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Mulheres do Saneamento: Liderança Feminina e Inovação

Por Luana Oliveira

Saneamento Ambiental 200Páginas 8-23
Mulheres do Saneamento: Liderança Feminina e Inovação
Equipe de agentes de saneamento formada 100% por mulheres trabalhando em Manaus
Em um setor que está em constante evolução, mulheres ocupam espaços chave, promovendo mudanças através de gestão eficiente e comunicação transparente para a transformação do saneamento no Brasil

O setor de saneamento no Brasil passa por uma importante transformação, impulsionada por novas políticas, investimentos e a necessidade urgente de universalização dos serviços. Em meio a esse cenário, mulheres têm ocupado posições estratégicas, contribuindo para o avanço do setor com inovação, gestão eficiente e comunicação transparente. Para entender melhor esse movimento, ouvimos quatro lideranças femininas que fazem a diferença na área.

Estela Testa, engenheira, CEO da Pieralisi LATAM, presidente do Sindicato Nacional de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental (SINDESAM) e conselheira da ABIMAQ, destaca as iniciativas que vêm promovendo para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, além de refletir sobre os desafios e oportunidades que as empresas de saneamento enfrentam na busca pela universalização do serviço.

À frente do Instituto Trata Brasil, onde ocupa o cargo de CEO e Conselheira Independente, a engenheira civil Luana Siewert Pretto ressalta as estratégias utilizadas para engajar a população, os desafios para que o saneamento seja reconhecido como uma prioridade nacional e as iniciativas que mais impactaram o setor nos últimos anos. Além disso, mostra como os dados levantados pelo Instituto influenciam políticas públicas e quais ações estão planejadas para intensificar a conscientização e acelerar a universalização do saneamento no Brasil.

Ana Rizzo, relações públicas e com pós-graduação em comunicação e marketing, diretora de comunicação especializada no setor, ressalta a necessidade de aproximar o saneamento da população. Segundo ela, traduzir informações técnicas para um público mais amplo é essencial para aumentar a conscientização e engajamento social, fatores determinantes para impulsionar mudanças estruturais.

Christianne Ferreira, doutoranda em direito, diretora executiva da ABCON SINDCON, ressalta como a indústria brasileira está preparada para atender às crescentes demandas do saneamento, os desafios e oportunidades da adoção de práticas ESG e os impactos da ampliação da participação privada no setor. Além disso, fala sobre a importância de políticas públicas para fortalecer a cadeia produtiva e garantir o desenvolvimento contínuo das soluções nacionais.

Essas mulheres representam um novo momento para o setor de saneamento, onde competência, inovação e liderança feminina se tornam pilares fundamentais para garantir um futuro mais sustentável e igualitário para a população brasileira.

Estela Testa

A inovação e a sustentabilidade têm ganhado cada vez mais destaque no setor de saneamento, impulsionadas por mudanças no cenário regulatório e pela crescente demanda por práticas responsáveis, é o que aponta a presidente do Sindesam.

Saneamento Ambiental: Quais iniciativas o SINDESAM ou outras organizações que você lidera têm promovido para impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras no setor?

Estela Testa: O SINDESAM estimula o desenvolvimento do setor de forma indireta ao promover ações que reúnem os principais players da cadeia de fornecimento do Saneamento Ambiental, incluindo grandes concessionárias — públicas e privadas — para reuniões do segmento. Em nossos encontros, são apresentadas demandas, planos de investimentos e gargalos de atendimento de tecnologias, o que incentiva as empresas associadas ao SINDESAM a se atualizarem para suprir essas necessidades, impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias. É muito importante que os fornecedores estejam sediados no Brasil, pois, quando vendemos o equipamento, precisamos ter a Assistência Técnica para que ele esteja performando pelos próximos 30 anos.

Legenda da foto de Estela Testa
Estela Testa

Na Pieralisi, além de participarmos dessas reuniões promovidas pelo SINDESAM, absorvendo as demandas e buscando inovação, também realizamos a “Semana da Engenharia”, evento que nos aproxima do meio acadêmico ao receber alunos e professores de diversas áreas da engenharia em nossa fábrica.

Uma iniciativa tecnológica que me orgulha é a introdução da tecnologia dos óculos de Realidade Aumentada, permitindo que funcionários, clientes e parceiros visualizem nossos equipamentos sob uma nova perspectiva. Essa ferramenta não apenas facilita o entendimento e a interação com nossos produtos, mas também destaca nossa dedicação em usar tecnologia de ponta para aprimorar a experiência do usuário e promover uma cultura de inovação. Isso nos trouxe melhorias no processo de atendimento ao cliente!

