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Projeto de reflorestamento em SP tem maior primata das Américas

Projeto de reflorestamento em SP tem maior primata das Américas

Junto com o muriqui-do-norte (B. hypoxanthus), os mono-carvoeiros representam os maiores primatas das Américas, endêmicos da Mata Atlântica e exclusivos do território brasileiro

Cercada de pastagens, plantações de cana-de-açúcar, eucalipto e laranja, a Estação Ecológica do Barreiro Rico, uma unidade de conservação integral estadual criada em 2006, hospeda cinco dos cerca de 1.300 indivíduos remanescentes na natureza de muriqui-do-sul, ou mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides). Junto com o muriqui-do-norte (B. hypoxanthus), os mono-carvoeiros representam os maiores primatas das Américas, endêmicos da Mata Atlântica e exclusivos do território brasileiro. Para observar os promatas na área de 292 hectares no interior de São Paulo, a doutoranda Beatriz Robbi, do Laboratório de Manejo e Conservação de Fauna, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), sobrevoa a copa das árvores com um drone. O pequeno veículo aéreo guiado por controle remoto é dotado de um sensor termal e de uma câmera.

No começo da manhã e no fim da tarde, quando as temperaturas são mais amenas e os galhos e folhas estão mais frios, é mais provável detectar os muriquis pelo calor emanado de seus corpos, de braços alongados e barriga protuberante. O vídeo gravado pela pesquisadora pode ser visto em https://youtu.be/EJPag-EqSeA. Com autonomia de 20 minutos em cada bateria (são quatro no total), o drone percorre grande parte da área. Quando detecta os muriquis, é possível ir até eles no meio da floresta. Então pode-se observar se estão juntos ou separados, o que estão comendo, se estão se reproduzindo, se têm filhotes ou fêmeas grávidas, entre outras informações. As coletas de dados vão até o final do dia, quando param para dormir. “No total, são 12 indivíduos conhecidos na chamada Área de Proteção Ambiental do Barreiro Rico, que junto com a Estação Ecológica compõe um mosaico de cerca de 30 mil hectares, com fazendas, empresas e fragmentos de Mata Atlântica. No caminho entre essas porções de floresta, porém, existem estradas, fios de alta tensão, plantações, pastagens e construções, o que atrapalha, quando não impossibilita, os grupos de se encontrarem e se reproduzirem entre si”, explica Beatriz.

Medidas para a conservação de muriquis podem contribuir especialmente com as outras quatro espécies de primatas presentes na área: bugio-ruivo, macaco-prego, sagui-da-serra-escuro e sauá, além de mais de 200 espécies de aves e mais de 30 de mamíferos terrestres, como quatis, jaguatiricas, onças-pardas, tamanduás-bandeira, queixadas e catetos. A principal forma de fazer a ligação da área com outros remanescentes são os chamados corredores ecológicos, florestas que conectem os fragmentos de Mata Atlântica então isolados. Esse é o objetivo de um grupo de pesquisadores, ONGs e da Fundação Florestal, órgão que administra as unidades de conservação do Estado de São Paulo. Segundo Luana Carvalho, mestranda no Laboratório de Silvicultura Tropical (Lastrop) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), que também desenvolve pesquisa no local, por meio do estudo da ecologia da paisagem e de sensoriamento remoto será possível identificar os fragmentos florestais de maior valor ecológico para o muriqui, ou seja, aqueles que ainda possuem qualidade para sua reprodução, alimentação e abrigo. “A partir disso, poderemos determinar onde e como conectar esses fragmentos. Estamos priorizando espécies arbóreas importantes para a alimentação e uso pelo muriqui, o que nos permitirá orientar uma restauração florestal focada nessa espécie. Assim, poderemos criar corredores ecológicos que, além de expandir a cobertura florestal, oferecerão os recursos alimentares necessários, respeitando as exigências de cada espécie arbórea”, afirma.

