são, na sua maior parte, resultados de grandes fenômenos naturais que arrastaram lixo para os mares, como o furacão Katrina, que varreu o litoral sul dos Estados Unidos em 2005 e os tsunamis que atingiram o sudeste asiático em 2004 e a costa leste do Japão em 2011. Obviamente a presença de resíduos plásticos no meio ambiente é reflexo de uma ineficiência na gestão de resíduos, um dos principais desafios da atualidade, mas a origem do problema é muito mais complexa, com particularidades em cada um dos quatro cantos do mundo. O Haiti é um país com quase nenhuma infraestrutura de coleta de lixo e localizado na rota de furacões que, junto com a chuva, levam resíduos para o oceano. Lagos, a maior cidade da Nigéria, tem mais de 20 milhões de habitantes e não conta com água encanada e, por esse motivo, o consumo de água em garrafa PET é exorbitante. A Indonésia, um país formado por quase 20 mil ilhas, tem o desafio de pensar em gestão de resíduos para regiões geográficas muito distintas. O Chile vive o problema durante o degelo, acentuado pelas mudanças climáticas, que arrasta os resíduos para o Oceano Pacífico. Na Europa, a indústria turística é um dos setores que mais geram resíduos plásticos. Em terra firme, vemos necessidade de investir mais em pesquisa e criar ciência em torno destas informações para um diagnóstico mais preciso, sem discrepância de dados. Precisamos saber o tamanho real do nosso desafio, assim como a eficácia das medidas mitigatórias para que seja possível pensar em políticas públicas e não endossar uma luta contra o que nos é favorável. Esse processo pode levar um tempo, assim como levamos décadas para chegar à conclusão de que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera tem potencial para causar o aumento da temperatura média do planeta. Ainda assim, não é preciso esperar que isso aconteça. Além de adotar práticas de economia circular, a indústria mundial do plástico está se movimentando para gerar estatísticas, relatórios e guias para criadores de políticas públicas. A adesão ao Operation Clean Sweep, uma iniciativa internacional para reduzir a perda de partículas de plástico (pellets) para o meio ambiente, tem contribuído para minimizar impactos ambientais. O Plastic Leak Project, capitaneado pela Quantis, uma consultoria ambiental europeia focada na gestão do ciclo de vida do plástico, é uma das iniciativas mais recentes, com o objetivo de reunir um grupo de multistakeholders para criação de uma metodologia de quantificação que possa ser utilizada em níveis municipal e nacional por setores privado e público. A intenção é identificar a perda de plástico em setores da indústria e desenvolver ações mitigatórias. A ação já analisa dados dos setores de embalagem, têxtil e de fabricação de pneus. Como estudo de caso, uma empresa europeia com atuação no segmento de laticínios identificou que a venda de leite em pó para a Nigéria, China e Bangladesh é responsável pela perda de 4% do volume total de plásticos utilizados e está definindo um novo tipo de embalagem. Definir ações como esta só é possível a partir de uma metodologia consensual. Nem sempre o plástico será a melhor alternativa, mas precisamos reconhecer que para muitos casos o plástico é a solução mais viável do ponto de vista ambiental. Não é possível pensar em um futuro sustentável sem o plástico. * Yuri Kabe é Especialista em Avaliação de Ciclo de Vida na Braskem

27 de julho, 2020
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RESÍDUOS
WiseWaste adquire negócio de lonas da Bemis e cria a Boomera

Com a aquisição do negócio de lonas da fabricante de embalagens Bemis, a startup WiseWaste cresce seis vezes em tamanho e passa a adotar um novo posicionamento no mercado brasileiro com o nome de Boomera. A expectativa da Boomera é de inovar na reutilização de resíduos complexos em matérias-primas e produtos, além de aproveitar todas as sinergias e complementariedades dos negócios da Bemis com as lonas Carreteiro. A projeção é que o faturamento da Boomera seja de R$ 100 milhões até 2020. A Boomera nasce com um crescimento de 20 para 121 colaboradores e tem como objetivo dar escala na transformação de resíduos pouco aproveitáveis em produtos ou matéria-prima que retorna ao ciclo industrial. “Apenas 3% do lixo produzido no Brasil é reciclado. Queremos aproveitar esse imenso potencial desperdiçado, assim fazemos pesquisas utilizando tecnologia de ponta e desenvolvemos soluções para resíduos não convencionais, como as fraldas sujas”, explica Guilherme Brammer, empreendedor da startup WiseWaste e agora CEO da Boomera. As oportunidades de crescimento desta operação estão fundamentadas no desenvolvimento de soluções, conhecimento e realizações da WiseWaste para diversas empresas como Procter & Gamble, Braskem, PepsiCo e Natura. “Temos patentes de reciclagem de fraldas pós consumo, uma planta para reciclagem de cápsulas de café, um laboratório de P&D em parceria com o Mackenzie e agora um novo negócio que nos proporciona produção em grande escala”. “Trabalhamos com tecnologia e conectamos toda a cadeia produtiva para transformar resíduo em matéria-prima novamente. O lixo vira sucata pelas cooperativas associadas, aplicamos ciência, usamos o design como método e devolvemos um novo produto de alta qualidade para a sociedade”, explica Brammer. A WiseWaste utiliza o conceito de engenharia circular, onde qualquer tipo de resíduo retorna para o ciclo produtivo, diferentemente da economia linear, onde os recursos são usados para uma finalidade e depois descartados.

22 de maio, 2017