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Tecnologia e energia renovável ditam o futuro da produção

Por Luana Oliveira

Saneamento Ambiental 202Páginas 34-36
Tecnologia e energia renovável ditam o futuro da produção
Hydro - Gás natural
Com metas ambiciosas até 2050, a indústria se reinventa para alinhar competitividade e sustentabilidade

A corrida mundial para reduzir emissões de carbono tem colocado pressão sobre setores industriais de alta intensidade energética. Entre eles, a produção de alumínio ocupa papel estratégico: ao mesmo tempo em que demanda grandes volumes de energia, fornece insumo essencial para tecnologias ligadas à transição energética, como painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos. No Brasil, o Pará concentra uma das maiores cadeias produtivas do setor, operada pela Hydro, que tem buscado demonstrar como mineração e refino podem caminhar em direção a processos mais limpos.

Desde 2022, investimentos que somam mais de R$ 12 bilhões foram direcionados a iniciativas de descarbonização, energia renovável e reflorestamento. A meta estabelecida é ambiciosa: reduzir em 30% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade em 2050. Os resultados começam a aparecer de forma concreta, sobretudo na refinaria de alumina em Barcarena, que em 2024 registrou queda estimada de 35% em suas emissões em relação a 2017. Essa redução corresponde a cerca de 1,4 milhão de toneladas de CO₂ a menos lançadas na atmosfera.

A estratégia combina substituição de combustíveis fósseis por gás natural, utilização de biomassa regional — incluindo resíduos como caroço de açaí — e maior participação de energia elétrica de fontes renováveis. Paralelamente, a introdução de filtros-prensa para disposição de resíduos em formato seco, com teor de sólidos superior a 70%, representa inovação tecnológica que reduz riscos ambientais e aponta caminhos para novos usos do material.

No campo da fundição, a produção de alumínio primário no Pará tem alcançado índices de emissão considerados entre os mais baixos do mundo. Estimativas indicam cerca de três toneladas de CO₂ por tonelada de alumínio, contra uma média global de 15 toneladas, segundo dados do International Aluminium Institute. Essa diferença amplia a competitividade do produto brasileiro em mercados internacionais cada vez mais atentos à pegada de carbono de suas cadeias de suprimento.

Legenda associada à imagem industrial mostrando caldeiras elétricas em uma instalação de processamento
Caldeiras elétricas

Para garantir a energia necessária a essa transformação, projetos de geração solar e eólica têm avançado rapidamente. Hoje, mais de 85% da demanda elétrica da refinaria e da mineração de bauxita já é suprida por fontes renováveis, provenientes de parques instalados. Essa expansão se soma a iniciativas de eletrificação logística, como a introdução de caminhões elétricos, e a novos empreendimentos em fase de construção.

O conjunto dessas ações indica que a descarbonização da cadeia do alumínio, ainda que desafiadora, é viável e pode servir de referência para outras indústrias de base. Em um cenário global de crescente demanda por materiais sustentáveis, a combinação entre inovação tecnológica e redução de emissões coloca o Brasil em posição de destaque no fornecimento de um insumo central para a economia de baixo carbono.

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