O projeto de Luana tem a orientação de Edson Vidal, um dos coordenadores do Lastrop e professor na Esalq-USP, e busca entender a estrutura da floresta e como ela sustenta as espécies. A área estudada é parte dos 4% remanescentes de floresta estacional semidecidual que restam na Mata Atlântica. Mais seca do que a floresta ombrófila, fitofisionomia mais conhecida por áreas como a Serra do Mar, por exemplo, a estacional semidecidual perde parte das folhas durante os meses de seca como forma de conservar água nas plantas. A restauração planejada na região faz parte do projeto https://corredorcaipira.com.br/, iniciativa financiada pela Petrobras que visa estabelecer corredores ecológicos para conectar o território. “O projeto busca justamente reconectar os fragmentos florestais para que a biodiversidade não fique isolada, o que aumentaria em muito os riscos de extinção de espécies em declínio populacional. Os animais precisam de conexão para se reproduzir, para procurar alimento e mesmo aumentar as chances de não desaparecerem por conta de algum evento não controlado, como um incêndio que destrua uma área como essa, por exemplo”, afirma Pedro Brancalion, professor da Esalq-USP e outro coordenador do Lastrop.

Brancalion está à frente do projeto “Compreendendo florestas restauradas para o benefício das pessoas e da natureza – NewFor”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO), dos Países Baixos. Barreiro Rico se tornou recentemente parte das cerca de 50 áreas atualmente monitoradas pelo NewFor. Em todas elas, são selecionadas parcelas, porções de 900 metros quadrados de floresta, em que todas as árvores com diâmetro acima de 5 centímetros na altura do peito são medidas e monitoradas. Ao todo, o projeto já monitorou cerca de 800 parcelas, distribuídas ao longo de quase toda a Mata Atlântica. A cada mês, Beatriz visita as parcelas do NewFor em Barreiro Rico, medindo a quantidade de flores, frutos e sementes para saber a disponibilidade de alimento para os muriquis na floresta. Além disso, em um esforço paralelo, ela e Carvalho coletam fezes dos muriquis para identificar quais espécies de frutos são consumidos, a fim de aumentar o número de espécies vegetais indicadas para a área. “Os muriquis são considerados os jardineiros da floresta, importantes na manutenção da Mata Atlântica. Por se alimentarem de frutos com sementes grandes, são os principais dispersores de espécies arbóreas como cambuí, jatobá e copaíba, que outros animais não conseguem dispersar”, explica Luana. Algumas dessas sementes, inclusive, só germinam após a quebra da dormência, que acontece depois de passarem pelo trato digestório dos animais. Portanto, a extinção local do primata pode causar uma degradação importante na floresta pela perda de espécies da flora restritas a pequenos fragmentos, como a Estação Ecológica do Barreiro Rico.

Estimativas dão conta de que entre 200 e 500 muriquis já viveram em Barreiro Rico num passado não muito distante. O grupo da Estação Ecológica era ainda menor em 2018, quando ocorreu o último incêndio na área. Com a trégua do fogo, dois filhotes nasceram entre 2023 e 2024. Com temperaturas cada vez mais altas e clima mais quente, não foi por milagre que os incêndios cessaram nos últimos anos. João Marcelo Elias, gestor da Estação Ecológica junto à Fundação Florestal, conta que foram muitos fatores que contribuíram para que não houvesse mais queimadas como a de 2012, que destruiu 750 hectares, parte deles dentro da Estação Ecológica. “Houve um investimento do Estado em recursos humanos, viaturas com 500 litros de água, equipamentos de proteção individual, abafadores, mangueiras, mochilas costais e treinamento de brigadas. Isso é essencial para evitar que um foco se transforme em um incêndio como os que estamos vendo”, diz Elias, citando os então 110 mil focos de calor registrados no país em 2024.

Além do investimento estatal, por meio do projeto SP sem Fogo, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o gestor atribui o sucesso ao engajamento realizado no entorno, que ele chama de uma verdadeira mobilização de empresários, proprietários rurais e da população em geral. Hoje, além dos 500 litros de água em cada viatura, existem reservas de sete mil litros na base da Estação Ecológica e outros milhares nas propriedades rurais do entorno. A conscientização quanto a evitar fogueiras, queimar lixo, queimadas para limpar terrenos, descarte de bitucas de cigarro acesas e mesmo o simples ato de encostar o motor quente dos tratores na palha seca da cana-de-açúcar, entre abril e setembro, já traz grande alívio para os bombeiros e brigadistas. “Criou-se um pertencimento ao local, e o muriqui é o nosso melhor garoto-propaganda”, encerra Elias.

