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EFEITO ESTUFA

Agropecuária brasileira responde por 73% das emissões

Agropecuária brasileira responde por 73% das emissões

Mesmo com a pandemia, o Brasil aumentou em 9,5% a emissão de gases estufa em 2020, enquanto no mundo houve uma queda de quase 7%.

Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o setor agropecuário é responsável por 73% das emissões de GEE no território brasileiro – de forma direta e indireta - das quais 46% dessa geração por substâncias nocivas associadas ao desmatamento de áreas naturais. Os dados são do mais recente estudo sobre as emissões brasileiras, divulgado em outubro de 2021.

Mesmo com a pandemia, o Brasil aumentou em 9,5% a emissão de gases de efeito estufa em 2020, enquanto no mundo todo houve uma queda de quase 7%. O agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, afirma que o modelo voltado ao aumento da produtividade centrado na venda de commodities, que busca a expansão da fronteira agrícola, não pode mais ser socialmente permitido. Para ele, o ponto mais crítico é a destruição da Amazônia, que já está interferindo no regime de chuvas no Brasil e em boa parte da América do Sul. “As florestas são responsáveis por regular o clima, esfriar o planeta e produzir chuva, entre outros benefícios. A evapotranspiração da floresta na Amazônia alimenta massas de ar quente e úmido, formando rios voadores fundamentais para as precipitações em boa parte do continente. Se o desmatamento na região não for interrompido imediatamente, teremos extremos de secas mais severas e de temperaturas, causando prejuízos incalculáveis, inclusive para o próprio agronegócio. É preciso agir agora", explica Rocha.

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), publicado em agosto passado, aponta que o agronegócio brasileiro deverá sofrer cada vez mais com eventos extremos, provocando grandes estiagens no Nordeste e Centro-Oeste, enchentes no Sudeste e fortes ondas de frio no Centro-Sul do País. No Cerrado, a temperatura média pode subir até cinco graus Celsius até o final do século, o que inviabilizaria a agricultura em larga escala.

Além do desmatamento e dos incêndios, o rebanho bovino contribui com 28% das emissões do Brasil, especialmente pela fermentação entérica que libera o gás metano na atmosfera. Outros fatores que ajudam a aumentar as emissões de GEE são o uso abundante de produtos químicos, especialmente fertilizantes nitrogenados; os combustíveis fósseis usados no transporte dos produtos, e a compactação e degradação do solo, que reduzem a infiltração da água na terra, são outros fatores que preocupam. “Tudo isso consolidou-se com muito incentivo público, pois, desde a década de 1970 o Brasil criou um modelo de agropecuária extensiva, com incentivos fiscais, crédito subsidiado e assistência técnica buscando aumento da rentabilidade do negócio agrícola, acima de tudo. Infelizmente, essa lógica levou a um conflito entre produção e conservação, que não faz mais sentido no século XXI”, salienta Rocha.

André Ferretti, gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e também membro da RECN diz que o Brasil enfrenta um problema sério, pois o país depende da agropecuária. “É importante ressaltar que é possível produzir de outra forma, reduzindo, e muito, a emissão de gases de efeito estufa e contribuindo para minimizar os impactos inevitáveis das mudanças do clima. O setor agropecuário pode ser um grande aliado na mitigação das emissões e no aumento da resiliência do setor e de toda a sociedade aos efeitos das mudanças climáticas”.

Ferretti lembra que a agricultura de baixo carbono já é realidade – especialmente em localidades onde predomina o modelo da agricultura familiar –, mas o modelo deveria ser aplicado em grande escala. Para isso, no entanto, políticas públicas inteligentes deveriam induzir uma mudança pragmática e cultural no setor. “O Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) é exemplo de uma boa ideia que ainda não decolou”. Composto por seis programas do Governo Federal, o Plano ABC contempla recuperação de pastagens degradadas; integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas agroflorestais; plantio direto; fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas; tratamento de dejetos animais; e adaptação às mudanças climáticas.

O professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa defende soluções agroecológicas para a produção de alimentos. “Quanto mais avançada for a nossa sociedade, mais devemos impulsionar a agricultura orgânica, responsável e sustentável, comprometida com a redução da emissão de GEE, com a conservação da biodiversidade, proteção de nascentes de água e dos rios, e distribuição mais justa dos recursos econômicos. Uma produção sustentável no campo, que considere a natureza como vetor estratégico, contempla isso”, salienta.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Comissão Mista Permanente aprova plano de trabalho com nove eixos

Amazônia, agropecuária e COP30 no foco A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas do Congresso Nacional aprovou o plano de trabalho do colegiado que abrange nove eixos prioritários - Cenários da emergência climática: inundações, desertificação e oscilações de temperatura acima de 1,5°; Agenda governamental e legislações vigentes ; O esforço da mitigação climática ; O Momento da adaptação climática ; Financiando o combate às mudanças climáticas ; Medidas e providências setoriais; setor privado; padrões de reporte, riscos climáticos e climatewashing ; Agricultura, pecuária, suas possibilidades, contribuições e alternativas ; Transparência, governança e meios de implementação e Posicionamento internacional, G20 e COP30. Entre os desafios que serão debatidos pela Comissão estão a redução do desmatamento e o apoio aos centros urbanos diante de crises hídricas e elevação do nível dos mares, além da área do agronegócio e da agricultura de baixo carbono. "Esse é um eixo fundamental. A gente só vai tratar com seriedade e consistência a questão das mudanças climáticas tendo o setor do agro como parceiro", disse o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo o senador, a agropecuária responde por 75% de toda a emissão de poluentes no Brasil, enquanto o setor energético teve uma redução de 5% entre 2021 e 2022. O documento ressalva que não quer atrelar setores econômicos específicos aos problemas climáticos e que todos são relevantes para o desenvolvimento e economia brasileira. Mas destaca que é necessário encontrar alternativas ambientalmente sustentáveis, especialmente para quem depende dessas atividades, sejam produtores ou consumidores. A Comissão realizará diversas audiências públicas e visitará diferentes regiões do País. O plano prevê diligências em cinco dos principais biomas brasileiros, cada qual com preocupações específicas. O primeiro deles é a Amazônia, onde o foco será desmatamento, mineração e experiências de sucesso da bioeconomia. No Cerrado serão priorizados o desmatamento, as queimadas e o impacto do agronegócio, enquanto na Mata Atlântica, além do desmatamento, serão exploradas as experiências de bioeconomia e reflorestamento. Na Caatinga, a maior preocupação é com a desertificação, a produção da agricultura e impacto na economia local, além do alto potencial na captura de carbono. Finalmente, no Pampa, será examinado o impacto das enchentes e alternativas sustentáveis. O relator também informou que integrantes da Comissão vão participar dos principais eventos internacionais da agenda climática em 2024, com destaque para a Semana do Clima, em Nova Iorque, de 22 a 29 de setembro; a Conferência sobre Biodiversidade (COP 16), em Cali, na Colômbia, entre outubro e novembro; e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 29), em Baku, no Azerbaijão, em novembro.

16 de junho, 2024
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MEIO AMBIENTE
Movimento pede maior ambição climática

