Na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, o seminário “Saneamento como vetor de transformação: da Bacia do Rio Pinheiros ao Programa Integra Tietê” reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir os efeitos estruturantes da ampliação do saneamento básico no país. Promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), Sabesp e Instituto Trata Brasil, o encontro evidenciou como o acesso a serviços adequados de água e esgoto está diretamente associado à saúde pública, à valorização urbana e ao desenvolvimento sustentável.
A presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, reforçou que o saneamento deve ser compreendido como uma política pública fundamental. “Investir em saneamento é ganho garantido. O saneamento impacta diretamente na saúde das pessoas e precisa ter um futuro melhor para todos”, declarou. Ela lembrou que a ausência de acesso adequado pode provocar doenças, reduzir o desempenho escolar, desvalorizar imóveis e comprometer a produtividade no trabalho.
Luana apresentou dados que comprovam a transformação observada na Bacia do Rio Pinheiros entre 2000 e 2022, com crescimento expressivo da infraestrutura de saneamento. Nesse período, foram registrados 200.080 m³ de água tratada, 148.603 m³ de esgoto coletado, 142.695 m³ de esgoto tratado e um volume per capita de 118,1 litros por dia. Além disso, o índice de oxigênio dissolvido no Rio Pinheiros — indicador-chave da qualidade da água — apresentou uma melhora média de 58,5% entre 2014 e 2023.
Esse avanço, segundo Luana, se refletiu também em ganhos econômicos expressivos: a cada R$ 1 investido, houve retorno de R$ 1,70 em benefícios associados, segundo estudos da entidade. Somente na região da Bacia do Rio Pinheiros, os benefícios diretos da expansão do saneamento somaram R$ 7,9 bilhões entre 2000 e 2022. No âmbito do Programa Novo Rio Pinheiros, os ganhos potenciais incluem R$ 107,8 milhões de economia em custos com saúde e um aumento de R$ 350,9 milhões na produtividade da força de trabalho, totalizando mais de R$ 1 bilhão em benefícios consolidados.

No entanto, Luana também alertou para os desafios: “Os investimentos envolvem custos altos com obras, estações de tratamento e o aumento das tarifas para as famílias. Ainda assim, o saldo é altamente positivo.” Ela defendeu que a sociedade brasileira precisa reconhecer o valor do saneamento e exercer seu papel na cobrança por políticas públicas contínuas e eficazes.
Complementando a discussão, Ester Feche, diretora de serviços de água e esgoto da SEMIL, apresentou as metas ambiciosas do Programa Integra Tietê, que prevê investimentos de R$ 15,3 bilhões até 2026 e mais de R$ 23,5 bilhões até 2029. O programa tem como objetivos principais ampliar a cobertura do saneamento, promover a melhoria da qualidade da água do Rio Tietê e recuperar áreas degradadas ao longo do seu curso.
Entre as ações destacadas por Ester estão a manutenção e operação de 27 piscinões e a retirada contínua de resíduos flutuantes do Rio Pinheiros, iniciativas que contribuem para a prevenção de enchentes e para a melhoria do ambiente urbano. Ela também ressaltou a importância da educação ambiental como um pilar estratégico que deve estar integrado à governança e não ficar relegado a um papel secundário. “Sem educação ambiental, não há mudança de comportamento, e sem mudança de comportamento, os avanços não se sustentam”, observou.
O seminário reforçou o entendimento de que os investimentos em saneamento são, na verdade, investimentos em qualidade de vida, justiça social e resiliência urbana. Com base nos resultados expressivos obtidos na Bacia do Rio Pinheiros e nas diretrizes do Programa Integra Tietê, os participantes enfatizaram a necessidade de continuidade, planejamento de longo prazo e envolvimento ativo da sociedade civil para consolidar o saneamento como vetor de transformação no Brasil.