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MATA ATLÂNTICA
Onça-parda é monitorada no bioma

A maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil, o Legado das Águas – Reserva Votorantim, flagrou pelas câmeras de monitoramento do Onçafari, projeto dedicado ao estudo e conservação da vida selvagem, pequenos passeios, parada para um descanso e até marcação de território do Tikún, como é chamado o macho de onça-parda. Os registros do felino foram feitos entre outubro e dezembro de 2020 (período de tempo entre a instalação da câmera e retirada para coleta das imagens), que identificou ainda em números absolutos, mais de 1.500 animais, divididos em 30 espécies, entre mamíferos, aves, insetos, répteis e anfíbios. A quantidade de avistamentos pelas câmeras demonstra a efetividade da parceria e a qualidade da floresta do Legado das Águas como refúgio e abrigo seguro para as espécies animais. Monitorar e diferenciar onças-pardas (Puma concolor) é uma tarefa desafiadora. Isso porque, diferentemente das onças-pintadas (Panthera onca) – que são identificadas por suas rosetas –, os pesquisadores individualizam as pardas por marcas físicas, como cicatrizes, por exemplo. A característica que permite que o Tikún seja acompanhado é uma fratura na ponta da cauda, o que deu origem ao seu nome, que significa “quebrado”, em tupi-guarani. De acordo com Victória Pinheiro, bióloga do Onçafari responsável pelo projeto no Legado das Águas, as imagens mostram um animal adulto saudável. “Os vídeos mostram o Tikún descansando, passeando pela floresta e marcando território, que é quando espalham urina ou fezes para deixar o seu odor naquele espaço. Pelo porte físico também é possível dizer que a sua saúde está em dia”, diz. Ao que tudo indica, o Tikún está gostando do momento de fama, já que foi registrado em quatro pontos distintos onde as câmeras estão instaladas. A frequência dos registros é essencial para fornecer informações importantes sobre a espécie, que é pouco estudada na Mata Atlântica. “É impossível dizer quando um animal será registrado novamente, ainda mais uma onça-parda, que ocupa um território amplo, percorrendo grandes distâncias, e não necessariamente os mesmos lugares. Mas os registros frequentes do Tikún podem fornecer informações importantes sobre a ocorrência da espécie e até mesmo do comportamento no bioma, já que os registros o mostram fazendo diferentes atividades. Esses são resultados bastante impressionantes, tanto pela frequência quanto pela quantidade”, completa a bióloga. Os momentos registrados nos vídeos estão disponíveis nos links: https://www.grupoprinter.com. br/conteudo/ KUB3d3MBMRVOTpIJVO6nrWs7hGVRQc l464LpCsVa https://www.grupoprinter.com. br/conteudo/ 2mKoh4ur8UYC3iSurybHb1fowHWPUq 1U1YDMUGXB

24 de fevereiro, 2021
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TECNOLOGIA
Drone para monitorar espécies ameaçadas