Composto por mais de 280 representantes do agronegócio, sociedade civil, setor financeiro e academia, o movimento Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura encaminhou, dia 8 de abril, uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, os ministros da Agricultura, Meio Ambiente e Relações Exteriores (Tereza Cristina, Ricardo Salles e Carlos França, respectivamente), ao Congresso Nacional, Parlamento Europeu e Embaixadas pedindo que o País se comprometa com maior ambição climática durante a Cúpula de Líderes do Clima, organizada pelo governo dos Estados Unidos entre os dias 22 e 23 de abril. Embora não faça parte do calendário oficial das negociações, o encontro reunirá os presidentes das grandes economias – e dos maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) do planeta – e deverá galvanizar maior ação climática global. Para os membros da Coalizão Brasil, somente uma maior ambição na agenda climática poderá aumentar os investimentos, a credibilidade e o respeito internacional junto ao Brasil, fatores necessários no contexto da atual crise social, econômica e de saúde. O Brasil é considerado um país-chave nos esforços globais para o equilíbrio climático do planeta, pois o clima do mesmo está mudando muito rápido. Entre 2004 e 2012, o Brasil fez a maior redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) já registrada por um único país, ao reduzir em 80% sua taxa de desmatamento. Se o Brasil não sair da posição passiva referente a ações para reduzir os impactos das mudanças climáticas, o aumento da temperatura média do planeta ultrapassará os 1,5°C até o fim deste século, criando um cenário climático imprevisível. O documento ressalta que, embora dois terços das emissões nacionais de GEE sejam oriundas de atividades relacionadas ao uso da terra, esse setor oferece vasto potencial de remoções de carbono, seja por atividades de conservação ambiental, restauração ou de produção agrícola e florestal sustentáveis. Além disso, pela conservação ambiental em biomas relevantes, como a Amazônia, o Brasil pode evitar futuras e trágicas pandemias como as que vivemos, fruto de zoonoses decorrentes da destruição de ecossistemas. "O Brasil só vai receber apoio e parcerias externas por esforços de mitigação como contrapartida a avanços efetivos na agenda climática. Para tanto, é fundamental o país alcançar uma significativa redução de emissões de GEE, trabalhar pela eliminação do desmatamento ilegal de seus biomas e combater a ilegalidade", destaca o documento. Apenas o Brasil é responsável por 40% das emissões de GEE. O documento da Coalizão Brasil inclui o pedido de implementação urgente de seis ações para a queda rápida do desmatamento, lançadas em setembro de 2020 e entregues às autoridades. São elas: Retomada e intensificação da fiscalização, com rápida e exemplar responsabilização pelos ilícitos ambientais identificados; Finalizar implementação Cadastro Ambiental Rural (CAR) e suspender registros que incidem sobre florestas públicas promovendo responsabilização por eventuais desmatamentos ilegais; Destinação de 10 milhões de hectares à proteção e uso sustentável; Concessão de financiamentos sob critérios socioambientais; Total transparência e eficiência às autorizações de supressão da vegetação e Suspensão de todos os processos de regularização fundiária de imóveis com desmatamento após julho de 2008.

11 de abril, 2021
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EMISSÕES
Atividade rural responde por 72% em 2019

Segundo dados da nova edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima), a agropecuária emitiu 598,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019, um aumento de 1,1% em relação às 592,3 milhões de toneladas emitidas em 2018. As emissões diretas do setor, fortemente ligadas ao rebanho bovino, representaram 28% do total de gases de efeito estufa do Brasil. As emissões de uso da terra representaram 44% do total nacional. Somados, os dois setores concentram 72% das emissões brasileiras. Os dados do SEEG foram discutidos num seminário virtual, dia 11 de novembro, por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), com a participação do físico Paulo Artaxo, da USP, e do administrador e geógrafo Laurent Micol, da Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia). O setor de mudanças do uso da terra foi o maior responsável pelo crescimento de quase 10% nas emissões do Brasil no ano passado. Ele respondeu por cerca de 968 milhões de t CO2 e, contra 788 milhões em 2018, um aumento de 23% de um ano para o outro. Apesar do aumento na eficiência da produção de carne, da ordem de 18% entre 2010 e 2019, com o crescimento do rebanho bovino de apenas 2,6%, a pecuária de corte ainda responde por 62% das emissões de GEE da agropecuária. "Os resultados do SEEG agro mostram a crescente contribuição da agropecuária para as emissões nacionais, porém este cenário deve ser revertido. Os sistemas de produção precisam adotar as boas práticas de manejo e cuidado do solo — onde está concentrada a maior parte dos estoques de carbono. Um solo conservado produz mais e ainda estoca carbono, e é portanto um dos recursos naturais mais importantes do Brasil", afirma Renata Potenza, Coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora. O setor pode reduzir suas emissões significativamente por meio da implementação de tecnologias de manejo correto de solos. A principal delas é a recuperação de pastagens degradadas, financiada há uma década por meio do Programa ABC, do Ministério da Agricultura. É uma tecnologia de custo negativo, pois ela aumenta a capacidade de suporte da pastagem e, consequentemente, a renda do produtor. "O desmatamento já foi reduzido no passado com políticas públicas consistentes. Não existe nenhuma razão tecnológica, social ou econômica para não voltarmos a uma trajetória de redução", disse Ane Alencar, do Ipam. O SEEG calcula desde 2015 o balanço de carbono dos solos agrícolas, que hoje não é contabilizado nos inventários de emissões do governo brasileiro. As análises vêm concluindo que já existe sequestro líquido de carbono — de 39,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019. O desmatamento, principalmente na Amazônia, está retornando a patamares verificados nos anos 1990 e, e o seu crescimento descontrolado, principalmente em 2019 e 2020, fez com que o Brasil perdesse as duas metas de sua lei de clima (a Política Nacional sobre Mudança do Clima) para 2020: a redução de 80% na taxa de desmatamento amazônico em comparação com a média 1996-2005 e a redução das emissões brasileiras brutas a um máximo de 2,068 bilhões de toneladas de CO2 equivalente neste ano. O SEEG calcula há dois anos, ainda de forma experimental, o carbono emitido por incêndios florestais não relacionados ao desmatamento. São matas, especialmente na Amazônia, que não queimariam em condições naturais, mas que vêm pegando fogo com frequência devido à degradação florestal e aos efeitos da mudança do clima. Essas emissões também não são contabilizadas nos inventários nacionais. Em 2019, as emissões por incêndios em florestas emitiram 517 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente no Brasil. O Ipam estimou que 36% das queimadas no último ano tenham tido origem em incêndios florestais. Como se trata de fogo causado por seres humanos, o Observatório do Clima defende que essas emissões passem a ser computadas nos inventários como parte da conta de carbono que o Brasil precisa pagar.

