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A revolução invisível das cidades inteligentes

Saneamento Ambiental 202Páginas 6-11
A revolução invisível das cidades inteligentes
Integração de Sistemas e Eficiência para o saneamento
Sensores, modelagens digitais e monitoramento em tempo real transformam a gestão da água no Brasil e aproximam a população de decisões estratégicas

A digitalização do saneamento já é uma realidade no Brasil e promete transformar silenciosamente o modo como as cidades funcionam. Com sensores inteligentes, monitoramento em tempo real e participação ativa da população, o chamado Saneamento 4.0 surge como peça-chave no ecossistema das cidades inteligentes, unindo eficiência energética, redução de perdas de água e transparência nos serviços públicos.

A Tetra Tech consolidou-se como uma das principais referências em soluções de engenharia e consultoria voltadas para água, meio ambiente e infraestrutura sustentável. Com cerca de 30 mil colaboradores em todo o mundo, a empresa atua em projetos que abrangem todo o ciclo da água, proteção e restauração ambiental e o desenvolvimento de estruturas resilientes, unindo ciência e inovação tecnológica para resolver desafios complexos.

Entre os temas em evidência, a empresa tem aprofundado sua atuação no chamado “Saneamento 4.0”, marcado pela consolidação de parcerias público-privadas (PPPs) estruturadas, que incorpora a agenda ESG e se conecta diretamente ao universo das cidades inteligentes, oferecendo novas perspectivas para o planejamento urbano e a qualidade da água.

Legenda da imagem do centro de controle com múltiplos monitores exibindo mapas e dados do sistema de monitoramento
Monitoramento pelo sistema SCADA

De acordo com Carlos Eduardo Nakao Inouye, gerente de recursos hídricos da Tetra Tech, o Saneamento 4.0 pode ser compreendido como a digitalização integral do ciclo do saneamento. “Desde a coleta e o tratamento de esgoto até a análise de dados em tempo real, o modelo envolve o uso de sensores IoT e monitoramento contínuo, criando plataformas integradas que conectam o saneamento a todos os serviços urbanos”, afirmou.

Para Ricardo Augusto de Castro Marcondes, coordenador de saneamento da Tetra Tech, essa transformação rompe com a invisibilidade histórica do setor. “O saneamento sempre foi de difícil acesso e fiscalização. Com tecnologias de modelagem digital, conseguimos visualizar estruturas e processos em detalhes, criando oportunidades para corrigir falhas e suprir demandas antigas”, destacou.

Entre os principais desafios urbanos, ambos especialistas apontam para as elevadas perdas de água. Ricardo lembra que os índices de perda na distribuição das capitais brasileiras é, em média, 40%. O uso de softwares capazes de prever anomalias, rompimentos e quedas de pressão nas redes aparece como estratégia essencial para reduzir prejuízos e ampliar a eficiência dos sistemas.

As ferramentas digitais já aplicadas em projetos nacionais incluem sensores para medir vazão, pressão e qualidade da água em tempo real, além de sistemas SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition), que permitem acompanhar os serviços a partir de salas de monitoramento centralizadas. O geoprocessamento, por sua vez, auxilia na identificação de problemas em campo e na otimização de deslocamentos para equipes de manutenção.

Legenda da imagem mostrando funcionário da Tetra Tech Brasil em campo, observando um canal de água cercado por vegetação e palmeiras
Levantamento de campo para apoiar projeto de modelagem hidrológica destinado à elaboração de mapas de risco de inundação em região do Brasil

A integração entre saneamento e cidades inteligentes também traz ganhos diretos em eficiência energética. Ricardo explica que modelagens hidráulicas permitem identificar pontos mais sensíveis à manutenção e responder rapidamente às demandas, evitando desperdícios. Carlos complementa com exemplos práticos: “Com processos automatizados, como o controle inteligente de bombas, é possível antecipar picos de consumo e reduzir custos de operação. Em projeto de melhoria da planta de reuso de água, conduzido pela Tetra Tech em Carlsbad, San Diego, nos Estados Unidos, alcançamos uma redução de 40% no consumo de produtos químicos em apenas um ano, além de economia de 10% em energia devido à otimização do processo”.

As plataformas de monitoramento em tempo real são vistas como ferramentas estratégicas para prefeituras e concessionárias. Elas permitem não apenas identificar falhas de imediato, mas também priorizar ações em campo e acompanhar metas definidas em planos diretores. Carlos cita o caso de Piracicaba (SP), onde o planejamento orientado por modelagem hidráulica viabilizou a ampliação de estações de tratamento de esgoto em curto prazo.

O engajamento da sociedade também figura como parte fundamental desse processo. Para Carlos, o acesso transparente às informações sobre qualidade da água e alertas de desperdício favorece a participação popular. Ricardo acrescenta que, ao integrar a população como fiscalizadora ativa, cria-se um ambiente mais favorável à eficiência e à sustentabilidade, aproximando o cidadão das metas de universalização do saneamento.

No entanto, implementar o Saneamento 4.0 em municípios de pequeno e médio porte ainda enfrenta obstáculos. A falta de infraestrutura adequada, recursos financeiros limitados e carência de profissionais capacitados são barreiras recorrentes. Ricardo observa que a estruturação de blocos regionais pode ajudar a viabilizar projetos, ampliando a escala e atraindo investimentos.

No cenário internacional, as tendências indicam caminhos que o Brasil ainda precisa percorrer. Ricardo ressalta a necessidade de avançar no tratamento de esgoto e na adoção de operações centralizadas de monitoramento. Carlos acrescenta que os sensores IoT e os sistemas integrados de painéis são essenciais, mas alerta para a importância de incluir a segurança cibernética como prioridade, garantindo redes confiáveis e resilientes contra ataques digitais.

A Tetra Tech já tem aplicado esse conjunto de soluções no País, como no desenvolvimento do Plano Diretor de Águas Urbanas da Região Metropolitana da Grande Vitória (ES), que se destaca por incluir audiências públicas e a construção conjunta de diretrizes com a população. O modelo representa um avanço não apenas tecnológico, mas também participativo, alinhando inovação com inclusão social.

Nesse movimento, a empresa busca consolidar o saneamento como elemento estruturante das cidades inteligentes, conectando eficiência técnica, responsabilidade ambiental e participação cidadã. Com a experiência de seus especialistas e a aplicação de tecnologias de ponta, a Tetra Tech projeta para o Brasil um cenário em que os serviços básicos se tornam mais transparentes, integrados e sustentáveis, atendendo às exigências de um futuro urbano cada vez mais desafiador.

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