Uma equipe de pesquisadores brasileiros desenvolveu o primeiro drone das Américas, denominado ‘Dronequi’, para observar e detectar muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata do Brasil, espécie que beira a extinção. O equipamento apresenta vários avanços, pois conta com visão dupla: uma câmera colorida em altíssima resolução e outra com visão termal, que é sensível ao calor emitido por seres vivos mesmo em ambientes de difícil visibilidade, como florestas, por exemplo. O ‘Dronequi’ também chama atenção pela configuração. Com 8 kg, 90 cm de diâmetro e capacidade de voo de até 15 minutos, o equipamento amplia o alcance e a visão de biólogos que antes dependiam apenas de binóculos para acompanhar os muriquis. De acordo com o biólogo e idealizador do projeto, Fabiano Melo, professor da Universidade Federal de Viçosa, membro do MIB (Muriqui Instituto de Biodiversidade) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o drone traz o melhor da tecnologia para a conservação da natureza. "Antes, nosso método era entrar na mata e contar os macacos individualmente. Agora, com o drone, temos uma câmera colorida de altíssima resolução e outra sensível ao calor registrando exatamente a mesma cena, o que nos auxilia a localizar e contabilizar os animais em novos grupos e, principalmente, indivíduos isolados", comemora Fabiano, que também é consultor voluntário da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. As imagens captadas são compiladas pelo software Murilabs, responsável pela sincronização da visão das duas câmeras, além de aliar os dados do sistema GP para determinar a posição exata dos macacos. “Desenvolvemos um algoritmo inovador e exclusivo para esse projeto, que consegue, automaticamente, detectar um muriqui-do-norte na imagem térmica com base no calor gerado pelo animal e no seu padrão de movimentação, mesmo que ele esteja camuflado nas copas das árvores, habitat natural da espécie”, conta Marcos Costa, engenheiro mecatrônico e diretor de sistemas embarcados da Storm Security, empresa responsável pelo desenvolvimento do Dronequi. Além do monitoramento dos muriquis, o drone poderá ser utilizado para localização e resgate de pessoas. O projeto, 100% brasileiro, é fruto de uma parceria entre a equipe da Storm Security, com biólogos da ONG MIB e apoio da Fundação Grupo Boticário de Conservação da Natureza. O projeto também conta com a parceria da Reserva do Ibitipoca e da Fundação Biodiversitas. Atualmente existem apenas 900 muriquis-do-norte, o que coloca a espécie como “criticamente em perigo” pela mais recente lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente. A classificação está atrás somente da “extinta da natureza”. Os primatas são encontrados na Mata Atlântica, habitat natural da espécie, as fêmeas têm o costume de migrar entre os grupos, diferente dos machos, que permanecem a vida inteira em um mesmo bando. Com essa migração, as fêmeas acabam muitas vezes ficando perdidas em pequenos fragmentos da mata e o drone vai auxiliar também neste momento: encontrando animais isolados e minimizando o risco de perdê-los.

19 de setembro, 2017
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BIOMAS
Estudo sobre renegeração da Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram avaliação inédita da regeneração da Mata Atlântica. Através do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, ficou constatada a regeneração de 219.735 hectares (ha), ou o equivalente a 2.197 km², entre 1985 e 2015, em nove dos 17 estados do bioma. A área corresponde a aproximadamente o tamanho da cidade de São Paulo. Segundo números do Atlas, o Paraná apresentou mais áreas regeneradas no período, num total de 75.612 ha, seguido de Minas Gerais (59.850 ha), Santa Catarina (24.964 ha), São Paulo (23.021 ha) e Mato Grosso do Sul (19.117 ha). O estudo da SOS Mata Atlântica e Inpe levam em consideração, principalmente, a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero: “Agora, o desafio é recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, observa Marcia. “Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”, esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe.

27 de janeiro, 2017
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FAUNA
SOS Mata Atlântica recupera aves

A Fundação SOS Mata Atlântica comemorou o Dia da Ave, celebrado dia 05 de outubro, projeto que promoveu o retorno de algumas espécies de aves ameaçadas em extinção ao Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica – Brasil Kirin, localizado em Itu (SP). Em pouco mais de cinco anos, houve um aumento de 140% no número de novas espécies de aves na antiga fazenda de café, cedida pela Brasil Kirin, que se tornou referência em restauração florestal e educação ambiental. Segundo estudo realizado em parceria com os pesquisadores Marcos Melo e Marco Silva, da Universidade Federal de São Carlos, em 2010 foram identificadas 84 espécies de aves no local. No ano passado, o número alcançou 200 espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção, como a perdiz e a curica. Outras seis espécies estão classificadas como quase ameaçadas de extinção, segundo o Ibama. Ainda de acordo com o levantamento, 13 espécies endêmicas da Mata Atlântica, ou seja, que só sobrevivem no bioma, frequentam a fazenda atualmente. “O trabalho do Centro de Experimentos reforça a importância da restauração para o retorno da fauna. Este local, que antes era um cafezal, hoje é responsável por receber aves em extinção”, afirma Rafael Bitante Fernandes, Gerente de restauração florestal da SOS Mata Atlântica. Além da recuperação de aves, o projeto promoveu mais benefícios na região. Duas nascentes voltaram a verter água, somando-se às 17 já existentes. Criado em 2007, o centro tem a participação de um amplo corpo de funcionários, como engenheiros florestais, biólogos, educadores e viveiristas. O viveiro tem capacidade de produzir 750 mil mudas de 110 espécies nativas da Mata Atlântica por ano, que são implantadas em projetos na região e dentro da própria fazenda. Os projetos de restauração já foram responsáveis pelo plantio de mais de 30 milhões de mudas. Já o trabalho de sensibilização e educação ambiental envolve o público em geral nas questões ambientais, por meio de atividades de visitação.

