MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Agronegócio Fica de Fora do Mercado de Carbono no Brasil

Agronegócio Fica de Fora do Mercado de Carbono no Brasil

Exclusão do setor rural levanta debates sobre perdas econômicas, impacto ambiental e a posição do país em fóruns internacionais

O governo federal sancionou recentemente a criação do mercado regulado de carbono no Brasil, mas decidiu excluir o agronegócio das obrigações. Segundo o projeto, apenas setores industriais que emitam mais de 10 mil toneladas de dióxido de carbono por ano terão que cumprir metas rígidas de redução ou pagar por créditos de carbono. Já o agronegócio, que é responsável por cerca de 27% das emissões nacionais, participará apenas de forma voluntária.​

O agronegócio foi excluído por pressão da bancada ruralista, o que gerou críticas de especialistas. Eles apontam que o setor perde uma oportunidade econômica, já que poderia gerar créditos de carbono com práticas mais sustentáveis. Além disso, essa exclusão levanta preocupações sobre a reputação do Brasil em fóruns internacionais, onde o país é observado de perto devido ao seu protagonismo ambiental​.

Apesar das críticas, o governo argumenta que o mercado de carbono permitirá ao Brasil explorar seu potencial em ativos naturais, como a conservação de florestas. O setor industrial, por outro lado, terá que se adaptar às exigências das novas regras em até seis anos. Estima-se que o mercado global de carbono já tenha movimentado US$ 100 bilhões em 2022, e o Brasil busca alinhar sua regulamentação com padrões internacionais, como os da União Europeia​.

Especialistas alertam, no entanto, que a exclusão do agronegócio pode dificultar ainda mais os esforços de descarbonização no país, já que o setor agrícola é uma das maiores fontes de emissões de gases de efeito estufa, especialmente de metano e óxido nitroso. Para muitos, o Brasil deveria focar em criar incentivos para que o agronegócio adote práticas mais sustentáveis, unindo ganhos econômicos e ambientais​.

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