Segurança hídrica exige inovação, eficiência e integração

SEGURANÇA HÍDRICA

Segurança hídrica exige inovação, eficiência e integração

A segurança hídrica ocupa posição estratégica nas agendas de empresas, governos e cidades. Em um cenário marcado pelo crescimento populacional, pelas mudanças climáticas, pela pressão sobre os mananci...

Saneamento Ambiental 206Páginas 16-20
Revista
Artigo

A segurança hídrica ocupa posição estratégica nas agendas de empresas, governos e cidades. Em um cenário marcado pelo crescimento populacional, pelas mudanças climáticas, pela pressão sobre os mananciais e pela necessidade de ampliar o acesso ao saneamento, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência no uso da água são medidas importantes para ampliar a resiliência dos sistemas e contribuir para a disponibilidade do recurso em longo prazo.

Nesse contexto, a integração entre a experiência operacional do setor de saneamento e a expertise de empresas que desenvolvem soluções tecnológicas é estratégica. A qualidade da água bruta, a infraestrutura de tratamento e as condições de abastecimento variam entre regiões, o que exige avaliação técnica compatível com as condições e os desafios de cada sistema.

A evolução tecnológica tem ampliado as alternativas disponíveis para o tratamento de água. Entre elas está o dióxido de cloro, utilizado há décadas como oxidante e desinfetante em aplicações específicas. Pela rota clorato, o dióxido de cloro é gerado in situ, em sistema controlado e no ponto de aplicação, evitando seu armazenamento e transporte na forma de dióxido de cloro e contribuindo para a segurança operacional. A geração de dióxido de cloro pela redução de clorato de sódio com peróxido de hidrogênio em meio ácido é descrita pela U.S. EPA (USEPA, 1999, p. 4-2 e Tabela 4-1, p. 4-5). Estudos científicos reportam rendimentos de dióxido de cloro superiores a 95% para essa química, dependendo das condições operacionais (Qian et al., 2007, p. 921), e estudos experimentais posteriores reportaram conversão >95% sob condições controladas (Monteiro et al., 2021).

"O dióxido de cloro é uma alternativa que pode ser avaliada para desafios específicos de qualidade da água. A definição da tecnologia e das condições de aplicação deve considerar as características da água, o objetivo do tratamento, o processo existente, os requisitos de potabilidade e o controle dos subprodutos associados", afirma Gerusa.

A proposta, segundo a executiva, não é estabelecer uma substituição generalizada entre tecnologias, mas avaliar cada sistema de forma integrada. Qualidade da água bruta, objetivo de tratamento, desempenho, segurança operacional, requisitos regulatórios e custo total da operação precisam ser considerados em conjunto.

Nesse sentido, soluções que contribuam para otimizar os processos de uma Estação de Tratamento de Água podem apoiar maior eficiência operacional e melhor utilização dos recursos. Isso envolve avaliar de forma integrada as diferentes etapas do tratamento, as características da água e os parâmetros de qualidade a serem atendidos. "Nosso objetivo é combinar conhecimento técnico, tecnologia e acompanhamento operacional para identificar oportunidades de otimização e gerar resultados mensuráveis, sempre preservando a qualidade e a segurança da água", destaca Gerusa.

A transformação digital também vem modificando a forma como os sistemas de abastecimento e tratamento de água são monitorados. Sensores, automação, análise de dados e ferramentas de inteligência artificial podem ampliar a visibilidade do processo, apoiar a identificação de desvios e oferecer suporte à tomada de decisão operacional.

Para Gerusa, o valor dos dados está na capacidade de transformar informação em ação. "A análise contínua dos dados pode ajudar a identificar desvios, antecipar situações de risco e direcionar uma resposta operacional mais rápida. A tecnologia apoia a decisão, mas não substitui o conhecimento e a responsabilidade de quem opera o sistema", ressalta.

Legenda de imagem mostrando profissional em ambiente de monitoramento com equipamentos
Profissional realizando atividades de monitoramento e acompanhamento de processos.