Saneamento Ambiental: Na sua opinião, quais são os maiores entraves para a implementação de tecnologias sustentáveis e inovadoras nas empresas de saneamento no Brasil?

Estela Testa: Mesmo com os obstáculos enfrentados em diversas regiões do Brasil, tanto na execução de contratos quanto no monitoramento da qualidade dos serviços, percebo que os clientes do setor público e privado estão cada vez mais comprometidos em adotar soluções inovadoras. Tudo foi muito acelerado pelo Marco do Saneamento, pois a definição de prazo para a universalização foi um grande incentivo para a inovação.

Eles têm investido em novas tecnologias e estabelecido parcerias estratégicas que não apenas garantem maior transparência na fiscalização, mas também otimizam a eficiência operacional.

Ao observar esse cenário, percebemos que, mesmo em meio aos desafios, há possibilidade de obter avanços significativos em relação às metas estabelecidas para a universalização.

Saneamento Ambiental: Desde a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento, como você avalia o avanço da participação privada no setor? Os resultados têm atendido às expectativas?

Estela Testa: Desde a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento, observamos um crescimento notável da participação privada no setor, refletido no aumento de concessões municipais e em investimentos mais robustos em soluções tecnológicas para ampliar a cobertura de saneamento básico e atender à legislação. De modo geral, os resultados têm sido positivos e caminham para atender às expectativas, ainda que existam desafios. O importante é que os investimentos estejam sendo feitos e que exista a vontade de cumprir o prazo. Temos o exemplo da Sabesp, que se comprometeu a entregar a universalização até 2029, indo além do que previa a meta de Universalização estabelecida no marco. Isso significa um investimento de R$ 68 bilhões. Por outro lado, é igualmente importante destacar o papel das grandes empresas públicas, que têm demonstrado capacidade de adaptação e uma busca contínua para acompanhar os investimentos necessários para alcançar a universalização. Esse equilíbrio entre o setor privado e o público, fortalecido pelo novo marco regulatório, sugere um potencial significativo para acelerar a expansão e a qualidade dos serviços de saneamento.

Saneamento Ambiental: As práticas de ESG têm ganhado relevância em todas as indústrias. Como o setor de saneamento tem integrado essas diretrizes em suas operações e estratégias?

Estela Testa: O setor de saneamento tem integrado as diretrizes de ESG de diversas formas. No Ambiental, as empresas estão investindo em tecnologias para redução do desperdício de água, tratamento mais eficiente de efluentes e uso de fontes renováveis de energia nas operações. No Social, a universalização do acesso ao saneamento básico é um dos principais objetivos do setor, reduzindo desigualdades e promovendo melhorias na saúde pública. E na Governança há um esforço crescente para aumentar a transparência na gestão dos serviços, garantir melhores práticas de compliance e promover maior fiscalização dos contratos de concessão. Empresas que incorporam ESG em suas estratégias conseguem maior credibilidade junto a investidores e órgãos reguladores, além de melhorar sua reputação perante a sociedade.

Saneamento Ambiental: Como a sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo para empresas do setor de saneamento, considerando a crescente demanda por práticas ambientalmente responsáveis por parte de investidores e consumidores?

Estela Testa: A sustentabilidade no setor de saneamento vai além de cumprir normas regulatórias. Ela atua como um verdadeiro diferencial competitivo por diversos motivos:

Redução de custos operacionais: Tecnologias sustentáveis, como o reuso de água e a eficiência energética, diminuem desperdícios e despesas a longo prazo.

Atração de investimentos: Empresas que adotam práticas sustentáveis têm maior acesso a financiamentos e despertam o interesse de investidores atentos a critérios ESG.

Valorização de marca e credibilidade: Organizações comprometidas com a sustentabilidade conquistam maior aceitação pública e a confiança dos consumidores.

Adequação a regulamentações e benefícios fiscais: Políticas ambientais e metas globais de sustentabilidade incentivam a adoção de boas práticas, gerando vantagens competitivas e eventuais benefícios fiscais. Em síntese, investir em sustentabilidade não é apenas atender a uma exigência legal, mas também assegurar a viabilidade econômica e a universalização dos serviços de saneamento.