13 de outubro, 2016
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MAMÍFEROS
Ação humana provoca diminuição no Japi

Segundo o estudo “Ocupação e uso da paisagem por mamíferos de médio e grande porte em um grande remanescente de Mata Atlântica”, conduzido pela bióloga Mariana Nagy Baldy dos Reis, a Serra do Japi, localizada nos municípios paulistas de Jundiaí, Cajamar, Cabreúva e Bom Jesus de Pirapora, apresenta diferenças significativas sobre a distribuição e maior ou menor presença de espécies de animais. Pesquisa inédita desenvolvida na Unicamp mostrou que variáveis antrópicas podem ser determinantes para uma menor distribuição e ocorrência de mamíferos de médio e grande porte no local. As variáveis antrópicas estão relacionadas à interferência do homem no meio ambiente. O estudo também analisou outras variáveis, como as ambientais e geográficas. A Serra do Japi é uma das últimas grandes áreas de Mata Atlântica contínua no Estado de São Paulo, tendo sido tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico), como monumento natural do Estado de São Paulo. Os principais resultados da pesquisa apontaram que variáveis antrópicas diminuíram a presença de espécies de mamíferos no local, entre os quais frugívoros (macacos, pacas, veados, entre outros) e carnívoros (jaguatiricas, gatos-do-mato, entre outros). Os mamíferos frugíveros e carnívoros são grupos considerados chaves no papel ecológico de dispersar sementes (frugivoros) e regular a população de presas (carnívoros). “Na Serra do Japi existe a Reserva Biológica Municipal (Rebio), que é o local mais restritivo ao homem. Há também uma área envolta da reserva que é a zona de amortecimento e, depois, uma área natural tombada. Portanto, são três graus de proteção, indo do mais protegido, que é a reserva, para o menos protegido, que é a área tombada. Quanto mais o sistema de proteção for restritivo à presença humana, maior a variedade de espécies, e consequentemente, de grupos funcionais de mamíferos”, explica a pesquisadora Mariana Nagy Baldy dos Reis. O trabalho, conduzido junto ao Programa de Pós Graduação em Ecologia do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, foi orientado pela professora Eleonore Zulnara Freire Setz, que atua no Departamento de Biologia Animal da Unidade. Houve coorientação do pesquisador Adriano Garcia Chiarello, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. Uma parte do doutorado foi desenvolvida junto ao Patuxent Wildlife Research Center, vinculado ao United States Geological Survey (USGS), instituição de pesquisa do governo norte-americano. No centro de pesquisa, Mariana Nagy Baldy dos Reis foi orientada pelo pesquisador James Nichols. O trabalho também contou com a colaboração do professor Milton Cesar Ribeiro, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Rio Claro. Houve financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “A principal recomendação que os resultados trazem é uma atenção especial sobre qual sistema de proteção vai ser criado e mantido. Antes da pesquisa não se tinha claro como as diferentes regras de manejo das áreas protegidas podiam influenciar a ocupação e o uso do habitat das espécies estudadas”, revela a autora do estudo. Mariana dos Reis informa que fatores antrópicos foram os que mais influenciaram uma menor ocupação de mamíferos de médio e grande porte, sobretudo os grupos considerados chaves, como os frugívoros e carnívoros. “Estas características diminuem a presença desses animais: quanto mais estrada, quanto mais distante o local amostrado da reserva, e quanto menor a qualidade da vegetação, menor a ocupação desses mamíferos. Os fatores antrópicos foram mais determinantes para essa menor ocupação do que variáveis ambientais e geográficas, como declividade, altitude e densidade hidrográfica”, especifica. Na pesquisa, foram amostrados 45 sítios de Mata Atlântica utilizando armadilhamento fotográfico, coleta de fezes e testes de playback . Conforme a autora do estudo, foi utilizado um método de detecção/não-detecção para estimar a ocupação dos mamíferos e o grau de suas funções ecológicas. “As análises de dados foram realizadas durante o estágio sanduíche no USGS Patuxent Wildlife Research Center, sob orientação do James Nichols. Utilizamos os modelos de ocupação, que são modelos matemáticos que estimam a probabilidade de uma área estar ocupada por uma espécie e a relação dessa ocupação com as características da área, levando em consideração a probabilidade de detecção da espécie.”