Entre as soluções apresentadas pela Ecolab está uma tecnologia para gerenciamento da desinfecção em sistemas de abastecimento de água, que integra monitoramento contínuo do residual de cloro, automação, conectividade e acompanhamento remoto. A solução permite maior visibilidade das condições operacionais, geração de alarmes e suporte à tomada de decisão, além de possibilitar o ajuste automático da dosagem de acordo com o setpoint definido pela operação, contribuindo para a otimização do consumo de produtos químicos e com potencial de otimização dos custos operacionais.

A automação pode reduzir intervenções manuais rotineiras, ampliar a visibilidade operacional e apoiar respostas mais ágeis diante de desvios. A experiência da companhia em diferentes mercados reforça o potencial do monitoramento contínuo como ferramenta de suporte à gestão operacional.

O uso de tecnologia, no entanto, não se limita ao controle de uma etapa do tratamento. Uma gestão mais eficiente da água também envolve olhar para o recurso ao longo do processo, reduzir desperdícios e identificar oportunidades de aproveitamento e reuso adequadas do ponto de vista técnico, sanitário e regulatório.

"A indústria pode contribuir para uma gestão mais circular da água ao aumentar eficiência no uso do recurso, reduzir desperdícios e avaliar oportunidades de reuso de acordo com as características de cada aplicação. O objetivo é extrair mais valor de cada volume de água utilizado, sem perder de vista os requisitos técnicos, ambientais e regulatórios", afirma Gerusa.

Essa visão também reforça a interdependência entre diferentes atores. Proteção dos mananciais, tratamento adequado, gestão de efluentes e resíduos e uso responsável da água fazem parte de uma mesma cadeia. A colaboração entre empresas de saneamento, indústria, poder público e sociedade contribui para sistemas mais resilientes.

Os efeitos das mudanças climáticas ampliam os desafios relacionados à segurança hídrica. Eventos extremos e alterações nos regimes de chuva e estiagem podem afetar a disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos e aumentar a pressão sobre a infraestrutura de abastecimento.

"Ampliar a resiliência dos sistemas exige planejamento de longo prazo, investimentos, capacidade de adaptação e soluções que apoiem operações mais eficientes. Não existe uma única resposta: é a combinação entre infraestrutura, gestão, conhecimento técnico e tecnologia que fortalece a preparação para diferentes cenários", afirma Gerusa.

Imagem do artigo - página 19

Nesse contexto, a modernização e, quando necessário, a recuperação ou ampliação de Estações de Tratamento de Água (ETAs) e Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) podem contribuir para ampliar a eficiência e a capacidade operacional dos sistemas.

Para os próximos anos, Gerusa considera que o Brasil está diante de uma oportunidade importante de avançar a partir das metas de universalização estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. A ampliação dos serviços de água e esgoto deverá caminhar paralelamente à modernização e à maior eficiência das estruturas existentes.

"O Marco do Saneamento representa um caminho importante para ampliar o acesso aos serviços de água e esgoto e avançar na eficiência dos sistemas. Precisamos deixar as ETAs e ETEs mais completas e eficientes", avalia.

Ao mesmo tempo, a inovação será importante para enfrentar o aumento da demanda e a pressão sobre os recursos hídricos. Tecnologias capazes de apoiar o uso mais eficiente da água, otimizar o uso de produtos químicos, automatizar processos e ampliar a capacidade de monitoramento podem contribuir para a modernização das operações.

Para a Ecolab, a sustentabilidade precisa estar associada a resultados mensuráveis. A companhia desenvolve projetos em parceria com clientes voltados ao uso mais eficiente de água, energia e insumos, demonstrando que os ganhos ambientais podem caminhar junto com eficiência econômica.

"A solução precisa ser comprovada no resultado final da operação. É importante que o cliente consiga enxergar a eficiência no uso de recursos, a otimização dos custos e, ao mesmo tempo, a redução dos impactos ambientais", resume Gerusa.

Artigos relacionados