Luana Pretto

O acesso ao saneamento básico é um direito fundamental, mas ainda é uma realidade distante para milhões de brasileiros. O Instituto Trata Brasil tem sido uma das vozes mais ativas na defesa da universalização desses serviços, promovendo estudos, campanhas de conscientização e mobilizando a sociedade para pressionar gestores públicos e ampliar investimentos na área.

Legenda identificando a pessoa na imagem acima
Luana Pretto

Saneamento Ambiental: O Trata Brasil tem desempenhado um papel essencial na conscientização sobre a universalização do saneamento básico. Quais estratégias vocês utilizam para informar e engajar a população sobre a importância desse tema?

Luana Pretto: No Instituto Trata Brasil, buscamos tocar o coração das pessoas, mostrando que o saneamento básico está diretamente ligado à qualidade de vida de todos. Hoje, há muita informação disponível, mas nem sempre com a clareza e a profundidade necessária para engajar a população. Nosso objetivo é traduzir esse tema de forma acessível, conectando-o às realidades do dia a dia.

Mostramos, por exemplo, como a falta de saneamento impacta a vida das mulheres brasileiras, que muitas vezes são as mais afetadas pela ausência de infraestrutura adequada. Também destacamos os prejuízos para as crianças, que sofrem com doenças evitáveis, e as conexões entre saneamento e mudanças climáticas, um tema cada vez mais urgente para a sociedade.

Para alcançar diferentes públicos, utilizamos diversas estratégias de comunicação, como a divulgação de estudos com dados públicos, parcerias com a imprensa tradicional e um forte trabalho em mídias sociais. Nosso objetivo é mobilizar a população para exigir avanços e pressionar gestores a priorizarem investimentos nessa área essencial.

Saneamento Ambiental: Em sua visão, quais são os principais desafios para que o cidadão brasileiro perceba o saneamento básico como um direito fundamental e essencial à saúde e ao meio ambiente?

Luana Pretto: Um dos principais desafios é que grande parte da população enxerga o acesso à água tratada como um direito, mas não tem a mesma percepção em relação ao tratamento de esgoto. Muitas pessoas não sabem para onde o esgoto vai e não fazem essa conexão com saúde e qualidade de vida. Como consequência, não associam a falta de saneamento a doenças e acabam aceitando como "normal" viver sem esse serviço essencial.

Além disso, há uma ideia equivocada de que a realidade não pode ser diferente, de que viver sem esgoto tratado faz parte da rotina de muitas famílias e que não há alternativas. Isso dificulta a mobilização social para exigir mudanças. Por outro lado, o saneamento ainda não é uma prioridade para muitos gestores públicos, justamente porque exige investimentos de longo prazo e, muitas vezes, não recebe a atenção necessária da população.

Nosso desafio é ampliar esse entendimento e mostrar que saneamento básico é um direito fundamental, essencial para a saúde pública, a dignidade e a preservação do meio ambiente.

Imagem mostra o que parece ser uma infraestrutura de saneamento ou instalação industrial com tubulações

Saneamento Ambiental: O Trata Brasil promove eventos e projetos sociais para sensibilizar a população e as lideranças. Quais foram os eventos mais impactantes nos últimos anos e como eles contribuíram para a causa do saneamento?

Luana Pretto: O Instituto Trata Brasil tem promovido diversos projetos e eventos para sensibilizar a população e lideranças sobre a importância do saneamento. Entre os mais impactantes nos últimos anos, destacamos: Brincar para Sanear – Esse projeto social busca educar crianças, de 7 a 12 anos, sobre a importância da coleta e do tratamento de esgoto de forma lúdica e interativa.

A iniciativa envolve escolas públicas e privadas, além de comunidades rurais e urbanas, muitas vezes com o apoio de indústrias preocupadas com o desenvolvimento sustentável da região. O objetivo é despertar desde cedo a conscientização sobre saneamento, utilizando brincadeiras e materiais didáticos, como revistinhas, para formar uma nova geração mais engajada nesse tema.

O Prêmio Casos de Sucesso reconhece os municípios que mais avançaram na coleta e no tratamento de esgoto, bem como na ampliação dos investimentos em saneamento básico. Ao dar visibilidade a esses bons exemplos, o prêmio incentiva outras prefeituras a seguirem o mesmo caminho, mostrando que a melhoria do saneamento é viável e traz benefícios concretos para a população.

