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Eficiência Energética em Estações de Tratamento

Por Luana Oliveira

Saneamento Ambiental 202Páginas 38-41
Eficiência Energética em Estações de Tratamento
Sanepar-USBio
Plano de Descarbonização da Sanepar alia eficiência operacional, tecnologia limpa e compromisso climático

A busca por eficiência energética tornou-se uma prioridade estratégica para o setor de saneamento. Grandes consumidoras de eletricidade, as companhias de água e esgoto enfrentam o desafio de reduzir custos operacionais e, ao mesmo tempo, diminuir sua pegada de carbono. Nesse contexto, tecnologias de reaproveitamento de resíduos e geração de energia renovável a partir do esgoto vêm ganhando espaço e transformando o modo como o tratamento de efluentes é conduzido no Brasil.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que atende a 345 dos 399 municípios paranaenses, vem desenvolvendo projetos pioneiros de aproveitamento energético em suas estações de tratamento de esgoto (ETEs). O biogás, derivado do lodo, tem se tornado fonte fundamental para a autoprodução de energia, em iniciativas que vão desde a microgeração distribuída até a produção de biomassa.

O setor de saneamento básico, historicamente associado à saúde pública e à infraestrutura urbana, passa a ocupar um papel de crescente relevância na agenda climática nacional. O desafio que se impõe ao setor é estratégico: expandir a cobertura para atingir a universalização dos serviços sem ampliar proporcionalmente sua pegada de carbono.

Nesse contexto, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) desponta como referência, ao lançar um Plano de Descarbonização que une inovação tecnológica, eficiência energética e responsabilidade socioambiental. Trata-se de um movimento pioneiro, uma vez que a descarbonização do saneamento ainda não integra de forma estruturada as políticas públicas brasileiras, ao contrário do que ocorre em setores como a siderurgia e o transporte.

O plano está estruturado em três grandes frentes: um diagnóstico das emissões atuais da Companhia; a realização de um estudo de alavancas de descarbonização, voltado à identificação de tecnologias e boas práticas aplicáveis; e, por fim, a definição de cenários de redução, com soluções viáveis e adaptáveis à realidade operacional da Sanepar.

Segundo Anatalicio Risden Junior, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Companhia, a proposta alia engenharia, ciência e inovação, promovendo uma visão integrada entre eficiência operacional e compromissos ambientais. “O investimento em inovação tecnológica não apenas é compatível com a necessidade de manter tarifas acessíveis, como é essencial para isso. Tecnologias mais modernas permitem reduzir perdas, otimizar processos, diminuir custos e ampliar a sustentabilidade dos sistemas. A inovação, nesse sentido, deixa de ser custo e passa a ser estratégia”, enfatiza.

“A inovação, nesse sentido, deixa de ser custo e passa a ser estratégia”

Legenda identificando o executivo na fotografia principal
Anatalicio Risden Junior, diretor inovação novos negócios da Sanepar

A iniciativa une o crescimento econômico, inovação e responsabilidade ambiental. Em um momento decisivo para o enfrentamento das mudanças climáticas, o exemplo paranaense pode inspirar outras companhias estaduais a repensarem seus modelos operacionais, com vistas à sustentabilidade de longo prazo e à transição para uma economia de baixo carbono.

Entre as iniciativas em andamento, destacam-se os empreendimentos em estações de tratamento como a ETE Belém, em Curitiba, onde um sistema de codigestão processa lodo de esgoto e resíduos orgânicos de grandes geradores, transformando-os em biogás para geração de energia elétrica e calor. Já na ETE Atuba Sul, o uso de biogás em sistemas de secagem térmica permite a combustão do lodo, reduzindo significativamente o volume destinado a aterros e convertendo-o em insumo energético e cinzas com potencial de aplicação em outros setores.

Mas os planos vão além. “Estamos investindo em projetos de produção de hidrogênio renovável a partir do biogás e até em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), obtidos por meio da liquefação hidrotérmica do lodo. São soluções de vanguarda que reforçam o papel da Sanepar como referência em inovação no saneamento brasileiro”, explica Risden Junior.

Legenda da imagem mostrando reatores industriais verdes para transformação de biogás em energia elétrica
Reatores transformação Biogas em energia elétrica

Essas iniciativas, segundo o diretor, são exemplos de como a empresa busca conciliar transição energética, descarbonização e prestação de serviços de qualidade. “O protagonismo das companhias estaduais de saneamento é determinante para que o setor avance. Temos capilaridade, abrangência e escala para liderar transformações estruturais que beneficiam milhões de pessoas. Ao adotar práticas sustentáveis e soluções inovadoras, fortalecemos o saneamento como indutor de desenvolvimento, saúde pública e preservação ambiental”, acrescenta.

O Plano de Descarbonização da Sanepar inaugura um novo marco para o setor no Brasil. Mais do que um programa interno, representa um modelo a ser seguido por empresas que buscam aliar eficiência, inovação e compromisso ambiental.

Com investimentos em biogás, hidrogênio e SAF, além de políticas de neutralidade de carbono já em curso, a companhia consolida sua liderança em um movimento que tende a se expandir pelo país. No horizonte, está a construção de um setor de saneamento não apenas mais eficiente em energia e operação, mas também protagonista no enfrentamento da crise climática global.

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