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SUSTENTABILIDADE

FIESP sedia debate estratégico sobre logística reversa e circularidade

FIESP sedia debate estratégico sobre logística reversa e circularidade

Um dos principais pontos debatidos foi a necessidade de decretar e regulamentar a logística reversa de embalagens de papel, além da ampliação de políticas públicas de educação ambiental.

Nesta semana, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) foi palco de discussões para o avanço da logística reversa e da economia circular no Brasil. A atividade integrou a sessão de aceleração do Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF), reunindo lideranças setoriais, especialistas e representantes da sociedade civil com o propósito de discutir soluções concretas para o reaproveitamento de embalagens, materiais e recursos.

Ao conduzir dois painéis durante o evento, professor e advogado especialista em direito dos resíduos, direito ambiental e ESG, Fabricio Soler, enfatizou a importância de unir pensamento estratégico à execução prática. Segundo ele, é preciso ir além da teoria: "é um avanço concreto rumo à implementação da economia circular no país. Com troca, conhecimento e, principalmente, soluções." O foco central das discussões foi a criação de um sistema eficaz de logística reversa capaz de impulsionar a circularidade dos recursos, substituindo o modelo linear de consumo por práticas sustentáveis e regenerativas.

Um dos principais pontos debatidos foi a necessidade de decretar e regulamentar a logística reversa de embalagens de papel, além da ampliação de políticas públicas de educação ambiental. Os participantes defenderam que a mudança de mentalidade coletiva é essencial para que a economia circular se torne realidade — o que implica pensar desde o início da cadeia produtiva para não gerar resíduos e, ao final, recuperar materiais de forma inteligente e sustentável.

Aline Souza, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (MNCR DF) e da Secretaria da Mulher e Juventude da Unicatadores, destacou a importância da competitividade no setor da reciclagem. Para ela, é preciso investir em capacitação, estrutura e educação ambiental: “Com educação se informa, se produz para conscientizar e ensinar”, afirmou. Ela também ressaltou a necessidade de uma legislação mais aplicável e eficaz, que de fato entregue resultados tangíveis para o setor.

A troca de experiências entre setores, aliada à construção de consensos e à proposição de soluções práticas, evidencia que o país está no caminho para transformar resíduos em recursos, promovendo uma nova lógica de desenvolvimento mais justa, sustentável e colaborativa. (Por Luana Oliveira)

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Artigo por Sergio de Carvalho Mauricio Por Sergio de Carvalho Mauricio * As transformações do ser humano acontecem em níveis sociais, econômicos e culturais e elas chegam em momentos decisivos para que o homem alcance um novo patamar de sua história. Atualmente, os grandes debates e rodas de negócios, sejam nacionais ou internacionais, estão pautados sobre a sustentabilidade e as mudanças climáticas. Economia Circular é o nome do conceito que nós, especialistas, entusiastas e ativistas, trabalhamos para que as ações em sustentabilidade, conscientização e preservação ambiental entrem em equilíbrio com as questões econômicas e ganhem atenção especial no mundo corporativo. O conceito tem evoluído ao longo dos anos e o avanço da tecnologia tem contribuído para que soluções inovadoras sejam incorporadas à rotina dos cidadãos e das empresas. Hoje encontramos empresas, associações e profissionais capacitados oferecendo produtos e serviços em todos os elos da cadeia da Economia Circular. Os famosos 3R’s (Reduzir o consumo, Reutilizar e Reciclar) são fundamentais, mas não são suficientes. É preciso reinserir os materiais reciclados na cadeia produtiva, permitindo a redução do consumo de recursos naturais. Aí começa a prática da Economia Circular. Otimização de processos, novas tecnologias e principalmente a crescente conscientização do consumidor serão vitais para que o conceito saia do papel e contribua para o desenvolvimento de uma sociedade melhor. Um estudo da agência de pesquisa Union + Webster, divulgado em 2019 pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) aponta que 87% dos brasileiros compram os produtos e serviços de empresas que tenham como legado ser sustentável e que 70% dos entrevistados ainda falaram que “pagar um pouco mais por isso” não há problema nenhum. Portanto, o ambiente está propicio para as transformações. Antes a Economia Circular só era discutida como mais um conceito a ser introduzido no mundo. Hoje, quem não correr atrás de organizar ações, atender metas e comunicar seus resultados, pode perder espaço mercadológico e financeiro. A Economia Circular envolve várias ações, sendo a logística reversa uma das fundamentais nessa cadeia. Há algum tempo temos trabalhado para intensificar a logística reversa de equipamentos eletroeletrônicos e eletrodomésticos em fase final de vida útil, desenvolvendo a rede de recebimento desses produtos e levando conscientização aos cidadãos. Fazer a gestão, criar ações, produzir conteúdo de educação ambiental, fazer parcerias e ampliar redes de pontos de recebimento não é fácil, mas estamos conseguindo um passo de cada vez. Toda a cadeia tem trabalhado para fazer a sua parte, além também de incentivar o consumidor a realizar a sua contribuição, que é tão importante, levando o produto até o ponto de recebimento mais próximo. Há muitas formas de estimular o descarte de produtos em final de vida útil. Cito o exemplo de uma parceira que traz em seu modelo de negócio uma gamificação simples para reforçar a importância do consumidor levar o produto até o ponto de coleta cadastrado. A pessoa junta produtos pós-consumo, faz um cadastro no aplicativo da marca, leva até a estação de reciclagem da empresa e ganha pontos pelo tipo de produto entregue. Depois ela pode trocar por benefícios, produtos ou descontos. Isso gera curiosidade, interatividade e diversão. Assim começa a logística reversa e o meio ambiente agradece! Estamos sempre acompanhando os dados mercadológicos para reafirmar o nosso compromisso com o setor e com o meio ambiente. A própria CNI – Confederação Nacional da Indústria – relatou em sua pesquisa de 2019 que 76,5% das indústrias possuem alguma ação sobre economia circular, como práticas de otimização de processo (56,5%), uso de insumos circulares (37,1%) e recuperação de recursos (24,1%). O empresariado busca a eficiência para que haja ganho em escala e para que todo mundo ganhe. Uma outra pesquisa, também da CNI, mostra que o brasileiro separa produtos para reciclagem, e que cresceu de 47% em 2013 para 55% em 2019. Trabalhar com sustentabilidade também gera oportunidades de negócios, renda, novos postos de trabalho e mão de obra qualificada. O Brasil precisa disso. O país deu um passo importante, com a aprovação, em fevereiro de 2020, do Decreto Federal 10.240, que oficializa a política de Logística Reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos e define metas para os próximos cinco anos. A implantação desse processo está em ritmo acelerado e estamos convictos da contribuição para a sustentabilidade do país. O momento é de manter o foco e promover a consciência coletiva. Todos nós podemos e devemos colaborar, deixando um legado para as futuras gerações! * Sergio de Carvalho Mauricio é Presidente da ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodoméstico.

20 de setembro, 2021