As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade que afeta milhões de pessoas, especialmente as mais vulneráveis. No Brasil, a intersecção entre desigualdade social, degradação ambiental e vulnerabilidade climática expõe a urgência de políticas públicas que garantam não apenas a mitigação dos impactos ambientais, mas também a equidade no acesso a serviços essenciais — e o saneamento básico é um dos pilares mais importantes dessa agenda.
Eventos extremos como enchentes, secas prolongadas e deslizamentos de terra vêm se intensificando com o aquecimento global, e os efeitos recaem com maior força sobre as populações mais vulneráveis. Favelas e periferias urbanas frequentemente se localizam em áreas de risco, com pouca infraestrutura, escasso acesso à água potável e ausência de redes de coleta e tratamento de esgoto.

Essa realidade evidencia um componente importante da justiça climática: garantir o direito ao saneamento básico como forma de proteger vidas humanas, reduzir desigualdades e ampliar a resiliência das comunidades diante das mudanças no clima.
“As populações mais vulneráveis são as mais afetadas por eventos climáticos extremos e, geralmente, têm acesso limitado a serviços de água potável e esgotamento sanitário”, afirma Carlos Almiro de Magalhães Melo, Diretor de Sustentabilidade da BRK. “Garantir o acesso universal ao saneamento é uma medida essencial para promover a equidade social e fortalecer a resiliência dessas comunidades.”
A ausência de saneamento básico tem impactos diretos e amplos: desde a contaminação dos corpos d’água até a explosão de doenças como diarreia, hepatite A, leptospirose e dengue — todas agravadas em cenários de crise hídrica ou alagamentos. Em períodos de seca, a escassez de água dificulta medidas básicas de higiene. Nas enchentes, o contato com esgoto a céu aberto amplia os riscos sanitários.
Segundo dados do SUS, as doenças de veiculação hídrica ainda são responsáveis por milhares de internações por ano no Brasil — a maioria em comunidades de baixa renda. Esses problemas de saúde pública poderiam ser evitados com infraestrutura adequada e políticas de saneamento bem implementadas.
Além disso, o saneamento tem papel central na adaptação climática. Em regiões que enfrentam seca extrema, garantir o abastecimento contínuo de água exige o uso eficiente dos recursos e a diversificação de fontes. Em áreas propensas a inundações, redes de drenagem, coleta e tratamento de esgoto ajudam a reduzir o impacto sobre o meio ambiente e a saúde da população.
Em tempos de mudanças profundas no clima, garantir água potável e esgotamento sanitário a todos é uma das decisões mais sensatas — e urgentes — que um país pode tomar.
A BRK Ambiental compartilhou iniciativas nesse sentido: “Trabalhamos para garantir o acesso à água mesmo em contextos de escassez hídrica, com uso eficiente dos recursos hídricos e diversificação de fontes. Também investimos em estações de tratamento de esgoto que reduzem a contaminação ambiental e fortalecem a resiliência dos ecossistemas.”

O desafio estrutural para levar saneamento básico a todas as regiões do país é imenso. Inclui desde barreiras geográficas e urbanísticas até a falta de investimentos públicos consistentes. “Superar esses obstáculos exige planejamento integrado, financiamento adequado e políticas públicas que priorizem a inclusão social e a adaptação climática”, afirma o Melo.
Inclusão e Monitoramento
As tarifas sociais são um componente importante para garantir que famílias de baixa renda não sejam excluídas do acesso a água e esgoto. Para isso, operadoras e governos precisam trabalhar juntos, promovendo o cadastro em programas sociais e garantindo que os benefícios cheguem a quem mais precisa.
A avaliação dos impactos socioambientais dos projetos de saneamento também se tornou prática necessária. No caso da BRK, ela monitora os impactos socioambientais por meio de relatórios ESG anuais, que avaliam indicadores como acesso ao saneamento, qualidade da água, eficiência energética e engajamento comunitário. “Esses relatórios permitem à empresa acompanhar o progresso de suas iniciativas, identificar áreas de melhoria e garantir a transparência de suas ações perante as partes interessadas”.
No fim, o acesso ao saneamento básico não é apenas uma questão técnica ou econômica. É uma questão de direitos humanos, saúde pública, justiça social e climática. Em tempos de mudanças profundas no clima, garantir água potável e esgotamento sanitário a todos é uma das decisões mais sensatas — e urgentes — que um país pode tomar.