23 de novembro, 2020
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Emissões brasileiras devem crescer até 20% com recessão

Segundo análise do Observatório do Clima lançada dia 21 de maio, as emissões brasileiras de gases de efeito estufo podem subir entre 10% e 20% em 2020 na comparação com 2018, último ano para o qual há dados disponíveis. A recessão gerada pela pandemia do COVID-19 no restante do mundo pode gerar redução de 6% dos gases. O aumento das emissões no Brasil é explicado de acordo com nota técnica do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC), pelo aumento do desmatamento na Amazônia neste ano. Este crescimento das emissões brasileiras tende a compensar a queda esperada das emissões no setor de energia e na atividade industrial, além da redução que também vem sendo verificada no desmatamento no Cerrado. Considerando a média dos últimos cinco anos do desmatamento nos meses de maio a julho, as emissões decorrentes da destruição da floresta em 2020 serão 29% maiores que em 2018. Caso o desmatamento em maio, junho e julho deste ano seja semelhante ao do mesmo período do ano passado, porém, a Amazônia pode terminar 2020 com 14,5 mil km2 desmatados e emissões 51% maiores do que em 2018. O desmatamento é medido sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Em julho se encerra a série de 2020. A redução do consumo de carne em abril contribuiu para o aumento nas emissões do Brasil. Em abril, os abates de bovinos caíram 20%, o que pode significar um ligeiro acréscimo nas emissões do setor. A pecuária responde sozinha por 20% das emissões do Brasil, sobretudo devido ao metano emitido pelo rebanho bovino (o popular "arroto" do boi). A redução nos abates significa mais bois no pasto e, portanto, mais emissões. Outros setores com tendência de queda são o de transportes, por exemplo, a partir da adoção do isolamento social, em março. No entanto, o consumo de diesel no transporte de carga subiu, o que levou a uma queda de 1% nas emissões no primeiro trimestre, no cômputo geral – uma redução pequena. A geração de eletricidade e a indústria tiveram quedas nas emissões. Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente, divididas da seguinte forma - 21% em energia, 5% em processos industriais, 25% em agropecuária, 5% em resíduos e 44% em mudança de uso da terra. A depender do que possa acontecer com o desmatamento da Amazônia, as emissões podem ser da ordem de 2,1 bilhão a 2,3 bilhões de toneladas brutas neste ano. Isso desviaria o país tanto do cumprimento da Política Nacional de Mudança do Clima, que tem meta de emissões decrescentes para 2020, quanto do Acordo de Paris, que prevê emissões de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 equivalente para 2025. "O efeito da pandemia é redução das emissões no mundo inteiro. Mas, no Brasil, temos a maior parte das emissões vinculadas a mudanças do uso da terra, que estão descoladas da Covid-19", disse Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

25 de maio, 2020
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EFEITO ESTUFA
Produtores calculam emissões em fazendas