10 de agosto, 2016
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Lobo-guará, tamanduá-bandeira e onça-parda em perigo

Segundo a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e onça-parda (Puma concolor) correm perigo. Para conter esse avanço preocupante, a Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECF-Itatinga), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), serve de refúgio para estas espécies ameaçadas. A constatação faz parte do estudo coordenado pela professora Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, responsável pelo Laboratório de Ecologia, Manejo e Conservação de Fauna Silvestre (lemac), do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ. A professora desenvolveu inventário de mamíferos de médio e grande porte da Estação para verificar quais espécies ocorrem na área. A estudante de biologia da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Letícia Munhoes, orientada pela professora Katia, e com colaboração da doutoranda do Programa de Pós-graduação (PPG) em Recursos Florestais, Maísa Ziviani Alves, está desenvolvendo pesquisa para identificar os mamíferos que estão presentes e que utilizam as áreas de vegetação nativa e os plantios de eucalipto do local. A estudante utiliza armadilhas fotográficas, método amplamente utilizado em estudos de mamíferos de médio e grande porte. “As armadilhas são distribuídas aos pares, em pontos amostrais, por toda a área da Estação”, explica Letícia. O projeto teve início em maio deste ano e, com apenas 30 dias de amostragem, foi possível registrar diversas espécies. “A descoberta surpreendeu a todos, pois o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e a onça-parda estão presentes em listas de espécies ameaçadas de extinção. Além disso, o tamanduá-bandeira e o lobo-guará são sensíveis à fragmentação de habitats, sendo sua ocorrência no local de extrema importância para a Estação”, conta Maísa. Até o momento, o estudo registrou onze espécies : cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), irara (Eira barbara), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), onça-parda (Puma concolor), quati (Nasua nasua), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), tatu-peba (Euphractus sexcinctus) e veado-catingueiro (Mazama gouazoubira). “A presença de espécies em categoria de ameaça à extinção em área de vegetação nativa permeadas por plantio de eucalipto mostra a importância das florestas plantadas como conectoras de paisagem, permitindo o deslocamento de mamíferos de médio e grande porte”. Para a professora, o estudo também demonstra que os plantios de eucalipto contribuem com espécies de menor porte, compondo uma significativa base de presas. “Os resultados deste estudo fornecerão informações para elaboração de planos de manejo para a área, visando à conservação das espécies presentes”, afirmou. A pesquisa tem apoio da Superintendência de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo (SGA/USP), Plano Diretor Socioambiental Participativo do Campus “Luiz de Queiroz” e Departamento de Ciências Florestais da ESALQ. A primeira amostragem deve ser concluída em setembro de 2015, mas Katia diz que o objetivo é continuar o estudo. Estação Experimental O Departamento de Ciências Florestais da ESALQ administra a Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga, desde 1988. O local é um patrimônio da sociedade, reconhecido como um dos mais importantes centros de pesquisa, ensino e extensão universitária do mundo. Com 2.175,43 hectares às margens da Rodovia Castelo Branco, a Estação atendeu na última quinzena a 2.692 estudantes que complementaram o aprendizado teórico de 37 disciplinas de graduação, de pós-graduação e de colégios técnicos, sendo 17 disciplinas da ESALQ; 10 da Universidade Estadual Paulista (UNESP); 1 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), além de outras 5 disciplinas em faculdades e escolas técnicas do Estado de São Paulo. A Estação tem prestado ainda relevantes serviços ambientais à região onde está instalada e abriga remanescentes vegetais que constituem habitat para espécies de mamíferos e de aves.

8 de julho, 2015