A pandemia evidenciou de forma clara as desigualdades no acesso ao saneamento, dando origem ao projeto “Reflexões pós-pandemia”. Enquanto muitos tinham dificuldades para seguir recomendações básicas de higiene, como lavar as mãos regularmente, comunidades de baixa renda enfrentavam a dura realidade da falta de água tratada 24 horas por dia. Esse cenário gerou uma nova percepção sobre o tema e reforçou a necessidade de priorizar investimentos em infraestrutura sanitária para garantir saúde e dignidade a todos.

Essas iniciativas têm sido fundamentais para ampliar o debate sobre saneamento e mobilizar tanto a sociedade quanto os gestores públicos a avançarem nessa agenda essencial.

Saneamento Ambiental: O Trata Brasil tem estudos e relatórios sobre saneamento no Brasil. Como vocês utilizam esses dados para influenciar políticas públicas e despertar a atenção da sociedade?

Luana Pretto: O Instituto Trata Brasil desenvolve estudos e relatórios que são fundamentais para influenciar políticas públicas e conscientizar a sociedade sobre a importância do saneamento. Um dos principais exemplos é o Ranking do Saneamento Básico, que avalia os 100 maiores municípios do Brasil em relação ao acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto. Esse levantamento destaca tanto os casos positivos, que servem de exemplo para outras cidades, quanto os casos negativos, que exigem atenção e ações urgentes.

Além disso, realizamos estudos sobre perdas de água, demonstrando o desperdício e os impactos econômicos e ambientais, e sobre saneamento e equidade de gênero, evidenciando como a falta de infraestrutura afeta especialmente as mulheres. Muitas deixam de trabalhar para cuidar dos filhos doentes devido a doenças relacionadas ao saneamento inadequado, ou precisam adaptar sua rotina, como lavar roupas à noite por não terem acesso à água regularmente durante o dia.

Esses dados são ferramentas poderosas para mobilizar a sociedade e pressionar os gestores públicos a priorizarem o saneamento. Eles também ajudam no planejamento urbano, alertando a população sobre os riscos à saúde e fornecendo subsídios para a criação de políticas públicas eficazes. Nosso objetivo é transformar esses levantamentos em ações concretas que melhorem a qualidade de vida da população e garantam um futuro mais sustentável para todos.

Saneamento Ambiental: Olhando para o futuro, quais ações o Trata Brasil planeja implementar para intensificar a conscientização da população e alcançar resultados concretos na universalização do saneamento básico?

Luana Pretto: Para os próximos anos, o Instituto Trata Brasil pretende intensificar a conscientização da população e fortalecer o monitoramento do saneamento nos municípios. Em 2025, daremos uma atenção especial às novas gestões municipais, acompanhando de perto as prefeituras e orientando os prefeitos eleitos sobre a importância de priorizar o saneamento básico.

Com o Marco Legal do Saneamento, os próximos quatro anos serão decisivos para que o Brasil avance na universalização do serviço. Por isso, estamos desenvolvendo estratégias para monitorar o cumprimento das metas e identificar quais cidades estão avançando e quais ainda enfrentam dificuldades. Esse acompanhamento será fundamental para cobrar ações concretas e garantir que o saneamento seja tratado como uma prioridade pelos gestores públicos.

Nosso compromisso é continuar mobilizando a sociedade, gerando dados e promovendo ações que incentivem investimentos no setor, pois sabemos que garantir saneamento básico para todos é essencial para a saúde, a dignidade e o desenvolvimento sustentável do país.

Ana Rizzo

A pandemia da COVID-19 evidenciou a urgência de investimentos no saneamento básico e destacou a sua relação direta com a saúde pública e a qualidade de vida da população. Ao mesmo tempo, impulsionou um debate mais amplo sobre a importância da comunicação estratégica no setor, seja para conscientizar a sociedade, mobilizar investimentos ou fortalecer a transparência das empresas.

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Ana Rizzo

Saneamento Ambiental: A pandemia trouxe maior atenção à saúde pública e ao saneamento. Como foi o desafio de comunicar a relevância do saneamento básico como uma prioridade nesse período?

Ana Rizzo: A pandemia foi um período desafiador para o mundo, e no Brasil, coincidiu com a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), que marcou uma virada histórica para o setor. Pela primeira vez, o saneamento ganhou destaque como protagonista da infraestrutura nacional, refletido nas mídias tradicionais e digitais. Em meio ao enfrentamento da pandemia, o Brasil vivia a realidade alarmante de 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada, dificultando medidas básicas de higiene, como lavar as mãos, essenciais para conter o vírus.