A Feira Agropecuária de Paragominas (Agropec) foi escolhida para treinar produtores interessados em calcular as emissões de gases que provocam o aquecimento global em suas fazendas. O cálculo é feito através da calculadora GHG Protocolo Agropecuário – criada pelo WRI Brasil em parceria com a Embrapa e a Unicamp para as condições tropicais do Brasil. O equipamento foi apresentado na primeira quinzena de agosto pela equipe do Programa de Clima do WRI Brasil e pelo pesquisador sênior da Embrapa, Eduardo Assad. Os produtores de Paragominas já adotam algumas boas práticas, como a integração lavoura-pecuária-floresta, em parte graças ao esforço que levou Paragominas a ser o primeiro município a sair da lista de campeões do desmatamento na Amazônia. Com o uso da calculadora os produtores poderão melhorar a gestão de suas propriedades e demonstrar que produzem carne de baixo carbono, conquistar novos mercados com carne sustentável, além de contribuírem para que o Brasil alcance a meta de ter 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e 5 milhões de hectares ocupados por Integração Lavoura-Pecuária até 2030. A pecuária brasileira é responsável por 70% das emissões do setor agropecuário e, segundo Assad, “a pecuária é a única atividade que pode deixar de emitir e passar a sequestrar carbono nos próximos anos”. “Acredito que é muito mais fácil mudar o paradigma da agropecuária do que mudar o parque industrial brasileiro. É muito mais fácil mudar certas práticas agrícolas do que aumentar a eficiência de uma fábrica ou indústria. Isto está entrando em jogo e se a gente conseguir fazer isto, seremos imbatíveis,” disse Assad. A pesquisadora do Programa de Clima do WRI Brasil, Juliana Speranza, lembrou que integração de lavoura, pecuária e floresta, Sistemas Agroflorestais (SAFs), plantio direto, fixação biológica de hidrogênio (através do plantio de leguminosas e outras plantas que fixam o hidrogênio no solo, substituindo a adubação e poupando até US$ 3 bilhões ao ano em gastos), florestas plantadas, tratamento de dejetos animais são também tecnologias incentivadas para reduzir emissões e que vêm sendo adotados na região. “A calculadora de emissões é um instrumento para apoiar este movimento de mudança”. O GHG Protocolo Agrocupecuário é uma calculadora gratuita e pode ser baixada em: http://ghgprotocol.org/agriculture-guidance#supporting-documents.&nbsp ;

24 de agosto, 2017
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EMISSÕES
Brasil precisa de desmatamento zero para atingir meta

Segundo análise realizada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Brasil precisa reduzir o desmatamento em 87% até 2025 para atingir as reduções de emissões propostas para o País. Em 2030 seria necessário que o Brasil zerasse as emissões de desmatamento e reduzisse emissões de outros setores para cumprir a meta proposta internacionalmente. O estudo mostra que em 20125 o Brasil emitirá 1,51 bilhão de tonelada de dióxido de carbono (CO2), 9,6% acima do número que consta da NDC (sigla em inglês para contribuição nacionalmente determinada) para 2025: 1,38 bilhão. Para alcançar a meta em 2030, de 1,25 bilhão de toneladas de CO2, é preciso chegar ao desmatamento zero e ainda reduzir em 173 milhões de toneladas de CO2 as emissões somadas dos outros setores (energia, agropecuária, industrial e resíduos). “Ainda que a gente atinja o desmatamento ilegal zero em 2030, haverá emissão equivalente a 10% do desmatamento de 2015”, explica a pesquisadora e diretora do IPAM, Andrea Azevedo. “Ninguém quer mais desmatamento, ilegal e nem legal. Mesmo que cresça a área para a agropecuária com intensificação da produção, é necessário reduzir consideravelmente a conversão do solo de floresta para outros usos”, afirma Andrea. A pesquisadora comenta que diversas empresas são favoráveis ao desmatamento zero de florestas, seja legal ou ilegal. “Muitos foram pressionados pelo Ministério Público Federal, por grandes organizações e até consumidores”, diz. “O resultado é que essas empresas perceberam que é possível produzir, crescer e ganhar mercados mantendo florestas”.

13 de abril, 2016