MUDANÇAS CLIMÁTICAS

300 milhões de pessoas em insegurança alimentar?

300 milhões de pessoas em insegurança alimentar?

De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos.

O relatório ‘Mudança Climática, Fome e Futuros das Crianças’, divulgado pela ONG Visão Mundial, indica que um eventual fracasso nas negociações sobre mudanças climáticas na COP26 pode impactar a situação de fome no mundo, em especial nos países mais pobres. Em 2020, 26% das crianças em todo o mundo sofreram de má-nutrição. De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos, pela primeira vez em décadas. Se a mesma trajetória dos últimos for mantida, a entidade prevê que mais de 300 milhões de pessoas enfrentarão a insegurança alimentar até 2030.

“Crianças em todo o mundo nos contam que experimentam o impacto devastador das mudanças climáticas todos os dias - e seus avisos devem ser ouvidos em alto e bom som pelos líderes da COP26”, disse o CEO e presidente internacional da Visão Mundial, Andrew Morley. Segundo ele, há casos de escassez de água em algumas regiões e os meios de subsistência das famílias estão sendo destruídos por tempestades, enchentes e secas recorrentes, que levam à fome e à desnutrição com riscos para a vida. “As crianças muitas vezes não têm escolha, a não ser abandonar a escola, e são forçadas a trabalhar ou se casar por seus pais, que lutam para sobreviver”, completa.

Segundo o estudo, enquanto os países economicamente mais ricos produzem a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos impactam, desproporcionalmente, os países de baixa renda de maneira mais aguda. Em 2018, Madagascar contribuiu com apenas 0,06% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está enfrentando o que poderia ser o primeiro quadro de fome na história moderna causado pelas mudanças climáticas, com a insegurança alimentar afetando um total estimado de 1,14 milhão de pessoas.

Para comunidades em países em desenvolvimento, em especial na África e na América Latina, a alta dependência da produção agrícola local se traduz em alto risco de devastação, devido a eventos meteorológicos extremos. "Uma colheita que não dê certo pode ter resultados imediatos e consequências no comércio local, além de danos a longo prazo, limitando o acesso a alimentos nutritivos", alerta o relatório, elaborado a partir de estatísticas de entidades como o Programa Alimentar Mundial e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Em comparação com 2019, houve um acréscimo de pessoas afetadas pela fome, em 2020, de 46 milhões na África, 57 milhões na Ásia e cerca de 14 milhões na América Latina e Caribe. "Quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não teve acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano", revela o documento da Visão Mundial.

"Conflitos, Covid-19 e mudança climática estão interagindo para criar novos e agravantes focos de fome e estão revertendo os ganhos que as famílias tiveram para escapar da pobreza", explica o diretor de Advocacy e Relações Institucionais da Visão Mundial, Welinton Pereira. O mundo precisa de ações urgentes para salvar vidas e prevenir uma crise humanitária de fome na qual dezenas de milhares de crianças podem morrer. “A fome não tem lugar no século 21 e é totalmente evitável. Oramos para que os líderes da COP26 percebam que este é um momento de vida ou morte para as crianças mais vulneráveis do mundo”, conclui.

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