Esse período reafirmou a importância do saneamento, que passou a ser visto não só como um serviço essencial para evitar doenças, mas também como uma ferramenta de saúde preventiva. A pandemia destacou a relevância do saneamento como parte fundamental das políticas públicas de saúde e qualidade de vida, mostrando que investir nele é garantir dignidade, sustentabilidade e um futuro melhor para o país.

Saneamento Ambiental: Muitas vezes, a falta de saneamento básico está associada a populações vulneráveis. Como a comunicação pode ser usada para sensibilizar governos e empresas sobre a urgência de agir?

Ana Rizzo: Excelente pergunta. A comunicação é uma ferramenta essencial na luta por justiça social e ambiental, pois tem o poder de sensibilizar, engajar e pressionar governos, empresas e a sociedade a tomarem ações urgentes e eficazes no setor. Ela pode transformar o saneamento básico de uma questão frequentemente negligenciada em uma prioridade de nível nacional.

Nosso setor tem passado por uma transformação positiva, com uma visão cada vez mais centrada no cliente/usuário. Estamos indo além da engenharia e do cumprimento de metas, colocando as pessoas no centro da gestão. A Licença para Operar tem ganhado espaço nas empresas. Embora os avanços pudessem ser mais rápidos, estamos trilhando o caminho certo.

Programas de comunicação social e relacionamento socioambiental têm sido exigidos em projetos de engenharia, tanto públicos quanto privados. Temos visto eventos interessantes sobre saneamento em áreas irregulares, população de baixa renda, sistemas alternativos, além de premiações nacionais que incentivam o foco no relacionamento socioambiental. Organizações como o Trata Brasil desempenham um papel fundamental, motivando a população a exigir mais saneamento básico dos governantes e mobilizando a opinião pública. Unindo ações pontuais e nacionais, estamos avançando na construção de uma consciência coletiva.

As diretrizes de ESG (Ambiental, Social e Governança) têm desempenhado um papel fundamental ao envolver empresas de diversos setores, incluindo o saneamento e a infraestrutura, em questões que vão além do lucro, como transparência, diversidade e a responsabilidade social e ambiental. Essas práticas estão se consolidando como um compromisso das empresas com um futuro mais justo e sustentável, refletindo a crescente importância de equilibrar o desempenho financeiro com o impacto positivo na sociedade e no planeta.

A tecnologia se apresenta como uma ferramenta poderosa de comunicação, tornando possível um diálogo direto e imediato entre as empresas e o público. Hoje, todos têm voz, e uma marca pode ver sua reputação comprometida em minutos, caso não se alinhe com os valores de ética e responsabilidade. Isso exige das empresas uma gestão cuidadosa e transparente, mantendo um relacionamento constante e genuíno com seus stakeholders.

Saneamento Ambiental: O público está cada vez mais exigente com a transparência. Como a comunicação corporativa pode ajudar as empresas de saneamento e infraestrutura a demonstrar suas ações de forma genuína e acessível?

Ana Rizzo: O caminho que temos pela frente é desafiador, mas essencial. A população precisa compreender a importância dos serviços de água e esgotamento sanitário e adotar uma postura mais consciente em relação à coletividade, reconhecendo sua contribuição individual nesse contexto.

Saneamento Ambiental: Quais lições aprendidas durante a pandemia podem ser aplicadas na comunicação sobre saneamento e ESG daqui para frente? E como você imagina o papel da comunicação na ampliação da conscientização e da reputação do setor nos próximos anos?

Ana Rizzo: A pandemia ressaltou a importância do saneamento, atraiu o olhar da população e a mídia deu voz ao setor. O momento reforçou a importância da comunicação eficaz em momentos de crise e seu potencial como agente de transformação social e ambiental. Também evidenciou o conceito de Capitalismo dos Stakeholders, mostrando que as empresas não existem apenas para gerar lucro aos acionistas, mas para criar valor para todos os seus públicos: colaboradores, clientes, parceiros, comunidades e o meio ambiente. Nesse modelo, ao cuidar de todos esses stakeholders, a empresa fortalece relacionamentos, constrói confiança e se torna mais sustentável no longo prazo. Afinal, o verdadeiro sucesso acontece quando todos saem ganhando. No setor de saneamento, a comunicação estratégica desempenha um papel essencial na consolidação da imagem e credibilidade das empresas, reforçando seu compromisso com a sociedade. Com um foco especial no usuário, a comunicação se torna a chave para ampliar a conscientização e fortalecer a reputação do setor, impulsionando a construção de um futuro mais sustentável e justo.

