A indústria nacional de saneamento enfrenta desafios técnicos significativos, que vão desde a modernização de infraestruturas antigas até a implementação de soluções inovadoras para tornar o setor mais eficiente e sustentável. Segundo Renan Utri Andreguetto, Head de Novos Negócios da Huber Technology, a adaptação tecnológica é essencial para enfrentar problemas como perdas de água, ligações clandestinas e a dificuldade de integração de sistemas modernos em redes urbanas consolidadas.
As empresas de saneamento podem integrar novas tecnologias para melhorar a eficiência de seus processos ao dividir sua atuação entre a modernização das estruturas antigas e a implantação de sistemas inovadores em novas instalações. Tecnologias como osmose reversa, medidores inteligentes e digitalização de redes são algumas das soluções que estão impulsionando uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos e operacionais.
A capacitação da força de trabalho também desempenha um papel fundamental. Andreguetto destaca que a formação de operadores, fabricantes de equipamentos e associações setoriais deve ser conduzida de maneira integrada. "A transferência de conhecimento entre esses grupos é essencial para garantir que os avanços tecnológicos sejam plenamente aproveitados e que a operação das estruturas seja realizada com o mais alto padrão de qualidade."
Apesar dos avanços, ainda existe uma diferença significativa entre a qualificação de operadores nacionais e internacionais. Enquanto países desenvolvidos investem na digitalização de redes e na utilização de sensores para monitoramento em tempo real, o Brasil ainda enfrenta desafios na adoção dessas práticas de maneira ampla. No entanto, empresas como a Sabesp demonstram que é possível atingir altos padrões de eficiência com investimentos adequados.
As certificações e normas técnicas, como as da ABNT e diretrizes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), são essenciais para garantir a padronização e a qualidade dos processos na indústria de saneamento. "A revisão constante dessas normas é necessária para acompanhar a evolução tecnológica e aprimorar as práticas do setor", afirma Andreguetto.
A análise de dados e a implementação de soluções baseadas em predição também têm papel importante na otimização dos processos operacionais. Sistemas de gestão integrada, sensores IoT para medição e softwares avançados permitem que as empresas tomem decisões mais rápidas e eficientes, reduzindo desperdícios e otimizando o uso dos recursos.
No que diz respeito à infraestrutura, novas tecnologias de construção estão inovando o setor. Materiais como CPVC e PEAD estão substituindo estruturas de concreto, tornando a instalação mais barata e eficiente. O uso de Máquinas de Não Destruição (MND) também facilita a adaptação das redes existentes sem causar grandes transtornos urbanos.
A capacitação técnica também é vital para que as empresas de saneamento consigam se adaptar a mudanças regulatórias e ambientais. O cumprimento das diretrizes da ANA e a busca por maior eficiência operacional podem reduzir custos e garantir serviços de qualidade para a população.
Por fim, investir em capacitação humana significa garantir uma gestão de longo prazo mais eficiente. A rotatividade de profissionais qualificados e a constante atualização técnica contribuem para um setor mais resiliente, preparado para enfrentar os desafios do futuro e garantir que o saneamento no Brasil alcance padrões de excelência globais.


