MAMÍFEROS

Ação humana provoca diminuição no Japi

Segundo o estudo “Ocupação e uso da paisagem por mamíferos de médio e grande porte em um grande remanescente de Mata Atlântica”, conduzido pela bióloga Mariana Nagy Baldy dos Reis, a Serra do Japi, localizada nos municípios paulistas de Jundiaí, Cajamar, Cabreúva e Bom Jesus de Pirapora, apresenta diferenças significativas sobre a distribuição e maior ou menor presença de espécies de animais. Pesquisa inédita desenvolvida na Unicamp mostrou que variáveis antrópicas podem ser determinantes para uma menor distribuição e ocorrência de mamíferos de médio e grande porte no local.

As variáveis antrópicas estão relacionadas à interferência do homem no meio ambiente. O estudo também analisou outras variáveis, como as ambientais e geográficas. A Serra do Japi é uma das últimas grandes áreas de Mata Atlântica contínua no Estado de São Paulo, tendo sido tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico), como monumento natural do Estado de São Paulo.

Os principais resultados da pesquisa apontaram que variáveis antrópicas diminuíram a presença de espécies de mamíferos no local, entre os quais frugívoros (macacos, pacas, veados, entre outros) e carnívoros (jaguatiricas, gatos-do-mato, entre outros). Os mamíferos frugíveros e carnívoros são grupos considerados chaves no papel ecológico de dispersar sementes (frugivoros) e regular a população de presas (carnívoros). “Na Serra do Japi existe a Reserva Biológica Municipal (Rebio), que é o local mais restritivo ao homem. Há também uma área envolta da reserva que é a zona de amortecimento e, depois, uma área natural tombada. Portanto, são três graus de proteção, indo do mais protegido, que é a reserva, para o menos protegido, que é a área tombada. Quanto mais o sistema de proteção for restritivo à presença humana, maior a variedade de espécies, e consequentemente, de grupos funcionais de mamíferos”, explica a pesquisadora Mariana Nagy Baldy dos Reis.

O trabalho, conduzido junto ao Programa de Pós Graduação em Ecologia do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, foi orientado pela professora Eleonore Zulnara Freire Setz, que atua no Departamento de Biologia Animal da Unidade. Houve coorientação do pesquisador Adriano Garcia Chiarello, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. Uma parte do doutorado foi desenvolvida junto ao Patuxent Wildlife Research Center, vinculado ao United States Geological Survey (USGS), instituição de pesquisa do governo norte-americano. No centro de pesquisa, Mariana Nagy Baldy dos Reis foi orientada pelo pesquisador James Nichols.

O trabalho também contou com a colaboração do professor Milton Cesar Ribeiro, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Rio Claro. Houve financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “A principal recomendação que os resultados trazem é uma atenção especial sobre qual sistema de proteção vai ser criado e mantido. Antes da pesquisa não se tinha claro como as diferentes regras de manejo das áreas protegidas podiam influenciar a ocupação e o uso do habitat das espécies estudadas”, revela a autora do estudo.

Mariana dos Reis informa que fatores antrópicos foram os que mais influenciaram uma menor ocupação de mamíferos de médio e grande porte, sobretudo os grupos considerados chaves, como os frugívoros e carnívoros. “Estas características diminuem a presença desses animais: quanto mais estrada, quanto mais distante o local amostrado da reserva, e quanto menor a qualidade da vegetação, menor a ocupação desses mamíferos. Os fatores antrópicos foram mais determinantes para essa menor ocupação do que variáveis ambientais e geográficas, como declividade, altitude e densidade hidrográfica”, especifica.

Na pesquisa, foram amostrados 45 sítios de Mata Atlântica utilizando armadilhamento fotográfico, coleta de fezes e testes de playback. Conforme a autora do estudo, foi utilizado um método de detecção/não-detecção para estimar a ocupação dos mamíferos e o grau de suas funções ecológicas. “As análises de dados foram realizadas durante o estágio sanduíche no USGS Patuxent Wildlife Research Center, sob orientação do James Nichols. Utilizamos os modelos de ocupação, que são modelos matemáticos que estimam a probabilidade de uma área estar ocupada por uma espécie e a relação dessa ocupação com as características da área, levando em consideração a probabilidade de detecção da espécie.”

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