Christianne Ferreira

O setor de saneamento básico no Brasil passa por uma fase de grandes transformações, impulsionadas pelo novo marco legal e pela busca pela universalização dos serviços. Com isso, a indústria nacional desempenha um papel estratégico na viabilização das metas de expansão e na adoção de novas tecnologias que garantam eficiência e sustentabilidade ao setor.

Legenda da foto da entrevistada
Christianne Ferreira

Saneamento Ambiental: Na sua avaliação, a indústria nacional está plenamente capacitada para atender às demandas geradas pela ampliação dos serviços de saneamento básico no Brasil?

Christianne Ferreira: A indústria nacional é capacitada para atender às demandas geradas pela ampliação dos serviços de saneamento básico no Brasil. Ao longo dos anos, ela tem demonstrado resiliência e excelência no fornecimento de materiais, equipamentos e tecnologias essenciais para o setor, sendo um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável do saneamento no país.

Com as metas de universalização estabelecidas pelo novo marco legal do saneamento, temos a confiança de que a indústria nacional possui as condições e expertise necessárias para responder à altura. Ainda assim, é importante reconhecer que o fortalecimento das políticas industriais são fundamentais para garantir o devido suprimento do setor. Incentivos que estimulem a expansão da cadeia produtiva, a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias são imprescindíveis para sustentar o ritmo de crescimento necessário.

Imagem do artigo - página 21

Saneamento Ambiental: Como a indústria brasileira tem evoluído na adoção de práticas de ESG para alinhar seus processos às exigências do setor de saneamento?

Christianne Ferreira: O ESG tem entre seus preceitos práticas ambientais que são totalmente alinhadas com o investimento em saneamento. A percepção de que sem condições apropriadas de saneamento não há projeto que se sustente tem ganhado força nos últimos anos, inclusive na cadeia do próprio setor.

No pilar ambiental, há um esforço contínuo da cadeia industrial na redução da pegada de carbono, no uso eficiente de recursos hídricos e na implementação de processos produtivos mais limpos e sustentáveis. A adoção de tecnologias inovadoras, sistemas de economia circular e soluções de eficiência energética demonstra o compromisso da indústria com a preservação do meio ambiente.

Na governança, observa-se a disseminação de boas práticas de transparência e ética corporativa, com a adoção de padrões internacionais de governança e métricas robustas para monitoramento e divulgação de seus avanços em ESG.

É evidente que o setor de saneamento conta com uma indústria cada vez mais preparada para contribuir com soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas às melhores práticas globais de ESG.

Citação destacada com imagem artística mostrando água caindo de uma torneira sobre uma ilha flutuante com árvores

Saneamento Ambiental: O novo marco do saneamento incentivou a entrada de empresas privadas no setor. Como isso tem influenciado a demanda por soluções industriais nacionais e o desenvolvimento de novas tecnologias?

Christianne Ferreira: Em busca de uma gestão que traga ganhos operacionais que, em última instância, favorecem o usuário final, as concessionárias privadas têm sido pioneiras no desenvolvimento e adoção de novas tecnologias incorporadas ao saneamento, como o uso da IA e a diversificação de fontes energéticas. As concessionárias privadas prosseguem nesta linha de frente no setor, inclusive na busca de soluções que possam atender aos impactos de mudança climática e da necessidade de estimular a economia circular. Nós contamos com a parceria de todos os nossos fornecedores nesse esforço.

Saneamento Ambiental: Que tipo de incentivos ou políticas públicas seriam necessários para fortalecer a indústria nacional e aumentar sua capacidade de atender ao setor de saneamento?

Christianne Ferreira: O saneamento e toda a sua cadeia produtiva prosseguirá avançando e se fortalecendo à medida em que também fortalecermos a qualidade regulatória e a segurança jurídica do setor.

Saneamento Ambiental: Como a ABCON SINDCON trabalha em parceria com a indústria para promover maior integração entre fornecedores, operadores e o mercado de saneamento?

Christianne Ferreira: No âmbito da ABCON SINDCON, temos estimulado as parcerias com as entidades de fornecedores do setor, para o aprimoramento da cadeia e por entender que, diante das elevadas demandas geradas pelo investimento das concessionárias privadas e da busca de melhor gestão, essa proximidade é muito salutar para todos. Com a Asfamas, por exemplo, já temos um termo de cooperação para estimular ações que fomentem a qualidade de materiais e serviços disponibilizados para o mercado.

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